La Grande Dame du Yé-Yé
Atualizado: 00:14:35 27/11/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

A cantora, compositora e ícone fashion dos anos dourados da música pop europeia, Françoise Hardy, está morrendo. Prestes a fazer 78 anos, sofre com um câncer linfático diagnosticado há mais de 10 anos, além de ter passado por outro no ouvido. A exposição às radiações do tratamento debilitou tanto sua saúde que ela reivindica seu direito de encerrar a vida com uma eutanásia. Diante da negativa das autoridades, ela declarou que “a França é desumana”.

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Em junho passado, na sua última citação na mídia, ela declarou que o sofrimento físico estava tão terrível que já estava até temendo que a morte a obrigasse a mais sofrimento mesmo após “desencarnar” (a artista acredita na existência de alma). Em 2015, Françoise foi hospitalizada às pressas e chegou a entrar em coma. Naquele momento, ela já dissera em entrevista que desejava o direito de uma morte medicamente assistida, uma eutanásia.

Françoise foi um fenômeno de sucesso, beleza e charme nos anos 1960/70, a rainha de uma plêiade de cantoras do movimento yé-yé francês, o equivalente à Jovem Guarda brasileira, que também surfava nas ondas da beatlemania.

Nasceu e cresceu em Paris, filha de uma contadora e um executivo de fábrica, tendo a companhia de uma irmã mais nova e uma avó moralista. Ao concluir o ensino médio aos 16 anos, pede de presente um violão. Queria aprender rock.

Começa a dedilhar sem necessidade de aulas e já rascunha as próprias canções. Um curso de alemão na Sorbonne é suficiente para cumprir o desejo materno da faculdade. Guarda o diploma e mergulha totalmente na música.

Experimenta apresentações em programas de TV, mas não quer ser mais uma adolescente com sonho frustrado. A dois meses de fazer 18 anos procura a gravadora Vogue, que buscava uma voz feminina para o ídolo Johnny Holiday.

O destino começa a traçar seu caminho no rumo do rock ‘n’ roll poucos meses depois da estreia dos Beatles no Cavern Club, em Liverpool, em fevereiro de 1961. No dia 14 de novembro, ela assina o primeiro contrato com a Vogue.

Mas ainda é adolescente, e então vai tomar aulas de canto no programa Petit Conservatoire, do canal estatal RTF, onde é tratada por “Mademoiselle Hardy”, que em 28 de outubro de 1962 se torna um rosto de repercussão nacional.

Estreou com uma canção autoral escrita em inglês, “All the Boys and Girls”, que logo ganha espaço nas rádios do país e dois meses depois já vendia meio milhão de cópias, dobrando em 1963 com onze semanas no topo das vendas.

Seu sucesso atravessa as fronteiras da Europa e seu visual de top model é estampado na mídia dos EUA, Canadá, Japão, Espanha, Holanda, Dinamarca. Algumas músicas passam a ser traduzidas por cantores da Itália e da Espanha.

Foi inevitável o alcance não chegar no chamado “Swiinging London”, o epicentro da explosão do rock britânico. A gata parisiense conhece os caras dos Beatles e dos Rolling Stones, poucos deles não se disseram apaixonados.

David Bailey, o icônico fotógrafo da cena cultural daqueles anos, imortalizado pelo cineasta Antonionni no filme “Blow-Up”, diz até hoje, aos 83, que Françoise foi uma das maiores paixões que ele teve. Não foi correspondido.

Ele faz companhia a John Lennon, Brian Jones, Mick Jagger, Paul McCartney, todos eles encantados com ela, mas ignorados no sentido amor e sexo. Três gênios a quiseram como musa: Salvador Dali, Paco Rabanne e Bob Dylan.

Seu coração e sua cama só foram completamente ocupados em 1981 pelo cantor e compositor Jacques Dutronc, que está ao seu lado até hoje. Dylan disse uma vez que pelo menos fez três músicas inspirado em Françoise Hardy.

O que dizer mais sobre ela? Só que musas acabam virando mitos.

Covid 
Exatamente como no ano passado, a aproximação do inverno na Europa abre caminho para mais uma variante do vírus chinês. Países como Espanha, Bélgica e Portugal já anunciam restrições no acesso de turistas no período.

Pânico 
As redações do mundo reeditando manchetes do início da pandemia, pânico nas mentes e nas bolsas de valores. A conversinha agora é sobre quarta onda e novas variantes. Ninguém arrisca falar na ilusória imunização das vacinas.

Capetania 
A governadora Fátima Bezerra sancionou no último dia 23 uma lei aprovada na Assembleia Legislativa que torna de “utilidade pública” a Associação Capelania Evangélica Saqueando o Inferno (CAESI). Agora o diabo vai ter couro quente.

Felicidade 
Cientistas da Universidade de Princeton, em New Jersey (EUA), concluiram um estudo que estabelece qual seria o valor monetário mínimo que garante a felicidade, baseado na máxima de que dinheiro traz tudo, até amor e felicidade.

Infelizes 
O resultado decreta infelicidade geral no Brasil, pois estabelece que a quantia suficiente para nos fazer um povo feliz é de R$ 34.981,00, o equivalente às castas do serviço público que diariamente expõem sua felicidade nas redes. 

Perseguição 
Hora de alterar a frase famosa do escritor François Andrieux e dizer “ainda há agentes em Berlim”. Para caber na reação sensata e sem politicagem da Interpol ao não atender o ato perseguidor contra o jornalista Allan dos Santos.

Proibida 
O Ministério Público das Filipinas quer proibir a jornalista Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, de viajar a Noruega para receber a condecoração. Há temor que ela não volte para responder processos judiciais.

Ângelo 
Além de Aluízio Alves e do próprio MDB, outro motivo que trazia Ângelo Fernandes constantemente a Natal era sua rádio, quando ele acumulava as funções de dirigente e mídia, indo pessoalmente às agências de propaganda. 

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Versos infernais
Atualizado: 21:51:06 25/11/2021
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Hoje é a data da sua morte, 325 anos atrás, em 26 de novembro de 1696. O baiano Gregório de Matos é uma legenda da poesia durante a fase barroca no Brasil e em Portugal, autor de versos irreverentes, malcriados e com uma acidez satírica que lhes renderam o apelido de Boca do Inferno. Em 1995, bebi na fonte do seu poema “Ao Dia do Juízo” sorvendo uma cerveja no “Anexo”, um boteco na esquina da UnP. Abaixo o meu “Ao Boca do Inferno” e o original do poeta da cadeira 16 na Academia Brasileira de Letras.

