A Indústria 4.0 é o caminho do crescimento

Publicação: 19/08/18
Cristina Palmaka 
Presidente da SAP Brasil

Mecanização, uso da energia elétrica, produção em massa, aplicações tecnocientíficas e robóticas como computadores, softwares, chips e sistemas eletrônicos. Esses termos comuns e intrínsecos hoje à sociedade e à economia são adventos do desenvolvimento e domínio de novas práticas, tecnologias e instrumentos de produção realizados durante as três Revoluções Industriais.

Na contemporaneidade, com o surgimento e consolidação de tecnologias disruptivas e de ponta como a inteligência artificial, a manufatura dá um passo rumo ao futuro e instaura a Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0. Este é o novo caminho e, como nas ondas anteriores, quem não acompanha cai no esquecimento. Desta vez não será diferente.

Apresentado a partir de um projeto para o governo alemão em 2011 durante a maior feira de automação industrial do mundo, a Hannover Messe International (HMI), o conceito de Indústria 4.0 foi desenvolvido por um grupo liderado por Sigfried Dais, da Bosch, e Henning Kagermann, da Acatech (Academia Alemã de Ciência e Engenharia), e tem como objetivo a integração dos processos da indústria, criando fábricas inteligentes e compatíveis com as demandas da atualidade.

A Indústria 4.0 se dá, de modo simplificado, por meio da aplicação de tecnologias como Internet das Coisas (IoT) – uma rede de conexão entre objetos físicos e dispositivos eletrônicos como sensores – e análise e gerenciamento de dados. Com uma rede de manufatura totalmente integrada, é possível operar em tempo real, de forma virtual e descentralizada, com as máquinas da linha recebendo comandos e fornecendo informações para a otimização da produção.

É necessário mudar, manter-se atualizado para prosperar. Apenas os negócios que se transformam digitalmente sobreviverão à economia do futuro. Como afirmaram os executivos Cornelius Baur e Dominik Wee, da consultoria empresarial americana McKinsey & Company, “a Indústria 4.0 é mais do que apenas um slogan chamativo. É uma confluência de tendências e tecnologias que promete reformular o modo como as coisas são feitas”.

A inovação da indústria aumenta a produtividade, a competividade e o valor agregado das mercadorias. No formato 4.0, são beneficiados tanto os consumidores quanto os produtores. Um exemplo disso é o da parceria entre a SAP e a Harley-Davidson. Por meio da sensorização dos mais de três mil componentes de uma motocicleta, é possível personalizar e customizar um modelo da marca em cerca de seis horas via website, processo que chegava a levar cerca de 21 dias e tinha que ser realizado em lojas e revendedoras.

O futuro é animador para o Brasil, apesar de termos um longo caminho. Em um estudo brasileiro recente, no qual foram entrevistadas 227 empresas, 90% delas concordam que a Indústria 4.0 é uma oportunidade, e não um risco. A pesquisa também demonstrou que 30% das empresas deram início ao seu processo de transformação e que 25% estão planejando os passos de sua inovação. A manufatura digital exige colaboração e integração, sendo o melhor caminho a escolha de uma empresa de tecnologia como parceira na transformação digital.

As empresas do setor de software corporativo, como a SAP Brasil, iniciaram em março a Aliança Brasil 4.0, iniciativa da Câmara de Comércio Internacional do Brasil (ICC Brasil), um compromisso público de empresas com o desenvolvimento e a democratização da Indústria 4.0 no País. Este foi mais um movimento para a disseminação e conscientização do poder da Quarta Revolução Industrial.

A inovação beneficia a cadeia de produção e o país como um todo, com resultados impactantes como o aumento do PIB – a correlação entre investimento em inovação e acréscimos no PIB é comprovada por diversas pesquisas – e a criação de 30 novas profissões, conforme estudo do SENAI divulgado em julho. Otimista com o futuro, convido todos a fazer o mundo funcionar melhor. Praticar negócios mais inteligentes melhora a vida das pessoas.

