65 anos sem Alex Raymond
Atualizado: 22:49:14 15/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

No último dia 6 fez 65 anos da morte do desenhista de quadrinhos Alex Raymond, o criador de personagens marcantes da nona arte e que se eternizaram no gosto dos muitos fãs de várias gerações. Raymond nasceu em 2 de outubro de 1909, em New Rochelle, no estado de Nova York, e morreu em 6 de setembro de 1956, em Connecticut.

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Alexander Gillespie Raymond, seu nome completo, foi aluno de belas artes em duas das mais importantes escolas dos EUA nos dourados anos 1920, a “Iona Preparation Scholl”, na sua cidade natal  e a “Grand Central Scholl of Art”, em Nova York. Começou a carreira como assistente do desenhista Russ Westover, na série de tirinhas de jornal intitulada “Tillie the Toiler”, de 1921.

Nos anos 1930, quando os quadrinhos ganharam espaço e dinheiro a partir da gerência do King Features, o sindicato gráfico precursor das grandes editoras de HQ, Raymond ganhou notoriedade internacional com três personagens. 

Para concorrer com três fortes marcas do King Features, que eram Tarzan, Dick Tracy e Buck Rogers, Raymond venceu um concurso de novas tirinhas em 1933 apresentando as novas figuras de Jim das Selvas, X-9 e Flash Gordon.

Os promotores do concurso haviam definido três temáticas: “aventura na selva”, “policial” e “ficção científica”. E em janeiro de 1934. começam a ser editadas as séries vencedoras, todas com a assinatura de Alex Raymond. 

O jornalista Ruy Castro, que já foi colunista de HQ, considerou os autores do meio tão importantes quanto os grandes literatos; e o romancista americano John Steinbeck dizia que o maior escritor da América era o roteirista Al Capp. 

Nesse mesmo diapasão, como dizem os narradores de futebol, Raymond foi tão importante para a ficção científica, para a trama policial e para as narrativas épicas quanto H. G. Wells, Agatha Christie e John Ronald Reuel Tolkien.

Suas personagens como Flash Gordon e Nick Holmes são peças de uma literatura rica que jamais cairão no esquecimento de bibliotecas visitadas apenas por aranhas. São sempre fontes de inspiração para novas sagas.

Revisitar as publicações permite achar elementos que surpreendem historicamente. Com Jim das Selvas, Raymond tratou de questões ecológicas, e em Flash Gordon antecipou em décadas a mini-saia no corpo de Dale Arden.

Quando foi servir na Segunda Guerra, ele interrompeu a usina criativa e reduziu as ameaças de invasão da Terra pelo poderoso Ming. Após ajudar o planeta a conter a invasão nazista, saiu da Marinha e voltou à prancheta.

Inspirado na própria experiência no teatro de guerra, Alex Raymondo criou o galante e esperto detetive Rip Kirby, conhecido no Brasil por Nick Holmes. Era uma espécie de criatura conforme a imagem e semelhança do próprio criador. 

Holmes, assim como Raymond, um ex-fuzileiro naval, estava retornando à vida civil e cheio de planos. O autor como desenhista e a personagem como detetive particular. A idéia foi apadrinhada por Ward Greene, do King Features.

Em 4 de março de 1946, os jornais americanos mostravam a nova maravilha de Alex Raymond. Dos seus filhos de aventuras, Holmes foi o que esteve mais próximo do desenhista nos últimos dez anos de sua vida, até o fim em 1956.

Os fãs nunca o esqueceram. Alguns acham que Alex Raymond não morreu, que está por aí, curtindo selvas ainda virgens, ou em planetas além da galáxia, ou quem sabe fiscalizando corruptos e desbaratando Ongs na Amazônia.

Canárias 
O Laboratório de Sismologia da UFRN é um dos principais em operação no Sul do continente Atlântico e tem uma eficiente estação em Riachuelo. Uma fonte informou que seus técnicos estão monitorando os sismos nas Ilhas Canárias.

Consórcio 
A CPI da Covid, que encerrará em ritmo de espetáculo com direito à produção de Paula Lavigne, segue ignorando as suspeitas sobre o famigerado Consórcio Nordeste, que de tantos segredos protegidos sugere um call center do deslize.

Avenidas 
De um grande empresário, tomando um café na presidência da empresa já devidamente capitaneada pelos herdeiros: “Bolsonaro jogou boliche nos dias 7 e 8; encheu a pista da Paulista e depois deu strike na Avenida Faria Lima”.

Solidariedade 
Duas jornalistas, duas mulheres, ambas com milhares de leitores há pelo menos duas décadas. Eliana Lima e Thaisa Galvão têm meu apoio contra as agressões que sofrem por motivos iguais, apesar de ideologicamente distintos. 

Lamartine 
A revelação na coluna de ontem do tesouro do advogado Assis Queiroz, guardado há seis décadas, fez seu telefone não parar de tocar. Seu colega e amigo Diógenes da Cunha Lima quer o episódio na Revista da Academia.

Padaria 
O Sebo Vermelha reedita e lança no sábado, das 9h às 13h, o livro “Padaria Espiritual”, do escritor e jornalista cearense Leonardo Mota, escrito originalmente em 1938. O título remete a uma confraria literária no século XIX. 

Seleção 
A revista France Football escalou sua seleção de todos os tempos: Yashin, Cafu, Maldini, Beckenbauer, Xavi, Mathäus, Maradona, Pelé, Ronaldo, Cristiano e Messi. Na nota a seguir, listo os escalados pela FIFA e por mim.

Seleção II 
01: Yashin, Thuram, Maldini, Baresi, Bobby Moore, Beckenbauer, Cruijff, Maradona, Pelé, Di Stefano, Messi. 02: Yahsin, Carlos Alberto, Beckenbauer, Bobby Moore, Maldini; Cruijff, Pelé, Maradona, Cristiano, George Best, Messi. 

Fashion
A chegada de Lionel Messi na passarela de craques do PSG atraiu um novo patrocinador oriundo do glamoroso mundo da moda. A famosa grife Christian Dior será responsável pela confecção das novas camisas do clube de Paris.






