70 anos de um semideus
Atualizado: 22:05:57 19/05/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

No século 25, quando a paleontologia extra-terrestre cascavear nossos campos em busca de sinais de estrelas do futebol, irá revelar nos passes mágicos dos grandes gênios – marcados na superfície da História – o primeiro gameta oriundo da Mãe África. Na trajetória e na mística de Pelé, de George Best, de Di Stefano, de Hugo Sanchez, de Puskas e de Eusébio, a radiologia do carbono intergaláctico e a leitura do código genético boleiro apontarão o DNA de Roger Milla herdado nos continentes.

Como a raça humana, o futebol decerto também tem raízes primitivas nas areias de Yaoundê, a capital de Camarões, pátria do mais fantástico jogador do continente africano e uma das jóias raras que compõem o tesouro lúdico do maior esporte terreno. Roger Milla, essência suprema dos africanos de todas as tribos, eternizado nos dribles com poderes de quebra-osso em zagueiros de múltiplas cores e etnias. 

O futebol nele era a reprodução plástica dos ritos e ritmos da África. Gol é dança, dançou é gol, de Milla. Pelo espaço do dente faltoso na boca do camaronês, escapou para sempre a marca de um futebol jogado com alegria. 

No eterno sorriso dourado de Roger Milla, expandiu-se no mundo a genealogia dos maiores craques. A História do futebol em África tem na performance da seleção de Camarões seu momento mais sublime na trajetória das copas. 

E Camarões só chegou ao torneio da FIFA senão pelas pernas de Milla, os instrumentos da Makosa, a dança do matador. A cada gol dos leões, o ídolo comandava a coreografia em torno da bandeira de escanteio, como se ali estivesse o totem sagrado de todas as batalhas, de todos os embates ainda porvir na longevidade do gênio negro.

O tempo não passará diante da louvação do seu povo. Jamais haverá intervalos históricos entre os jogos do menino goleador do Éclair e do Leopard, seus times de Douala, e os gols do adulto artilheiro nos gramados franceses e europeus.

Roger Milla atravessou o estreito de Gibraltar carregando nos pés de todas as gêneses o talento da sua magia. Encantou torcidas no Valenciennes, no Mônaco, no Bastia, no St. Etienne e no Montpellier. Poucos foram tão populares nos campos da França.

Na Copa de 1990, ao levar Camarões a uma quarta de final, o filho de todos os tambores espalhou seu carisma pelo mundo. Raros foram os países aonde não tenha surgido alguma manifestação de idolatria por seu jogo e estilo.

Contam-se nos dedos os brasileiros que não explodiram em êxtase de picardia, que não tenham tilintado cervejas quando Milla comandou seu colorido exército na dança da guerra que eliminou os poderosos argentinos em solo italiano.

E era o jogo de abertura de uma Copa histórica, a primeira a reunir todos as seleções detentoras de títulos, desde o Uruguai em 1930. Os campeões de 86, com Maradona e tudo, caíram atônitos diante do indomáveis leões, na garra e nos dribles de Milla.

É para sempre o deus maior do futebol africano, tendo ao lado, no seu panteão, a figura mítica e gloriosa do liberiano George Weah.

Figurou em três copas e surpreendeu o mundo ao jogar em 1994 com 42 anos e ainda provocando pânico em jovens defensores, como os ingleses.

O eterno sorriso do continente negro é a síntese da historiografia da bola. Dos seus pés exalou a confluência mágica dos gênios que a ancestralidade plantou no barro, na areia e na grama do planeta. Como na manchete do Africa Foot, Milla é alegria, Milla é futebol. E hoje faz 70 anos.

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Pesquisas
Os institutos de pesquisa de opinião estão proliferando em Natal mais do que farmácias. Surgem para todos os gostos de candidatos e blogueiros, todos explorando seus graciosos resultados de acordo com a devida conveniência.

Desperdício
O jornalista Claudio Humberto divulgou ontem o terrível gasto da justiça eleitoral com seu orçamento bilionário de R$ 9,8 bilhões por ano. A máquina do TSE torra o equivalente por dia de R$ 27 milhões, um golpe no nosso erário.

Indenização
Uma conta gorda de milhões precisa ser paga pela Fiern em sentença judicial a favor de mais de 600 ex-funcionários da entidade da indústria, demitidos ao logo de alguns anos sem o pagamento dos devidos direitos indenizatórios.

Invasão
Bom exemplo de produtores rurais de MG que afugentaram os vagabundos do MTST que invadiram suas terras aliciando pessoas com a mentira de aquisição de terreno. O delinquente Guilherme Boulos apoiou o crime, e perdeu de novo.

Cuba
Hoje está fazendo 120 anos da independência política da ilha de Cuba, que em 20 de maio de 1902 deixa de ser território dos Estados Unidos e adquire sua autonomia, tendo na figura de Tomás Estrada Palma o seu primeiro presidente.

Twitter
Em confirmando a compra da rede do blue bird, o empresário Elon Musk precisa conter a sanha inquisitorial dos integrantes do “Suport Twitter”, todos engajados na pauta elegebesteira a censurar quem não concorda com isso.

Marvel
A empresa dos Vingadores assinou acordo com a Stan Lee Universal para licenciar o nome e a imagem do criador de super-heróis para uso em novos filmes, TV, parques temáticos, merchandising e todas as tecnologias digitais.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Homem Aranha 60 anos
Atualizado: 22:47:56 18/05/2022
Alex Medeiros 
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O Homem-Aranha está oficialmente completando 60 anos este ano, tendo surgido pela primeira vez em 1 de agosto de 1962 na edição número 15 da revista Amazing Fantasy. Criado pelo gênio de Stan Lee, o herói de Nova York esteve sob os cuidados também da dupla não menos genial Jack Kirby e Steve Ditko, que trabalharam a capa do personagem pendurado numa teia carregando debaixo do braço um assaltante de bancos, entre os arranha-céus.

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O sucesso da aventura foi tão espetacular que o Aranha ganhou de imediato uma revista própria, e o slogan relativo, “o espetacular Homem Aranha”. Apesar da matemática não ser tão exata no contexto da periodicidade da velha HQ, a Marvel vai festejar a data com a edição especial Amazing Fantasy 1000, numa antologia de aventuras assinadas por craques como Dan Slott, Rainbow Rowell, Armando Ianucci, Anthony Falcone, Michael Cho e Neil Gaiman.

Além da revista de aniversário, a Marvel está trabalhando no terceiro e último capítulo do épico do multiverso que se iniciou com o crossover “Spider-Verse em 2014. E Dan Slot está readaptando uma série End of the Spider-Verse.

Um executivo da casa de criação afirmou que as histórias da edição 1000 de Amazing Fantasy não serão concentradas necessariamente no começo da carreira do super-herói. Vai ter destaque a relação Peter Parker - Mary Jane.

