Astrologia de 2022
Atualizado: 00:24:52 27/11/2021
Vicente Serejo
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Há uma pergunta que mesmo antes das pesquisas recentes já se arrastava como cobra pelo chão, para repetir o verso da canção popular: qual seria, afinal, a composição mais eficiente para a governadora Fátima Bezerra? Chapa puro-sangue, ela para o governo e o senador Jean-Paul Prates para senador, como se bastasse repetir a fórmula de esquerda de 2018? Ou uma solução capaz de atender às novas circunstâncias e movidas por evidências que ninguém pode renegar? 

A candidatura da governadora já venceu a prova dos nove. Pode não conquistar o segundo mandato, mas é um produto pronto para a luta. Do seu lado, está o senador Prates que, se invoca o direito legítimo de só desejar continuar senador, não oferece as qualidades de força ideais para carimbar o espaço como se fosse inamovível. Em faixa própria, o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves e seu inegável capital eleitoral em nome do PDT, forte sigla de oposição a Jair Bolsonaro. 

Submetidos aos contrapesos, há prós e contras. No passado, Fátima e Carlos foram aliados e em 2018 confrontaram-se para o governo, luta da qual Fátima saiu vitoriosa e a Carlos, entre a sofreguidão e o oportunismo, restou assumir a bandeira bolsonarista no segundo turno. Apurados os votos, Fátima aumentou a maioria sobre Carlos. Ela, garantida por uma votação consagradora no interior; ele, mantendo seu acervo em Natal, como apontam as pesquisas realizadas até hoje. 

As projeções apontam para previsões pouco alvissareiras de candidaturas solitárias, tanto de Carlos, como de Fátima. Isolados e sem alianças, os dois enfraquecem. Carlos não tem sequer como disputar o Governo ou o Senado sem uma boa companhia de chapa. E Fátima, por sua vez, pode pagar um preço elevado se deixar do outro lado uma parte nada desprezível do eleitorado natalense, simpático ao ex-prefeito que durante cerca de dez anos foi o gestor da vida natalense.  

Resta saber, a essa altura, se o tempo terminará por aparar as arestas pessoais para livrar dos pruridos as relações deles dois. Neste caso, se Fátima e Carlos construirão, de fato, uma ponte para 2022. O jogo político tem bônus e ônus: pode colocar um mandato de oito anos nas mãos de Carlos e fazê-lo candidato natural à sucessão de Fátima; como pode ameaçar a reeleição de Fátima, o que seria correr o grave risco de sepultar a única liderança hoje no campo progressista.  

A análise, ainda assim, não exclui uma verdade de peso em favor de Fátima, bem acima do tal plano local: a força de Lula, candidato a presidente. Um fenômeno que deve demonstrar grande capacidade de aglutinação, principalmente no Nordeste. O PT será o polo de oposição a Jair Bolsonaro ou a quem substituí-lo. Um ícone que volta, agora enriquecido e purificado pelo martírio da prisão e a saudade de quem deseja vê-lo de volta, dois fortes temperos do populismo.   

ALVO - Na visão de um jurista consultado por esta coluna, foi certeira a decisão do conselheiro Carlos Thompson ao suspender o aumento dos vereadores. Se for contestado, o vexame será pior.

FÁCIL - Cumprida a fase de debates com a sociedade e aprovado nas comissões, o Plano Diretor será aprovado facilmente pela Câmara. Mas, uma vez sancionado como lei, o MP pode contestar. 

BISPO - O padre José Valquimar Nogueira - foi secretário particular do cardeal Eugênio Sales - pode ser nomeado bispo. As mitras da província eclesiástica sabem: seu nome está no Vaticano. 

ALIÁS - As boas fontes clericais apontam dois postos possíveis: bispo auxiliar da Paraíba ou o bispo de Crateús, no Ceará. Um dia Valquimar pode ser o arcebispo de Natal. Ninguém duvide.  

LIVRO - “Escravidão no Rio Grande do Norte - produtos didáticos para o ensino da História”, acaba de ser lançado pelas professoras Juliana Teixeira Souza e Margarida Maria Dias Oliveira. 

ACESSO - A edição é virtual, da editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com acesso livre para professores, estudantes e leitores. Para imprimir, basta apenas acessar a Edufrn. 

BAOBÁ - No lançamento da edição de ‘O Pequeno Príncipe’ para crianças, dia 15 próximo, no Baobá da Rua São José, Haroldo Mota vai distribuir trinta mudas de Baobá. Para festejar a vida. 

MAIS - Como incentivo à leitura, Diógenes da Cunha Lima, parceiro na edição, distribuirá trinta exemplares com alunos de uma Escola de Parnamirim. Tudo de tardinha, já sem o calor do verão.   

SONHO - É bom que a governadora Fátima Bezerra venda otimismo com o futuro da economia do RN. Está no seu papel. Mas, quem olhar de perto o ranking da revista ‘Exame’, perde muito dessa expectativa. O RN é um ausente de todos os nichos de negócio pesquisados pela revista.    