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Uma noite épica há 60 anos
Atualizado: 23:34:04 14/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

O advogado Assis Queiroz, Cizinho para os muitos amigos que acumulou em todo o RN, principalmente em Natal e Mossoró, está prestes a comemorar 60 anos da formatura em Direito pela Faculdade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, em novembro de 1962. Na noite da festa de formatura, ele e mais duas dezenas de colegas entraram pela madrugada nas mesas do Bar Luiz, um dos mais antigos da cena carioca, fundado em 1887. Foi uma noite épica.

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O Bar Luiz, patrimônio cultural do Rio e point de gerações de intelectuais e artistas, era chamado até 1942 de Bar Adolfo, até ser ameaçado de depredação por falsa suspeita de que seu nome era uma alusão a Hitler. Na noite de 28 de novembro de 1962, Assis e seus amigos ficariam marcados por um episódio mais que especial, quando o último cliente, isolado numa mesa de fundo, se empolgou com a jovial animação dos rapazes e juntou-se ao grupo.

Era um sessentão, que ao tomar ciência da confraria de formandos pediu licença, papel e lápis para escrever uma homenagem aos futuros advogados. O senhor compôs uma poesia com 48 linhas e pôs como título “Ipso Facto”.

Ao finalizar o texto, disse que todos ali iriam assinar embaixo, para ficar registrado a noite tão especial. Ao colocar seu nome e passar a folha aos rapazes, todos se entreolharam surpresos diante de um famoso compositor.

Frequentador assíduo do Bar Luiz desde as décadas que o estabelecimento passou por vários nomes, aquele senhor, um dos grandes poetas do mundo do samba, gastou alguns minutos para marcar para sempre os jovens formandos.

Por quase 60 anos, Assis Queiróz guardou as páginas daquela madrugada espetacular e em julho passado encadernou tudo, fazendo chegar ao meu conhecimento através da cópia que presenteou seu cunhado Carlos Rosado.

Abaixo, a poesia escrita em 28 de novembro de 1962:

IPSO FACTO
(Lamartine Babo)

Tomado assim de surprêsa
Como queiram, de improviso...
Vejo crescer minha mêsa,
neste momento preciso!...
Éramos dois, entretanto,
foram chegando outros tantos,
aumentando o nosso encanto,
entre poesias e... CANTOS!...
Rapazes, recem-formados,
em Direito! Cada qual
dirigindo os próprios MANDOS...
Neste mês, fins de novembro
em datas... (Como eu me lembro)
formação de doutorandos
no aproximar do Natal!...

Vocês, meus nobres rapazes,
aos quais, julgo tão capazes,
Juro por Deus; já nem sei...
A vocês, donos da Lei...
pelo Brasil, responsáveis,
até nos Laços imutáveis,
A vocês, peço desculpas
Se maiores minhas culpas,
por versos bons não fazêr!..
Mas, vamos todos beber...
“Bebemorar” neste bar... 
que é o fim de uma tradição,
Como é gostoso lembrar
Bar Adolfo o ALEMÃO –
Conflitos! Sempre aparecerá...

Em vocês, a alma transborda...
Vou gastar o meu latim:
- Silêncio pois. “Sursum Corda”...
Da oração, chego ao fim
Nestes meus dias cansados!...
na idade da “meno  pausa”...
Sejam meus advogados
Sem ser médicos na causa!
E... nesta oportunidade
entre chopps alegria
Na minha maturidade.
Seja de noite ou de dia
quero saudá-los, ao lado
de um poeta consumado,
nesta noite de lembrança!
Faço um pedido porém,
- Um Habeas-Corpus de Esperança
para nós tôdos! Amém!

Terremotos 
O Instituto Geográfico Nacional da Espanha alertou ontem sobre mais de uma centena de abalos sísmicos nas Ilhas Canárias, um deles atingindo 4 graus na escala ritcher. Os abalos são todos ligados ao aumento de atividade vulcânica.

Vulcão 
Nas últimas 72 horas, o número de abalos já ultrapassava 1,5 mil e com uma redução de profundidade em relação à base do vulcão Cumbre Vieja, que é considerado um provável causador de megatsunami no oceano Atlântico. 







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Garra Cinzenta está voltando
Atualizado: 22:40:21 13/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com 

Nós já gritamos no passado que o petróleo era nosso e ensaiamos sempre um canto por propriedade da Amazônia. Das coisas nacionais, só ganhamos no grito - e no canto - com o samba. Até a Bossa Nova há quem veja influência no jazz americano e no romantismo francês. Agora, chegou a hora de resgatar nosso pioneirismo nas HQs de heróis e de vilões com o retorno de uma personagem criada um ano antes do Superman e dois anos antes do Batman.

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A Editora Super Prumo lançou uma campanha de financiamento para botar nas bancas o antiherói brasileiro “Garra Cinzenta”, surgido em 1937 como um suplemento do tablóide Gazetinha e que inaugurou no país os gêneros de terror e super-heróis. Apesar de protagonista da antiga edição, que circulou até 1939, era um vilão considerado o mais infernal delinquente de todos os tempos, segundo o anunciado na própria publicação do jornal A Gazeta.

Em 2008, a relíquia de um exemplar da primeira edição me chegou às mãos como um presente todo especial do pesquisador de HQ Marcelo Coelho, com quem mantive constantes contatos durante os tempos de O Jornal de Hoje.

A “Garra Cinzenta” (com artigo feminino) era sempre perseguida pelo impávido inspetor Higgins, chamado de inteligente, engenhoso e destemido, e que era auxiliado pelo agente policial Miller, um cara fulminante e rápido no gatilho.

O nome do vilão fazia tremer quem o pronunciasse. Ele tinha auxiliares assustadores e enigmáticos, como a Dama de Negro; o Homem Macaco, um monstro sem origem mantido numa masmorra; e Flag, um robô que tudo sabia.

A cabeça de caveira da “Garra” gerou debates entre estudiosos de HQ nacional, pelo fato da obra de Renato Silva (desenhos) e Francisco Armond (textos) ter rodado o mundo por décadas sem merecer a devida autoria. 

Aliás, um capítulo muito especial na ousada obra é sobre um dos criadores, o roteirista Armond, que anos depois teve a sua identidade revelada: tratava-se da jornalista e poetisa Helena Ferraz de Abreu, que foi diretora de A Cigarra.

A “Garra” fez sucesso na Europa em edições pirateadas que ganhavam selo e autoria mexicanas, às vezes belgas e até francesas, estas a batizando na tradução livre “La Griffe Grise”, mas sem jamais citar a sua origem brasileira. 