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Ao Boca do Inferno
(Alex Medeiros, Século XX)

O idoso em desgosto possuído
o garoto tão só desesperado
o amante de dor enciumado
a esposa distante do marido

A menina em lugar desconhecido
a senhora perdendo o rebolado
o amor sem poeta ou namorado
um poema de namoro dolorido

Tantos versos no avesso da cultura
pé quebrado na ausência do improviso
verbo amargo numa frase de doçura

O inferno descobriu no paraíso
o código da grande fechadura
para abrir o dia do último juízo.


Ao Dia do Juízo
(Gregório de Matos, Século XVII)

O alegre do dia entristecido,
o silêncio da noite perturbado
o resplendor do sol todo eclipsado,
e o luzente da lua desmentido! 

Rompa todo o criado em um gemido,
Que é de ti mundo?/ Onde tens parado?
Se tudo neste instante está acabado,
Tanto importa o não ser, como haver sido.

Soa a trombeta da maior altura
A que a vivos e mortos traz o aviso
Da desventura de uns, d’outros ventura

Acabe o mundo, porque é já preciso
Erga-se o morto, deixe a sepultura
Porque é chegado o dia do juízo.

Ditador
O ministro Alexandre, o mediano, demonstrou num comentário que há duas coisas que não estão na mira da sua visão jurídica: a Constituição e a Democracia. O homem segue disposto a censurar opiniões e pensamentos.

Autoridade
A comentarista Ana Paula Henkel, ex-craque do volei, levantou uma questão pertinente: imaginem o escândalo mundial se um juiz da Suprema Corte dos EUA entrasse na onda das lives e comungasse opinião política de militantes.

Folclore
Um representante do Judiciário ou do Ministério Público precisa saber como se expor nas redes sociais sem comprometer sua reputação. Há dois procuradores sendo ridicularizados quase diariamente por seus sectarismos.

Reflexão
Para o psiquiatra Carl Jung, o pai da psicologia analítica, nada no Universo acontece por acaso, não há espaço para coincidência num sistma de sincronicidade natural cujos mistérios são alheios à percepção da humanidade.

Ame hoje
A vida é chama breve, uma flor que nasce e outra que murcha, um amor que parte, outro que chega, uma mão que agride, outra que acena, um olhar que chora, outro que consola. A vida é feita de agora; viva antes que vá embora.

Das ilusões
Uma quadrinha de autoria do anarco-capitalista Ugo Vernomentti, rabiscada num guardanapo de um café em Ponta Negra: “Das coisas perigosas / a maior seria qual... / a ilusão amorosa / ou a ilusão eleitoral?”. Não sei, amigo velho!

Sabores
Prossegue no Beco da Lama até o dia 10 de dezembro a 14ª edição do Festival Gastronômico Pratodomundo, criação da SAMBA. Participam 14 bares, pelo regulamento todos os petiscos têm um valor máximo de R$ 15.

Lama Bar
É o nome do futuro bar a compor o corredor gastronômico e boêmio do Beco da Lama. O Lama vai inaugurar em 01 de dezembro, um espaço aconchegante que promete bons sabores, como o já preanunciado pernil suíno fatiado. 

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Kun Aguero, o ídolo inglês
Atualizado: 21:55:19 24/11/2021
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Há pouco mais de uma década, muitos imaginaram que a fábrica de craques no futebol argentino iria fechar por algum tempo após entregar ao mundo os talentos de Riquelme, Messi e Tevez, os dois últimos protagonistas no bicampeonato olímpico, um feito que provocava no rival vizinho um gostinho de inveja. Mas aí apareceu um menino dando show na Copa do Mundo Sub-20 disputada no Canadá em 2007. Ele marcou seis vezes e seu país foi campeão.

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O então garoto de 19 anos se chamava Sergio Aguero, e tinha o apelido tirado de um personagem de quadrinhos japoneses, os famosos mangás. O jovem Kun jogava endiabrado, fazendo gols em série apesar da curta carreira que só começava. Na época, escrevi sobre o que ele fez contra a Polônia, inclusive exigindo cópia registrada em cartório para comprovar a semelhança de um gol com aquele primeiro que o rei Pelé marcou na Copa de 1958 contra o País de Gales. O argentino recebeu a bola de costas para o gol, girou dando um chapéu no zagueiro, matou no peito e depositou a esfera no canto direito.

Sergio Kun Aguero já tinha sido o mais jovem talento da geração campeã da Copa Sub-20 de 2005, na Holanda e em 2007 brilhou como o próprio Messi, já um fenômeno do Barcelona. Os bicampeões: Aguero, Tevez, Messi e Saviola.

Foi também o mais novo jogador na história da série A do futebol argentino, estreando aos 15 anos no time titular do Independiente, aquele com o maior número de títulos na Taça Libertadores. Já era a cara do desenho japonês.

Em 2005, aos 17, ganhou do jornal Clarin o título de “craque revelação” da temporada. Na véspera de completar 18 anos, foi comprado por US$ 28 milhões pelo Atlético de Madrid, onde logo se tornaria seu melhor atacante.

A transação mereceu pompas com uma solenidade e um grande coquetel num luxuoso hotel da rede Hilton. O jovem goleador sendo negociado por um valor acima do dobro do gênio Maradona, contratado em 1984 pelo Napoli da Itália.

E se o leitor acha que o tempo e a economia eram outros, convém saber que o Barcelona na mesma época pagou um pouquinho mais por Thierry Henry, um dos maiores jogadores da França e já consagrado pelos campos da Europa.

Em 2008 começou a fazer história na Champions League, uma competição sem espaço para os medianos. Sem ele, o Atlético perdeu um jogo, mas na sua volta, contra o mesmo adversário, seus dribles ajudaram numa goleada.

No confronto seguinte, ele massacrou a zaga holandesa do PSV e marcou duas vezes na vitória por 3 x 0. A partir daqueles dias, o time espanhol emendou uma sequência de classificações para disputar a Champions League.

Transferido para o Manchester City em 2011, construiu durante dez anos uma história que jamais será esquecida pela torcida celeste britânica. Sua chegada estabeleceu naquele instante a mais cara contratação da Premier League.

Primeiramente com a camisa 16, estreou e só precisou de cinco minutos para fazer seu primeiro gol de uma série que tão cedo será superada. Em maio daquele ano, foi dele o gol histórico que deu o título de campeão ao City.

Com seu gol aos 48 minutos do segundo tempo, encerrava-se uma espera de 44 anos por um título nacional do clube, e se iniciava sua mitificação entre a fanática torcida azul. Tornou-se o melhor jogador da história e maior ídolo. 

Neste ano, após uma década como símbolo e referência do time inglês, Kun Aguero mudou-se para o Barcelona. Quase não jogou e ontem surgiu a triste notícia que poderá parar por problemas cardíacos. Mas a idolatria continuará.