Senso de justiça

Publicação: 19/08/18
Cláudio Emerenciano
Professor da UFRN

O Brasil está órfão ou carente de pensadores políticos. Políticos que estudem, reflitam e avaliem o país. Historicamente, até passado recente, esses brasileiros ilustres exerciam uma espécie de "tutela" moral, cívica e cultural da nação. Antes e posteriormente à independência, José Bonifácio foi genial, conspícuo e visionário. Em conhecimentos, visão e concepção do mundo e da vida, no seu tempo, ele se situa no "panteão" de homens como Thomas Jefferson (Estados Unidos) e Disraelli (Inglaterra). Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Benjamim Constant, Rio Branco e Prudente de Morais, entre outros, integram a constelação dos que deram continuidade ao pensar sobre o Brasil até às ebulições sociais e políticas que culminaram com a Revolução de 30. A tradição foi mantida até pouco tempo. Afonso Arinos, San Thiago Dantas, Alberto Pasqualini, Carlos Lacerda, Raul Pilla, Barbosa Lima Sobrinho, Oswaldo Aranha, Luiz Viana, Tancredo Neves, Franco Montoro, entre outros, também se destacaram por não se restringirem à atividade política. Estudaram o país e seus problemas, legando reflexões sobre as alternativas da busca e construção do futuro. Essas gerações tinham efetivamente compromissos com o futuro e a superação dos seus problemas. Sobretudo graves questões que, ainda hoje, acometem e infelicitam milhões e milhões de brasileiros. É imperdoável o quadro atual de insegurança, violência, criminalidade, desemprego, miséria, ignorância e mortalidade. Somos um "pobre país rico". Ainda imperam privilégios inaceitáveis e paradoxais, inviabilizando justiça e mobilidade sociais. No passado tivemos um governante, que se elegeu em memorável pleito democrático, com metas suplantadas cinco vezes em todos os setores de atuação do Governo Federal: Juscelino Kubitschek. Em seu período o Brasil alcançou as mais elevadas taxas de crescimento no mundo. O escritor André Malraux, detentor do Nobel da literatura, em visita ao Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília (às vésperas da inauguração) disse que o mundo não conhecia, até então, transformações tão ciclópicas e monumentais num regime democrático. Juscelino, entre outras epopeias, desbravou a fronteira oeste do Brasil. Deve-se ao seu governo o legado da conversão de vastíssimas áreas de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul em fonte produtiva do agronegócio. Somos um dos celeiros do mundo. Mas semeamos fartura alhures, enquanto aqui... 

 A maneira de ser dos brasileiros, em termos antropológicos, as origens de nossa identidade nacional, a herança nativa, portuguesa e africana, os fenômenos urbanos e rurais, a miscigenação de raças e culturas, tiveram em Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, Oliveira Vianna, Raymundo Faoro, Viana Moog, Sérgio Buarque de Holanda, Paulo Prado, Florestan Fernandes, Prado Kelly, Nelson Werneck Sodré e Ronald de Carvalho autores de repercussão internacional. A literatura, fecunda, original e criativa, mantém suas raízes chantadas em nossa realidade social. Juristas como Amaro Cavalcanti, Seabra Fagundes, Carvalho Santos, Orlando Gomes, Pontes de Miranda, Nelson Hungria, ensinaram que não há legitimidade institucional sem a prática efetiva de justiça. Que não se esgota na simples e objetiva aplicação da lei. Daí o conceito e a consagração universal de nossa Lei de Introdução ao Código Civil. É uma das mais notáveis condensações de princípios gerais do Direito. Juristas alemães, italianos e ingleses a consideram precioso, insuperável e atemporal conjunto de normas da vida civilizada. Assim, ainda hoje, o velho direito romano é fonte insubstituível de inspiração e padrão da aplicação do Direito e a consequente busca da Justiça. Daí a reflexão, que emerge como uma das sínteses de jurisconsultos romanos, entre eles Gaio, Papiniano e Ulpiano: "a aplicação do bom direito é o caminho que conduz à verdadeira justiça". Essas observações me lembram célebres palavras de Emil Janning (Ministro da Justiça de Hitler) no Tribunal de Nuremberg :"cometi o primeiro crime quando perdi o senso de justiça". Palavras pertinentes na atual conjuntura do Brasil. Daí o provérbio: "não há um bom juiz sem o senso de justiça".