O suplemento de A Gazeta foi tão revolucionário para a história dos quadrinhos de terror que a estampa do vilão inspirou diversas personagens com cabeça de caveira que vieram depois, como Killing, Kriminal, Black Terror, Blazing Skull...

O Caveira Vermelha (inimigo do Capitão América), o Patrulheiro Fantasma, Fantomas, o Motoqueiro Fantasma e até o Esqueleto (do desenho He-Man) muito provavelmente beberam na fonte do nosso poderoso vilão tupiniquim. 

Sua popularidade entre as décadas de 1930 e 1950, após as cópias é suficientemente grande para comprovar a influência. A contracapa da primeira edição trazia carta dos editores ao público, chamado “mundo juvenil brasileiro”. 

Diz assim: “Não há, hoje em dia, quem não conheça o inspetor Higgins e a Garra Cinzenta. Essas duas figuras estão gravadas no cérebro de todos.

Entregando este álbum estamos certos de que vão ler uma das histórias mais sugestivas até hoje lançadas”.

A relíquia que ganhei há 13 anos foi posta na estante-UTI do meu acervo, onde estão os exemplares raros que precisam sempre de um cuidado especial. Garra Cinzenta está na companhia de outras primeiras edições que me orgulham. Espero juntar àquela velha edição as que serão reeditadas.

Tornozeleira 
No episódio do arrastão em Mirassol, um dos bandidos usava tornozeleira. Multiplicam-se os casos de delinquentes na rua com o equipamento. Cadê o  monitoramento que permite à Polícia interceptá-los? É pra isso a geringonça.

Depredação 
Continuam os sobressaltos dos moradores em torno do Hospital Ruy Pereira, abandonado pelos novos proprietários e depredado por delinquentes que usam o espaço como esconderijo. Os donos são advogados em São Bernardo, SP.

Invasão 
A governadora Fátima Bezerra determinou que a Secretaria da Mulher acompanhe o caso da invasão de uma casa em São Miguel do Gostoso. A Ouvidoria da Segurança está instaurando um procedimento de investigação.

Versão 
O vizinho que invadiu a casa repassou para um policial imagens de dias antes da invasão, em que filmou o dono da casa (seria voyeurismo?). O agente, por sua vez, mandou para um blog, mas logo o editor apagou ao perceber o erro.

Candidaturas 
Acabou a discriminação no campo político contra militares, juízes, policiais e promotores. O plenário da Câmara dos Deputados derrubou a tal da quarentena que exigia tempo de 5 anos após serviço para se candidatarem. 

Samba 
O escritor e fotógrafo Eduardo Alexandre, Dunga, um dos líderes da BAMBA – Boêmios e Amigos do Beco da Lama e Adjacências, critica a SAMBA por abrir inscrição de chapas sem prazo suficiente para a articulação das oposições.

Fotografias 
O livro “O Pôr do Sol na Pandemia em Fotos”, do jornalista e publicitário potiguar Casciano Vidal, impresso pela editora Viseu, do Paraná, entrou nas gôndolas virtuais das grandes plataformas de vendas Amazon e Magalu.

Mimimi 
O Twitter foi dominado no domingo e ontem pelo embate de posts entre os fãs de Neymar e Patrícia Pillar. Hilário foi alguém enaltecer o fato de uma ser atriz e o outro só jogador, tendo a réplica: “Ela fez A Casa de Papel? Neymar fez!








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A ira santa do despeitado
Atualizado: 13:46:03 11/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Repercute nas redes sociais e espaços de imprensa do RN e do Brasil, o grotesco episódio de um truculento com residência na paradisíaca São Miguel do Gostoso, que no feriado de 7 de setembro invadiu a casa de um vizinho para ameaçar mulheres que tomavam sol na piscina sem as partes de cima do biquíni, fazendo o popular topless, uma prática existente há milênios em praticamente todas as culturas e nações. E o “careta” ainda chamou a polícia.

O primeiro topless da história humana, pelo menos nas narrativas da Bíblia, o livro que embasa toda a literatura do Cristianismo, com influência também no Judaísmo e Islamismo, ocorreu no Jardim do Éden quando a primeira mulher, Eva, usou uma folha de parreira para cobrir a vulva (alguma ligação com uva, a fruta da parreira?) e dispensou o uso da parte de cima, deixando à mostra os seios. Convém salientar que Adão e Eva não tinham vizinhos moralistas.

Ao longo das décadas de existência do biquíni, criado em 1946 pelo francês Louis Réart, causando um impacto como as bombas atômicas testadas no Atol de Bikini, a peça de uso das mulheres passou por diversas fases e modelos. 

Sua aparição nos filmes dos anos 1950 e 1960 marcaram épocas e tornaram-se icônicos na indústria da sétima arte, como os usados por divas como Brigitte Bardot, Raquel Welch, Ursula Andress, Jane Fonda, Jane Birkin e Leila Diniz.

Antes de se popularizar o termo topless, o designer austríaco (naturalizado norte-americano) Rudi Gernreich lançou em 1964 o monoquíni, que foi o uso apenas da calcinha do biquíni. Sua ousadia fez surgir, então, o uso do topless.

Pouco tempo depois a onda das mulheres bronzearem os seios chegou nas praias brasileiras, tendo a atriz e modelo Leila Diniz se tornado uma referência nacional ao banhar-se sem a parte superior na glamorosa Praia de Ipanema.

O topless foi combatido naqueles anos no Brasil, com o prefeito de São Paulo, Prestes Maia, publicando portaria proibindo a prática nas piscinas de clubes públicos. Anos depois, no verão de 1977, a moda retornou nas praias cariocas.

Símbolos sexuais naquele tempo, as modelos Xuxa e Luiza Brunet chegaram a fazer topless juntas numa praia pouco frequentada do Rio, passando por um susto no dia em que um grupo de peladeiros fizeram uma roda de voyeurs.

Na Bahia, durante o verão de 1980, a Praia dos Artistas ganhou fama com as muitas mulheres que a frequentavam para tomar banho e sol sem a parte de cima do biquíni. Havia até uma placa no local com a inscrição “Topless Drinks”.

No mesmo período, lá no Rio Grande do Sul, uma garota de 18 anos, chamada Lorena Borges, causou reboliço ao fazer topless na praia de Tramandaí. Mas foi logo proibida por um grupo de marmanjos e nunca mais se ouviu falar dela.