ÁREAS - O ranking da ‘Exame’ cobre as áreas da educação, agropecuária, mercado imobiliário, comércio, indústria e serviços. Em frutas, por exemplo, a estrela é Petrolina (em Pernambuco), Barreiras e Juazeiro, na (Bahia). E o critério é a eficiência na imunização contra o Coronavírus.  

LIÇÃO - “É hora de abandonar o hábito ancestral de competir em vez de colaborar, de acumular em vez de compartilhar”. A frase é do neurocientista Sidarta Ribeiro, professor da nossa UFRN, ao abrir seu novo artigo para a revista Time. Sidarta é hoje a grande marca internacional do RN. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Da intolerância, ainda
Atualizado: 23:11:09 26/11/2021
Vicente Serejo
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Ninguém duvide, Senhor Redator, do olho de JLM. Os invejosos, geralmente muito rasos, diriam que o mérito é da sua memória. Não é. Conheço-o há anos e já provei, várias vezes, do seu calibre de leitor. Não se deixa levar pela vaidade. Seu e-mail tem as mesmas iniciais da sua assinatura. Uma vez, numa armadilha que imaginei, deixei um livro para ele aqui, na portaria do edifício. Veio um motoqueiro e perguntou pela encomenda do ‘Dr. JLM’. Recebeu se foi. Calado. 

O nariz de cera é pra dizer que JLM não fez por menos e cobrou que na crônica de ontem o cronista não tenha feito menção à ‘Carta sobre a Tolerância’, de John Locke, aquele que viveu entre 1632 e 1704. JLM é um defensor do liberalismo que tem como um dos pais o inglês John Locke, daí ter sido imperdoável a omissão. Não tem aqui a grande edição portuguesa à qual se refere JLM, da Contraponto. Só uma edição comum, de bolso, da Hedra, São Paulo, publicada em 2009.

Ainda assim, caro JLM, a pobreza não é tão grande. Aqui estão diante dos olhos: a ‘História de la Intolerancia na Europa’, de Italo Mereu, edição da Paidós, Barcelona; ‘A Intolerância’, a reunião das conferências do ‘Foro Internacional sobre a Intolerância’, promovido pela Unesco na Sorbonne, Paris; e uma hoje tão esquecida edição do ensaio ‘Da Intolerância’, de Michael Walzer, professor norte-americano, para quem a intolerância vai além de uma simples reação individual. 

Relaciono não porque JLM precise saber, imagino, mas para mostrar o desejo de conhecer as artimanhas da intolerância. É bom para treinar os olhos e os ouvidos, afinal é sempre precavido não perder de vista a intolerância como uma manifestação artificial, inventada para servir ou para ser útil, tanto pior.

Locke queria os homens regulados pelas virtudes da fé e da piedade, mas tenho lá minhas dúvidas se ele não sabia da fraqueza humana para enfrentar o poder, o pecado e o vício. 

Aliás, é por temer mais aos intolerantes do que à própria intolerância, que guardei até hoje as páginas de um ensaio jornalístico de Nirlando Beirão que faleceu ano passado, vítima de um câncer. Ao escrever sobre a caça às bruxas, hoje tão vulgarmente praticada no Brasil, Beirão já chamava a atenção para a torpeza que é constatar que “a intolerância triunfa sobre a razão com o aplauso do público”. O que fazem os arautos das redes sociais, anônimos ou não, todos os dias?

Não é por outra razão que o norte-americano Michael Walzer, o letradíssimo professor da Universidade de Princeton, defende o sentido igualitário da democracia. Para ele, a tolerância só é possível nas democracias de verdade, nunca nas filhas bastardas do marketing político. É tanto que não teme afirmar que “a tolerância sustenta a própria vida, porque a perseguição, muitas vezes, visa à morte”. Ele tem razão: só a tolerância torna a diferença possível. Era só, JLM. E até amanhã. 

AVISO - Mesmo que as declarações do deputado Getúlio Rego, médico e com mais de trinta anos de Parlamento, não vençam a blindagem petista, é uma gravíssima revelação sobre a saúde no RN. 

PIOR - A baixa gestão petista - não faltaram recursos federais e estaduais - não foi capaz nem de esvaziar os corredores do Walfredo Gurgel. Gestão sem garra, sem ousadia e sem marca própria.  

PETISMO - O PT avalia mal aquilo que os seus parlamentares criticaram anos e anos: os efeitos do Walfredo Gurgel como forte caixa de ressonância na formação do processo de opinião pública.  

HUMOR - Celina Muniz, da UFRN, estudiosa do humor, autografa amanhã, sábado, das 9h ao meio-dia, no Sebo Vermelho, o novo livro, “A Pauta é humor”. Veríssimo de Melo é um dos temas. 

SERÁ? - Pergunta à Secretaria da Educação do Estado: é verdade que cerca de 60% das escolas de ensino fundamental e médio estão com suas validades vencidas no governo de uma professora?