Três edições da série tocada por Dan Slot serão lançadas logo após a edição de aniversário, provavelmente no fim de agosto e em seguida setembro e outubro. Havia a ideia de um filme animado, mas foi devidamente suspenso.

No Brasil, o Homem Aranha está 6 anos mais jovem, pois só chegou aqui em 1968 na revista Álbum Gigante nº 11 da Ebal e que era a publicação destinada ao super-herói Thor, que já era popular como o Capitão América e o Namor.

O efeito da chegada do aracnídeo foi semelhante ao que ocorreu nos EUA e logo a editora de Adolfo Aizen estava criando uma revista própria para o fotógrafo adolescente mordido por uma aranha radioativa na universidade.

A primeira edição do Homem Aranha no Brasil foi em abril de 1969. Eu estava com dez anos e já era leitor voraz dos heróis da DC Comics, tendo iniciado com as revistas Os Justiceiros, Superman, Legião dos Super-Heróis e Batman.

Em julho daquele 1969, um único colega nas Quintas era fissurado no Aranha e me emprestou os dois primeiros números que começara a colecionar. Foi ali minha estreia como leitor das aventuras dos superpoderosos da marca Marvel.

A coleção Homem Aranha da Ebal durou exatos 70 números e encerrou em 1975, ano em que eu saí das Quintas com destino à Candelária. Ainda guardo alguns exemplares do formato americano com 36 páginas em preto e branco.

Naqueles anos, o Aranha não me empolgava quanto o Superman e o Batman (meu preferido da Marvel era o Capitão América), mas as revistinhas traziam aventuras com Namor, Thor, Hulk, Quarteto Fantástico e Demolidor. Era bom.

Sessenta anos depois da criação mais popular de Stan Lee, o êxito comercial e a consagração cultural do Homem-Aranha dentro da indústria da pop art são marcas fantásticas que ganharam mais dimensão com o boom do cinema.

Ano a ano, os filmes do personagem galgam os píncaros dos valores absolutos de arrecadação e popularidade. Poucos super-heróis dos quadrinhos americanos conseguem renovar e fidelizar os fãs com tanta paixão e loucura.

Macaco 
O primeiro alarme veio da Inglaterra, o segundo de Portugal, e agora a Espanha acende o sinal de alerta com o Ministério da Saúde registrando oito casos de uma infecção compatível com o vírus letal da varíola do macaco.

Dengue 
Completou um mês que noticiei aqui o quadro de lotação nas UPAs com pessoas com sintomas de dengue e, inclusive, registrei um domingo em que o pronto-socorro do São Lucas teve que ser fechado com excesso de pacientes. 

Aborto 
A médica holandesa Rebecca Gomperts é destaque no Correio Braziliense dizendo que seguirá com seu navio levando remédios abortivos para mulheres nos EUA. Sugestões de títulos: “O Navio da Morte” e “Genocida Navegante”.

Robots 
A empresa de software SparkToro realizou uma profunda auditoria em contas importantes do Twitter e revelou o que muitos denunciaram em 2020. A metade dos 22,2 milhões de seguidores de Joe Biden é formada por perfis falsos.

Putin 
A guerra de desinformação segue a toda no conflito Rússia-Ucrânia. Ontem o serviço federal de segurança russo emitiu nota aos seus diretores regionais alertando do boato de que Putin estaria com um quadro grave de leucemia.

Fatos 
Há algumas semanas, a oposição ao governo Fátima Bezerra não tem gerado fato novo na mídia, nem mesmo uma provocaçãozinha para alimentar seguidores. O período pré-campanha requer fabricação de notícias diárias.

Perigo 
Os pensadores da campanha do presidente Jair Bolsonaro precisam iniciar o planejamento do ataque aos dois mais perigosos elementos da conjuntura. Não será fácil anular o carrinho de supermercado e a bomba de combustível.

Gringos 
O campeonato brasileiro da série A tem o incrível número de 90 jogadores estrangeiros em atuação. E três deles dividem a condição de os grandes craques da temporada: Arrascaeta (Uruguai), Cano e Calleri (Argentina).

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Felicidade
Atualizado: 22:55:29 17/05/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

A palavra é o título. E o título é o tema, assim isolado, sem frase, apenas um substantivo feminino, óvulo indefinido a gerar a crônica de uma quarta-feira. Difícil definir, explicar, exprimir o que o dicionário diz apenas ser a qualidade ou estado de feliz, uma ventura, um contentamento, um êxito, o sucesso profissional ou afetivo. Seria uma sorte?

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A felicidade, que a escritora Clarice Lispector disse um dia ser clandestina, e que a bela Ingrid Bergman descobriu ser somente uma boa saúde e uma péssima memória, foi para o filósofo Nietzche, em essência, a ausência de medo. Lope de Vega afirmou que ela tinha um preço e esse preço era a audácia. Mas em 1946, o diretor de cinema Frank Capra (que nos deixou num dia como hoje em 1991) encantou o mundo com a elegância de James Stewart no clássico “A felicidade não se Compra”.

Maldito e divino, o poeta Oscar Wide comprou a sua felicidade numa permuta rito-fotográfica com o diabo; para ele o segredo da felicidade era a eterna juventude. Tivesse ouvido Charles Chaplin saberia que todos os segredos estão no cérebro, inclusive ela. 

Há quem diga que esta senhora não tenha peso nem medida, embora Tom Jobim e Vinicius achassem que ela era como a pluma que “o vento vai levando pelo ar”. Para Moraes Moreira era qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer amar.

As religiões ensinaram que existe um caminho para ela: o deus de cada uma. Jesus se dizia ser ele o próprio caminho. Li uma vez o professor Stephen Kanitz delimitando dois pontos de referência, numa geografia emocional, para dizer que a verdadeira felicidade seria a distância certa entre o que a gente tem e o que a gente quer. 

Para muitos, seria somente um estado de espírito. Já me disseram que nós, brasileiros, não temos muito, mas somos felizes, enquanto outros povos têm quase tudo e são tristes. Houve até um psicólogo inglês que anunciou um ranking da felicidade no planeta. 

Adrian White publicou o que seria o mapa mundi da felicidade das nações. E o povo campeão foi o dinamarquês, seguido do suíço, do austríaco, do islandês e do bahamense. A lista dos dez mais da felicidade se completava com as pessoas da Finlândia, Suécia, Butão, Brunei Darussalam e Canadá.

O cara criou uma tabela própria para medir o grau de satisfação com a vida, numa equação que mistura renda per capita, perspectiva média de vida e a facilidade de acesso ao ensino secundário. 

No seu estudo, caiu por terra alguns conceitos de felicidade a partir do bem-estar material. Os EUA e o Japão, por exemplo, com um PIB de US$ 41,8 e 31,5 respectivamente, apareceram em 23° e 90° lugares.

Já o pobre povo do Butão, segundo Adrian White, estava muito satisfeito com a vida que levava na época do ranking, bem mais que americanos, franceses e italianos. 