Quase duas décadas depois da visão sensual de Leila Diniz, Ipanema voltou a repercutir com o topless em 1980 quando uma turista gaúcha quase foi linchada e teve que ouvir uma multidão histérica gritando Geni, a da canção.

O episódio envolveu a polícia que precisou usar gás lacrimogêneo e o cassetete democrático para conter a turba. Outro caso na praia da garota de Tom e Vinícius foi com uma jovem francesa que escapou graças a um herói.

Ameaçada por dezenas de moralistas indignados, a moça só não foi agredida porque um vendedor de melancia puxou um facão enorme e bem amolado e afastou os valentões e as beatas praianas. Haver isso hoje é uma idiotice.

O topless está nas novelas da TV, nos desfiles de carnaval, nas passarelas da moda (Gisele Bündchen já desfilou mostrando os seios), nos shows musicais. Janis Joplin, Gal Costa, Madonna, Cássia Eller, muitas já exibiram os peitos.

Ano passado, a atriz Florence Pugh levantou a blusa para o mundo ao ser indicada ao Oscar. Quinta-feira passada, dois dias depois do caso em Gostoso, a atriz Marina Ruy Barbosa foi manchete numa sessão de fotos de topless. 

É inadmissível que dez mil anos depois de Eva seminua, ainda haja surto de moralismo como esse num litoral que é point das artes e do entretenimento e que atrai para o RN todas as boas tribos. Pena que também os neandertais. 

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Repercussão
Empresários e visitantes em São Miguel do Gostoso se manifestaram nas redes condenando a truculência do vizinho que invadiu a casa para reclamar do topless das garotas. E choveu críticas nos grupos locais de WhatsApp.

Violência
Além da histeria do moralista, é condenável também a atitude dos policiais que também invadiram a casa e foram rudes. Num estado governado por uma mulher, e pioneiro nos avanços femininos, urge uma providência do governo.

Estranho
Por que setores da Polícia Civil se mostraram reticentes em acreditar nos depoimentos das mulheres e deram crédito ao agressor que invadiu a casa? Uma delas é jornalista e produz reportagens na TV da Assembleia Legislativa.

A nota
São muitos os elementos na nota divulgada por Jair Bolsonaro e que ainda estão confundindo e fundindo a cuca de muitos analistas. Alguém lembrou que o redator da nota, Michel Temer, foi padrinho de Alexandre de Moraes no STF.

Recuos 
As partes conflitantes foram rápidas em demonstrar o clima de pacificação. Bolsonaro freou a greve de caminhoneiros, abriu diálogo com desafetos, enquanto o STF tomou cinco decisões de interesse do presidente e aliados.





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Bombando em Nova York
Atualizado: 00:02:51 11/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Neste sábado 11 de setembro marcado pelos vinte anos da explosão de aviões nas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, eu poderia publicar aqui – como muita gente está fazendo – como eu vi aquele episódio que ainda hoje provoca efeitos no mundo e, principalmente, nos EUA. Mas vou optar por falar de um evento que acontece hoje na Big Apple, também com efeitos por lá e pelo planeta, e que tem um potiguar como um dos grandes personagens.

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Desde a última quarta-feira, as semanas de moda foram retomadas a partir do tradicional evento New York Fashion Week, que abriu o calendário internacional da moda e que prosseguirá com Milão, Londres, Paris... E dentro da extensa programação da NYFW, hoje acontece na Avenue B, em East Village (Manhattan), o Fashion Show com o lançamento da “New World Collection” (Coleção Nova Mundo), idealizada pela casa Geová Atelier NYC.

O conceituado endereço da moda no coração de Manhattan é comandado por um legítimo potiguar nascido na pequena cidade de Barcelona, cuja população é menor do que algumas aglomerações das esquinas famosas de Nova York.

Geová Rodrigues é o nome da fera, um estilista que despertou para os tecidos e cortes observando a mãe, Dona Tica, improvisando peças de roupas no que se pode chamar hoje de costura de subsistência, essencial como a agricultura. 

Bebendo na fonte materna, invadiu o espaço de glamour de Nova York em 1998 com uma coleção totalmente manufaturada a partir de elementos reutilizáveis, coisas descartadas em “dumpsters” que cobrem o lixo da cidade.

A ousadia criativa explodiu no meio da elegante Manhattan, a 7 mil quilômetros de distância da sua humilde Barcelona, lá na sua passarela atávica, ligada a ele por uma linha inacabável que ele usa hoje para cerzir sua carreira vitoriosa.

A mídia especializada o descobriu e seu estilo ganhou as manchetes das revistas de moda e das editorias fashions dos jornais; a Vogue praticamente o consagrou na primeira impressão. E a arte de Geová conquistou celebridades.

Ícones das passarelas do mundo, como Linda Evangelista e Gisele Bündchen vestiram suas criações, artistas das grandes “maisons”, como Armani, Gucci, Calvin Klein e Versace passaram a perceber sua existência e seu trabalho.

O potiguar é hoje uma referência na indústria da moda sustentável, uma tendência incorporada às políticas de preservação do planeta. Venceu onde poucos vencem, instalando seu famoso atelier em pleno bairro de East Village.

Quem gravar uma hora de movimento de pessoas nos bares e restaurantes requintados, nas boutiques e cafés da Avenue B, onde Geová tem seu atelier, verá uma população flutuante dez vezes maior que a população de Barcelona.

Neste sábado, em que Nova York rememora o 11 de setembro, com repercussão pelo mundo, o lançamento da coleção de Geová Rodrigues irá certamente atrair muito mais gente do que possa caber na sua cidade natal.

Ele diz que a liberdade é essência da sua arte, que reunir pessoas na rua é uma forma de promover empatia através da moda. E que sente gratidão por ter sido bem acolhido pela megalópole americana, um templo da Democracia. 

Hoje, sabendo-se exitoso outra vez, olhará para trás e com a cabeça centrada no presente compreenderá o que diz a mítica canção “New York, New York”, composta em 1944 pelo maestro Leonard Bernstein e eternizada por Sinatra:

“Nova York, Nova York / estes sapatos vagabundos / estão querendo passear / bem no seu centro / Nova York, Nova York / eu quero acordar na cidade que nunca dorme / e descobrir que sou o rei do pedaço / o topo desse amontoado”.
- Viva Geová Rodrigues!

