Agora, a “Copa do voto” no RN

Publicação: 18/07/18
Ney Lopes
Jornalista, ex-deputado federal e advogado – nl@neylopes.com.br

No futebol terminou a Copa do Mundo. A partir de sexta feira, 20 de julho começa a Copa do voto”, com o início do prazo para realização das convenções partidárias e definição das candidaturas, que terminará em cinco de agosto.

Sobre os jogos de Moscou, difícil responder as razões da nossa desclassificação. Um fato incontestável é explicado por Luís Fernando Veríssimo: “Crepúsculo dos Deuses seria um título adequadamente wagneriano para essa Copa. Divindades caíram dos seus pedestais”.

Em principio, total injustiça atribuir o insucesso a incompetência de Tite e dos jogadores. Os números mostram que a seleção dominou o jogo final com a Bélgica. Perdeu no mínimo 10 gols, acertou bola na trave e teve um pênalti claro e incontroverso não marcado. No placar, dois gols do Brasil (um contra), contra um marcado pela Bélgica.

Afinal, o que faltou ao Brasil: competência ou sorte? Napoleão alinhava três fatores para ganhar a guerra: bons soldados, armamento eficiente e “sorte”. Seria mera coincidência, a semelhança desses conceitos napoleônicos com o futebol? Atribuir o sucesso a sorte gera polêmica. Não se nega ser fundamental fazer com eficiência o dever de casa. Mas, isso não basta. Competência é fruto do talento e do trabalho. Sorte é a oportunidade, que independe da competência. Muitas vezes, a oportunidade aleatória vence o talento e o trabalho. O importante será lutar, começar de novo, fazer escolhas profissionais acertadas, preservar valores humanos e acreditar sempre.

Sobre a “Copa do voto”, que começa no Rio Grande do Norte, muitas indagações pairam no ar. Dois fatores se sobressaem: o curtíssimo espaço de tempo para mostrar os candidatos e o elevadíssimo grau de indefinições sobre o comportamento do eleitor.

Pelas últimas pesquisas, aplicadas por institutos locais idôneos, só não enxerga quem não queira. São evidentes os reduzidos índices de apoio e os expressivos percentuais de ausência do eleitor nas urnas (favorece os aliados de Lula). Caso as pesquisas se confirmem será um preço elevadíssimo, a ser pago por aqueles que insistam e não entendam a voz prévia das ruas. Avaliações sobre as causas dessa realidade apontam várias hipóteses. Duas delas: o “enclausuramento” dos partidos, transformados em “casa grande de fazendas” e o fato das novas exigências do eleitor não serem levadas em conta pelas siglas, nas escolhas de candidatos. Usam-se critérios antigos para agregar aparentes e falsos apoios eleitorais, que o eleitor rejeita, pelo oportunismo revelado.

Na história política estadual, sempre prevaleceram verdadeiras armaduras em torno dos partidos, favorecendo “grupos” e “amigos” com interesses pontuais, regra geral pessoas sem vocação e sem o mínimo de espirito público. Tais fatores dificultaram o surgimento de propostas, realmente inovadoras. Percebe-se que a escassez não é do “novo”, mas de valorização da experiência política e competência no lançamento de candidatos, independente de terem ou não exercido mandatos eletivos, ou idade biológica.

Por outro lado, o momento nacional é de profundas mudanças. Ninguém se engane: o eleitor “abriu os olhos”. Nos distantes rincões do país, o what up, facebook, blogs e outros meios da Internet detalham informações instantâneas sobre os candidatos. No RN, praticamente não se conhecem propostas. Na disputa pelo executivo, o que existe de concreto para julgamento popular é a bem avaliada experiência administrativa de Carlos Eduardo na PMN e o desempenho de Robinson Faria no governo, além da impetuosidade ideológica da senadora Fátima Bezerra, agregando o lulismo.

Na escolha legislativa estadual (senador e deputados) a desertificação é maior. Nada de ideias, ou apresentação de obra legislativa de mandatos anteriores, a ser continuada. A esperteza é premiada, com o uso notório da máquina pública para “prometer” votos e apoios no “mercado eleitoral”, através de “pseudos” serviços prestados, “vitaminados” pelos “convênios” viciados e nutridos pelo dinheiro público. De outra parte, vê-se a notória manipulação de legendas, construindo “nominatas”, a serviço unicamente de interesses privados e chantagens de bastidores.