Nos últimos lugares, mas não como campeões da infelicidade, estavam o Burundi, o Congo e o Zimbábue, que só superam os países em guerra, não considerados pelo estudo. Se houver reedição hoje, coitada da Ucrânia.

O pesquisador concluiu que os níveis de felicidade de cada país eram fortemente relacionados com a questão dos serviços de saúde, acima dos aspectos financeiro e educacional. 

O Brasil estava como o samba de Chico, cambaleando pelas tabelas, bem perto dos infelizes. Mas não acho que algum ranking desse consiga classificar nosso povo. Historicamente, a felicidade para o brasileiro foi sempre um misto de ficção e sonho possível. E assim a gente vai levando, feliz ou não.

O MDB 
As pesquisas para consumo interno indicam que no MDB há hoje em torno de 70% da legenda apoiando Jair Bolsonaro. O índice não surpreende quem conhece o modus operandi da velha frente, que pende em favor da tendência.

Censura 
O perrengue da hora é sobre jantar na casa de Kátia Abreu, com presença de ministros do STF e lideranças de esquerda, onde Rodrigo Pacheco sugeriu providências urgentes para conter o programa Pingos nos Is, da Jovem Pan.

Vazamento 
O episódio foi noticiado pela filial da Jovem Pan em Bauru, com os jornalistas Alexandre Pittoli e Alex Silva. O presidente do Senado teria feito reclames da programação da Jovem Pan News e do seu programa campeão de audiência.

Pachequinho 
Aliás, Rodrigo Pacheco tem sido um fenômeno no sentido negativo na condução do Senado, que esteve sob o comando de Davi Alcolumbre. Quem imaginaria que o mineiro fosse mais fraco e dissimulado que o amapaense.

Saúde 
O Brasil decidiu engrossar o cordão das nações que aprovam a recondução do marxista etíope Tedros Adhanom ao comando da Organização Mundial de Saúde. Que os deuses nos protejam na próxima pandemia em construção.

Dengue 
Um terreno baldio nas imediações da Rua Gonçalves Dias, virou foco de mosquitos com as chuvas. O local está a poucos metros da Prefeitura, da Assembleia, da Funcarte e do prédio onde funciona varas da fazenda pública.

Nilton 
De Tonni Castro: “Sua crônica de Nilton Santos calhou com o jogo do Botafogo no mesmo dia, com a festa bonita da torcida antes, durante e depois da partida. Fiquei emocionado com o texto e com tudo que aconteceu no domingo”. 

Dólar FC 
O craque Lionel Messi já tem traçado seu destino a partir de junho de 2023. Deixa o PSG e vai para uma temporada na Inter de Miami e compra 35% do clube que pertence a David Beckham. A notícia foi dada pela Direct TV, EUA.

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O sacerdócio poético
Atualizado: 21:55:01 16/05/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Ele nasceu em 17 de maio de 1845 e cantou no seu romantismo oitocentista o mês de nascimento que pra ele tinha conexão com a poesia. O poeta e padre catalão Jacint Verdaguer tanto usou seus versos para cantar o amor e a natureza, quanto os inseriu num contexto de engrandecimento do nacionalismo numa narrativa regional que levasse o mundo rural da Catalunha ao encontro da revolução industrial. Abaixo, ele explica a poesia nas saudades de maio.

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O que é a Poesia
(maio de 1896)

A poesia é um pássaro no céu
que muitas vezes voa para o chão,
a derramar uma gota de consolo
no triste coração dos filhos exilados de Eva

Isso os lembra do paraíso perdido
onde o amor brincava com a inocência,
e isso os faz sonhar com um melhor
no pomar florido das estrelas

Ela é o rouxinol daqueles jardins,
são suas canções sussurradas,
que transportam o pobre exilado para lá
dando-lhe suas asas místicas

Não é permitido enjaular nos palácios,
não se deixe dominar pela riqueza,
na quinta com os solteiros de coração
suas asas douradas e seu canto se desenrolam

Mas para se sentir totalmente modulado
a pobre humanidade está distraída
quem se distrai com a bolha mundana,
como será o refrão angelical?

A ave do paraíso não se ouve, não,
de quem ouve a voz da sereia
o céu que se contempla na humilde fonte
não se reflete na inundação turva

Houve bastante poetas importantes;
nenhum deles aprendeu a doce melodia
quem aprende um truque,
essa seria a águia orgulhosa

Mas o pássaro canta enquanto voa,
calendário empírico da primavera,
lá em cima entre as nuvens do leste
lança um raio de harmonias e inflama

Eu ouvi isso em uma bela manhã de maio,
a bela manhã de maio da minha infância
ouvi a suave canção,
é por isso que sinto falta da terra.

Terceira via 
Tem lógica a insistência do MDB, PSDB e União Brasil em discutir uma candidatura alternativa a Bolsonaro e Lula. Já perceberam o paradoxo entre os números das pesquisas e a realidade do PT que não enche mais uma Kombi.

Pedalada 
Talvez uma saudade subliminar dos crimes da Dilma, o PT organizou um “Pedala Lula” no domingo na Avenida Paulista. O evento não reuniu meia centena de militantes e sequer conseguiu se destacar no meio do trânsito.

É caro 
Como não bastasse se considerar a “justiça da democracia” (há outras que não são?), a justiça eleitoral é uma superestrutura que impõe ao País um gasto exorbitante, principalmente em ano eleitoral com sua grade de propaganda. 

Blogosfera 
“Esse modelo abriu espaços para todo tipo de gente se travestir de jornalista e apregoar, a partir de um blogue de fundo de quintal, a sua importância em noticiar fatos, desconfigurar reputações e agir como pistoleiros de aluguel”.

Blogosfera II 
O comentário haspeado na nota acima é do jornalista João Maria Medeiros, em texto distribuído pelo Whatsapp. Para leitores atentos, ele nem precisou elencar nomes, já que as palavras têm pistas sobre alguns famosos perfis.

Quem diria 
“Quem trabalha é penalizado, quem produz paga imposto, o assalariado é mordido pelo leão, e quem não faz nada corre o risco de virar ministro”. Quem disse a frase foi Paulo Maluf num debate da eleição 1989 na TV Bandeirantes.

Faces 
Duas jovens e belas mulheres são destaques nos últimos dias. Uma é a primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, que está peitando Putin; outra é a brasileira Lia Medeiros, do projeto que fotografou o buraco negro Sagitário A.

Patrulhamento 
Não importa a distância entre Natal e Paris, importante mesmo é registrar toda a solidariedade ao jogador Gueye, do PSG, que não aceitou vestir camisa com manifestação política. A única causa a abraçar dentro de campo é jogar futebol.

