O quebra-cabeça do Marcelo

Publicação: 25/02/18
Lauro Jardim
com Guilherme Amado e Mariana Alvim

Depois de solto, Marcelo Odebrecht voltou a ter acesso ao seu notebook e, mais importante, aos milhares de e-mails ali arquivados. Marcelo tem lido um a um para ajudar a PF a montar alguns quebra-cabeças que estavam sem encaixe. O primeiro resultado dessa varredura já foi entregue às autoridades: são os e-mails que ele destrinchou para contar com mais detalhes a compra do sítio de Lula em Atibaia (SP).

O quebra-cabeça do Marcelo 2 
Marcelo Odebrecht está empenhado também em fazer novas correlações que perturbarão o sono de quem considera seus dois adversários dentro do grupo que presidiu até ser preso: seu cunhado (e diretor jurídico da Odebrecht) Maurício Ferro e Newton de Souza, que o sucedeu na presidência da empresa e hoje é vice-presidente do conselho de administração.

Modelito popular
No lançamento de sua candidatura a presidente da República, no dia 8 de março, em plena convenção nacional do DEM, Rodrigo Maia vai vestir um figurino social e lançar uma espécie de Bolsa Família do DEM. O projeto está sendo moldado por Marcelo Garcia, ex-secretário de Assistência Social de Cesar Maia.

Conversas paralelas
Em suas escapulidas frequentes a São Paulo, Michel Temer tem chamado grandes empresários para conversar a sós. Todos saem dali com a sensação de que Temer quer, de fato, ser candidato à reeleição. Se é ou não, não se sabe. Mas no mínimo quer aparentar.

Meirelles ainda no jogo
A propósito, enquanto Michel Temer não se declarar oficialmente candidato à reeleição (se é que o fará um dia), o ministro Henrique Meirelles não dirá que está tirando o time de campo.

Altas cifras
Esther Flesch, a advogada que foi sócia do escritório Trench Rossi & Watanabe por 20 anos e demitida por causa do furacão da delação da JBS, entrou na Justiça contra o seu ex-empregador. Esther quer uma indenização de R$ 50 milhões. O Trench Rossi & Watanabe quer dar R$ 15 milhões.

Limpa geral
Dentro de dois meses, a Odebrecht fará uma reforma radical em seu conselho de administração. Dos atuais oito integrantes, devem ficar apenas Sergio Fogel e Newton de Souza, que substituirá Emilio Odebrecht na presidência do conselho.

Vida boa
Arthur Soares, alcunhado de Rei Arthur, denunciado pelo MPF no escândalo da compra de votos para a Olimpíada de 2016, continua levando sua vidinha tranquila em Miami. Livre, leve, solto e sem tornozeleira, tem em sua garagem um Maserati, um Audi, um BMW ou um Mini Cooper para quando quer sair de sua casa em Key Biscayne. Tem malhado diariamente com seu personal trainer e depois despacha em seu escritório na região de Brickell, o centro financeiro da cidade.

Do contra  
A venda da Braskem, que é tida dentro da Odebrecht como ponto vital para resolver os problemas do grupo, sofre forte oposição de Marcelo Odebrecht.

Está decolando
Já está definida a participação acionária que Boeing e Embraer terão na empresa que vão criar para cuidar dos jatos comerciais que a brasileira fabrica: os americanos ficam com 51% da companhia e a Embraer com 49%. Essa foi uma exigência do governo brasileiro. A Boeing concordou.

Com a benção do bispo 1
"Nada a perder", a cinebiografia de Edir Macedo, o chefe da Igreja Universal, fará um gigantesco circuito internacional: estreia em 26 de abril em 700 salas espalhadas pela América Latina, além da África do Sul e Angola. Em Moçambique será exibido em grandes centros de convenções. Nos EUA e México, o filme estreia em maio.

Com a benção do bispo 2
Antes, começa sua carreira no Brasil, em 29 de março, em um circuito de mil salas. É possível que seja o novo recordista de público da história do cinema nacional. Usará, não há dúvida, a mesma estratégia que levou "Os dez mandamentos", produzido pela Record, a explodir nas bilheterias: a venda de ingressos nos templos da Universal. Os cinemas ficavam a meia-boca, mas as caixas registradoras abarrotadas.

Pra inglês ver
A briga entre Eike Batista e seu filho Thor durou pouco. O rapaz chegou até a procurar um escritório longe do pai, mas já está despachando em família novamente.

Sonho grande
Eike, a propósito, tem andado mais explosivo do que nunca com seus auxiliares. Nas reuniões, não admite contestações aos seus planos. Só pensa em voltar ao topo. Ainda aposta na legalização do jogo e está às voltas com um projeto de gás que pretende implantar no Porto do Açu.