Indústria 
O desembargador Claudio Santos comentou nas redes sobre o tamanho incalculável da estrutura econômico-financeira em torno da Covid. E indagou quanto é o lucro em dólar e euro nas vacinas e exames obrigatórios de viagem.

Afetados 
Uma diretora da OMS decreta “quarta onda” da Covid na Europa, países com alto percentual de vacinação têm aumento de óbitos, como Luxemburgo com 100% vacinados. Será que o mundo está diante de um chabu na picada?

Perigo
Na Itália, pelo menos sete deputados testaram positivo para Covid-19 e se ausentaram do parlamento, onde toda a composição da casa está devidamente vacinada com duas ou mais dosagens. Os vacinados seguem se infectando.

Teste 
Há uma preocupação enorme com a liberação das festas com grandes públicos, como carnaval e jogos de futebol. Com a obrigatoriedade da vacina para o acesso, se houver uma onda de contágios compromete a eficácia.

Literatura 
O Prêmio São Paulo de Literatura divulgou os vencedores da 14ª edição. Com 281 livros inscritos, duas obras de editoras independentes venceram: “Front”, da Nós, de Edimilson Pereira; e “Ao Pó”, da Patuá, de Morgana Kretzmann.

Ausência 
Faleceu na terça-feira o escritor espanhol Miquel Barceló, aos 73 anos. Uma referência na literatura de ficção científica, tinha formação em engenharia aeronáutica e energia nuclear. E foi estimulador de novos autores do gênero.

Humor 
A escritora Cellina Muniz lança mais um livro no sábado, 27, a partri das 9h no Sebo Vermelho, abordando o humor das redes, os memes durante a pandemia e as piadas político-eleitorais. “A Pauta é: Humor” reúne 18 crônicas da autora.

Get Back 
No ar hoje na Disney Plus a primeira parte do documentário de Peter Jackson com as raras imagens da história perdida dos últimos dias dos Beatles. Sexta e sábado entram na plataforma as outras duas partes das 6 horas de duração.

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O beatle galã
Atualizado: 01:25:17 24/11/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com


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De tantas figuras apelidadas ao longo da história de “quinto beatle”, ninguém foi mais legítimo do que o baterista Pete Best, substituído de forma não muito bem explicada por Ringo Starr. Há sessenta anos o episódio conta com duas versões: o produtor George Martin achava-o incompleto e ao falar em trocá-lo contou com o apoio de John, Paul e George; ou que o trio teve um surto de ciúmes por Best ser o mais bonito, o mais bem vestido e mais querido das fãs.

Randolph Peter Scanland (seu nome de batismo) faz hoje aniversário de 80 anos, nascido em 24 de novembro de 1941, em Madras, cidade na Índia britânica e que hoje se chama Chennai. Seu pai era engenheiro naval que morreu na Segunda Guerra Mundial, e sua mãe uma médica da Cruz Vermelha que em 1944 casou com Johnny Best, se mudando para Liverpool em 1945. Há versão de que ela apostou as suas joias numa corrida de cavalos, e ganhou.

Com o dinheiro o casal comprou uma casa vitoriana num acre de terra na cidade inglesa, contando com 15 quartos e uma grande adega. Na puberdade de Pete, já com o sobrenome Best do padrasto, o lugar ficou muito popular.

A mãe abriu o “Casbah Coffee Club”, onde seis garotos da cidade tocavam se apresentando com o nome “The Quarrymen”, o núcleo pré-Beatles com John Lennon, Len Garry, Rod Davis, Pete Shotton, Eric Griffiths e Colin Hanton.

Dizem que a mãe de Lennon, Julia, foi a “personal stylist” do grupo, comprando para todos as vestimentas, sendo camisas xadrez para o filho, Len e Eric; uma camisa branca para Davis, um pulôver para Colin e uma jaqueta para Pete.

Meses depois John Lennon conhece Paul McCartney, que também conhece George Harrison e o apresenta ao amigo elogiando seu talento com o violão. Os três costumavam ajudar a mãe de Pete Best a pintar as paredes do lugar.

Em 1960 “The Quarrymen” passou a chamar-se Beatles e com apenas os três amigos. Mas Paul queria um quarto integrante para tocar bateria, e nada mais prático que convidar Pete, que já ganhara de presente da mãe um instrumento.

Na primeira viagem para Hamburgo, o grupo incorporou um quinto elemento, Stuart Sutcliffe, talvez aquele que mais merece disputar com Best a condição de quinto beatle. Na Alemanha, Pete não foi batizado nas drogas, como eles.

Nesse período, a mãe do baterista atuou como empresária marcando apresentações em Liverpool. O filho tornou-se o mais assediado pelas garotas e chegou a receber um sermão por usar roupas mais bonitas que os outros.

Foi quando começaram as primeiras gravações, a partir da experiência de banda de apoio do cantor Tony Sheridan, o produtor George Martin apontou a deficiência de Best no tempo com as baquetas. Os três concordaram com ele.

Anos depois, os Beatles confessaram que a decisão foi covarde e que não mediram a importância da popularidade dele, realmente o mais bonito de todos. Um namorado de uma fã decepcionada deu uma cabeçada em Harrison.

Depois da troca, Pete Best passou por um inferno astral e mergulhou numa depressão que o deixou duas semanas catatônico em casa. Chegou depois a formar uma banda, mas a explosão dos ex-companheiros o tirou do show bizz.

Algumas vezes, viu ou leu os Beatles citá-lo como detentor de doença periódica e decidiu processar a banda, conseguindo acordo extrajudicial. Em 1995, parte das vendas do álbum “Anthology 1” foi destinada ao ex-baterista.

Em uma das biografias dos Fab Four, feita pelo jornalista Larry Kane, confirma que o charme com as mulheres pesou mais que as baquetas para ter a rejeição de Martin e do trio. O livro tem como título “When They Were Boys” (quando eles eram meninos). Hoje o menino mais bonito é um senhor octogenário.

Auxílio 
Após via crucis quase sem fim, a adoção de uma pensão especial para o compositor Mirabô Dantas, proposta em 2018 pelo Conselho Estadual de Cultura, finalmente saiu pela ação direta da governadora Fátima Bezerra.

É Lei 
A pensão especial para quem dedicou a vida à cultura (como Glorinha Oliveira) foi criada pela Lei 7 de 23 outubro de 1974, idealizada pelo então governador Cortez Pereira. Para ser aplicada, ela só precisa da decisão isolada do gestor.

Burocracia 
Aprovada à unanimidade no Conselho de Cultura em fevereiro de 2018, a proposta perambulou em gavetas de burocratas sem tal necessidade. Houve até um barnabé em comissão que comentou ser contra, como fosse ele a Lei.