No futebol, o sonho do Brasil hexa está transferido para 2022. Afasta-se também o sonho do “novo Brasil” brotado das urnas de outubro, diante do crescimento da decisão do eleitor de “não votar”. Se essa tendência prevalecer, pela total e absoluta ausência de candidatos com vocação e espírito público, também na política o sonho será adiado para 2022. A dúvida é se as instituições resistirão até lá.


"Você não passa de uma Mulher"

Publicação: 18/07/18
Sâmela Gomes
Presidente da Universidade Potiguar e da Faculdade Internacional da Paraíba

A última vez em que fiz uma palestra que gosto particularmente de fazer, “Lugar de Mulher é onde Ela Quiser”, em um evento para administradores, escutei de uma jovem, na saída, que deveria ter por volta de seus 25 anos, depois de pedir uma selfie: “Queria muito que meu pai tivesse escutado esta palestra. Ele ainda é daqueles homens que pensam que uma mulher é somente uma mulher”. Na hora, o que me veio à mente foi a música de Martinho da Vila, que dá nome a este artigo.

Não vou entrar aqui em uma discussão sobre o “politicamente correto” das músicas, pois atualmente muitos tendem a tomar posições extremas. Música é temporal, assim como todas as expressões artísticas e diz do contexto social de uma época, portanto, devemos ter sempre uma visão antropológica e sociológica sobre a arte.

Voltando ao tema, a luta das mulheres é antiga. Aqui no Brasil, durante o Império, a nossa Nísia Floresta (que é tida como a pioneira do feminismo no Brasil) foi fundadora da primeira escola para meninas e grande ativista pela emancipação feminina, e foi nesta época em que se passou a ser reconhecido o direito à educação da mulher. Desde esta época até a atualidade, muitos movimentos em nome dos direitos da mulher marcaram, década a década, a sociedade brasileira. Atualmente, os dados do Censo da Educação Superior de 2016, (que são os mais recentes), revelam que as mulheres representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação. Em 2006, as mulheres representavam 56,4%. Ou seja, as mulheres continuam avançando, buscando a melhor preparação para suas carreiras e para suas vidas.

Mas nesta letra de Martinho de 1975, que ele mesmo reconhece que lhe deu dor-de-cabeça e que fez “para provocar” (??), se fala sobre a educação feminina: “Olha a moça inteligente, que tem no batente o trabalho mental, QI elevado e pós-graduada. Psicanalizada, intelectual. Vive à procura de um mito, pois não se adapta a um tipo qualquer. Já fiz seu retrato, apesar do estudo, Você não passa de uma mulher (viu, mulher?)”

Não há como não se sentir mal lendo isto, mas infelizmente, quase 50 anos depois, muitos ainda pensam assim. Apesar de toda uma história de mulheres fortes que se sobressaíram através de suas pesquisas, carreiras, artes, política, muitos reduzem estes fenômenos, tentando fazer-nos entender que “apesar de tudo, você não passa de uma mulher”, como se isso nos reduzisse a uma condição menor, sendo que esta é justo a nossa: a de sermos mulheres e isso nos inferiorizasse, independente do que fizermos. Na mente de alguns, ser inteligente demais “atrapalha” ser mulher; e de fato, atrapalha mesmo: atrapalha a tentativa de manter o mundo retrógrado, idiotizado, categorizando pessoas por gênero, cor, credo, orientação sexual. Atrapalha principalmente as mentes menos evoluídas, que categorizam e generalizam, pois, fazer isso é mais simples e exige menos da inteligência.

Precisamos, como mulheres, ocuparmos cada vez mais os lugares que não nos eram dados antes; sermos suficientemente competentes para que nos vejam por nossos méritos, independente se usamos saias, batons, perfume e saltos. Precisamos conter o machismo disfarçado de “bons conselhos”, que pedem para que uma mulher se destitua de sua condição e masculinize-se para ocupar cargos mais altos. Precisamos que os nossos novos compositores falem de uma nova mulher, por ser esta a que de fato a sociedade enxerga: a mulher que, em sendo ela mesma, não passa (aí sim) de um ser humano, com as mesmas possibilidades de conquistar seu lugar: aquele que ela quiser.  


Causos do velho João Medeiros

Publicação: 17/07/18
Valério Mesquita
Escritor

Quem conheceu João Medeiros, na pequena Jucurutu, sabe da sua bonomia e criatividade. Gozador de tudo e de todos. Se não fora o tino administrativo de sua querida esposa, Maria Aparecida Jácome, nada teria restado para a sua velhice. Seu filho, o padre João Medeiros conta com prazer seus casos, qualidade essa que também deixou de herança para o sacerdote, nosso amigo e colega na Academia.

