Custódio Arrais
Presidente do Sicoob Potiguar

Nos últimos anos, enquanto os bancos tradicionais se tornaram excessivamente seletivos na concessão de crédito e desatenciosos às demandas legítimas da sociedade, o cooperativismo financeiro apareceu para apontar novos caminhos na relação bancária. No Rio Grande do Norte, por exemplo, o Sicoob já liberou mais de R$ 100 milhões em crédito em 2021, isso só para as micro e pequenas empresas - um dos segmentos que mais abriu vagas de emprego durante a pandemia. O montante é 21% superior ao ano de 2020, quando já havia sido liberado R$ 79 milhões.

O volume de crédito cooperativo para as micro e pequenas empresas no estado ainda tem muito a crescer, e é justamente o que vem acontecendo nos últimos anos. Se em 2020 a quantia liberada pelo Sicoob no Rio Grande do Norte representou 10,7% do crédito liberado para o Nordeste, em 2021 essa fatia aumentou para 13%. Em valores totais, o que o Sicoob destinou de crédito para micro e pequenas empresas já está em R$ 781 milhões, montante 4,1% superior ao do ano passado (R$ 749 milhões).

Os micros e pequenos empresários têm sido negligenciados há anos pelos bancos tradicionais. Mas com as cooperativas, encontraram uma alternativa próxima, ágil e fácil de acesso ao crédito e a outros produtos bancários. Para se ter ideia, segundo levantamento da FGV e Sebrae, publicado em setembro, duas das três instituições que mais emprestaram dinheiro para pequenos negócios - proporcionalmente falando - são do sistema de cooperativas financeiras. No Sicoob, por exemplo, a taxa de sucesso na obtenção de crédito foi de 52% maior do que no mercado. Esse resultado demonstra a proximidade e capacidade de geração de negócios do sistema cooperativista.

Os números positivos são consequência de uma política de maior aproximação da cooperativa junto aos associados, buscando entender suas demandas para oferecer serviços financeiros com melhores condições de adesão. Essa é uma das principais diferenças entre os bancos tradicionais e as cooperativas financeiras. Enquanto os bancos operam em escala nacional, as cooperativas focam em nichos, e não atuam com clientes, mas sim com cooperados - o que justifica a maior compreensão tanto da realidade de quem busca crédito e quanto da comunidade na qual estão todos inseridos.

Outro fator importante: as cooperativas são instituições sem fins lucrativos, cujo compromisso é com a justiça financeira, com a prosperidade do associado e - repito - com a comunidade em que se está inserida. É aí que se explica a aposta do cooperativismo nos micro e pequenos empresários. O volume de crédito que cada um desses empreendedores toma é pequeno, mas, juntos, se torna mola propulsora do desenvolvimento econômico para o nosso bairro, nossa cidade, nosso estado e nosso país, até porque são eles o segmento que majoritariamente mais gera emprego no Brasil, principalmente neste momento de pandemia.

Neste sentido, vamos continuar indo aonde os bancos tradicionais não vão. Porque acreditamos que fomentar os pequenos negócios de uma determinada localidade dá resultado para todos que vivem naquele lugar.

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A magia dos sabiás da crônica
Atualizado: 00:35:00 27/11/2021
Ivan Maciel de Andrade
Procurador de Justiça e professor da UFRN (inativo)
                                                                 
A crônica assume características de gênero literário quando estabelece íntima afinidade com a poesia ou com o conto. Fora desses parâmetros, ouso dizer que o gênero inexiste. Ou seja, o texto remanesce como outra atividade, literária ou jornalística. Sem que, com isso, perca a sua validade, que se descortina fora dos quadrantes da crônica. Talvez pela carência de autores com o domínio desses atributos em sua escrita, o gênero subsiste quase só nos livros (sob forma de coletâneas) em que são reunidas crônicas de Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, José Carlos Oliveira, Antônio Maria, Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes.

“Os sabiás da crônica” (2021), antologia organizada por Augusto Massi, traz boas amostras das produções de todos esses cronistas que mencionei, menos (o que é inaceitável!) de Antônio Maria e de Carlos Drummond de Andrade. Meras razões editoriais teriam determinado essas graves e clamorosas exclusões. O importante é que a antologia abre o apetite para se conhecer mais amplamente a obra dos cronistas que foram selecionados por Augusto Massi. Alguns desses cronistas estão, com certeza, entre os que cultivaram melhor o gênero. Sendo que Rubem Braga é campeão absoluto de reedições.