Fórum 
Acreditem se quiser. Mas o tal Fórum Jurídico de Lisboa tem servido nos últimos anos como disfarce às taras sexuais de uma dezena de poderosos que buscam em Portugal suas fantasias com menores. A mídia lusa já alertou isso.

Bandidagem 
Ganhou destaque nas TVs uma ativista indignada perguntando “uma operação com oito mortos e nenhum preso?”. Ora, ações policiais contra quadrilhas do “novo cangaço” têm que ser letais, precisas. E sem baixas entre os agentes.

Alarme 
Não há como concordar com a decisão do STF (leia-se Fachin) de que operações policiais nos morros cariocas precisam ser avisadas ao MP. Ora, a Lava Jato está aí para comprovar os vazamentos, que alarmam os bandidos.

Filme 
Assistam SanRemo na Amazon Prime ou IPTV. Roteiro comovente, abordagem delicada da vida num asilo de idosos, o acender de um amor improvável em véspera de fim e que morre todo dia para ser chama no porvir.

Estreia 
É amanhã a primeira parte do documentário “Get Back”, do diretor Peter Jackson. Com 4 horas de duração, é dividido em três partes, a segunda dia 26 e a terceira dia 27. Serão três dias de Disney Plus para os beatlemaníacos.

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Deus e a Liga da Justiça
Atualizado: 16:38:10 23/11/2021
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Parece que a DC Comics gostou de mexer com os fãs do seu maior grupo de super-heróis, principalmente a partir da repercussão do mega filme de 4 horas de duração do Zack Snyder e do longa animado Injustice de Matt Petters. Segundo a imprensa que cobre a nona arte nos EUA, a editora está propensa a reeditar uma das mais memoráveis aventuras da Liga, publicada há 20 anos, intitulada “Liga da Justiça: Ato de Deus”, onde todos os heróis perdem seus poderes.

Prestes a completar 60 anos de atuação, quando estreou no inverno do hemisfério norte na revista “Brave and the Bold” (fevereiro/março/1962), a Liga acumula aventuras inesquecíveis, algumas com episódios aterradores para os personagens e até polêmicos para os fãs e a mídia especializada. Basta lembrar, por exemplo, das catastróficas crises que se tornaram títulos, como Crise nas Infinitas Terras, Crise Final, entre outras, como essa “Ato de Deus”.

Na minissérie de 2001, uma luz misteriosa viaja pelo Universo e retira todos os poderes dos chamados meta-humanos, transformando-os em gente comum e mortal. O título escolhido foi exatamente para suprir a ausência de explicação.

A aventura, expondo os clássicos Justiceiros (nome adotado no Brasil pela Ebal), lembra uma história da Legião dos Super-Heróis, inserida no Almanaque Superboy de 1979, quando o mago Mordru ameaçou os poderes dos jovens.

Na aventura que agora poderá ganhar um remake, ninguém nunca explicou o real motivo da perda dos superpoderes, apesar de haver sutis indicações de que o fenômeno só pode ter sido um ato do próprio Deus da literatura cristã.

Os personagens são afetados não apenas biologicamente, mas também psiquicamente, já que alguns ficam meio perdidos diante da nova realidade. Superman vai viver numa fazenda e a Mulher Maravilha busca ajuda na reza.

Na revista “Mulher Maravilha: Evolução”, que está nas bancas dos EUA, há uma cena onde a amazona e o Superman estão no cume de uma montanha num encontro que ambos lembram não ocorrer casualmente há algum tempo.

Diana comenta com Clark que quando subiram ali, perceberam alpinistas arriscando as vidas para conquistarem uma visão panorâmica como a que eles, os super-heróis, tinham ali e se comportavam como se estar ali fosse banal.

Naquele encontro na altitude residiu também uma decepção dos fãs, que não concordaram com a relação afetiva inserida sem sutileza na aventura. Diferente dos roteiristas da DC, os leitores sempre preferiram Lois Lane ou Lana Lang.

O bate-papo tranquilo da dupla na montanha, está provocando sermões dos fãs que detectaram fortes alusões a antiga aventura da perda dos poderes. Pois são tais coisas que sempre indicam um próximo passo, ou traço, da DC.

A questão não é uma perda de poderes isolada ou em pequenos grupos, como já aconteceu em diversas histórias da Liga da Justiça, mas o “Ato de Deus” deixou em aberto a impotência permanente de todos os seres superpoderosos.

E o detalhe do love affair entre Superman e Mulher Maravilha ganhou um primeiro hound no longa “Injustice”, quando ambos quase se beijam horas após a morte de Lois Lane e do seu filho Jonathan ainda em formação no ventre.

Os rumores saindo da DC e esta edição da Mulher Maravilha instigam os fãs a expectativa da volta da mais estranha e assustadora aventura da Liga da Justiça. Aguardemos, pois.

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Luz 
É impressionante como uma cidade chamada Natal, nome derivado de nascimento, renovação e iluminação, já que sua época era de festejos romanos no solstício de inverno e culto ao Sol. A Natal do menino luz é pura escuridão.

Escuro 
Como se já não fosse um contrassenso a escuridão que impera nas ruas dos bairros, algumas avenidas principais, como Roberto Freire, Ayrton Senna, Mário Negócio e Bernardo Vieira se tornam à noite corredores à meia-luz.

Bairros 
O que os canais de TV nunca conseguiram fazer, a garota Fernanda Guimarães vem conseguindo com os primeiros dois programas no YouTube dedicados aos bairros de Natal. E ela é um show à parte na dinâmica edição.

Quintas 
Fernanda já colocou no ar dois programas dedicados ao Alecrim e às Quintas, e fará mais outros 22, tudo projetado num orçamento levantado com leis de incentivo. Evidente que o capítulo das Quintas me deixou deveras maravilhado.

Pecuária 
Depois de premiada em exposição realizada em Alagoas, a fazenda potiguar Roriz da Rocha repetiu o sucesso da genética especial dos seus animais durante a Festa do Boi, sendo eleita melhor criador 5/8 e melhor expositor 1/4.  

Quadrinhos 
Uma série de quadrinhos produzida no Ceará ganhou o Prêmio HQMIX, o Oscar nacional do setor. A HQ Mayara & Annabelle, duas caçadoras de eventos sobrenaturais, é de autoria da dupla Pablo Casado e Talles Rodrigues.

Estatueta 
A cerimônia da anunciação dos vencedores da 33ª edição do HQMIX será no sábado, 27, pelo canal do YouTube do Sesc-SP, com apresentação de Serginho Groismann. A estatueta dos vencedores tem por nome “A Bruxinha”.