01) Nos dias de folga, o padre Joãozinho, como ainda é conhecido em Jucurutu e cercanias, ia até a sua cidade natal para passar o dia com os pais. Certa feita, se fazia acompanhar de um grande amigo da família: dom José de Medeiros Delgado. João Medeiros, o pai, aperreava muito sua sogra. Todos à mesa para o almoço farto, na mais bela tradição seridoense, quando recebia visitas ilustres. O velho João, durante a refeição, dirige-se aos visitantes, bastante compenetrado e lhes diz: “Senhor bispo, meu filho, tenho uma pergunta de cunho teológico para lhes fazer”. O filho fala: “O que é papai”? Ele continuou: “Você estudou muitos anos na Bélgica, quase seis, foram de teologia. Dom Delgado foi aluno brilhante da Universidade Gregoriana de Roma. Gostaria de saber por que São Pedro negou Cristo, três vezes”. O bispo conhecia bem o seu amigo e ficou calado. O filho padre toma a palavra e disse que não constava dos relatos evangélicos. O velho João olha bem dentro dos olhos da sogra e diz: “Senhor bispo, meu Filho, ensinem ao povo de Deus. O motivo foi porque Jesus curou a sogra de Pedro. Devia ter deixado a velha morrer”.

02) Como político – mas sobretudo um gozador que era – cuidava dos seus eleitores. À época, o analfabetismo grassava os sertões. Não existia ainda MEB, MOBRAL e outros movimentos de alfabetização de adultos. Procurava registrar os futuros eleitores, que não o foram quando crianças. Ele mesmo, antecipando o método de Paulo Freire, ensinava os adultos a assinar ou escrever o nome. Inúmeras pessoas foram registradas oficialmente com o nome de Jó Sá. E o velho João Medeiros ensinava: “a letra jota é uma bengala, o “Ó” é um melão; a letra “S” é uma cobra na areia quente; o “a” maiúscula é uma tamboeira (melancia pequena)”. O método era eficaz. Apareceu, um dia, o corregedor da justiça para fazer a famosa correição no cartório da cidade. O notário de então já com medo manda chamar o seu amigo João Medeiros. Este sempre tivera o cuidado de mandar o escrivão colocar após o nome Jó os números romanos I, II, III etc. O Corregedor irritado pergunta, “mas o que é isso, sr. Euclides”? O velho João saiu em defesa: “Doutor, nesta cidade quente e sofrida, todos são muito católicos. Devotos de Jó da Bíblia, com tantas provações e dores, adotam o nome do servo de Deus. E como são muito obedientes ao Papa acrescentam como os Pontífices: Pio X, Pio XI, Pio XII etc.”. Nesse ínterim, aparece uma senhora que queria o registro do filho que pretendia casar em São Rafael: “Sr. Euclides, queria o registro de meu filho Severino que tem aqui o nome de Jó IV”. O velho João Medeiros incontinenti completa: “Vejam que espírito bíblico e religioso desta terra. Imitam os nomes sagrados: Saulo mudou para Paulo; Pedro era Simão; Pio XII era Eugênio. E viva a tradição”. O corregedor não se conteve e sentenciou: “Diante de tanta criatividade, tenho que me curvar”. Depois foram todos comemorar e mandaram chamar o padre Estanislau para almoçar juntos. Levantou um brinde a todos e disse, apontando para o vigário: “Meus amigos, barriga de padre é cemitério de galinha”.

03) Dom José de Medeiros Delgado era muito amigo de João Medeiros, que por sua vez foi avalista da amizade com Stoessel de Brito, espírita convencido, seu compadre e padrinho de batismo de padre Joãozinho. Já arcebispo emérito, dom Delgado foi até Caicó para ouvir um dos padres, seu grande amigo e pessoa de grande valor, que estava pensando em deixar a vida sacerdotal e constituir família. A pretendente era uma moça de Jucurutu, educada, honesta, mas de poucos dotes femininos. O arcebispo resolve ir até Jucurutu para saber o veredito do seu grande amigo João Medeiros. Como de costume, jantar frugal, à moda de dom Delgado: coalhada com rapadura e fubá de pilão, um pedaço de carne assada e um pouco de arroz de leite. Depois na calçada da casa, cadeiras de balanço (espreguiçadeira), o cenário perfeito para a prosa. O arcebispo pergunta ao amigo: “Diga-me com honestidade, velho João, que tal a moça?”. João Medeiros, sério e fitando bem a sua visita tão amiga e querida, profere: “Senhor bispo, não sei se o padre é vegetariano. Mas a  moça não tem carne sequer para um pastel de criança. Como diz o poeta: ´a natureza foi com ela avara´. E para lhe ser bem sincero, dom Delgado, em termos de beleza, a moça não paga o pecado”.