Paulo Mendes Campos teria sido o responsável pela sagração de Rubem Braga como “o sabiá da crônica”. Daí a ideia do título da antologia, que estendeu a homenagem a todos os demais cronistas que participam da coletânea. Por sinal, como seria de prever, Rubem Braga, com seu temperamento fechado e casmurro, nunca aceitou esse honroso destaque, que lhe foi deferido merecidamente, mas no tom brincalhão, descontraído que era comum a esses cronistas que se relacionavam, quase diariamente, em bares, redações de jornais e nas casas uns dos outros (sendo Rubem Braga o maior, mais frequente e generoso anfitrião). Dois deles – Rubem Braga e Fernando Sabino – se envolveram em bem-sucedidos projetos editoriais (a Editora do Autor e a Sabiá), pela qualidade inovadora “no âmbito do design gráfico” e pelo pioneirismo do catálogo de autores nacionais e estrangeiros editados.  

As condições socioculturais de hoje são bem diferentes daquelas predominantes no ciclo, demarcado por Augusto Massi, que vai do fim da Segunda Guerra Mundial (1945) até a desativação da Editora Sabiá (1972), quando houve “o entrelaçamento de três gerações” de cronistas, representando o período mais criativo da crônica. Essas diferenças se tornaram mais significativas e decisivas na área das comunicações, sobretudo em razão do advento rumoroso e massificador das mídias sociais.  

Mas há um legado da crônica que transcende, por sua relevância, os hiatos entre circunstâncias históricas tão diversas, como indica Augusto Massi: “(...) a crônica maturou uma linguagem cotidiana e, na esteira das principais conquistas modernistas, abreviou consideravelmente a distância entre a língua falada e a escrita, incorporando contribuições de distintos segmentos da sociedade e preservando registros da cultura popular no bojo das manifestações ditas eruditas”. Essas mudanças popularizaram os cronistas e fomentaram o gosto por uma literatura tornada extremamente prazerosa. 

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106 anos de Djalma Maranhão
Atualizado: 23:23:20 26/11/2021
Alexandre de Albuquerque Maranhão
Historiador

Homem público de notável sensibilidade política e social. Em nenhuma circunstância tolerava o fisiologismo e o clientelismo. Quando chefiou o Executivo municipal natalense em dois períodos: 1956-1959 e 1960-1964 realizou um governo de vanguarda e de intensa mobilização social, desvinculado do polo dominante da elite política potiguar. Por outro lado, os opositores, os políticos tradicionais o chamavam de “o prefeito do subúrbio”.  Essa figura da política norte-rio-grandense, de prestígio nacional – Djalma Maranhão, nasceu em Natal, no dia 27 de novembro de 1915.

Suas duas administrações populares e democráticas foram responsáveis pela criação de fóruns de discussões e debates sobre a realidade social, política, econômica e cultural da cidade do Natal e do Brasil. Eram os chamados Comitês Nacionalistas, Comitês Populares ou Comitês de Rua espalhados pela cidade, predominantemente, na periferia. Eram locais onde o prefeito e a população debatiam as prioridades do bairro, as políticas públicas que iriam ser implementadas naquele espaço da cidade. 

A efetiva participação popular e democrática da população natalense resultou em um vasto cronograma de obras e ações: a erradicação do analfabetismo, através da Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler; a inserção no mercado de trabalho, com a Campanha De Pé no Chão Também se Aprende uma Profissão; a Democratização da Cultura, através do incentivo e apoio às manifestações do Folclore; construção de Mercados Públicos, quadras de esportes, parques infantis, praças públicas, casas populares destinadas aos funcionários da prefeitura entre tantas outras iniciativas. 

Foi posto em prática, um projeto de sociedade completamente diferente do que se tinha antes. O prefeito Djalma Maranhão rompeu com a mesmice e os vícios das administrações anteriores. Inverteu prioridades: o governo municipal foi ouvir a população, suas reivindicações e anseios. A educação, por exemplo, assumiu um caráter libertário, desvendando o quadro de injustiças sociais, ao qual estavam inseridas as classes populares. O aluno era preparado para o pensar, opinar, debater e refletir a realidade.

Djalma Maranhão fez da capital potiguar, uma cidade feliz. Sabia ouvir as pessoas e quando era preciso planejar ações administrativas, a população era prontamente convidada a participar. As pessoas sentiam-se agentes de transformação social, úteis à sociedade. Natal tornou-se uma cidade cultural. As manifestações populares tiveram apoio e os folguedos tradicionais prestigiados. O prefeito era um frequentador assíduo das festas juninas espalhadas pela cidade, como também do carnaval, onde ia dançar no meio do povo.