A pauta da segurança

Publicação: 25/02/18
Amaro Sales de Araújo
Industrial, Presidente da FIERN do COMPEM/CNI

A segurança pública está na ordem do dia. É pauta atual e necessária. Ficou ainda mais evidenciada pela decisão do Governo Federal em intervir no Rio de Janeiro no que se refere a gerir o aparelho da segurança pública a partir das Forças Armadas. Decisão acertada dada a gravidade da situação.

Ocorre que, lamentavelmente, o problema não é apenas no Rio de Janeiro. Os grupos organizados estão também no Nordeste, sobretudo, atuando no tráfico de drogas e assaltos a agências bancárias e, pelas notícias reiteradas na imprensa local, presentes fortemente no Rio Grande do Norte. Algo bastante preocupante, tanto pelas vidas humanas que estão sendo abatidas em número significativo, quanto pelo custo da segurança pública 
na economia.

No ano de 2017, por exemplo, mais de 2400 homicídios foram registrados no Rio Grande do Norte, algo em torno de 06 pessoas mortas por dia. Se compararmos o número com a população de alguns municípios do interior do Estado veremos que, pelo menos, 06 municípios potiguares não contam com a população de 2400 pessoas. 

Portanto, a grosso modo, perdemos uma pequena cidade com o número de pessoas abatidas pela violência em 2017. E apenas para realçar a gravidade do tema, um outro número impressionante vale registrar: nos últimos 07 anos, aproximadamente, 14.000 pessoas foram assassinadas no Rio Grande do Norte.

Os números refletem, segundo os analistas mais credenciados, a presença das organizações criminosas e o tráfico de drogas em diferentes recantos potiguares, com maior incidência em Natal, Região Metropolitana e Mossoró. Infelizmente, as notícias já registram ocorrências em todas as Regiões e em municípios até bem pouco tempo prestigiados pela paz.

O Governo Federal, com a iniciativa em relação ao Rio de Janeiro, demonstra, pelo menos, uma inquietude necessária diante do problema. Não pode ficar apenas na intervenção e também não deve se limitar ao Rio de Janeiro. A inteligência policial e a estratégia militar podem nos indicar, certamente, o melhor caminho, considerando que estamos, de fato, em guerra e a sociedade precisa fazer uma opção clara pela vida dos milhares de brasileiros que são honestos e trabalhadores, inclusive, de modo especial, a favor dos militares e policiais que se apresentam para defender o Brasil e o seu povo.

E para falarmos em desenvolvimento sustentável, a pauta da segurança pública precisa ser enfrentada. O turismo depende de um ambiente onde as pessoas não sejam violentadas; os negócios de gastronomia e entretenimento exigem segurança; o transporte de cargas e os seguros são mais caros ou baratos de acordo com os índices de violência. Enfim, o custo com a vigilância privada será maior ou menor também de acordo com o ambiente local de segurança pública e tudo repercute na precificação do produto. Há, portanto, uma variável quanto ao tamanho da repercussão, mas uma certeza: nenhuma empresa consegue operar hoje sem contabilizar custos expressivos com segurança. Não sei até quando suportará.

Os perfis para as urnas

Publicação: 25/02/18
Gaudêncio Torquato
jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação
Twitter: @gaudtorquato
 
Até o pleito de outubro, os eleitores colocarão uma lupa sobre os candidatos. Farão um controle mais apurado do que em eleições passadas. Primeiro, em função da desconfiança que paira sobre os políticos. Segundo, porque o voto começa a sair do coração para subir à cabeça. O voto racional toma o lugar do voto emotivo. Terceiro, porque o conjunto do eleitorado, de costas para a política, se abriga em entidades de referência e defesa – sindicatos, associações, clubes, federações, movimentos de todos os tipos – e estas tendem a orientar a escolha para determinados perfis. Bancadas setoriais ganharão amplitude. Veremos um eleitor afinado ao espírito do tempo.

Que conceito o eleitor faz hoje do político? Pesquisas mostram que, de cada 100 brasileiros, apenas 3 confiam nos políticos. Escândalos em série registrados nos últimos tempos contribuem para a má avaliação. E que perfis conseguem atrair a atenção? Vejamos. A autoridade é seguramente um deles. O brasileiro sente-se atraído pela figura do pai, que expressa autoridade, respeito, o homem providencial capaz de suprir as necessidades da família. Mas não se deve confundir autoridade com autoritarismo, aqui estendido à arbitrariedade. Jânio Quadros era uma figura que expressava respeito.