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Nilton Santos: louvado seja
Atualizado: 11:20:47 14/05/2022
Alex Medeiros
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No cinema, o diretor Roland Emmerich mostrou o fim do mundo em 2012 e destacou a imagem da catástrofe no Rio de Janeiro com a estátua do Cristo Redentor se despedaçando, frágil e à mercê das forças apocalípticas da natureza. Desde então, imaginei a rebentação da estátua carioca e em seu lugar, como sinal de uma nova era e novos deuses, uma escultura maior para um santo da Estrela Solitária do Botafogo. 
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Nada mais legítimo e mais divino do que um gigantesco Nilton Santos, braços abertos sobre a Guanabara, no gesto eterno das mãos aos céus e um passo adiante, ludibriando o juízo final após fazer o pênalti no ponteiro espanhol Collar. Nilton merece a louvação perpétua, não pela pluralidade sacra do sobrenome e sim pela divindade superior que foi nos gramados do mundo e do Rio. E se foi a “enciclopédia” na arte de jogar, foi também um astro-rei nos poderes dos deuses.

Começou a tocar na bola como ponta esquerda das peladas juvenis, até que lhe mandaram para a lateral, tornando-se para sempre o ser absoluto da posição. Impôs e desenhou sua onipotência no Botafogo e na seleção.

Sobrou tanto futebol em Nilton Santos na lateral que ele acabou acumulando a função de ponta esquerda, inventando e ousando dribles e cruzamentos mortais para a conclusão dos companheiros de ataque.

A liderança e categoria de Nilton eram tão enormes que nem precisou ser capitão em campo. A função nas copas de 54, 58 e 62 foram de Bauer, Bellini e Mauro, mas todos reverenciavam o talento e a experiência do grande lateral.

Depois da conquista na Suécia, ele não tinha certeza de ir ao Chile. A própria imprensa brasileira vomitava preconceito contra os seus 37 anos. A Copa foi vencida com Garrincha, mas será que ganharíamos sem Nilton Santos?

Sua liderança foi fundamental no fator emocional. Foi ele quem garantiu à comissão técnica que “o papagaio é bom, eu garanto”, avalizando a entrada de Amarildo no lugar do rei Pelé, machucado em definitivo contra os tchecos.

Na difícil partida contra a Espanha, foi ele o escalado para aplacar a raiva de Didi contra Di Stefano, o desafeto do Real Madrid. “Esqueça o argentino, ele nem vai jogar. Não faça de um fato pessoal uma questão nacional”. 

O poeta Tiago de Melo, que acompanhou a Copa de 1962 intercalando com grandes papos com o amigo Pablo Neruda, gritava “Mestre, meu velho mestre” a cada toque de Nilton Santos. Na escuridão do nervosismo cantava o craque.

Garrincha procurou o compadre, preocupado com o jogo diante da Inglaterra. Um dirigente brasileiro, para emular o camisa 7, dissera que o britânico Flowers prometeu anular suas jogadas, e até disse que ele não era de nada.

- Chiado (era assim que Mané chamava Nilton), tu conhece esse tal de Fralda? Será que é bom mesmo? Espécie de mentor do amigo, Nilton Santos usou de novo da sabedoria enciclopédica e apelou para uma artimanha fabulosa.

- Mané, não tem marcador no mundo para você. O “Fralda” é bom mesmo, mas eu nunca o vi, então é melhor você driblar esses ingleses todos, pois o cara vai estar entre eles. E Mané saiu enfileirando os branquelos, felicíssimo da vida.

Gênio de um clube só, jogou o mais fino futebol do planeta, com arte nos pés e poesia no coração. Armando Nogueira, seu dileto amigo, cantou “tu, em campo, parecias tantos / e no entanto, que encanto / eras um só, Nilton Santos”.

Só os deuses do futebol, senhores do princípio e do fim, sabem que na gravidade da bola em movimento, apenas uma lei é determinante para a graça eterna do esporte maior: a Lei de Nilton. Na segunda-feira, ele faria 97  anos.

Transparência 
Eu vivi para ver as maiores autoridades da justiça brasileira reagirem contra a transparência no serviço público do TSE e tecerem os mais cínicos comentários e teses para nos convencer que a transparência não é necessária.

Militares 
Não é fácil para as vaidades políticas, para as castas do serviço público e para a velha imprensa assimilar desde os anos 1980 o nível de credibilidade das Forças Armadas junto à sociedade brasileira. A melhor avaliação entre todos.

Censura 
O jornalista Allan dos Santos está tirando o sossego do ministro Alexandre de Moraes. Poucas horas após ter seus canais e perfis nas redes cancelados, o cara ressurgiu com novos endereços e de novo recheados de seguidores.

Recessão 
O Google Trends registra que as buscas pela palavra “recessão” dobraram no último mês nos EUA. Por dois fatores: o grande interesse do público pelo assunto e o impacto da invasão russa na Ucrânia que deve atingir o tesouro.

Decadência 
É triste ver a realidade do velho jornal Tribuna da Imprensa, que exatos 60 anos foi assumido pelo jornalista Hélio Fernandes e que nele imprimiu sua rebeldia anárquica. Hoje virou mais um boletim da pauta do PT e similares.

Maquiagem 
Além do pôster da quarta temporada divulgado pela Netflix, a série Stranger Things vai ganhar também uma coleção da marca MAC Cosmetics, que lança dia 27 itens para boca, olhos e pele inspirados nos dois universos do seriado.

Adeus 
Em 12 de dezembro do ano passado escrevi a crônica “O adeus de um gênio”, sobre a despedida de George Perez, um ícone das HQ, vítima de um câncer. No último dia 6 deste maio, ele partiu deixando um vácuo impreenchível.

Domingo FC
Ligadão na TV para Tottenham x Burnley, Wes Ham x Manchester City, Atletico Madrid x Sevilla, Getafe x Barcelona, Milan x Atalanta, São Paulo x Cuiabá, Botafogo x Fortaleza, Náutico x Cruzeiro, Vasco x Bahia, Globo x América.

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Duelo de titãs na minha juventude
Atualizado: 23:22:34 13/05/2022
Revi ontem por aplicativo alternativo o longa-metragem “Borg vs McEnroe”, lançado em novembro de 2017. Há algum tempo está nas plataformas de serviço de streaming. O filme dirigido pelo dinamarquês Janus Metz abriu o Festival de Toronto há cinco anos com boa recepção de crítica e público. É a reprodução artística de uma das maiores partidas de tênis de todos os tempos.

Reprodução


O ano era 1980, o mês era julho, e no mítico Torneio de Wimbledon uma final masculina entre dois ícones das quadras, o apoquentado americano John McEnroe e o pragmático sueco Bjorn Borg. A transmissão televisiva no Brasil (não lembro o canal) surpreendeu telespectadores acostumados com futebol e raros embates de basquete.

Um ano antes, minha casa tinha pela primeira vez um aparelho de TV, um Telefunken em preto e branco, que me prendeu mais em casa durante os turnos vespertinos. Naquele 5 de julho, achei sem querer o jogo no tal canal.