A civilização democrática se alicerça no compromisso de todos com o Direito, suas instituições e a promoção da justiça. Eis um imperativo legal, ético, moral e cultural que não exclui ninguém. Notadamente os governantes. Especialmente os que fazem o Poder Judiciário e o Ministério Público (fiscal da fiel aplicação da lei). É imperdoável, haja o que houver, sua omissão. Como também se impõe ao cidadão, ao exercitar seu direito de voto (no Brasil misto de direito e dever, em face do voto obrigatório), singularmente nas circunstâncias atuais, turbulentas, incertas, intranquilas, frustrantes e confusas. O senso de justiça é dever de cada cidadão. O Brasil, após tantos acontecimentos que enxovalharam a nação, não pode submeter-se aos desígnios do ódio, da truculência, do preconceito, do fanatismo, da demagogia e - por que não dizer e repetir? - da falta de ética e moral públicas. Observações ainda atuais de Abraham Lincoln podem ser referência para juízo de valor no ato de votar: "você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo, mas não consegue enganar todas por todo o tempo". É essencial que o eleitor, dentro do possível, compare, confronte, distinga e avalie as propostas dos candidatos. A eleição é momento solene e soberano. O voto é o ato sublime da cidadania. As próximas eleições deveriam ser precedidas de profunda e ampla reforma política. O que não se fez, subtraindo-se ao povo a possibilidade de, em plebiscito, legitimar um novo pacto social. Mesmo assim, ainda ressoam essas palavras de Lincoln: "a democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo". Conceito ao qual o jurista Hans Kelsen acrescentou "é, pois, o caminho de progressão para a liberdade". A liberdade do homem está sempre em ascensão. Eis a substância do seu sentido. Alçando novos patamares da condição humana.

A civilização democrática brasileira é construção de tantos quantos fazem a nacionalidade. Mas a responsabilidade dos governantes, em todos os níveis, é pedagógica, moral, ética e legal. É um caminho sem fim, que se constrói em eleições.

Quando um médico deve consultar seu advogado

Publicação: 19/08/18
Fábio Cabar 
Médico e advogado, integrante da Comissão de Direito Médico da OAB/SP

A vida do ser humano – de forma consciente ou não – é constituída de contratos jurídicos que estabelecem direitos e deveres por toda a vida. Normas que o protegem na infância e adolescência, imputam responsabilidades civis e penais ao ingressar na idade adulta e que se distribuem por ramificações de acordo com as atividades que exerça. Dentre as mais complexas está a atividade profissional da medicina. De xamãs e curandeiros no passado, os médicos, por meio da ciência, passaram ao domínio dos cuidados para manutenção e recuperação da saúde em diversos matizes. Heróis quando salvam, tornam-se vilões quando expectativas de cura são frustradas. No mundo todo e no Brasil em particular, vive-se claramente relacionamento estressado por natureza entre médicos e pacientes. E muitos casos clínicos são judicializados. Vários com fundamento, diversos sem razão aparente. Os números que expomos abaixo – com possível distorção diante da dificuldade de apuração precisa – indicam que os profissionais estão precisando cada vez mais de apoio. Nesse sentido, cabe reflexão sobre quando um médico deve consultar seu advogado.

Em dez anos, de 2001 a 2011, aumentou em 302% a quantidade de processos ético-profissionais em andamento a partir de denúncias contra médicos no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), denúncias essas que estão relacionadas à má prática, erro médico ou infrações diversas ao Código de Ética Médica. Na justiça, o número de denúncias de erros médicos cresceu 52,1% em 2011, em relação ao ano anterior, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STF). Em 2016, 7% dos profissionais médicos em atividade já respondiam processos judiciais.

Do início de 2003 a 2017, o volume de escolas médicas no Brasil mais que dobrou, saltando de 126 cursos para 298 (até dezembro de 2017), que respondem pelo preparo de 30 mil novos médicos todos os anos. Inobstante o volume, pode-se dizer que temos, hoje, no Brasil, condições precárias de ensino nas faculdades de medicina e, consequentemente, formação de médicos pouco capacitados para exercerem a profissão.

Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, apenas uma faculdade de medicina do país tirou a nota máxima na última avaliação do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Em uma escala de um a cinco, mais da metade teve nota menor ou igual a três. Da mesma forma, mais da metade dos recém-formados em escolas médicas do Estado de São Paulo (56,4%) foi reprovada na edição do Exame do CREMESP realizada no final de 2016 (os dados de 2017 ainda estão sendo apurados).