Os analistas 
Depois que li quinta e ontem os sociólogos de WhatsApp e os historiadores de Twitter, em suas análises de pitaqueiro de sinuca, achei que Jair Bolsonaro estava pronto para descer a rampa do Planalto e se exilar no seu condomínio.

Pesquisa 
Ontem, parte da grande mídia amanheceu à beira de um ataque de nervos com a proibição de pesquisa eleitoral em véspera de pleito. Jornalistas dos grupos Folha e Globo passaram a manhã rosnando nas telas da TV e dos celulares.

Pesquisa II 
A proibição no novo código eleitoral é um tiro de sniper no esquema do DataFolha e do Jornal Nacional no processo eleitoral brasileiro. Por décadas, a divulgação das pesquisas influenciou na escolha de milhões de cidadãos.

Samba 
Não vai ter disputa na eleição da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências. A única chapa inscrita na quinta-feira foi da gestão atual com a presidente Maria Gorete indo para um segundo mandato por aclamação.

Oposição 
Até que houve uma articulação para a formação de uma chapa tendo a atual vice, Patrícia Farias, como candidata a presidente, mas na undécima hora desistiram. Nem a guerrilha da BAMBA se mobilizou para tomar o poder.

Monumental 
A festa já estava pronta, para a seleção argentina erguer a Copa América diante da torcida. E aí foram duas festas, porque Messi deu um espetáculo com 3 gols e superou uma marca de 50 anos do rei Pelé. Tem 79 gols pela seleção.

TV e rádio 
Hoje: Crystal Palace x Tottenham, Arsenal x Norwich, Leicester x Manchester City, Manchester United x Newcastle, Chelsea x Aston Villa, Sevilla x Barcelona, Napoli x Juventus, Leipzig x Bayern, Sporting x Porto, América x Itabiana.







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Vem aí Haikai Reaço
Atualizado: 23:40:25 09/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Em 2019, comecei a rabiscar nas redes sociais, especificamente no Twitter e no Facebook, alguns versos em haikai com teor político e ideológico. Durante os quase dois anos de pandemia, acumulei no aplicativo “Onenote” quase uma centena de tercetos que provocaram reações odientas de militantes de esquerda, alguns deles – encastelados na insignificância de uma sigla partidária – chegaram a me denunciar por causa das frases e das imagens.

Uma das imagens é a capa do livro, que finalmente está pronto com o título de “Haikai Reaço – Versos e Subversos”, no momento à espera apenas de um prefácio e uma orelha (não no sentido de lei de incentivo). Aproveito o momento político vivido pelo País para oferecer aos meus 666 leitores uma degustação de uma dezena de poemetos que estarão na publicação, a minha sétima obra sem futuro, posto que, como vocês sabem, sobrevivo de passado.

Mortos acordem
é preciso o caos
pra refazer a ordem

Ao militonto orgânico
o vírus não cresceu
foi só seu pânico

A elite dita
classe média fala
e a plebe cita

No passado, fofoca
agora é esquerdismo
retroativo de dondoca

Na alcova indiscreta
a marmita do pedreiro  
tem poesia concreta

Mídia que adultera
o que diz Magalhães
não é de vera

Se toca, infeliz
se é bom pro partido
é ruim pro país

A UNE vagaba
escola pública
carteirinha paga

Eis minha crença
se engajar apenas
na arte da ofensa

Rota em pronta desordem
para bandidos e comunistas
não necessariamente nessa ordem.

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Sun Tzu
O filósofo e general estrategista chinês foi bastante lembrado nas últimas horas em Brasília. Da sua cartilha bélica, o melhor ensinamento que há nela é aquele que diz “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. Será? 

Guerra
Na história da humanidade, os grandes momentos de avanços vieram depois de sangrentas batalhas, como as duas grandes guerras do século XX. Na luta ideológica, de nada vale o debate se o inimigo não for anulado em definitivo.

Paradoxo
Qual o custo para uma sociedade que investe anos na formação e preparação de homens destinados à guerra, mas que diante do menor conflito político ou social se omitem de tudo, vomitando retóricas de legalidades e conveniências?

Terra estranha
Que regime é esse em que jogaram o Brasil, onde vestais sem representatividade popular querem controlar a sociedade, onde concessões públicas pregam abertamente a derrubada de um Presidente da República?

A Globo
O Jornal Nacional é o maior panfleto do sistema que quer a volta da imoralidade. William Bonner tornou-se um capataz de terno italiano bafejando contra o governo na bancada de uma concessão pública em modo casamata.

Narrativas
Só aumenta o descrédito da sociedade nas velhas estruturas de mídia, onde jornalistas eram tratados como celebridades. Com o advento das redes e aplicativos, o povo passou a saber dos fatos que eram omitidos e distorcidos.

Inversão
O Brasil é o único lugar do mundo em que corruptos comandam comissão parlamentar de inquérito e pedófilos depravados falam grosso se arvorando de liderança e homem de bem. De uma vez por todas, aqui é país da piada pronta.

Dia 12
No próximo domingo, 12, a esquerda vai às ruas com as manifestações do “Volta Lula”, disposta e estimulada a reunir mais gente do que o presidente Jair Bolsonaro. A ideia é juntar multidões com camisas brancas e vermelhas.





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O sete, o após e o resto de setembro
Atualizado: 22:54:53 08/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Natal registrou terça-feira o maior 7 de setembro da história da cidade. No aspecto de gente na rua, superou longe os áureos anos dos desfiles militares e civis que envolviam a sociedade de uma capital cheirando à província. Milhares de pessoas se concentraram desde a Via Costeira à Praça Pedro Velho, da Zona Norte ao Midway, e ainda teve algumas avenidas pintadas de verde e amarelo com as carreatas que iniciaram de manhã e prosseguiram pela tarde.

O destaque foi para o bairro de Petrópolis, completamente tomado pela multidão e com dezenas de quarteirões congestionados de automóveis. As últimas vezes que se viu tanta gente na região nas últimas duas décadas foi nos bailes de máscara de 2017 e 2018, evento no Largo do Atheneu que abre oficialmente o carnaval da cidade. As imagens que ainda se espalham pelas redes apontam que a comemoração da data vai voltar como antigamente. 

No resto do Brasil, as multidões que lotaram a Esplanada em Brasília, a Avenida Atlântica no Rio e a Avenida Paulista apontam que as festividades do Dia da Independência despertaram no País o antigo espírito cívico do passado.