O bairro da Candelária tinha 5 anos, eu faria 21 em outubro; minha turma que se auto intitulava “esquina do rock” jogava futebol nos muitos terrenos baldios. Alguns também curtiam vôlei e basquete no ginásio do DED ou futsal e ping-pong na sede do centro comunitário.

Apesar da distância emocional que tínhamos do tênis de quadra, aquela partida mexeu com todos os que a testemunharam. Uma batalha épica digna das que vínhamos na TV em outros esportes, Brasil x Argentina, Fla x Flu, Emerson Fittipaldi x Jackie Stewart, Muhammad Ali x George Foreman. 

Durante quase 4 horas foram corpos estáticos e olhos grelados no duelo. Tudo era novidade para quem não tinha intimidade com aquele esporte onde os jogadores só dependem deles mesmos, não há parceiros como no futebol.

Borg já era um fenômeno, aos 24 anos disputava sua quinta final consecutiva na quadra britânica. McEnroe tinha 21 anos e pela primeira vez experimentava o sabor de uma decisão, após ter eliminado um mito, o compatriota Jimmy Connors. E para espanto do planeta, o boy meteu 6 x 1 no primeiro set.

O segundo set iniciou dando sinais de que uma luta de monstros estava por vir; o sueco reagiu com sua direita poderosa, enquanto o americano lhe aplicava bolas terríveis com uma esquerda letal. Mais de uma hora depois, Borg quebrou o serviço e empatou, fazendo 7 x 5. O terceiro set durou duas horas, com nova vitória de Borg por 6 x 3.

O quarto set foi uma catarse na audiência, o sueco chegou a fazer 5 x 4 e o americano superou os dois match points e levou o jogo ao tie-break, que durou 22 minutos. McEnroe venceu a parada por 18 a 16, fez 7 x 6 e deixou tudo igual em 2 x 2, com o mundo estupefato.
 
Mas no quinto set o jogador frio, paciente e imperturbável derrotou o agressivo, ousado e imprevisível. Borg tinha a favor dele o aspecto racional, a frieza de berço e uma pequena diferença cronológica de quase 4 anos de vantagem. 

Aquele duelo de titãs foi fundamental para que hoje os jogos de tênis na TV tenham tanta audiência, onde gênios como Federer, Djokovic e Nadal dividam o fanatismo com grandes craques do futebol. Os garotos da minha turma em 1980, a partir dali, passaram a jogar frescobol em Ponta Negra e tênis de quadra e de mesa em todo lugar.

Bolsas
A confirmação do segundo mandato de Jerome Powell para presidir o Federal Reserve, e seu discurso pedindo calma os mercados, fizeram as bolsas do mundo inteiro subirem ontem, inclusive a Bovespa. E o dólar voltou a cair aqui.

Crise
Não é a primeira vez que o mercado de criptomoedas perde metade do valor, mas decerto é a primeira vez que despenca de tão alto. Ontem teve uma subida de 3%, mas insuficiente para respirar na perda anual de mais de 30%.

Crise II
São Paulo está de dar pena. A megalópole do glamour hoje é um espaço com a decadência exposta, livrarias fechadas, restaurantes falindo, mendigos em tudo que é calçada. O legado de João Doria não tem data para ser esquecido.

Pink Floyd
Destaque na capa da edição do Financial Times de ontem a venda dos direitos autorais de todo o catálogo e de gravações da banda Pink Floyd. O negócio é de US$ 500 milhões e envolve as empresas BMG, KKR e Warner Music.

Sarcasmo
Na versão de Anos Incríveis, agora com uma família negra, o garoto protagonista se assanha com as revistas de mulheres nuas, e fica tão obcecado que imagina a antiga heroína Harriet Tubman com suculentos peitos.

Literatura
O advogado e poeta Diógenes da Cunha Lima foi visto circulando por feiras de livros em Buenos Aires e Sacramento (Uruguai). Foi experimentar bons vinhos e abastecer a biblioteca particular com o melhor da literatura do Rio da Prata.

Galo
Apesar da fase com quatro jogos sem vitória, o Atlético Mineiro segue bem tratado pela torcida, que na terça-feira estabeleceu o recorde de 80 mil camisas do time vendidas em menos de 24 horas. É ilustrada pelo artista Will Rios. 

Estátua
Maior jogador em toda a história do Manchester City, o atacante Kun Aguero ganhou ontem uma estátua inaugurada na entrada do Etihad Stadium. A data marca os dez anos da conquista da Premier League com os gols do argentino.
Entre passado e futuro
Atualizado: 20:58:32 12/05/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

As ondas da Internet, diminuindo as distâncias do mundo nos sistemas 5G e 4G, nos milhares de aplicativos e sinais de interação entre os povos, são uma nova camada a embrulhar o planeta, somando-se à estratosfera, ionosfera e outras feras do gênero. E seu alcance, desconfio (sem fio), é de espaço e de tempo. Dia desse um estranho viajante num veículo que me pareceu um carro de corridas, me levou a passear por Natal e, quando menos esperei, estávamos circulando pelas ruas do passado. Quase atropelamos Câmara Cascudo na Ribeira.

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Meu amigo estrangeiro avançou pelo Rio Potengi, empinou o carro por baixo da Ponte Newton Navarro e se danou pelo mar da Redinha, entrando rapidamente nas profundezas das águas atlânticas. Fomos bater na costa de Portugal, onde ele estacionou num trapiche do rio Tejo. Enquanto procurava uns mapas, entrei por aquela Lisboa dos anos 1920, com seu romantismo brotando em cada esquina, em cada conversa das mesas de café de um Rossio que me parecia tão renovado e belo no seu estilo manuelino.

Para meu espanto, percebi que o lap top que eu trouxera estava com a bateria cheia e o sinal de Internet permanecia aceso. Pois não é que ao acessar o navegador, rapidamente entrou o site da Tribuna na página de Alex Medeiros.

Busquei uma mesa num café e fiquei a navegar, um fato histórico mais incrível do que a própria viagem no tempo. Eu estava no passado de mim mesmo lendo as notícias do meu presente que ali, naquele instante, eram do futuro.

E eis que chega um cidadão, que decidira – entre outros tantos assustados que me olhavam – se aproximar e indagar de quem eu se tratava e o que era aquele objeto em cima da mesa. Eu disse que vinha de 100 anos além.

O homem ficou entre o arrebatamento e o descrédito, num limbo da curiosidade humana. Aos poucos foi demonstrando conhecimento da História e das artes, mas mantendo uma desconfiança discreta quanto à minha conversa.

Falei sobre os acontecimentos nas dez décadas que nos separavam, do avanço da astronomia, da televisão, das transmissões ao vivo, telefonemas intercontinentais, a conquista da Lua, a Segunda Guerra o fim do comunismo.

Mas nada o deixou tão maravilhado do que minha explanação sobre a informática, o advento dos computadores na vida futura, o casamento perfeito entre os bits e os eletrodomésticos, a música nos iPods e nos iPhones.