Ora, ações judiciais, quando infundadas, além de prejudicar diretamente a imagem e o prestígio do médico, acarretam em prejuízos financeiros, pois, para provar a sua inocência, o médico terá despesas com advogado, perícia e custas processuais. Dessa maneira, provar a sua inocência em uma ação judicial (mesmo que aventureira por parte do paciente) pode custar caro moral e financeiramente para um profissional da saúde.

Como medida preventiva contra tais reclamações, o profissional médico deve adotar ao menos cinco cuidados: primeiro, agir tecnicamente de acordo com os protocolos médicos; segundo, desenvolver uma boa relação com o paciente, pautada na ética, boa fé e transparência; terceiro, diante de um problema, chamar o paciente e, se for o caso, a família, para explicar didaticamente o caso (prestação de informações); quarto, fazer um bom prontuário médico para documentar todas as ações realizadas; e quinto, sempre se dedicar ao seu aprimoramento técnico por meio de educação continuada e atualização.

Dessa forma, com o quadro atual em mente, o médico deve estar sempre atento e procurar um advogado de sua confiança assim que surgir no horizonte a possibilidade de quaisquer conflitos - seja para prestar uma consultoria preventiva e evitar problemas, seja para auxiliar na melhor condução de situações de animosidade, inclusive chegando a evitar a instauração de litígios.





Repentes de Dinarte

Publicação: 19/08/18
Diogenes da Cunha Lima 
Escritor e presidente da ANL

Estão esmaecendo, com o tempo, a imagem e a ação da personalidade marcante do homem público que mudou os destinos do Estado, Dinarte Mariz. Por muitos anos, tive a sorte e o privilégio de ser seu amigo e protegido, com a liberdade de dizer a ele o que pensava e o que sentia.

Como governador, criou a Universidade do Rio Grande do Norte, logo transformada em Federal. Atendeu ao desafio proposto por seu amigo (o primeiro reitor) Onofre Lopes. O orçamento inicial era maior do que a previsão da receita do Estado. Mesmo assim, sancionou a lei. De início, disse ao reitor que selecionasse os professores mais competentes disponíveis, sem qualquer interferência política.

Foi senador por quase três décadas, influindo nos destinos da nação. Definia a Câmara como lugar de discussão, enquanto que o Senado era lugar de conciliação. Nisto ele foi mestre, em conciliar interesses, mesmo os mais conflitantes.

Um dia, fiz-lhe crítica amiga: Senador, tenho notado que no Congresso ouve-se a fala de muita gente com sotaque do Seridó. O senhor conseguiu contratar muitas pessoas da região. Sem concurso? Ele respondeu: “Você não entende. O seridoense é um concursado de nascença. É muito pouco para ajudar o Brasil”.

Dinarte era dono de uma sabedoria intuitiva. Transformava em palavra eficaz o que pensava. Sempre convincente, foi um inventor de soluções.

Uma cópia foi transformada em original. Esta “aula de Direito” foi dada por Dinarte a Delfim Neto, então Ministro do Planejamento. Poucos meses depois de assumir a reitoria da UFRN, eu estava sendo cobrado por empresas que haviam trabalhado na construção da Universidade, creio que o equivalente, hoje, a trinta milhões de reais. Angustiado, fui ao senador Dinarte dizer que iria renunciar ao cargo se não conseguisse pagar. Ele me orientou que fizesse pedido ao Ministério especificando a dívida, dando entrada com cópias autenticadas. Meses depois, levou-me ao gabinete ministerial e cobrou a promessa de pagamento. Delfim lamentou-se: “Infelizmente Senador, o processo perdeu-se e não pude cumprir o que lhe prometi, mas vou mandar restaurá-lo”. E Dinarte: “Não vai ser preciso, o reitor trouxe a cópia. Você pode autorizar AGORA. Esta é cópia até você autorizar. Depois, passa a ser original. Cópia será a que se perdeu”. E a Universidade pagou a sua dívida. Na saída, perguntei-lhe se havia inventado uma nova lei sobre cópias e originais. E ele: “Os casos são maiores que as leis”.