Patenteou seu pioneirismo administrativo em várias frentes: o primeiro asfalto lançado nas ruas da cidade; início à Via Costeira, criando acesso à Praia de Miami (final de Areia Preta); Campanha pela construção do Estádio Olímpico Municipal (no local onde hoje se encontra a Arena das Dunas); declarou de utilidade pública e interesse social, para efeito de desapropriação, terras localizadas em Mãe Luíza e Brasília Teimosa, onde começava a se erguer uma favela. O governo municipal desapropriou a área para não expulsar os favelados e regularizar a situação dos habitantes com relação à ocupação do espaço. 

Djalma Maranhão foi vanguardista em vários aspectos, seja como político diferenciado e gestor competente. E para que sua brilhante administração e o seu nome não caiam no esquecimento é preciso defendê-lo nos debates, nas ruas, escolas, universidades, no parlamento, em todo lugar. Faz-se necessário enaltecer a memória desse raro exemplo de homem público e aprender com sua prática e seus ensinamentos. As denúncias feitas por ele ainda estão de pé, precisam de uma resposta firme e contundente para que possamos começar a mudar verdadeiramente os destinos do nosso país. “Esta tarefa façamos agora, para que não seja transferida para nossos filhos nem para os filhos de nossos filhos”, afirmou Djalma Maranhão. Nada mais atual para a realidade que hoje estamos vivendo.

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Advento: tempo de espera e de alegria
Atualizado: 23:22:36 26/11/2021
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Prezados leitores/as!
Quando virá, Senhor, o dia em que apareça o Salvador?
Iniciamos o Tempo do Advento. É também o início do Ano Litúrgico na Igreja, o Ano C, em que lemos o Evangelho segundo São Lucas, o evangelista da misericórdia. Isso significa que a catequese dará mais ênfase ao rosto da misericórdia divina, “arquitrave que dá suporte à vida da Igreja” (PAPA FRANCISCO. Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, Misericodiae vultus, n. 10, 11 de abril de 2015). 

O Tempo do Advento é tempo de espera, tempo de preparação para a celebração do Natal do Senhor, celebração de sua primeira vinda, acontecida em Belém de Judá, vinda marcada pela Encarnação, em que o Filho eterno de Deus se torna Homem, assume a condição humana, “Ele existindo em forma divina, não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fl 2,6s). Dessa primeira vinda, revestido de nossa fragilidade, está relacionada a virgem de Nazaré, o carpinteiro José, Isabel, Zacarias, os pastores, os Magos do Oriente, Simeão, Ana e, depois, os Apóstolos e todos os discípulos e discipulas, seus seguidores da primeira hora e todos os outros que viveram depois deles. Por isso, no Advento ressaltamos a vinda constante do Senhor na oração pessoal, na Liturgia que celebramos, de modo especial a Eucaristia, pois nela vivenciamos a alegria de sua presença: “Vamos, pois, com alegria, é o Advento do Senhor, para nós na Eucaristia, o Natal se adiantou”, assim se expressava um antigo canto do Advento. O Senhor vem. Nós o encontramos em diversos lugares que se tornam sagrados para nós. Em primeiro lugar, o encontramos na Sagrada Escritura, na Liturgia que celebramos, na comunidade viva na fé e no amor fraterno, nos pobres aflitos e enfermos, na religiosidade popular, em Maria, nos apóstolos e nos santos, conforme nos ensina o Documento de Aparecida (cf. nn. 247-275).

Assim, vivemos na expectativa de seu retorno. Não cabe a nós saber ou especular sobre o dia de segunda vinda. Mas, “revestido de sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos” (MISSAL ROMANO. Prefácio do Advento I). Essa vinda definitiva não deve deixar-nos apreensivos ou acomodados. Pelo contrário, o Senhor já ressuscitou e inaugurou o novo tempo, a plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4) já chegou. Somos chamados a continuar unidos a Ele, procurando viver em sintonia com seu Evangelho e sua vida. Por isso, o tempo do Advento nos imerge numa experiência de espiritualidade marcada pela Estrela de Belém, isto é, pela luz de Cristo que ilumina todos os povos. Viver a espiritualidade do Advento significa encher o coração de esperança, pois, marcados já com o selo do Espírito de Jesus, o Menino de Belém, o prometido de Deus, clamamos: “quando virá, Senhor, o dia em que apareça o Salvador?”. Nossa vida, pertencente ao Senhor, é conduzida para esse momento. E, juntos, como irmãos e irmãs, buscando sempre a comunhão, a fraternidade e com a nossa presença, amorosa e cheia de ternura, vamos caminhando rumo à Pátria definitiva.