A gigantesca participação popular também representa que o presidente Jair Bolsonaro mantém sua capacidade de mobilização. E isso é um forte elemento a ser observado nas lentes políticas dos parlamentares em véspera de pleito.

A presença do presidente nas manifestações de Brasília e São Paulo foram dois momentos distintos no âmbito político. Na primeira, agitou a multidão com tons patrióticos; na segunda atiçou a militância no combate aos inimigos.

Bateu duro no ministro Alexandre de Moraes e espalhou golpes verbais para os demais “supremos” desafiando todos ao pregar a desobediência às sentenças judiciais, principalmente as injustas e que acabam atropelando a Constituição.

As respostas, que se esperava mais duras, vieram amenas, mas com recado direto. Luiz Fux, Augusto Aras e Arthur Lira foram verbalmente leves sobre riscos de impeachment, diferentes do tom agressivo e raivoso de João Doria.

Antes deles, pela manhã, quem também fez críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes foi o vice-presidente Hamilton Mourão, em entrevista ao jornal O Globo. O general foi claro ao dizer “juiz não pode conduzir inquérito”.

Sem o tom desafiador de Bolsonaro, Mourão repetiu a essência da crítica feita pelo colega e chefe, depositando toda a culpa na crise entre os poderes no ministro que tenta controlar tudo e todos num surto evidente de superpoderes. 

Mesmo quando perguntado sobre o fato de Bolsonaro usar o termo “canalha” nas referências a alguns ministros, que todos sabem quem são, o vice preferiu tergiversar e opinou sobre o impeachment, dizendo não haver mínima chance.

E confia na maioria que o governo tem no Congresso, comprovada várias vezes, como na votação da PEC do voto auditável quando os governistas reuniram 229 votos contra 218, mesmo sem ter atingido o número necessário.

Mourão não escondeu a discordância com o STF, concordando com Bolsonaro sobre os excessos cometidos, principalmente por Alexandre, na instauração de inquéritos que o ministro acaba sendo juiz, promotor, testemunha e delegado.

Ontem mesmo, poucas horas após os pronunciamentos, alguns partidos decidiram iniciar discussão sobre um possível impeachment de Bolsonaro, todos estimulados no recado inserido nas críticas do discurso de Luiz Fux.

Há dois complicadores para os deputados e senadores – principalmente os de oposição - cuja maioria vai se candidatar nas eleições do ano que vem: conseguir três quintos dos votos da Casa e encarar os eleitores de Bolsonaro.
Sem falar dos caminhoneiros.

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Caminhoneiros
Uma paralisação com bloqueios das rodovias, em princípio marcada para amanhã, se antecipou ontem por todo o país com estradas fechadas com caminhões, carretas e até caçambas bloqueando vias com brita e concreto.

Esplanada
Por volta das 13h. duas dezenas de carretas foram estacionadas bloqueando os acessos aos prédios da Esplanada dos 3 Poderes, em Brasília. No mesmo momento, bloquearam as balsas que transportam cargas pelo Maranhão.

Federal
Perto do meio-dia de ontem, a Polícia Federal Rodoviária já tinha registrado 173 pontos de concentração de caminhões e 53 pontos de bloqueios de rodovias. No fim da tarde, seis estados já estavam com suas vias bloqueadas.

Manifestações
Nos três discursos feitos ontem, por Arthur Lira, Luiz Fux e Augusto Aras, um ponto em comum foi a constatação de que os atos realizados pelo dia da independência e de apoio a Jair Bolsonaro foram pacíficos e sem incidentes.

Responsabilidade
Ernesto Cardenal dizia que erradicar a fonte da violência não é violência. Não concordar com excessos de processos que ferem a Constituição não pode ser crime de responsabilidade. Um juiz não deve nem pode ser ativista político.

Recado
Do deputado federal Bibo Nunes, do RS, em seu perfil das redes sociais: “Um recado para o Ministro Alexandre de Moraes, do STF: Quando a política entra nos tribunais, a justiça foge pela janela. Peça para sair, pela paz no Brasil!”.

Guru vermelho 
O seminário “Freire-Ano da Educação Potiguar” em culto ao centenário de nascimento de Paulo Freire, vai reunir Fátima Bezerra, Fernando Haddad e Luiza Erundina num papo-intelecto sobre o efeito Freire no social e literatura.




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Recomeça o jogo na FIFA
Atualizado: 23:29:42 07/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

A súmula do jogo que não houve já está com os velhinhos da FIFA. Assim como um relatório preliminar assinado pelo árbitro da partida, o venezuelano Jesus Valenzuela, e o supervisor da Conmebol, o colombiano Alejandro Hernández. Enquanto Brasil e Argentina têm seis dias de prazo para se explicarem, os integrantes do conselho disciplinar da entidade máxima do futebol mundial se debruçam sobre os documentos para emitir uma sentença.

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De posse da documentação, os assessores iniciam um longo processo de avaliação das evidências e dos depoimentos que possam esclarecer os reais acontecimentos do domingo na arena do Corinthians e que provocaram a suspensão da partida depois que agentes públicos da Anvisa e da Polícia Federal invadiram o campo para impedir a atuação de quatro jogadores argentinos que estavam proibidos de circular após chegarem do Reino Unido.

É essa comissão que irá indicar a decisão a ser tomada pela FIFA. Se retoma o jogo a partir dos 5 minutos, podendo determinar local neutro, se tira pontos ou suspende alguma seleção. Saliente-se que jogo oficial não fica inconcluso.

Um assessor da Conmebol, chamado Héctor Baldassi, ex-árbitro na Copa do Mundo de 2010 e especializado nos regulamentos internacionais, se disse preocupado com a questão de achar uma nova data para uma nova partida.

Até chegar a janela de novembro, o calendário mundial está todo preenchido com as ligas de clubes e outros eventos envolvendo seleções, como a Liga das Nações da UEFA. Quanto à Copa 22, tudo tem que definir em março e abril.

Como o clássico tem que ocorrer, CBF e AFA só podem esperar, porque como trata-se de eliminatória da Copa somente a FIFA tem jurisdição tanto esportiva quanto regulatória para decidir. Brasil e Argentina estão nas mãos da Suíça.

Enquanto isso, uma guerra de contrainformação se trava entre a imprensa brasileira e a argentina. Os jornais hermanos chamam o caso de “Brasilgate” e os sites daqui culpam diariamente a seleção albiceleste e a AFA pelo caso.