O equilíbrio atrai a atenção. Pessoas desequilibradas não merecem consideração, mesmo que neste ano a palavra dura, um murro na mesa possam fazer parte do discurso (Bolsonaro absorve essa condição). O equilíbrio está ligado à harmonia, à serenidade, valor que carrega sentimento de justiça. Estes valores somam-se, conferindo ao político confiabilidade e respeitabilidade, base para a consolidação de uma boa imagem.

Os desafios da administração e as demandas sociais exigem conhecimento e experiência, ferramentas para o encontro de soluções rápidas. O eleitor desconfia de aventureiros e ignorantes por considerá-los “aposta cega, um tiro no escuro”. O preparo e o ideário bem organizado podem melhorar a imagem. Melhor ainda quando o ideario for endossado por grupos sociais. Ou seja, se ganhar o apoio de entidades. O bom candidato é também aquele que sabe articular, fazer intermediação e interação com os grupos organizados. Urge respirar o “cheiro das ruas”. A proximidade com o povo se faz necessária. 

E os valores negativos? Indecisão é um deles. Associa-se à ideia de pessoa sem personalidade, fraca, tíbia. Encrenqueiro e corrupto, então, nem se fala: são traços negativos. O brasileiro desconfia de estilos rompantes, impetuosos, viradores de mesa. Mudanças são desejáveis, contanto que não causem grandes sustos.

Quem está ligado às teias de corrupção será visto com desconfiança. É difícil se purgar. Perfis sem programas, conhecimento de temas, terão voo curto. Morrerão antes de chegar à praia, às urnas. Há um conceito que forma o esqueleto vertebral do político: a identidade, que abriga a história, o pensamento, a coerência, os sentimentos e a maneira de ser. Se a identidade é forte e positiva, o político será associado às boas lembranças de seus eleitores. Uma boa imagem, porém, não nasce e cresce no espaço de uma campanha.

Conselho ao eleitor: comece, desde já, a focar sua lupa sobre os perfis dos eventuais protagonistas.

As implicações do uso de corticoide na reabilitação de crianças com câncer

Publicação: 25/02/18
Isabelle Resende
Farmacêutica CRF 2541

Cinthia de Carvalho Moreno

Fisioterapeuta Crefito 83476-F Casa Durval Paiva


Os corticoides são medicamentos indicados no tratamento de algumas doenças como as reumáticas, autoimunes, alergias, câncer, dentre outras. São derivados do hormônio cortisol e produzidos em laboratório, chamados hormônios sintéticos. Também podem ser chamados de glicocorticoides ou corticosteroides. O cortisol é chamado de hormônio do estresse e pode sofrer alterações em caso de medo, exercícios, altitudes elevadas, traumatismos, cirurgias e infecções. Isso acarretará aumento da pressão arterial, glicose e tônus cardíaco. Ele será o responsável por preparar o organismo para “luta ou fuga”.

A dosagem elevada e o acúmulo de corticoide no organismo podem causar efeitos indesejáveis e acarretar alterações graves que comprometem os ossos e músculos do paciente como: fraqueza ou perda de massa muscular, osteoporose, fratura patológica dos ossos longos e ruptura do tendão. Além dessas, ainda podem ocorrer alterações hidroeletrolíticas como a retenção de sódio, causando o inchaço do paciente e aumento da pressão arterial, alterações nos olhos, na pele, no estômago e intestino, no sistema nervoso e no metabolismo das proteínas. Podem ainda ocorrer alterações psiquiátricas como hiperirritabilidade, insônia, mudanças de humor e personalidade.

Após tratamento com altas doses, por um período superior a três semanas, o medicamento deve ser retirado de forma lenta e contínua, pois o uso prolongado inibe a produção do cortisol que leva certo tempo para voltar a ser produzido.

No setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva todos esses fatores são levados em consideração na avaliação de uma criança ou adolescente com necessidade de reabilitação, pois terão implicação direta na execução dos exercícios terapêuticos.

Uma criança irritada, chorosa, com privação de sono, normalmente não será colaborativa, por isso, é importante que o ambiente seja acolhedor, divertido e também estimulante, com uma variedade de brinquedos, jogos e livros.

Exercícios que estimulem o metabolismo ósseo podem contribuir para a manutenção da massa óssea. Podemos citar como exemplo: exercícios ou brincadeiras realizadas na posição em pé, atividades com pequenos saltos, brincadeiras ou jogos com dança, etc. Também é fundamental que a família seja orientada para também estimular a criança a ser mais ativa o quanto possível.

Mesmo passando por um tratamento longo e às vezes agressivo, com vários efeitos indesejados, a criança tem a possibilidade de ter um atendimento humanizado, se divertir e de ser criança.