Revista 
Hoje tem lançamento no Recife Antigo do gibi “Nelcy Campos – Herói Brasileiro”, contando a história do prático que arriscou a vida em 12 de maio de 1985 para salvar a capital pernambucana de uma tragédia sem precedentes.

Herói 
Há 36 anos, um navio-petroleiro com 1,5 mil toneladas de gás butano explodiu um dos tanques e o fogo tomou conta do Porto do Recife. A explosão dos outros tanques arrasaria tudo, não tivesse Nelcy levado o navio pra alto-mar.

Terça gorda 
Na TV: Dynamo x Bayern, Barcelona x Benfica, Villarreal x Manchester United, Chelsea x Juventus, Young Boys x Atalanta, Lille x Salzburg, Sevilla x Wolfsburg, Atlético GO x Juventude, Grêmio x Flamengo, Palmeiras x Atlético MG.

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Um compatriota de Neruda
Atualizado: 09:37:46 20/11/2021
Um compatriota de Neruda
O universo literário do Chile, um dos mais férteis da América Latina, comemora hoje o nascimento do poeta Alfonso Calderón, filho da comuna de San Fernando. Ele nasceu em 1930 e faleceu em 8 de agosto de 2009, deixando uma vasta obra e um legado a partir do protagonismo na Academia Chilena da Língua e na Biblioteca Nacional. Seu livro “Memórias da Memória”, em três tomos, tem mais de 3 mil páginas. Sua filha Teresa Calderón é poetisa. Abaixo, dois poemas de Calderón, que considerava o amigo Pablo Neruda “uma mina inesgotável”.
Reprodução

Mulher adormecida

Você está sozinha 
na praia bem-amada,
e seu corpo acariciado pelos ventos
lembra a espuma soluçante.

Você está sozinha, 
mas em sua solidão
virgens cercam seus sonhos,
e aquela arquitetura 
tentadora do mar
nimbando acena tais corpos possuídos.

Você sonha, 
mas eu sonho com eles, meu amor
eles são os arcos do amor,
e mais tarde na memória
haverá apenas um perfume 
cuidadoso para os lábios,
um gostinho de um planeta 
mentiroso e trêmulo,
como a chuva, suave,
como o silêncio, doce,
como o esquecimento, 
absoluto.

Você é o Crepúsculo

Ali, onde o silêncio começa
está você,
todo desejo, toda extensão
como grama ou choupo sozinho
que coleta o momento 
puro dos sonhos
na triste, tão triste presença 
de mãos sem veias,
branco e solitário como a dor,
branco e lento 
como o próprio esquecimento.

Censura 
Assim como Dilma tem fixação em desconstruir o vocabulário pátrio, Lula tem obsessão em calar os canais de opinião do cidadão. Voltou a defender o controle da internet, como fosse um porta-voz dos Alexandres e dos Imoraes.

Ah, a ciência 
Caro Leitor, Hélio Viana. Longe de mim ser contra a ciência. Não a confunda com indústria farmacêutica ou comércio droguista, que são o alvo aqui nos meus questionamentos. Comercializar vacina fechando empresa não é ciência.

Cultura 
No mais, estou com você, Hélio, é muito bom poder discorrer sobre música, cinema, literatura, arte, futebol, e, de quebra, ainda ter leitores com seu nível de conhecimento e bom gosto. Mas veja como é feio ciência com consórcio.

Do leitor 
Paulo R. Gomes: “Muito oportuna e justa sua postura sobre a ingerência do MP nos mais diversos setores dos poderes e da sociedade. Isto ocorre porque somos o país inoperante. O Executivo não executa, o Legislativo não fiscaliza”. 

Abilene City 
O jornalista Mário Ivo foi assaltado pela segunda vez em poucos meses. Agora foi no Centro Histórico, próximo à igreja Santo Antônio. Bandidos armados levaram seu automóvel e o celular. Natal virou um cenário natural de faroeste.

Vulcão espanhol 
Nenhum cientista na Europa arrisca fazer previsões a respeito da erupção do Cumbre Vieja, que segue cuspindo fogo enquanto a região não para de registrar terremotos, 350 deles apenas no dia de ontem. Em 70 dias, 6.466.

Inundações 
O governo do Canadá mobilizou suas Forças Armadas em caráter de emergência para resgatar cidadãos isolados em locais da costa do Pacífico, vítimas das inundações provocadas por chuvas torrenciais e avanço do mar.

Carol Porto 
Já nas plataformas digitais o primeiro EP da jovem cantora natalense que vem se destacando com seu trabalho autoral e poder vocal. O trabalho lançado tem sons de alguns gêneros e ritmos, versando do pop ao lo-fi, da MPB ao axé.

Alagados
É o nome do EP do quarteto formado por Alfredo Del-Penho, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda. Produzido pela Som Livre, esse primeiro registro fonográfico tem quatro músicas que estarão num álbum em 2022.
Bo Derek, Mulher 65
Atualizado: 23:34:19 20/11/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Ela tinha apenas 16 anos quando entrou na mira do ator e diretor John Derek, que estava com 46 e casado com a atriz Linda Evans (a terceira esposa após as também atrizes Pati Behrs e Ursula Andress). A adolescente Mary Cathleen Collins era somente uma bela garota da Califórnia, e sua beleza juvenil teve um efeito explosivo no instinto de conquistador do cineasta. Ele não só a atraiu, como a convenceu a passear nas ilhas gregas e a pensar em tornar-se estrela.

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No Natal de 1973, Linda Evans recebeu do marido o pior presente: um aviso de que estava apaixonado por uma estudante que abandonou o ensino médio em Long Beach e estava com ele na Europa para iniciar a carreira de atriz. Bo Derek era 30 anos mais nova que John e 17 em relação à Linda. O love affair balançou Hollywood e agitou a imprensa americana, que tinham em John e Linda um exemplo de casamento feliz. Os amigos tentaram interferir no caso.

O ator e lenda John Wayne telefonou para a Grécia e deu um esporro em John Derek, dizendo que ele estava arruinando sua vida e carreira. A mãe de Bo Derek, amiga de atrizes como Ann-Margret e a própria Evans, ligou o alarme.

Nada impediu o namoro e a mídia logo descobriu a esplendorosa sensualidade da garota. Uma jornalista escreveu que John finalmente conseguira encontrar a versão adolescente na mistura anatômica de Ursula Andress e Linda Evans.

O casal ficou zanzando dois anos em solo europeu, até Bo completar 18 anos, o que seria importante na volta aos EUA, de modo a livrar Derek de acusação de assédio a menor ou mesmo de uma ação penal por estupro de vulnerável.

Os dois casaram às pressas numa madrugada em Las Vegas, numa cerimônia comandada por uma pastora evangélica que os atendeu em casa horas antes de dormir. Abençoou os noivos sem tempo para retirar os bobs dos cabelos.