Padre Cícero, Mártir da Obediência

Publicação: 17/07/18
Padre João Medeiros Filho

No próximo dia 20 deste mês, celebra-se o aniversário da morte de padre Cícero Romão Batista, ocorrida em 1934. Ele está ligado à vida eclesial do Rio Grande do Norte, não só pela devoção dos fiéis potiguares, mas também por ter sido colega de estudos de vários presbíteros norte-rio-grandenses, no Seminário da Prainha (Fortaleza). Foi ordenado sacerdote no mesmo dia e ano (30/11/1870) que Sebastião Constantino de Medeiros. Este, natural de Caicó, governou o bispado de Olinda, quando da prisão do bispo dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira. Posteriormente, padre Sebastião tornou-se jesuíta, indo residir em Roma. O Patriarca do Juazeiro cursou teologia junto com padre João Maria Cavalcanti de Brito. Recentemente, outro membro do clero natalense, monsenhor Francisco de Assis Pereira, teve papel relevante no processo de reconciliação do “Padrinho” pela Santa Sé.

Por que seminaristas, pertencentes ao bispado de Olinda (naquele tempo, compreendia os estados de PE, AL, PB e RN) estudavam no Ceará e não na sede episcopal? De acordo com historiadores, o seminário pernambucano não era bem aceito pelas autoridades eclesiásticas de então. Consideravam-no um celeiro de revolucionários. Ali lecionou padre Miguelinho, um dos expoentes da Revolução de 1817. À época, havia forte rejeição ao ultramontanismo. Acrescente-se a isso o engajamento na luta pela independência do Brasil e, posteriormente, proclamação da república.

Cumpre salientar que – por parte da hierarquia eclesiástica brasileira – havia um esforço de romanização do catolicismo. O seminário cearense, dirigido por sacerdotes lazaristas franceses, caminhava nessa direção, procurando europeizar os futuros párocos, vigários e capelães. Muitos se tornaram fiéis seguidores das orientações romanas. A vida cristã dos nordestinos era vista com reservas. E seus movimentos religiosos – sobretudo aqueles com forte participação popular e certa independência clerical – eram censurados. A evangelização de certos presbíteros do nordeste distanciava-se da tradição e prática europeia.

Por não se amoldar às ideias romanizadoras, padre José Antônio Maria Ibiapina foi desaprovado por autoridades religiosas. Não obstante as restrições, o Padre Mestre (como era conhecido) exerceu influência marcante na ação pastoral de vários sacerdotes, mormente João Maria e Cícero Romão. Este, como seminarista, já era incompreendido por pregar uma igreja mais próxima do povo. O Papa Francisco veio em defesa de padre Cícero: “No arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado pelo mesmo povo”. A situação dicotômica da Igreja, no Brasil do século XIX, favoreceu o processo de romanização das comunidades, fortalecendo a hierarquia e reforçando sua hegemonia sobre o povo de Deus. Representativas desse momento são as palavras de dom Antônio de Macedo Costa, na sua carta pastoral “Pontos de reforma na Igreja do Brasil”: “Os seminários, destinados exclusivamente a candidatos ao sacerdócio, devem oferecer um ensino rigoroso e ortodoxo”.

Hoje há quem afirme, a partir de argumentos teológicos e psicossociais, que a Questão do Juazeiro não passou de um pretexto curial para afastar e calar padre Cícero. Poderiam ser os milagres eucarísticos ou outros motivos. O importante era silenciar e deter a liderança de um religioso, voltado para a fé de seu povo, respeitando sua cultura e religiosidade. Segundo estudiosos, “mutatis mutandis”, trata-se de situação análoga à censura de teólogos de uma corrente mais liberal, dentre eles, Henri de Lubac, Yves Congar, Hans Kung, Gustavo Gutierrez. Padre Cícero, em sua fé, humildade e amor à Igreja, guardou o silêncio obsequioso, não permitindo críticas a seus superiores.