Que o Natal do Senhor, para o qual caminhamos com alegria na Celebração do dia 25 de dezembro, encontre nossos corações cheios de vida, cheios de esperança e com o desejo de paz. Sim, o Menino Deus traz a paz aos nossos corações. Que o Advento nos desarme, nos faça ver que somente um coração como artesão da paz poderemos encontrar o Senhor, o Príncipe da Paz, Ele que veio traz a paz, isto é, a salvação de todos.

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Aplausos para Vanessa Nakate
Atualizado: 23:42:16 25/11/2021
Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

No decorrer dos dias da COP26, chamou-me a atenção o ativismo ambiental jovem, o qual, por várias vezes, roubava a cena. Louvo e aplaudo a maioria dos integrantes desses grupos, pois suas presenças e suas vozes são autênticas e transmitem os protestos guardados no âmago de grande parte da população mundial. Se não cremos na palavra e na coragem desses jovens, em quem vamos acreditar? Na abertura da Convenção do Clima, o grito de alerta também ecoou no planeta, quando o Secretário-geral da ONU, o português António Guterres, disse de alto e bom som: “É hora de dizer basta.

Estamos cavando nossa própria cova”. Terminou a Conferência, e pelo que consta na mídia, restou um certo sentimento de frustração. As 196 delegações presentes na Convenção do Clima, diante dos terríveis eventos extremos, a exemplo de incêndios, secas, inundações, ciclones, tufões e muito mais, juraram de pés juntos tudo fazer para limitar o aquecimento global a 1,5ºC, com redução de gases do efeito estufa e de outras ações efetivas. Podemos confiar na verdade dessas promessas?

Volto ao tema principal do texto, a fim de me referir à ativista ugandense Vanessa Nakate, 25 anos, formada em Gestão de Empresas. Nada contra a jovem ativista sueca Greta Thunberg, mas quem brilhou agora em Glasgow foi a simpática africana Vanessa Nakate, cujo semblante tem tudo a ver com grande parcela das mulheres nativas do Brasil.  Com sete anos a mais do que Greta, seus discursos são mais maduros e causam forte impacto. Em matéria da Folha, assinada por Ana Estela de Souza Pinto e Jéssica Maes, li que Vanessa Nakate acaba de lançar o livro “A Bigger Picture”, o qual mereceu o elogio da paquistanesa Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz em 2014. Cristã convicta, Nakate usa argumentos bíblicos em suas falas. Mesmo em momentos tensos, mantém-se calma, controlada e a expressão séria. 

Em 06 de novembro vigente, Vanessa recebeu aplausos de milhares de ativistas, e, dois dias depois, destacou-se em assembleia de lideranças jovens do mundo, a qual contou com a presença do ex-presidente Barack Obama. Em 2020, durante o Fórum Econômico Mundial, em uma foto ao lado de quatro ativistas de pele branca, inclusa Thunberg, a agência Associated Press excluiu Nakate da imagem. Esse fato detonou protestos contra essa forma acintosa de racismo, o que fez a Agência se retratar, bem assim elevou às alturas a fama da jovem líder negra. Um ano depois, ela figurou como uma das 100 mulheres do ano da BBC. A famosa artista norte-americana Angelina Jolie, ativista do clima, que entrevistou Vanessa Nakate para a revista Time, chamou-a de “uma poderosa voz global”. O jornal britânico Financial Times, em recente edição, destacou-a na condição de “celebridade global on line”, afora a honrosa posição de ser capa da revista Time no mês de outubro passado.  Viva Vanessa Nakate!

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O grande desafio
Atualizado: 23:41:31 25/11/2021
Garibaldi Filho                                   
Ex-senador

A crise provocada pela Covid-19 e a busca por superar as dificuldades que a pandemia impôs   tiveram uma discussão qualificada por parte dos palestrantes e debatedores da 39ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Logo na abertura do encontro, realizado no Hotel Escola Barreira Roxa, o reitor José Daniel Diniz, sinalizou a importância e seriedade do assunto, ao apontar que as perdas na educação básica impactarão na superior.

Não há como tratar esses níveis de maneira descolada, alertou o reitor. A evasão é um problema que poderá causar consequências desastrosas, se não forem enfrentadas com cuidado, disse José Daniel. 

Palestras, debates e perspectivas também deram tom do seminário, que abordou o “Futuro da Educação da Ciência no pós-pandemia”.

O evento reuniu, em Natal, nomes como Marcos Vinícius, vice-presidente da Associação Nacional de Dirigentes do Ensino Superior (Andifes); Denise Campos, vice-presidente da Acadêmica da Ânima Educação; e o ex-ministro José Henrique Paim, diretor do Desenvolvimento de Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas.