Jin Shin Jyutsu

Publicação: 25/02/18
Dr. Jorge Boucinhas
Médico e Professor

Apenas esteja no agora e seja o centro. 
Todo o resto fluirá.

Mary Burmeister

Jin Shin Jyutsu (JSJ) é uma arte antiga de harmonização da energia corporal. Passada de geração em geração por transmissão oral, havia caído em relativo olvido até ser  revivida nas encetaduras dos anos 1900 pelo Mestre Jiro Murai, no Japão.  Nascido em Ishikawa, em 1886, fora agrônomo com especialização em criação do bicho-da-seda.  Aos 26 anos, desenganado pelos médicos por doença grave, foi desenganado e iniciou a leitura do Kojiki (“Registro das Coisas Ancestrais”, antiqüíssimo livro nipônico) e conheceu as ideias de sábios que meditavam em jejum, segurando os dedos em posturas específicas chamadas mudrás (um exemplo destes são os dedos polegar e indicador fechados em círculo nas representações do Buda Sakyamuni).  Decidiu imitá-los e, após poucas semanas, ao contrário do que previam os esculápios de então, conseguiu se recuperar da enfermidade.  Surpreso, prometeu dedicar o restante da existência à investigação do processo curativo através de métodos orientais clássicos.  Estudou e registrou a conexão entre os diversos mudrás e vários padrões de circulação energética corporal.  Além da intensa vivência de introspecção, fundamentou o JSJ em estudos de Anatomia e Fisiologia humanas e buscou no Kojiki, o livro-mestre da mitologia japonesa (também chamado de “Registro das Coisas Ancestrais”), a inspiração para esta Arte curativa.  Os efeitos benéficos da prática foram sendo constatados por copioso rol de portadores de distintos tipos de desarmonias psíquicas e corporais que passaram por seus cuidados até seu falecimento, ocorrido em 1960.

O conhecimento acumulado foi passado a Mary Iino Burmeister, uma nipo-americana de Seattle, para que o levasse ao Ocidente, o que ocorreu na década de 1950.  Ela principiou a ensinar os princípios a outras pessoas a partir de 1960.  Dos EUA espalhou-se e hoje há milhares de aficionados em países das Américas do Norte e Latina, da Europa, da Ásia, da África e da Oceania.

Jin Shin Jyutsu é termo composto, compreendendo Jyutsu – Arte, Shin – Espírito, Jin – Homem.  Há várias forma de traduzir, sendo que alguns espiritualistas dão preferência a uma forma bem complexa (segundo eles a melhor para se designar o que se visa): Arte do Criador através do Homem.  Pode ser encarado como uma Arte de liberação das tensões, as quais são as causas de vários sintomas patológicos no organismo.  Segundo a Medicina Tradicional Chinesa os corpos possuem diversos caminhos energéticos que mantém a vida nas células.  Quando um ou mais deles é bloqueado, este efeito de barragem pode levar a desconfortos ou até a dor.  Tal bloqueio, ou estagnação, poderá não apenas perturbar a área local mas, em muitos casos, espalhar-se, abalando a integridade global do organismo.

Pesquisas já foram efetuadas e hoje sabe-se que o Jin Shin Jyutsu ajuda a combater o estresse, podendo ser indicado como tratamento complementar em muitos casos de problemas agudos e crônicos.  Atua minorando dores, incômodos e desequilíbrios físicos, descontrole emocional e entorpecimento mental.  Além disso, através de seu viés filosófico, consegue colaborar para o conhecimento da essência humana, ensinando a compreender a realidade de forma natural.  Com sua prática reconhece-se a sabedoria do corpo e passa-se a entender suas mensagens e usá-las para produzir um melhor estado de saúde.  Outrossim despertam-se a autoconsciência, a autoconfiança e o entusiasmo incondicional, facultando o mergulho do ser no fluxo vital.  Segundo seu criador, a harmonização obtida por meio dessa arte abrangeria simultaneamente os níveis:  físico - emocional – intelectual - espiritual - ambiental.

O ideal seria um tratamento de JSJ aplicado por terapeuta habilitado, possuidor de formação específica na prática.  A cada sessão esse profissional fará a análise postural corporal, a leitura do pulso chinês do paciente e, adicionando as informações sobre as queixas apresentadas, poderá partir para a regulação dos fluxos energéticos em desequilíbrio.  O número de sessões dependerá do grau de desarmonia que o paciente apresente e da sua capacidade de autoconscientização, associada à força do seu desejo de alcançar a cura.

A técnica deve bastante à Acupuntura.  E tal como nesta, há uma ampla janela aberta para as possibilidades de autoaplicação.  Sobre esta versará o Artigo vindouro, que disponibilizará algumas manobras muito benéficas.   Até lá!