Homem da caridade, pastor solícito, piedoso e temente a Deus, soube, como um dos paladinos da ecologia, defender a terra, respeitar e ouvir o clamor de seu povo, alimentando-o com o pão da esperança e da Palavra libertadora. O Apóstolo do Cariri tinha um amor incondicional pela gente simples, que foi por toda a sua vida a sua verdadeira paixão. Por ser tão amado pelo povo, incomodou muitos. O Papa Francisco, pastor cheio de misericórdia e ternura, compreendeu o sofrimento do Santo do Juazeiro e o reabilitou para o bem da Igreja servidora e sacramento de Cristo! Haverá de perdurar sempre as palavras do Evangelho: “Conhecereis a Verdade. E ela vos libertará" (Jo 8, 31).


Eficiência energética

Publicação: 15/07/18
Ana Christina Romano Mascarenhas
Arquiteta urbanista, mestre em regulação energética e gerente de eficiência energética do Grupo Neoenergia (Cosern)

Eficiência Energética é a ação mais barata para suprir o aumento de novas demandas por energia elétrica. Populações cujos governos incentivam  investimentos na área e implementam politicas de economia de energia são beneficiadas inclusive com redução da poluição e melhorias na saúde pública, protegendo o meio ambiente. Redução dos gases do efeito estufa e diminuição da temperatura do planeta, são consequências imediatas da redução da queima de óleo diesel para geração de energia.

Posicionado em vigésimo lugar no relatório do Conselho Americano para Economia Eficiente de Energia (ACEEE - 2018 - aceee.org), entre os 25 países que realizam ações de Eficiência Energética, o Brasil ainda tem ações tímidas. Lamentavelmente, a prática da eficiência energética ainda é subutilizada em todo o mundo, mesmo nos países desenvolvidos, com políticas avançadas para conter o desperdício de energia elétrica.

Na sua quarta edição, o relatório avaliou politicas e performances de 25 países que, juntos, representam 78% de toda energia consumida no planeta e 80% do produto interno produto mundial. Foram  avaliadas as políticas e performances em quatro categorias: edificações, indústrias, transporte e esforços  nacionais. São 36 itens estudados em cada uma dessas categorias e cada categoria pode obter no máximo 25 pontos.

Em 2018, o ACEEE priorizou as políticas públicas adotadas nos diversos países, metas de economia de energia, regulação na economia do uso de  combustível veicular, certificações de energia em edificações e os diversos equipamentos, concedendo maior peso nessa pontuação. Itália e Alemanha empataram no primeiro lugar do ranking com 75,5 pontos do total de 100. Os top cinco incluem também Franca, Reino Unido e Japão. A França ganhou o primeiro lugar em Transporte, o Japão na indústria e Espanha e Alemanha em ações em edificações. Os piores países foram os Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita com 18 e 16,5, respectivamente.

O México foi o pais que mais evoluiu, aumentando 17 pontos de 2014 para 2016, devido aos esforços na realização de auditorias energéticas pela indústria. A média de pontos foi de 50,5, ficando o Brasil abaixo dessa meta, na vigésima posição com 36,5 pontos. Abaixo do Brasil vieram Rússia, Tailândia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

"Nossos resultados mostram que todos os países se beneficiariam da adoção de políticas adicionais de eficiência energética", disse Steve Nadel, diretor executivo da ACEEE. “Essas políticas reduzirão a dependência de importações de energia, criarão empregos, reduzirão a poluição e economizarão dinheiro para pessoas e empresas. Eles também ajudarão os países a permanecerem globalmente competitivos e atingir as metas climáticas ”, enfatizou, observando que a demanda global por energia deverá crescer 30% até 2040.

O relatório destaca ainda que o Brasil enfatiza o uso de energias renováveis na geração de eletricidade e no setor de transporte com uso do etanol, mas, apesar de ter meta de 10% de redução de consumo até 2030, não pontuou em políticas governamentais. Para atender às suas metas climáticas e colher os múltiplos benefícios da eficiência  energética, os países devem desenvolver eficiência em seus planos econômicos relacionados à energia e aprender uns com os outros, emulando políticas inovadoras e melhores práticas.

A eficiência energética terá que responder por quase metade de todas as reduções de emissões de gases de efeito estufa necessárias até 2040 para limitar o aumento global da temperatura a 2 graus Celsius, de acordo com a Agência Internacional de Energia.