Quando Bo Derek fez 19 anos, rejeitou o papel principal no filme Hong Kong, lançado em 1976, dando lugar a Jessica Lange que até hoje agradece. Em 1977, com 21, atuou em Orca, a Baleia Assassina, e foi comida pelo monstro.

Mas aí veio o filme “10” (no Brasil, Mulher Nota 10) em 1979, uma comédia que lançou Bo Derek ao estrelato e a transformou numa pin-up, atingindo popularidade espantosa e cultuada como a mais bela mulher daqueles anos.

O filme do diretor Blake Edwards tinha alguma semelhança com sua história com John Derek. O comediante e músico inglês Dudley Moore no papel de um quarentão que encontra numa jovem o estereotipo da amante perfeita, nota 10.

A convivência de Bo Derek num bairro negro a fez impor ao diretor o penteado com tranças e muitas contas penduradas. A cena saindo do mar (que ironia com a ex de John, Ursula, em 007) de maiô bege foi uma catarse universal.

A exposição das suas curvas, o olhar, o sorriso, os amassos com Dudley, fizeram do mundo uma orca a comê-la com os olhos. Minha geração aos 20 anos pregou sua foto nos quartos, pranchetas escolares, salas de diretórios.

Bo Derek tornou-se a partir daquele filme um símbolo sexual, um ícone cultural, uma referência fashion. Mulheres no mundo inteiro, brancas, negras, ruivas e amarelas, penduraram contas, botões e conchas marinhas em seus cabelos.

Ela também mostrou não ser apenas um rostinho bonito, e além de atriz tornou-se produtora e ativista em defesa dos animais. Inclusive realizando um sonho de infância que era criar e montar cavalos, coisa que faz até hoje.

John morreu em 1998, tempos depois ela namorou um garotão de 18 anos (compreende-se) e aí conheceu o cantor e ator John Corbett (astro da série Sex and the City), com quem casou ano passado após 20 anos de relação.

Hoje, 20 de novembro, Bo Derek faz aniversário de 65 anos e segue brilhando naquilo que faz, produzindo, cavalgando seus cavalos, escrevendo e atuando em favor dos bichos. Ela, Ursula e Linda, todas ex de John Derek, são superamigas e sempre se encontram. Ano passado, seu estilo em 1979 voltou à moda.

Vacina 
Durante meses, a catarinense Arlene Ferrari lutou para comprovar que seu filho Bruno, de 28 anos, sofreu AVC após tomar vacina de Covid. Perambulou em busca de ajuda jurídica e foi linchada nas redes por brigar pelo próprio filho.

Comprovação 
Nesta semana, a Superintendência de Vigilância Sanitária de Santa Catarina confirmou que a morte de Bruno foi efeito da Astrazêneca. Ontem, outras mães de luto por seus filhos criaram coragem para encarar o fascismo do Twitter.

Rejeição
Quinta-feira o pré-candidato a presidente Ciro Gomes rebateu pergunta na CNN dizendo que era menos rejeitado do que Lula, Bolsonaro e Moro. Ontem, a Veja chegou nas bancas com o trio e seus índices de rejeição na capa.

Senado 
Não adianta tentar arrancar de Garibaldi Filho algum comentário sobre sua liderança numa recente pesquisa para o Senado. Sua resposta é só uma: está concentrado e trabalhando pela reeleição do filho Walter a deputado federal.

Senado II 
E ontem, uma outra pesquisa para o Senado foi divulgada na rádio 96 FM mostrando o ministro Rogério Marinho na liderança em três cenários pesquisados. Ele supera o também ministro Fábio Faria e o senador Jean Paul.

Black Friday 
Definitivamente, o sucesso anual da campanha de incentivo ao comércio mexe muito mais com a vida das mulheres do que cinco décadas de feminismo. A adesão feminina foi tamanha nos últimos anos que contaminou até os machos.

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Domingos da Guia, 109 anos
Atualizado: 10:08:59 19/11/2021
Alex medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Nasceu num dia como hoje, em 1912. Nenhum princípio os deuses do futebol criaram os céus e a Terra. Mas a Terra era sem forma e vazia, com trevas sobre os abismos. Movendo-se sobre as águas, os espíritos dos deuses disseram que houvesse luz e grama. E viram que a luz e o verde eram bons. Foi na tarde e na manhã do primeiro dia que os deuses imaginaram os domingos de luz e verde como representação do paraíso sobre a Terra. 

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Para marcar aquele dia de glórias e alegrias, conceberam nas esferas do Cosmo um semideus chamado Domingos. Quando a bola conheceu o craque, houve um alinhamento de planetas e a natureza lúdica germinou o fator elegância nos gramados. Ninguém foi mais gentil e cavalheiro no trato com a bola do que aquele negro brasileiro eternizado como o beque dos deuses.

E quem é filho de deuses, divino é. O divino mestre das jogadas imortais, da marcação pacífica, do toque estilizado, sem a estabanação dos zagueiros cabeças de bagre. Referência, Domingos foi um Guia para todas as gerações.

Enquanto reinou nos gramados da América - ídolo de três nações, atração dos estádios no Brasil, no Uruguai e na Argentina - não existia a máxima “bola pro mato”. Roubava o mimo como um cirurgião resgatando uma artéria coronária.

Diz a lenda que apenas uma vez o divino deu um chutão para fora da área, sendo vaiado pelas arquibancadas da elite Fluminense que via um Flamengo x Botafogo. Reagiu driblando meia dúzia de alvinegros e chamando para a briga.

Ao final do show, os botafoguenses batidos, lançou a bola no infinito do campo adversário para a conclusão a gol de um colega. Diz, novamente, a lenda – com ares de fato real – que a burguesia com pó de arroz o aplaudiu de pé.

Foi no Uruguai, em 1933, que surgiu o apelido “Divino Mestre”, onde suas façanhas enlouqueciam os torcedores do Nacional e a própria imprensa de Montedivéu. Na Argentina, Boca Juniors e San Lorenzo brigaram para tê-lo.

Não há nenhum caso semelhante no triunvirato latino como o de Domingos da Guia, consagrado como o melhor zagueiro de todos os tempos no Brasil, no Uruguai e na Argentina. Melhor no Bangu, Flamengo, Vasco, Nacional e Boca.

Jogava com maestria nos dois lados, como beque direito ou esquerdo. Tinha o domínio completo na posse da bola, que era impossível perdê-la. Até os adversários se impressionavam com seus passos tranquilos como de valsa.

Nos jogos do Nacional ou do Boca, multidões de mais de 60 mil pessoas se reuniam para ver o talento de Domingos. Um público estupendo para uma época em que o futebol engatinhava na América no plano profissional.