Apesar dos desafios que foram mostrados, e que precisam ser enfrentados por autoridades e educadores, as declarações do reitor indicam que nem tudo é motivo de apreensão, uma vez que algumas instituições cumpriram seu papel na pandemia. Ou pelo menos atuaram para que a sociedade não ficasse desamparada.

Afinal, como ele informou, a Universidade se manteve e se mantém aberta, contribuindo para o enfrentamento das implicações da disseminação da covid-19. Além disso, o ensino de qualidade foi mantido nestas instituições públicas.  

Isso é algo relevante, uma vez que, como o reitor lembrou, o ensino é o vetor para a redução das desigualdades sociais e econômicas e pode contribuir para o desenvolvimento sustentável de qualquer país. 

O vice-presidente da Andifes, nas suas reflexões, propôs a aproximação da Universidade com o setor produtivo, algo que deve ser estimulado, diante do fato de que as empresas brasileiras precisam da ciência e da tecnologia para que possam inovar e, assim, se tornarem mais  competitivas em um mercada cada vez mais global e com exigências de atualização.

 Por sua vez , a vice-presidente da “Ânima” alertou para o modelo de formação nas Universidades no qual apostamos para um aluno de engenharia. Com isso, destacou que é preciso fazer projeções de futuro para que não sejam formados profissionais obsoletos ou sem as bases intelectuais para as cada vez mais maiores demandas por capacidade inovadora.

Segundo Denise Campos, há necessidade de combinar novas tecnologias com pessoas capazes de usar a criatividade para que  produzam conhecimentos. O foco, disse, é na autoria e na formulação. Essas possibilidades são proporcionadas pela ciência e pela pesquisa.

O ex-ministro Paim afirmou que há necessidade de garantir políticas para que os jovens possam acessar as universidades sob pena de termos uma situação muito grave no Brasil, com profissionais que passam pela instrução formal, mas têm entraves para ocupar as posições que surgem nas empresas e instituições.

Por tudo isso, o “Motores do Desenvolvimento” estimulou reflexões oportunas e destacou informações que devem ser levadas em consideração  por aqueles que são responsáveis pela gestão da educação nos municípios, no Estado e no Governo Federal.

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Os Genocidas III - Mao
Atualizado: 20:54:26 23/11/2021
Tomislav R. Femenick 
Mestre em economia com extensão em história - Membro do IHGRN

Os comunistas chegaram ao poder na China, conduzidos por Mao Tse-tung, o artífice e primeiro dirigente da República Popular da China, nascida da revolução armada promovida na segunda metade do século XX. Em 1911, quando teve início a revolução contra a dinastia Manchu. Mao alistou-se no exército revolucionário onde lutou como soldado, até o nascimento da República da China, no ano seguinte. Em Pequim, quando cursava a universidade, trabalhou na biblioteca da instituição, onde conheceu Li Ta-chao e Chen Tu-hsiu e, juntos, fundaram o Partido Comunista Chinês, em 1921.

Quando os comunistas se aliaram com o Partido Nacionalista, o Kuomintang, para combater os chefes militares que dividiam o país entre si, nas regiões norte e centro do país, Mao desempenhou intensa atividade política no movimento. Entretanto, em 1927, por ocasião da vitória, Chiang Kai-shek (o então dirigente do Kuomintang) quase aniquilou os comunistas. Então Mao, comandando algumas centenas de camponeses, internou-se nas montanhas de Jinggang e iniciou uma luta de guerrilha que se prolongaria por 22 anos. Em outubro de 1934, acossados pelas forças de Chiang Kai-shek, os revolucionários, liderados por Mao, retiraram-se para o noroeste do país, iniciando a “grande marcha”, ocasião em que se firmou como o líder do Partido Comunista chinês. Em 1949, à frente do seu exército, foi proclamado presidente da nova República Popular da China. 

Embora nominalmente aliados, as divergências sino-soviéticas evidenciaram a necessidade de os chineses alcançarem a autossuficiência de produtos até então importados. Então foi criado o plano do “grande salto para frente” (1957-1958). Os camponeses foram agrupados em grandes “comunas agrícolas” e até nas aldeias foram construídos pequenos fornos siderúrgicos, para aproveitar restos de metal. O crescimento industrial e agrícola foi insignificante, mas a consequência foi trágica: desorganização da economia e morte pela fome de 20 a 40 milhões de chineses, até 1962. Estima-se que foi “a pior fome da história”, acompanhada de ondas de canibalismo e de campanhas de terror contra camponeses acusados de esconder comida. O fracasso do “grande salto” obrigou o “grande timoneiro” a fazer autocrítica de seus erros no comando da economia. Mao foi substituído por Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, nos assuntos internos, mas se manteve à frente do exército e da política externa. 