Na segunda-feira, os canais de TV brasileiros Sportv e ESPN chegaram a admitir que a seleção brasileira poderia perder os pontos do jogo pelo fato da invasão em Itaquera ter ocorrido numa partida com o mando de campo nosso.

Mas no início da noite e durante o feriado de ontem, quando as atenções se dividiam para as manifestações nas ruas e os jogos das eliminatórias da Europa, uma nota dura da CBF acusou as irregularidades da congênere AFA.

Ontem bem cedo eu destaquei no blog da Tribuna Online que a nova nota destoa da primeira, emitida ainda no domingo após a confusão. Naquele instante, brasileiros e argentinos estavam convergindo quanto aos episódios.

Outro fato novo foi o comentário do presidente da FIFA, Gianni Infantino, num discurso gravado direto de Genebra, na sessão inaugural da Assembleia da Associação Europeia de Clubes. A primeira frase foi “isso tudo é uma loucura”.

Depois disse que os acontecimentos em São Paulo podem levar a repensar o calendário mundial, para poder proteger os atletas. E afirmou não haver tabus, “as portas estão abertas a todas as ideias”. Sabe o peso de Brasil e Argentina.

Nos resta acompanhar a novela à distância, direto da Suíça, e voltar os olhos para os novos confrontos da canarinho e da albiceleste, que enfrentam na quinta-feira respectivamente Peru e Bolívia. Os peruanos não querem jogar no Recife, mas um pepino pra CBF descascar. Segue o jogo.

Controle 
Só falta o superministro Alexandre de Moraes mandar instalar microfones em bares e restaurantes, para ter conhecimento e controle das opiniões contra ele e o STF, como ocorreu com um publicitário no bairro Pinheiros, em São Paulo.

Críticas 
Se você, leitor, estiver lendo a coluna, significa que no bar que eu comemorei ontem o 7 de setembro não tinha uma escuta do ministro do STF. Porque não foram poucas as críticas e piadinhas que todos fizeram na resenha cívica.

Festa da Nação 
As manifestações de ontem são a retomada de uma festa cívica que foi grande nos anos 60/70 e que depois foi desestimulada pelos governos esquerdistas desde 1994. A partir de 2022, os estudantes se rejuntarão aos militares.

Picardia 
Pouco tempo depois que as TVs divulgaram imagens de Jair Bolsonaro chegando de Rolls Roice guiado por Nelson Piquet, um gaiato vendo o fracasso da manifestação de esquerda disparou: “Lula vem com Barrichello”.

Carajo 
O governo desastroso da esquerda na Argentina transformou um economista em fenômeno de popularidade. Javier Milei está atraindo multidões nas ruas do país, e o povo repercute seu slogan a plenos pulmões: “Llberdade, caralho!”.

Popularidade 
Ser popular nas redes sociais é como ser milionário no jogo de tabuleiro “Banco Imobiliário”. E convém não confundir com capital eleitoral. Os dois maiores ídolos de Natal, Marinho Chagas e Alberi, naufragaram em eleição.

Transferência 
Um dos casos mais clássicos de popularidade com efeito eleitoral no RN foi quando Carlos Alberto de Souza, na eleição de 1986, decidiu eleger Oswaldo Garcia e Jeová Alves, contra todos os prognósticos e análises de especialistas. 

Eleição 
Amanhã, quinta-feira 9, é o dia para inscrição das chapas que disputarão a eleição da SAMBA – Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências. A comissão eleitoral estará a postos das 8h às 17h no Museu Café Filho.




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Minhas terras
Atualizado: 23:33:48 06/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

O Brasil é minha terra natal
e Natal é minha terra brasil
uma é berço cultural
outra é cama varonil.

Duas terras numa só 
no ar a se misturar
uma banhada de sol
outra cercada de mar.

O Brasil é minha terra natal
e Natal é minha terra brasil
uma é crônica social
outra é poesia civil.

Duas terras numa cor
pintadas num só pincel
nas nuvens do meu amor
no azul que caia o céu.

O Brasil é minha terra natal
e Natal é minha terra brasil
uma é estação espacial
outra é porto sem navio.


A Pátria

Pátria - uma extensiva palavra
com força de paz, amor e milagre
se for dita e sentida com alma
bem no fundo dos mares e rios

Palavra para caber tudo e todos
mãe e pai, irmãos e amigos
terra e manjedoura, casa nativa
rua, escola, praia, cinema, paixão.

Cabe entre o céu e o M da mão
floresta lilás, jardim amarelo
um verso bêbado no bar da esquina
isto também é a Pátria, mãe e pai.

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Já foram
Tanta lambança e os jogadores argentinos não foram deportados, voltaram numa boa pra Buenos Aires e ontem mesmo dois já estavam voando para a Europa e a seleção da Argentina começou os treinos para encarar a Bolívia.

Futebol e leis
No debate que se estabeleceu na TV Globo após a interrupção do jogo Brasil x Argentina, Galvão Bueno, Caio e Júnior convergiram na opinião de que “o futebol não é um mundo à parte e tem que respeitar as leis dos países”. 

Controvérsia
O trio de comentaristas tem memória curta. Esqueceu a organização da Copa 2014, quando a FIFA impôs seu protocolo e regras passando por cima de nossas leis alfandegárias, impedindo fiscalização de bagagens até da mídia.

Peneira
Independente da mentira dos argentinos, houve falha das autoridades brasileiras, inclusive da Anvisa e da PF. Num mesmo fim de semana, entraram os 4 jogadores e as 21 milhões de doses de vacinas irregulares da Coronavac.

Mis en scene
A seleção argentina chegou em São Paulo na tarde da sexta-feira. Tempo suficiente para a Anvisa conhecer a situação. Por que a ação quando o jogo já estava em andamento, 48 horas depois da entrada dos 4 “ingleses” no país?

Sanções
Ontem diversos meios de mídia espanhóis e portugueses falavam que a FIFA poderia penalizar o Brasil pela invasão do campo por agentes públicos. Há pouco tempo penalizaram a Noruega por ter acatado determinações sanitárias.

Retomada
A FIFA poderá contemporizar em relação às duas prestigiadas seleções remarcando a continuidade da partida em campo neutro (já falam em Madrid ou Lisboa) iniciando a partir dos 5 minutos em que foi paralisada pela Anvisa.