“Milhares de olhos acompanhavam aquele gorro branco sobre um corpo de ébano que deslizava no gramado como se dançasse em salões de Viena”. Disse o jornalista Marcelino Pérez, ex-jogador e técnico, sobre o gênio negro.

“Foi o maior que eu vi jogar, atuava com ciência, talento e sabedoria, sempre saindo da área com tranquilidade, com a bola dominada. Era de poucas palavras, lento ao caminhar, mas de movimentos plásticos e charmosos”.

Sempre que se escrever ou se falar de Domingos, é obrigatório citar o escritor uruguaio Eduardo Galeano, que definiu a solidez do craque no livro Futebol ao Sol e à Sombra: “A Leste, as muralhas da China; a Oeste, Domingos da Guia”.

Domingos marcava seus oponentes sem pestanejar, lívido e em constante cálculo da hora do bote, uma artimanha ofídica. Nos anos em que reinou nos gramados da América – e do mundo em duas copas, o futebol era um espetáculo com suas jogadas maravilhosas chamadas de “domingadas”.

Legisladora 
Como não bastasse a promotora Gilka da Mata tentar interferir no Plano Diretor com um projeto da sua lavra, é um absurdo a Câmara Municipal abrir uma sessão para a doutora expor sua compreensão e doutrina, como se legislasse.

Censura 
Inacreditável que um componente do MPF convoque emissoras de TV para um ajuste de conduta e que mostrem os tipos de programas policiais. O motivo é simplesmente censurar imagens de violência, como as reações da Polícia.

Gay power 
Os doutores do MPF também querem determinar como deve ser conduzida a pesquisa do Censo de 2022. Ameaçam com inquérito se não houver perguntas relacionadas com as pessoas que não se identificam com os dois gêneros.

Tucanos 
O trio pré-candidato a presidente da República participou de um novo debate, transmitido por um canal de TV. João Doria mentiu ao dizer que só o PSDB faz prévias; e justiça seja feita, o PT inventou a frescura ainda nos anos 1980.

1982 
Aqui no RN, há quatro décadas, o PT, ainda um nanico, realizou prévias nos núcleos de bairros e de trabalhadores onde se debateu as pré-candidaturas ao governo. Rubens Lemos venceu Eliziel Barbosa, que foi candidato ao Senado.

Violência 
Quanto mais os bandidos sabem que o povo está desarmado, mais ficam destemidos para o crime, até porque há os patrulheiros oficiais das ações da Polícia. O assassinato do gerente de uma farmácia foi tragédia anunciada.

Medo 
Não foi coincidência que dias antes do assassinato na Jaguarari algumas farmácias em Natal retiraram do seu interior as máquinas de saque rápido do Banco 24 Horas. Funcionários e clientes de farmácia vivem em total alerta.

Arteceria 
É o nome do ateliê de brindes corporativos criados e ofertados pelo publicitário Luiz Fontenele, que trabalha com estilos vastos, do metal à madeira, do plástico ao tecido, do papel ao sintético. Reservas pelo fone/zap 98132-0199. 

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Viva Margaret Atwood
Atualizado: 23:54:02 18/11/2021
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

A canadense Margaret Eleanor Atwood completa hoje 82 anos de vida. Ao longo de 60 anos de atividade intelectual, ela consolidou-se como poetisa, ensaísta, crítica literária, romancista, professora, ativista ambiental e inventora. Seu primeiro livro, “Double Persephone”, de poesia, foi lançado em 1961 dando início à sua carreira de autora premiadíssima. Publicou 17 livros de poemas, 16 romances, 10 livros de não ficção, 8 coleções de contos, 8 livros infantis e uma história em quadrinhos, sem falar nas muitas publicações na imprensa.

Em sua homenagem pela data e ofertando aos seus leitores daqui e d’alhures, seguem dois poemas de Atwood, o primeiro traduzido no Brasil pela autora e professora da Unicamp Lídia Rogatto.

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Voando dentro do teu próprio corpo

Os pulmões se enchem e se estiram,
Asas de sangue rosa, e teus ossos
Se esvaziam e se tornam ocos.
Ao inspirar, tu subirás como um balão
E o teu coração também é leve e enorme,
Batendo com puro gozo, puro hélio.
Os brancos ventos do sol sopram atravessando-te,
Não há nada acima de ti,
Agora enxergas a terra como uma joia oval,
Radiante de amor e azul da cor do mar.
Somente nos sonhos podes fazer isso.
Ao despertar, teu coração é um punho agitado,
Uma poeira entope o ar que inalas;
O sol é um quente peso de cobre pressionando
Forte na rosada, pensada casca do teu crânio.
Sempre é o instante que antecede o tiro.
Tu tentas e tentas levantar, mas não podes.

A água

A água não resiste. 
A água flui. 
Quando coloca a mão dentro dela, 
tudo o que você sente é carinho. 
Água não é uma parede sólida, 
ela não o impedirá. 
Mas a água sempre chega aonde quer chegar, 
e nada consegue ir contra a correnteza. 
A água é paciente. 
A água que pinga desgasta uma rocha. 
Lembre-se, minha criança. 
Lembre-se que é metade água. 
Se não pode atravessar um obstáculo, 
dê a volta, como faz a água.

Golpismo
Não há uma semana em que não seja disparado da suprema casamata um tiro destinado a derrubar o governo, impor censura e facilitar a ressurreição napoleônica de Lula. O golpe fatal poderá ser o teatro das urnas eletrônicas.

Reação
O presidente americano Joe Biden proibiu o acesso no país do ditador da Nicarágua e seus parentes, assim como auxiliares próximos. E a Organização dos Estados Americanos (OEA) não reconheceu a eleição do quarto mandato.

Missas
Autoridades espanholas alinhadas com a esquerda tentam proibir homenagens ao generalíssimo Franco que ocorrem pelo país, inclusive nas igrejas. A Conferência Episcopal refutou a censura afirmando ser celebrações litúrgicas.

Oscar Press
O Prêmio Comunique-se anunciou terça-feira os 11 vencedores das suas categorias, com destaque para o jornalista Luiz Ernesto Lacombe eleito o melhor apresentador de TV (na Rede TV) e influencer digital (Gazeta do Povo).

Leonardo 
É hoje no Bardallo’s, às 18h, o lançamento da nova edição de “Crônicas do Beco da Lama”, marcando os 5 anos da morte do saudoso autor Leonardo Sodré, uma das figuras mais presentes e queridas no reino poético da boemia.

Expedito
Luto no cenário do rock natalense com a morte de Expedito Ribeiro, o “Cabeludo”, dono da banca na Avenida 2 que virou point de roqueiros que lá adquiriam camisas com temática pop e discos de bandas e ídolos do rock.