O agravamento da situação fez com que surgisse a mais polêmica das iniciativas de Mao Tse-tung: a chamada “revolução cultural”, destinada a abolir a distância entre o povo e os intelectuais, e a erradicar a burocracia e o revisionismo dos quadros do partido. Os executores da revolução cultural foram os sectários jovens da “guarda vermelha”, que cometeram excessos absurdos, tendo por base as ideias do famoso Livro Vermelho das citações de Mao, uma forma de culto à sua pessoa, organizado por Lin Piao, seu Ministro da Defesa, sendo que a autoria controversa é atribuída a Hu Qiaomu, ajudante de ordem de Mao, por 25 anos. Na realidade, o movimento foi comandado pela Camarilha dos Quatro, todos julgados e condenados em 1980 por crimes contra o país.

Durante todo esse período, os homens e mulheres chineses eram obrigados a usar a chamada “túnica Mao”, único modelo de vestuário, tido como símbolo de unidade proletária.

Calcula-se que as políticas econômicas e os expurgos políticos provocaram a morte de um total de 50 a 70 milhões de chineses. O encerramento da “revolução cultural” foi decretado no IX Congresso do Partido Comunista Chinês, em 1969. Mao continuou governando o país até a morte, a partir de quando suas ideias foram abandonadas e adotadas políticas cada vez mais pragmáticas. 

Atualmente a China é um país sui generis. Política e economicamente se diz comunista, mas na verdade é uma ditadura partidária, comandada por uma oligarquia de dirigentes burocráticos, enquanto sua economia é formada por empresas privadas, estatais e paraestatais, todas seguindo – mais ou menos – as leis do mercado; interno e externo. Hoje é a segunda economia do mundo e a principal parceira comercial do Brasil.

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A 'roda gigante' da eleição de 2022
Atualizado: 20:53:54 23/11/2021
Ney Lopes 
Jornalista, ex-deputado federal, professor da UFRN, procurador federal e advogado

O tempo voa. Gira a roda gigante de 2022. Percebe-se sentimento de apreensão, em relação ao futuro. O Brasil não poderá ser “ilha”, imune de enfrentar os desafios comuns a outras nações. Cabe a indagar como garantir maior confiança, na pós pandemia.

Em princípio, deve ficar claro, que todos caminhos a percorrer serão obrigatoriamente pela via política, nunca da antipolítica. Daí jamais justificar-se distância, rejeição a política, ou aos políticos. Nessa conjuntura, desenha-se a polarização entre o presidente Bolsonaro e o ex Luís Inácio da Silva. A novidade é o ex-ministro Sérgio Moro ter se lançado na disputa, com discurso mais para 2018, do que 2022.

Não se pode negar o prognóstico de que as eleições gerais serão realizadas em cenário de conflitos. A instabilidade atinge o estado de direito, que nada mais é do que o fenômeno político, originário da necessidade de disciplinar o poder, através da lei, com respeito ao princípio da separação dos poderes. Nos últimos anos ocorreram antagonismos entre o governo, o Congresso Nacional e o judiciário.

A viabilização da terceira via está distante. O fiasco das prévias do PSDB colaborou para o descrédito. O “gargalo” é a falta de alguém que assuma o indispensável discurso da “paz nacional e prioridade do social”. Observa-se a crescente radicalização política, na contramão da realidade global, tudo sob o falso pretexto de manter o “teto de gastos” para continuarem intocáveis certos “privilégios fiscais” e negado o direito a sobrevivência das multidões desassistidas.

A propósito, a Câmara dos Representantes americana aprovou um pacote de medidas sociais e ambientais - "Build Back Better" (Reconstruir melhor) -, mobilizando cerca de 1,75 trilhão de dólares (9,76 trilhões de reais), que visa resolver problemas acumulados há décadas e dar aos trabalhadores e à classe média possibilidade de lutar.

Joe Biden quer enterrar 40 anos do consenso de Washington, que se resumiu em desregulamentação, menos impostos, privatizações, e o poder absoluto dos mercados. Como disse o professor Peter Praet “É uma sacudida brutal no sistema que busca causar efeitos imediatos nas vidas dos americanos mais pobres”. O programa assemelha-se ao que Roosevelt fez com o “New deal” e Lyndon B. Johnson com a cobertura de saúde para aposentados e miseráveis. Isso acontece em um país que lidera o capitalismo, acolhe a economia de mercado e não pode ser acusado de “comunista” ou “fura teto”, mesmo diante do aumento do déficit orçamentário em US$ 367 bilhões, na próxima década. 