Protocolo
O mesmo procedimento que foi exigido para os quatro argentinos oriundos da Inglaterra não foi adotado para os jogadores William e Andreas Pereira, que vieram da Inglaterra para o Corinthians e não fizeram nenhuma quarentena.

Carreatas
Mais de dez cidades estão enviando grupos para a manifestação de hoje em Natal, que terá grande concentração na Via Costeira, em Ponta Negra. Os comboios partirão em direção à Praça Pedro Velho, a dos desfiles militares.

Resenhas
Diversos bares e restaurantes em Natal abrirão hoje para receber grupos oriundos da manifestação em Petrópolis. Muitos locais já estavam decorados em verde e amarelo desde o sábado. Estarei dando detalhes no blog da TN.







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Era uma vez, há 100 anos... em Hollywood
Atualizado: 12:24:53 04/09/2021
Faz bastante tempo que eu catalogo figuras das artes que morreram aos 27 anos, numa lista que há muito atingiu três dezenas. No começo dos anos zero, publiquei crônica no extinto O Jornal de Hoje sobre uns quinze ou dezesseis nomes, destacando aqueles que são lembrados ano a ano pela mídia, e acrescentando os artistas brasileiros Noel Rosa, Leila Diniz e Milton Carlos.

Neste domingo faz cem anos de um crime que levou à morte uma estrela nunca identificada no clube maldito dos mortos aos 27 anos. Em 5 de setembro de 1921, a atriz do cinema mudo, Virgínia Rappe, foi trancada num quarto, depois violentada e abandonada no St. Francis Hotel, em San Francisco. O autor do ataque foi o segundo maior astro da época, depois de Charlie Chaplin.

O ator de comédias Roscoe “Fatty” Arbuckle tinha 34 anos, dinheiro e poder no universo artístico, além de contar com o apoio da imprensa e do high society de Los Angeles e Nova York. Naquele dia, ele ofereceu uma big festa no hotel.

O motivo foi a assinatura de um novo contrato no valor de US$ 3 milhões com o estúdio Paramount Pictures. E convidou Virginia, separando pra ela uma suíte com três quartos no décimo segundo andar, números 1219, 1220 e 1221.

As versões da época falam que ambos se retiraram da festa e foram para um dos quartos ou que a atriz subiu sozinha e depois foi seguida pelo ator. O que aconteceu naquele andar é um mistério que por cem anos não foi explicado.

Um dos jornais publicou que Virgínia entrou no quarto 1219 e foi direto para o banheiro. E que o barulho dos metais do jazz e de uma grande vitrola, além dos cristais das bebidas, a impediram de ouvir os passos de Roscoe Arbuckle.

O diário ainda disse que a densa fumaça dos cigarros e charutos camuflou a presença do ator, que em silêncio a puxou do banheiro e a jogou na cama, caindo sobre ela com seu peso em dobro e com gestos que a fez desmaiar.

Ao acordar, ela só lembrou de ver a dançarina Alice Blake ao seu lado. As primeiras palavras de Virgínia foram “ele me machucou”. O caso logo se tornou no primeiro grande escândalo sexual de Hollywood, que teria muitos depois. 

Sangrando e com muitas dores, ela foi internada no San Francisco’s Wakefield Sanitorium, morrendo quatro dias depois devido a ruptura da bexiga e uma inflamação aguda no peritônioa. Quatro dias depois, Virgínia Rappe faleceu. 

Assim que a notícia da sua morte sacudiu o ambiente, começaram a surgir rumores sobre suspeitos, e muitos testemunhos afirmando que a última pessoa a ser vista ao lado da atriz foi o anfitrião da festa, seu colega Roscoe Arbuckle.

Ao longo dos anos, Virgínia sempre foi mais lembrada por sua morte do que por sua vida e carreira. O crime serviu para lançar luzes de críticas sobre Hollywood e destruir a popularidade e poder do grande astro do cinema mudo.

Virginia Caroline Rapp nasceu em Nova York em 7 de julho de 1894 (alguns registros de época citam erroneamente 1895); era filha de uma showgirl chamada Mabel que morreu quando ela era uma menina de apenas 11 anos.

Viveu parte da juventude em Chicago nas casas de parentes e aos 16 virou modelo, fazendo comerciais para lojas, até que conseguiu atuações em filmes mudos dos diretores Henry Lehman e Fred Fischback, dois icônicos da época.

A perspectiva de um brilho maior no cinema morreu com ela, mas sua morte gerou as primeiras manifestações de mulheres do cinema contra a violência, o estupro e o assassinato. Um século antes do movimento “Time's Up” de agora.

Independência
O dia 7 de setembro é para celebrar a nação e também para ter noção do perigo em acreditar nos partidos que defendem bandidos, que contemporizam com drogas, que querem o fim da Polícia e a censura e regulação da mídia.

Residências
O ministro Rogério Marinho segue inaugurando obras e efetuando ações sociais na pasta do Desenvolvimento Regional. Na sexta-feira, entregou 256 moradias a famílias de baixa renda em Parnamirim. Obra de RS 19 milhões.

O pacotão
De 18 de setembro a 3 de outubro, o Arco do Triunfo, em Paris, vai virar um pacote de presente gigante. Para realizar o último desejo do artista búlgaro Christo Vladimirov, "o empacotador", revelado dias antes de morrer em 2020.

O pacotão II
O monumento de 50 metros de altura começou a ganhar forma sendo totalmente recoberto com 25 mil metros quadrados de tecido de polipropileno reciclável na cor azul prata, e sustentado por 3.000 metros de corda vermelha.

Shang-Chi
O novo filme do universo Marvel, “Shan-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, está em cartaz desde sexta-feira em Natal com mais de trinta opções de horários nas três redes de cinema que operam por aqui: Cinépolis, Cinemark e Moviecom.;

Covid-23
Em 2024, pessoas infectadas serão levadas para campos de concentração e cidadãos naturalmente imunes lutam contra leis marciais. Um cara tenta salvar a namorada em meio ao caos. É o roteiro do filme “Isolados: Medo Invisível”.

Maradona 
Acabou a novela. A justiça da Argentina confirmou o direito de uso da marca “Maradona” para o seu procurador Matias Morla explorá-la em favor das irmãs do jogador, como ele desejou em vida. Os filhos de Diego perderam a parada.