O novo amigo, que na minha volta ao presente se tornou velho amigo, era um poeta respeitado em Lisboa, personagem emblemático cuja identidade apenas um só homem conhecia com perfeição. Ficou abismado com meu lap top.

E ali mesmo, debaixo da bruma romântica dos anos 1920, depois de navegar na internet, procurar por si mesmo no Google e conversar com perfis no Twitter que homenageavam poetas lusos, se inspirou a escrever um longo poema.

Perguntei seu nome; disse chamar-se Álvaro de Campos, mas desconhecia alguma informação sobre sua vida; nome dos pais, parentescos. Também não tinha memória da infância e adolescência. Só sabia que era um bom poeta.

Passou a tarde inteira escrevendo no Word do meu lap top um longo poema que intitulou “Ode Triunfal”. Em louvor do futuro e da tecnologia que estava por vir. Alguns trechos, me jurou, eram diretamente voltados para os internautas.

Cantou o meu amigo: “Tenho fé e escrevo. Digito rangendo os dentes, fera para a beleza disto. Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Em febre e olhando os computadores como a uma Natureza tropical”.

Ao passar dos anos, diante dos mistérios em torno da existência daquele poeta e do seu estranho amigo com o estranho equipamento, a grande poesia de Álvaro de Campos foi modificada e sua autoria foi dada a Fernando Pessoa.

Covid 
Os EUA atingiram a incrível cifra de 1 milhão de norte-americanos mortos pelo coronavírus. Nenhum militante ou paspalhão de comitezinho de direitos humanos se manifesta com ação acusando Joe Biden de ser um genocida.

Armas 
Um tribunal federal dos EUA derrubou esta semana uma Lei que proibia a venda de armas semiautomáticas para jovens abaixo de 21 anos no estado da Califórnia. Agora os garotos poderão andar prevenidos como os adultos.

Castigo 
O frei que atropelou um ladrão resolveu se arrepender e pedir reza para o delinquente. A velha mídia já tratou de criticá-lo por ter a CNH vencida, o que não atrapalha sua destreza na direção. Afinal, ele guiou bem e acertou o cara.

Globo pei 
A relação do grupo Globo com a política já fez a empresa amedrontar nomes como Brizola, Lula, Paulo Maluf, Garotinho e até chefes militares. O vereador Gabriel Monteiro está resistindo ao ataque de todas as marcas dos Marinho.

Pologay 
Na publicidade do novo Polo, o texto diz que o carro evoluiu, com mais segurança e tecnologia, com o usuário ligando sem uso de chave e com conexão internética. Que eu saiba, um carro assim já existe há uns dez anos.

Música 
O músico Genildo Costa está em Natal para lançar hoje o seu novo disco, “Camboar”, e um livro narrando a vida nas Salinas de Grossos. O show é às 20h no Bar Me Leve, Candelária, com apoio de Ciro Pedroza e Rafael Bezerra.

Bandeirantes 
Hoje é o aniversário de fundação da TV Bandeirantes, que entrou no ar em 13 de maio de 1967 com evento em São Paulo na presença do presidente Costa e Silva, do governador Abreu Sodré e do prefeito Faria Lima. No canal 13 VHF.

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No horizonte da poesia III
Atualizado: 21:35:45 11/05/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Testemunhar toda aquela efervescência “arteira” que se espalhava por Belo Horizonte, me levava diariamente a ter noção de um fenômeno que era nacional, uma catarse poética atingindo uma geração que buscava seu espaço num período histórico que apontava para uma ideia possível e não para o sonho da década anterior que John Lennon dissera já ter se acabado. A poesia urbana mineira era a mesma das ruas de Natal, de Brasília, de Recife, do Rio.

Cada jovem poeta espalhando e gritando poesia pelas tardes da capital mineira, cada músico embalando as noites dos tantos bares e baladas estudantis, formava individualmente o tecido cultural de uma ação coletiva. A arte a serviço das pautas políticas da época, os versos e sons bradando por anistia, eleições diretas, democracia e anarquia cantadas como se fossem irmãs siamesas. Eu e Jorginho vimos aquilo tudo como víamos aqui em Natal.

O jovem Marcelo Dolabela era como um farol a clarear o rumo dos seus iguais, apesar da noção de todos em sabê-lo um diferencial, condutor de múltiplas rotas, diverso no experimentalismo da forma e do conteúdo da prática poética.

Ele já vinha desde os vinte anos, em 1977, rodado no mimeógrafo e num movimento que gerou a revista Cemflores, um icônico documento que registrou o sentimento e engajamento daqueles dias do marginal-mor Roberto Soares.

Mais velho do que a maioria da Praça Sete, beirando os trinta anos, Roberto era a consubstanciação das gerações, o performático existencial, misturando em versos o romantismo e a marginalia, o poeta ao pé da letra, pobre de mavé.

Ele e Marcelo se conectavam no fazer poético e produziram juntos uma literatura improvisada e artesanal, como versão do improviso sonoro que a gente em Natal tentava anexar em recitais inspirado nos poetas de cordel. 

Marcelo era um coringa de “belzonte”, criou toda a sua poesia em quase todos os veículos de linguagem, como a música e o cinema. Um dos points musicais, o bar “O Outro Lado da Moeda”, tornou-se palco e emprego noturno de Jorge.

Guitarrista virtuose, Jorge Banda tornou-se atração do lugar que era frequentado por gente grande, como no dia em que o aniversário de Paulinho Pedra Azul foi festejado ali por um monte de expressões do Clube da Esquina.

A militância de Marcelo também na música o levou a formar uma banda que fez história com sua performance e marcou o tempo conjuntural com um nome provocativo, Divergência Socialista, antítese do jornal Convergência Socialista.

Quarenta anos se passaram até que eu pudesse compreender a dimensão artística e intelectual que aquele jovem poeta alcançou em sua cidade, em seu estado, em nosso país. E só no ano passado soube da sua morte aos 62 anos.

Vítima de AVC, Marcelo Dolabela morreu em janeiro de 2020, enlutando Minas Gerais, que ao longo do tempo o reconheceu como seu maior poeta urbano, o mestre das letras que leu, estudou e repercutiu a grande poesia do seu tempo.

E na transversal do destino, como um improviso de viagem astral, pouco depois partiu também Roberto Soares, prestes a fazer 67 anos. Os dois expoentes da velha revista Cemflores foram cultivar poesia em outras galáxias.

Eis Roberto dos 80: “Alice, se existe um país das maravilhas não sei com quem fica a chave das sete portas: na sua viagem cuidado para não entrar pelo (…)”. E Marcelo: “Tudo fica como é, eu não te tenho e morro, e morro toda vez que não te tenho”.

E do que eu fiz no ambiente deles, durante um recital no Festival de Inverno de Diamantina, gosto dos versinhos abaixo: 

Minissoneto
(Alex, setembro 1982)

Leia meus poemas
sem dote sem pena
sussurre em ouvidos

No pegue ou no paga
minha letra magra
meus doces gemidos

Ou apague meu sonho
meu rosto risonho
meu jeans encardido

E então passe o rodo
vá ver Viva o Gordo
após Sétimo Sentido.