O Japão é outro exemplo, através do programa multimilionário de 2,7 trilhões de reais, com o objetivo de construir uma sociedade justa, após a pandemia. Entre as metas está a entrega de cheque de 100.000 ienes (cerca de 4.800 reais) a pessoas com baixos rendimentos e outro de valor semelhante por cada criança com menos de 18 anos, objetivando promover o consumo de produtos básicos e arcar com despesas de educação. Aumentos salariais também foram aprovados para servidores públicos, especialmente funcionários de casas de repouso, creches, pré-escolas e assistentes sociais.

Observe-se, que o Japão com esse pacote social assumirá um “déficit” de longo prazo, que é o dobro de sua economia, de cerca de 27,8 trilhões de reais. Nem por isso, o Governo deixou de contar com o apoio do banco central e do Parlamento.

Esses dois exemplos devem inspirar aqueles que irão disputar a eleição de 2022, sob pena da tragédia nacional não ter solução. A sociedade está imbuída do desejo de resgatar a cidadania plena e a solidariedade social, deixando de lado radicalismos inconsequentes de esquerda ou direita, e amenizando os efeitos da complexa realidade atual.

Se vingarão no Brasil tais propósitos de mudanças socialmente consistentes, ninguém pode ainda responder. Os candidatos terão que demonstrar firmeza e segurança, convergindo para uma “pauta de prioridades”, em cuja definição seja obedecido o aforisma bíblico do Apocalipse: “Seja quente, ou seja, frio; não seja morno, que eu te vomito”.

A característica da “roda gigante” eleitoral é que dá em cima e em baixo. Espera-se que em 2022, ela gire para cima e sejam enxergados os horizontes da reconstrução política, social e econômica do pais, com estabilidade responsável e distribuição de renda justa.

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Logro e malogro
Atualizado: 23:37:58 23/11/2021
Valério Mesquita
Escritor

No início de outubro de 2009, após exaustivas e penitentes pressões, o governo do estado alocou quatrocentos e cinquenta mil reais do seu orçamento para a restauração do empório dos Guarapes, em Macaíba. A decisão, logo em seguida, passou pelo crivo do Conselho de Desenvolvimento do Estado. No dia 27 de outubro de 2009, data aniversária da emancipação política de Macaíba, a então chefe do executivo Vilma Maria de Faria, anunciou para uma mutidão a sua providência e solenemente, recebeu a medalha do mérito Fabrício Pedroza. Seguiu-se a expectativa dos procedimentos à cargo da Fundação José Augusto para licitar e pôr em prática o projeto, já pronto na sede do órgão. Em novembro de 2009, a Assembleia Legislativa, através de emenda coletiva de vários deputados, destinou mais quatrocentos e cinquenta mil reais para o orçamento estadual de 2010, objetivando atingir o valor global do custo da obra, calculado pela FJA. Até aí, tudo bem e nada a deplorar. Mas, no início de 2011, a emenda prefalada da Assembleia, foi vetada inexplicavelmente. Não se sabe, até hoje, as razões fundamentais. Ato contínuo, o próprio Poder Legislativo, por 22 x 0, derrubou o veto em março do mesmo ano, justamente por não entender e não existirem motivos para tal ambiguidade. Até a bancada do governo contribuiu para a queda desse veto.

Em abril de 2011, quando o presidente da FJA Crispiniano Neto foi se entender com o secretário da Fazenda e Planejamento para liberar os quatrocentos e cinquenta mil reais do orçamento de 2009 (o primeiro recurso aludido liberado pela gestão anterior), recebeu a contundente resposta de que o dinheiro não foi empenhado, ano passado. Quem enganou ou sabotou: o próprio Planejamento? O CDE? A Casa Civil? Ou a governadoria?

Não sai da memória a noite de 27 de outubro, data da emancipação política - em praça pública -, a homenagem do município conferindo a governadora o “Mérito Fabrício Pedroza”, fundador dos Guarapes e de Macaíba, que antes de 1877, se chamava Coité.

E o que resta, agora, de tudo isso? A pergunta é do leitor que acompanha essa odisséia há anos. A dotação, colocada pelos parlamentares, em 2009, por não ter sido empenhada (Descuido? Esbulho? Má vontade? Não sei. Resta-me dizer, parafraseando Paulo, o apóstolo, que combati o bom combate, continuo resistindo a canseira e ainda guardo a fé que veremos: o empório dos Guarapes restaurado. Não deixarei me abater por esse episódio e nem Macaíba sairá dele humilhada, porque até as pedras da colina dos Guarapes não calarão. A luta continua.