Mistérios
E o tal encontro das Alices movido ao vinho rosé Alice Grapeland não rendeu bons fluídos para uma das beldades, cujo marido se encheu de curiosidades e agora a acusa de erguer uma cortina de silêncio sobre a farra das luluzinhas.

Tite
O técnico brasileiro fez questão de destacar a qualidade do juiz uruguaio Andres Cunha, lançando críticas apenas ao árbitro do VAR, Esteban Ostojich. E elogiou a torcida: “fomos muito bem recebidos em San Juan, não ouvi um só insulto”.

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Da Avenida 10 pra Sapucaí
Atualizado: 22:50:50 16/11/2021
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

A brincadeira no início dos anos 1960, anunciando Beatles, Roberto Carlos e Luiz Gonzaga no microfone da Amplificadora Rio Grande, na Avenida 10, com o mano João (cinco anos mais novo) botando pra rodar as bolachas de vinil, um dia levaria a voz do menino Eri Galvão a ecoar pelos lares do Brasil pela amplidão da audiência da televisão, quando milhares de adeptos das escolas de samba do Rio faziam figa para o samba-enredo ganhar um dez na avenida.

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Por 34 anos da história de 36 anos da Liga das Escolas, o compositor potiguar julgou com talento e rigor técnico os sambas das agremiações cariocas, sem nunca, jamais, ter sua análise e sua sentença envolvidas em polêmica ou questiúnculas por quem quer que seja, de bicheiro a sambista, de maestro a mestre-sala, de ritimista a jornalista. Quem diria que o pole-position dos Irmãos Eris, que influenciou uma geração no rock em Natal, seria professor de samba?

Eri Galvão partiu segunda-feira, às 17 horas e 17 minutos, cercado pelos filhos, irmãos e amigos, depois de uma árdua luta contra complicações cardíacas. As cinzas da sua essência ética, amorosa e musical fizeram o percurso de volta.

E é preciso aos estudiosos da cultura natalense dar a devida dimensão ao legado artístico de Eri Galvão a partir desse percurso iniciado nos anos 1970 em direção ao Rio de Janeiro, e sua presença marcante naquela cena musical.

Pioneiro na ressonância dos Beatles pelo autofalante da amplificadora no Alecrim, ainda nos anos 1960 botou o rock na Rádio Rural com o programa “Underground Cash Box”, tocando pop, Jovem Guarda e avaliando os discos. 

Depois transferiu-se para a Rádio Nordeste com o título do programa embaralhado no próprio nome, “ErivanBox Cashnaldo”. E no Colégio Municipal, no Baldo, em 1968, montou um conjunto musical chamado “Os Milionários”.

Na condição de presidente do Grêmio Estudantil, ele inseriu a moçada na nova onda que se espalhava por Natal, onde bandas iam se formando em colégios como o Atheneu e Escola Industrial (Depois ETFRN), entre outras tantas.

Não tocava instrumento, cabendo-lhe o vocal do seu grupo; mas logo aprendeu violão e ganhou um da mãe. E no processo do aprendizado, ia transmitindo o que já dominava para João Galvão, tanto com o violão quanto com o inglês.

Saiu do Municipal para concluir o curso clássico no Atheneu e logo se tornou professor de inglês, função que foi seguida também por João Galvão e mais adiante Babal, o terceiro da linhagem que bebeu na fonte afinada dos dois.

Na UFRN, formou-se em Assistência Social e em meados dos anos 1970, quando os irmãos moravam em Candelária, foi para o Rio e conquistou um posto funcional no SESC, onde seria essencial para projetos de apoio às artes.

As noites cariocas lançaram sobre Eri a harmonia do samba e lá foi o beatlemaníaco dedilhar seu violão com figuras como João Bosco, Paulo César Pinheiro, João Nogueira, Paulo César Feital. Tocou 15 anos no Vinícius Bar.

Quando casei com Jacqueline em 1996, nosso melhor programa de carnaval era entrar pela madrugada e amanhecer vidrados na TV acompanhando o desfile da Sapucaí. E na quarta-feira, eu torcia pela Mocidade Independente.

Um dia, fiquei puto quando Eri tirou 2 décimos de um samba que já era sucesso nas rádios do País. Meses depois, nas férias dele em Natal, fui tirar “sastifa”. E ele, rindo: “samba lindo, mas com compassos de marcha-rancho”.

Em junho de 2002, fui ao Rio lançar um livro na Livraria Argumento, no Leblon. Quando entrei com a equipe da editora para arrumar o local, Eri já estava lá. “Só um parceiro dos Galvões para me fazer pegar a balsa de Niterói hoje”.

Daquela noite, ficou uma foto feita pela máquina dele; me enviada anos depois. Nosso último encontro foi em 2019, num show de Galvão Filho, ele sempre paternal e babão dos “Irmãos Eris”, como se não fosse ele a lanterna deles todos. E de nós, uns tantos que ganhamos um lugar à òrbita dele.

Agressão 
Até agora, a Secretaria Municipal de Educação só emitiu uma notinha acanhada de desculpas à professora Tania Maruska Petersen, vítima da estupidez de um barnabé da instituição sem condições de servir ao público.

Censura 
A edição 63 da revista A Verdade que entrou em circulação traz ampla reportagem sobre a revogação da prisão do deputado Daniel Silveira, que segue proibido de dar entrevistas. Juristas e parlamentares dão suas opiniões.

Cárcere 
Uma imagem da casa do cubano Yunior Garcia, gradeada e com a bandeira do país sobre a janela, gerou o comentário nas redes: “trancam o crítico e se insistir em falar, tapam a janela; igualzinho uma tal Corte de um grande país”.

Moro nas redes 
“A Petrobras foi saqueada durante o governo do PT com bilhões de dólares em prejuízo. A empresa quase quebrou. Transformar bandidos em heróis e atribuir culpa a quem combateu o crime é estratégia inverter a verdade e os valores”.

Festa do Boi 
Picardia do advogado Daniel Censoni nas redes sociais ao ver os preços de R$ 30 no estacionamento do Parque de Exposições Aristófanes Fernandes: “Por esse preço a gente tem direito a levar ao menos um bezerro pra casa, né?”.

Polêmica 
O nome Beatles dominou o Twitter no domingo e segunda no Brasil e no mundo com milhões de postagens ironizando uma fala de Billy Joel que chamou a cantora americana Taylor Swift de “os Beatles da atual geração”.

Repescagem 
Os três principais diários esportivos de Portugal deram manchetes desesperadas no domingo: “Vergonha Mundial” (Record), “Miserável” (A Bola) e “Eclipse Total” (O Jogo). E ontem o chororô se repetiu em jornais da Itália.

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