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Pesquisas
Muitos eleitores do presidente Jair Bolsonaro precisam adquirir raciocínio prático e, quiçá, dialético. Acreditar em avanço nas pesquisas é legitimar todas que dão a Lula um favoritismo que o petista nunca teve e não tem até agora.

Rodagem
O pré-candidato a senador Carlos Eduardo Alves preferiu não perder tempo lendo pesquisas nos últimos dias e nem discutir a entrada de Rafael Motta no páreo. Manteve-se gastando sola de sapato visitando eleitores pelo interior.

Pauta
O jornalista Alexandre Cavalcanti, que já teve experiência como deputado estadual, decidiu tentar voltar ao Palácio José Augusto. Está visitando cidades e conversando sobre suas realidades, com sua perquirição de bom repórter.

40 anos
Um quarteto de extrema importância para a história da MPB está ausente de há 40 anos. Em março de 1982, morreu Elis Regina; em julho, Jackson do Pandeiro; em agosto, Edu da Gaita; e em novembro, Adoniram Barbosa.

Figurinhas
Pelo menos uns oito álbuns estão circulando simultaneamente nas cigarreiras do País e provocando frisson nos colecionadores de todas as idades. E três deles estão com vendas espetaculares: Turma da Mônica, Encanto e Free Fire.

Figurinhas II
Com boas vendas no momento também os livros ilustrados do Batman, Harry Potter, Segredos de Dumbledore e Nossa Seleção, este último atraindo o público nas últimas semanas, talvez para o preenchimento seguir até à Copa.

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No horizonte da poesia II
Atualizado: 21:00:18 10/05/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

No mundo analógico e anacrônico dos anos 1980, eu e Jorge Banda chegamos na estação rodoviária de Beagá com minutos de diferença da chegada de duas amigas universitárias de Piracicaba. Numa época de parca tecnologia, funcionou o combinado nas palavras via DDD, quando acertei com uma delas, então minha namorada, os horários dos ônibus partindo do RN e de SP com destino a MG, o primeiro largando daqui como o coelho, com dois dias antes.

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Depois de muitos rolés para reconhecer o terreno urbano da capital mineira e adjacências, ciceroneados por Graco Medeiros, fizemos sem ele a primeira incursão ao centro na busca do provável endereço do poeta Marcelo Dolabela.

Na verdade, deram-me a dica da Galeria do Rock, um point cultural da cidade, onde o poeta poderia ser encontrado em algum lugar dos seus três andares de salas e lojas. Não o encontrei, mas consegui um número de telefone. E liguei.

Marcelo, então prestes a completar 25 anos, gostou de saber que sua produção poética era conhecida na esquina do continente. Riu da alusão que fiz de Natal com uma esquina famosa que fez sua cidade importante na MPB.

Prometeu me encontrar no dia seguinte na Praça Sete, onde eu já tinha ido duas vezes com Jorginho, Graco e as duas garotas paulistas. Disse-lhe que eu tinha cabelos longos, barba e estaria de calça cáqui e chapéu cinza de feltro.

A praça era um vulcão cultural, jovens artistas urbanos produzindo e ofertando aos passantes seus talentos ainda inéditos na indústria cultural. Meu irmão me apresentou um poeta maranhense que parecia versão do beat Gregory Corso.

Desgarrado da parte de cima do mapa, autodidata, Isaías do Maranhão vendia seu livro “200 kg de Miséria” fazendo recitais em ritmo de oração e às vezes de ato público. Mais velho que a média da praça, ouriçava a gurizada alternativa.

Graco ficou seu chegado quando andou por lá exibindo o seu livro “Poemas do Céu da Boca na Boca da Noite Suja”, lançado em Natal naquele 1982. Havia também Élcio (o Poeta das Ruas) e Franklin Machado, apenas “O Nordestino”.

A conversa com Marcelo Dolabela foi especificamente fazer um convite para que viesse no fim do ano para o nosso Festival de Artes, um desejo de Venâncio Pinheiro e Jota Medeiros, dois que já conheciam o seu primeiro livro.

Em 1980 ele lançou “Coração Malasarte”, após iniciar militância literária aos 20 anos na revista “Cemflores” criada em 1977. Um ano depois do livro, em 1981, já era citado por Glauco Mattoso como referência nacional da poesia marginal.

O filósofo italiano Giorgio Agamben, que soube ver e ler o período mágico do século XX, disse que “contemporâneo é aquele que mantém o olhar fixo no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas a escuridão”. Marcelo foi isso.

Produto das poesias concreta e marginal, usou sua verve para romper limites literários e comportamentais, insuflar e conduzir sua geração para realizar o mais importante momento da poesia mineira e brasileira naqueles anos 1980.

Escreveu e descreveu: “O poeta tem no sangue / a sífilis de sua geração, / e não há fuga, nenhuma paixão / que o tirará deste mangue. Sempre irá no seu galope / este castigo infeliz: Se curar-se dessa sífilis / só fabricará xarope”.

Na tarde em que o conheci, vi outras duas figuras que o tempo trataria de burilar e valorizar seus talentos para se tornarem no futuro grandes referências da literatura mineira: Sergio Fantini, de 21 anos, e Maria Esther Maciel, de 19.

E se a Praça Sete era um vulcão queimando os dias para gerar o carvão da história, as adjacências com seus botecos completavam um cinturão de fogo onde fervia a arte geral, com poetas, músicos, atores, pintores, um trem só.

E tinha o inferninho, como disse Graco, na Rua Rio Grande do Norte (valhei-me São Jorge Banda), com uma fornalha sempre acesa no bar Strikinina, com direito a rock ‘n’ roll, blues, trupes de músicos e meninas fazendo strip-tease.
Amanhã, a terceira parte desse horizonte de eventos nas Minas Gerais.

Fake news 
As duas maiores mentiras dos últimos dias não foram criação das redes. As falsas notícias sobre presença de um agente da CIA no Planalto e do pedido de afastamento de um general do TSE foram obra da grande e velha imprensa.

Redes 
Dirigentes de partidos com espectros ideológicos distintos começam a perceber a importância das redes sociais na campanha eleitoral e o equívoco em dar peso ao horário gratuito de TV e às concentrações de ruas como antigamente.

Nominata 
A candidatura de Rafael Motta ao Senado mexe consideravelmente com os cálculos dos votos para deputado federal no PSB, que já pensa em um terceiro nome para juntar-se a Henrique Alves e a Janeayre Souto: Thabatta Pimenta.

De Ciro 
“Lula e o PT têm moral pra falar de corrupção de Bolsonaro ou da performance do Judiciário brasileiro? Não caia nesse papo de que é assim que as coisas são. Eu jamais aceitaria ser presidente para ser testa de ferro de ladrão”.