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Os maniqueus de hoje
Atualizado: 23:36:52 23/11/2021
João Medeiros Filho
Padre 

“Não há nada de novo, debaixo do sol”, assevera-nos o Livro do Eclesiastes (Ecl 1,10). Esta frase veterotestamentária lembra o atual quadro brasileiro, marcado por dualismo e intransigências. Estes comportamentos datam desde a antiguidade, ressurgindo sob novas formas em diferentes países e épocas. No Brasil, as eleições terminam, porém os confrontos continuam na mídia tradicional e nas redes sociais. As concepções ideológicas e políticas dividem visceralmente os nossos compatriotas. Segundo o olhar e o pensar dos seguidores de cada partido: de um lado, estão os bons; e de outro, os maus. Essa radicalização não é nova. São como ondas que vão e voltam. Na metade do século III, surgiu na antiga Pérsia o maniqueísmo, teoria defendida por Mani (Manes ou Maniqueu), disseminada no Império Romano. Defendia a dualidade entre dois princípios antagônicos: o Bem e o Mal. Segundo tal pensamento, há uma oposição permanente entre a luz e as trevas. Esses princípios contrários não se unem. A história demonstra que tais ideias tiveram profunda influência quando surgiram, a ponto de Santo Agostinho tê-las abraçado, antes de sua conversão. Após sua adesão ao cristianismo, o bispo de Hipona tornou-se um ferrenho combatente dessa visão de mundo, argumentando que Cristo, ao contrário, pregava a unidade, respeitando a diversidade. “Que todos sejam um, como Eu e Tu!” (Jo 17, 21).

No século XI, os postulados maniqueístas voltaram a ter evidência na França. Revestiram-se das concepções religiosas nas seitas dos cátaros ou albigenses. Periodicamente, o maniqueísmo ressurge aqui e ali, não tanto como doutrina, mas como postura de vida e teoria política. Divide a humanidade em dois grupos que, à semelhança do óleo e da água, se encontram, porém não se misturam. Pregam que o outro deve ser considerado como um perigoso inimigo, pleno de defeitos, portanto, a ser exterminado, a qualquer custo. “O outro é o inferno”, afirmou Sartre. Para partidários de cada corrente, seu raciocínio é o único certo, sábio e verdadeiro, mesmo que muitas vezes se contradiga. A sociedade fica, então, dividida. Quanto mais o adversário fracassar, melhor, pois o “bem” triunfará. É o que está acontecendo atualmente no Brasil, eivado de intolerância e radicalismo, onde pensar e falar diferente é inaceitável e, por vezes, passa a ser criminalizado.

Temos dificuldades em conviver com quem pensa diferentemente. De modo inconsciente ou não, sonhamos com uma sociedade em que todos tenham a mesma religião, idêntico partido político e modo de pensar. Os sistemas totalitários, de direita ou de esquerda, alimentam-se dessa utopia e constroem projetos para torná-la realidade. Conviver harmoniosamente é difícil. Entretanto, “Homem algum é uma ilha”, escrevera Thomas Merton, intitulando um de seus livros. Se vivêssemos totalmente isolados, tendo tudo o que é necessário à nossa disposição, seríamos terrivelmente egoístas e pobres. O divergente e o contraditório nos enriquecem, levando-nos a um melhor autoconhecimento e crítica. 

Todavia, os maniqueus não admitem seus erros. Consideram-se infalíveis e irretocáveis, por isso incapazes de dialogar, tornando-se impositivos. A convivência requer respeito, escuta do próximo para o amadurecimento, a partir das maneiras distintas de ver o mundo e a vida. Cristo agiu dessa forma, interagindo com todos, sabendo conviver com os oponentes. Transigia e mostrava-se aberto ao diálogo, indo na contramão da mentalidade reinante de seu povo. “Como é que tu, sendo judeu, pedes água a uma mulher samaritana?” (Jo 4, 9). Esta frase revela o radicalismo dos contemporâneos de Jesus. Já imaginaram quão monótono, deprimente e triste seria um mundo feito apenas de robôs? Os dias atuais mostram-nos que o maniqueísmo continua vivo e atuante. E, como todo “ismo”, é ideológico e empobrecedor. Segundo a teologia católica e os clássicos parâmetros epistemológicos, Deus é trino, diverso e plural. Somos os seus filhos e não devemos ser e agir de outra maneira. A primeira Carta do Apóstolo Paulo aos coríntios é o hino da diversidade em função da harmonia e do bem comum. O Criador não quis a uniformidade, mas “a unidade na diversidade”. É o que se infere da metáfora bíblica: “Na verdade, há muitos membros, mas um só corpo” (1Cor 12, 20).

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