Dividia com Aluízio Alves a paixão política do Estado. Notei no seu gabinete que havia, sob o vidro do birô, uma foto da fundação do Partido Popular onde estava Aluízio Alves ainda pequeno. Provoquei: Valorizando o seu retrato com Aluízio? Deu a resposta: “Este aí não é Aluízio. É um menino que eu queria bem”.

Desejando fazer a sua biografia, gravei conversas com ele no Senado; em Natal, na casa do seu genro Aldo Medeiros, e em Serra Negra, na Fazenda Solidão. Em meio ao diálogo, fiz perguntas buscando respostas surpreendentes, inovadoras. Uma vez lhe perguntei o que pertence verdadeiramente ao homem. A resposta surpreendeu-me: “A única coisa que pertence, verdadeiramente, ao homem é a sua solidão”. Por isso, intitulei a sua biografia de “Solidão, Solidões – Uma Biografia de Dinarte Mariz”.

A era virtual do jornalismo

Publicação: 12/08/18
José Narcelio Marques Sousa 
Engenheiro Civil

Pouca gente sabe que o Brasil é um dos países onde mais se vende computador no mundo. Fica atrás apenas de potências do naipe dos Estados Unidos, China e Japão. Possuindo tamanho índice de comercialização desse equipamento eletrônico não era de estranhar a implantação e crescimento do chamado web jornalismo online ou cyber jornalismo, que é o jornalismo praticado por meio digital via internet.

Web jornalismo começou como uma versão virtual dos jornais de papel, mas, aos poucos, foi crescendo até se transformar na opção informativa preferencial da população mundial, isso graças a influência daqueles que nasceram na era da internet.

A maciça adesão da juventude foi fundamental para alavancar o processo de estimular o costume da busca de informação via virtual. Aí prevalecendo o comodismo, a facilidade e a rapidez de acesso à notícia que o meio eletrônico oferece.

É verdade que ainda existe parcela significativa da população fiel à leitura no papel, e que abomina a tela brilhosa e inodora do computador. São aqueles que preferem continuar sentindo o cheiro de tinta, aliado ao prazer decorrente de folhear e dobrar a aspereza de cada página do jornal enquanto avança na leitura.

Esse costume se assemelha ao do escritor acostumado com a máquina de escrever, que a abandona para enveredar pela complexidade do computador por exigências decorrentes do avanço tecnológico.

Lamentável afirmar, mas a tendência da comunicação escrita é o mundo virtual. Tanto os jornais como os livros enveredarão pela virtualidade em razão do menor custo do produto manufaturado e em respeito ao meio ambiente massacrado pela derrubada de árvores. É tudo uma questão de tempo, e essa escolha já foi deflagrada e se consolidará mediante a adesão da geração-internet.

Por que jornais continuam com a publicação impressa mesmo explorando com melhores resultados comerciais o segmento virtual? Em primeiro lugar porque ainda dispõem de carteiras de anunciantes e classificados, além de interesses outros que lhes dão amparo para continuar com a tiragem impressa.

Aguardam, também, a consolidação total e inevitável da leitura virtual para saírem de circulação. A esse fato se aliarão a dificuldade de oferta e o custo proibitivo do papel-jornal, em decorrência da escassez de celulose no país.

Em Natal, o último jornal diário em circulação é a Tribuna do Norte, por anos seguidos considerado o mais importante do Rio Grande do Norte. Fundado em 1950, mantém um portal de notícias na internet desde 1997. Fecharam as portas o Diário de Natal, o Jornal de Hoje e, finalmente, o Novo Jornal.

O mundo encolheu com a internet e ninguém estancará a evolução da comunicação virtual. A teoria da notícia gratuita ganha espaço e adeptos. É tolice esperar qualquer reviravolta nesse processo. Da mesma forma é difícil aceitar que aqueles da geração anterior à internet se acostumem, de imediato, com essa mudança.

Prazeres tais como uma boa leitura num livro impresso ou bisbilhotar informações num jornal matutino durante o desjejum ficarão para trás. Paciência, mas esse é o preço que pagaremos para sermos aceitos no mundo virtual. Até lá, olho no jornal impresso.