Mulheres 
No próximo dia 18 acontecerá o “Encontro de Gestão para Mulheres” nas dependências do Restaurante Nemesio, a partir das 18h, com as palestras da delegada Sheila Freitas e da neuropsiquiatra Amarilis de Oliveira. 

Ciência 
Expectativa mundial para o dia de amanhã, quando cientistas do Event Horizon Telescope anunciarão uma descoberta histórica do Observatório Europeu do Sul, situado no Chile. Tudo indica que é sobre o mistério dos buracos negros.

Quadrinhos 
Na edição 40 do evento Comic Barcelona, um dos maiores da Europa dedicados aos quadrinhos, que retornou após a pandemia, registrou nos seus três dias a presença de 110 mil visitantes, entre usuários e autores do setor.

Bola ao vivo 
Hoje tem Leeds x Chelsea, Wolverhampton x Manchester City, Juventus x Inter, Nice x Saint-Etienne, Bragantino x Atlético MG, Juazeirense x Palmeiras, Flamengo x Altos, Corinthians x Portuguesa RJ, Vila Nova x Fluminense.

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No horizonte da poesia
Atualizado: 21:59:10 09/05/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Há quarenta anos, quando em minhas veias de 22 anos corriam sangue de rebeldia e contestação, oito em cada dez estudantes das faculdades brasileiras mergulharam nas ondas da ilusão do esquerdismo que se realinhava no País a partir da Anistia e do retorno dos partidos comunistas e socialistas. Fui parte daquela maré ideológica que inundou as praias universitária e secundarista com as falsas pérolas escondidas em ostras partidárias nas pedras da política.

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A década de 1980 começou em Natal na perspectiva da eleição direta para governador que retornaria em 1982, e com a imprensa projetando o confronto do prefeito, José Agripino (PDS), com o líder do PMDB, Aluízio Alves, que retomara os direitos políticos cassados no governo militar. No plano nacional, o ministro do Trabalho, Murilo Macedo, declarava e garantia que Lula não voltaria mais ao movimento sindical. Pior que isso, Lula fundaria um partido de massa.

Menos de vinte pessoas, entre intelectuais, sindicalistas e estudantes, se reuniram para criar o PT no RN. E em 1982, a legenda lançou o jornalista Rubens Lemos candidato ao governo enfrentando Aluízio Alves e Zé Agripino.

O candidato a senador foi o sindicalista rural Eliziel Barbosa, além de alguns profissionais liberais e operários a deputados (estadual e federal) e mais dez candidatos a vereador de Natal, destacando ali alguns estudantes e poetas.

A maioria não tinha a menor noção do universo parlamentar, sequer sabia das artimanhas políticas, mas foi para campanha porque o partido precisava. A Folha de S. Paulo veio a Natal entrevistar jovens candidatos, coisa curiosa.

O Grupo Aluá de Poesia, que reunia mais de uma dezena de jovens artistas, tinha representatividade na campanha eleitoral na presença de Venâncio Pinheiro e eu, sem contar o professor Roberto Hugo, um assíduo incentivador.

Há alguns anos, quando tomava uns cafés com o saudoso Moisés Domingos (o vereador mais votado naquela aventura) no Natal Shopping, ele ria muito dos episódios hilários daquele tempo, sempre me cobrando relatá-los na coluna.

Outra vez disse a ele que os dois melhores momentos da minha participação na campanha foram de ausência. Por duas vezes abandonei o compromisso partidário, valendo muito a pena perceber que a poesia era maior que política.

Na primeira vez, peguei estrada para Pernambuco na linda companhia de Themis Pacheco em direção à Olinda, onde estava rolando um encontro de poetas alternativos do Nordeste. Inesquecíveis recitais noturnos nos botecos.

Na segunda vez, quase em cima das eleições, me danei com o “manoamigo” Jorginho Macedo (Jorge Banda) para Belo Horizonte a bordo de um ônibus da Viação Gontijo. Foram dias hospedados no apartamento do meu irmão Graco.

Dessa viagem, devo uma parte importante para minhas vivências ao multiartista Venâncio Pinheiro, que na época dirigia a cooperativa de artistas e me fez um pedido que ele julgava importante para o Festival de Artes do Forte.

O autor de toda a programação gráfica do PT me avisou que na capital de Minas havia um fervoroso movimento poético com características similares ao que nossa geração fazia em Natal no 14 de março e no Forte dos Reis Magos.

Eu precisava localizar um jovem poeta como nós, chamado Marcelo Dolabela e que era uma referência geracional na rebeldia poética e comportamental que tinha como epicentro a Praça Sete, nas avenidas Amazonas e Afonso Pena.

Fundada em 1922, no ano da Semana de Arte Moderna que sacudiu São Paulo, a Praça Sete era a grande trincheira da poesia marginal (a geração mimeógrafo) mineira. Graco nos mostrou e eu e Jorginho mergulhamos nela. Amanhã tem a segunda parte das artimanhas poéticas dos anos 80.

Transparência 
A transparência no serviço público é uma realidade que há pouco tempo adquiriu caldo de cultura no País. E a própria esquerda, além das entidades civis, reconheçamos, foram importantes na criação do Portal da Transparência.

Transparência II 
É um tremendo paradoxo nos dias atuais que tanto a esquerda quanto alguns movimentos sociais e também as autoridades jurídico-eleitorais realizem suspeitos esforços para impedir que a transparência exista nas urnas do TSE.

São Paulo 
Como não bastasse aparecer atrás de Jair Bolsonaro nas pesquisas feitas em São Paulo, Lula ainda complica a própria imagem agredindo a história dos paulistas chamando a Revolução Constitucionalista de 1932 de “um golpe”. 

Esquerdismo 
Documento publicado pela CNBB no final de abril praticamente introduz de novo a igreja católica a doutrina marxista da “teologia da libertação”. O texto é uma reverberação do discurso político-ideológico do PT, PSOL e semelhantes.

Terror 
“A guerra da Rússia aumenta os riscos nucleares e também o retorno da chantagem nuclear como ferramenta política e incentiva outras nações a adquirirem armas nucleares”. De Gerard F. Seib no Wall Street Journal.

Ucranianos 
Os médicos e enfermeiros da Ucrânia refugiados em Portugal estão conseguindo em pouco tempo provocar um efeito similar aos dentistas brasileiros há décadas. A atenção e o bom serviço estão fazendo a diferença.

Mau cheiro 
Enquanto a TV com cheiro não chega com seus coolers de hidrogel instalados, parece que o UOL já experimenta a tecnologia em modo analógico nos textos dos blogs Universa e Milly Lacombe, onde exala o olor da pauta esquerdopata.

Multiverso 
Salas lotadas no final de semana para ver o novo filme do Doutor Estranho (no Multiverso da Loucura). E aqui vai uma dica muito importante para os fãs da Marvel: quem não assistiu WandaVision terá dificuldades de entender a trama.

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