VEJA - Que o homem lidera o rol dos primatas, ainda que muitos saibam ler e escrever, disto já se sabia. Mas, que, em estado de ira absoluta, é capaz de morder os testículos do outro, é inédito.

QUEM - Donovan Salvato é lutador de MMA e a reação foi vista como crime bizarro. Não seria tão grave se tivesse sido apenas uma mordidela. No máximo, assédio. E se a vítima não gostasse. 

ALIÁS - Por falar em bizarrice: muito mais ilógico é ser contra o carnaval de 2022 e favorável ao Carnatal, ‘o maior do mundo’ nos próximos dias. Líderes sem coragem não são líderes. São chefes.  

SINAIS - Nas discretas chaminés das mais bem informadas sacristias, nas boas terras de Santa de Luzia, uma fumaça branca vem sendo traduzida como um sinal de mudanças importantes. Do bispo Dom Mariano Manzana ao vigário geral da Diocese, o padre Flávio Augusto Forte Melo.  

COMO - Dom Mariano está próximo a atingir sua idade-limite de 75 anos, quando passará a ser Bispo Emérito, o que deve ocorrer em 2022. Padre Flávio pode ser nomeado Bispo Diocesano de Caicó. No mundo das cabeças coroadas tudo pode e não pode, sob o santo calor da chama votiva.

ALIÁS - Nas terras da Senhora Santana alguns colarinhos clericais esperam uma substituição do bispo Dom Antônio Carlos Cruz. Estaria sendo deslocado para ser bispo coadjutor da Diocese de Itaguaí, Rio. Um novo bispo, e se for um seridoense, agradaria muito ao povo de Deus no Seridó.

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Da intolerância
Atualizado: 23:34:29 25/11/2021
Vicente Serejo
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Tenho resmungado, comigo mesmo, embora, às vezes, também neste mesmo canto de página, da intolerância que vem tomando conta do mundo. Virou uma pandemia e, no Brasil, exacerbada pela direita que depois de ficar anos calada pela pobreza de líderes, botou seus ódios de fora com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. Os sectários, acima das ideologias, não enriquecem em nada o debate político. Os polos discutem ideias, mas os extremos, quase sempre, vomitam estrupícios. 

A livre circulação de ideias, pensamentos, palavras e gestos são condenados ao linchamento das redes sociais e assim vamos perdendo a capacidade do debate saudável. Vivemos uma era feita de olimpíadas de confrontos. Tudo é motivo de disputas jurídicas, de condenações ou prisões. A palavra virou instrumento desmedido de ataque e a liberdade banalizou-se, a ponto de perder-se por motivos fúteis. Prisão virou vingança e o exercício da lei uma forma solene de poder absoluto.

Andamos tão assim, desumanizados, que há poucos dias a juíza da Segunda Câmara de Direito Público, Celina Kiyomi Toyoshima, negou recurso da Mitra Arquidiocesana de São Paulo pedindo que fosse permitido a cada igreja tocar seus sinos de acordo com a tradição de séculos. Não! Bradou, em sentença, a magistrada. A lei impõe o limite improrrogável de sessenta segundos, ou seja, um minuto, e é assim que a Mitra deve recomendar aos vigários e párocos de São Paulo. 

Aliás, por tocá-los livremente a Arquidiocese de São Paulo já foi multada em R$ 36,5 mil reais que a Justiça argumentou não poder dispensar. Ora, ora, fiquei pensando comigo mesmo naquelas badaladas no clamor glorioso da Sé de São Paulo, cercada por uma multidão, no histórico comício das Diretas, pedindo que a liberdade abrisse as asas sobre nós. Já esquecemos? Somos ingratos historicamente e reduzimos os sinos a um simples barulho que os vizinhos não suportam? 

Os tempos são outros e, nesses outros tempos, não vale mais a beleza do poema de Antônio Nobre, o poeta de ‘Só’, seu único livro que tem aqui em algumas edições, uma delas rara, da Livraria Tavares Martins, Porto, 1968, numerado e com o timbre dos herdeiros do poeta. É tão bonita no seu couro clássico que vê-la é ter o ímpeto de roubá-la e é muito natural. Tem aquele aviso, assim: “... tende cautela, não vos faça mal... que é o livro mais triste que há em Portugal”. 

Lembro ‘Os Sinos’, de Manuel Bandeira, no ritmo sonoro badalando no poema. Os sinos humildes de Santa Tereza, no tão pequeno poema de Zila Mamede e que Bandeira e Drummond incluíram na antologia dos quatrocentos anos do Rio. Como esquecer os dois artigos do padre João Medeiros Filho lembrando que sinos são anunciadores do Ângelus, e recomendados pelo Direito Canônico? E o belo aviso de Oswaldo Lamartine - “Os sinos são a voz da alma?” Tristes tempos...

ESTILO - Causou estranheza o comunicado do deputado-coronel André Azevedo de que não vai presidir a CPI da Arena das Dunas na mais importante reunião que é a aprovação do seu relatório. 

MISTÉRIO - Na opinião de um dos membros da CPI, o coronel alegou marcar cirurgia, mas sem qualquer caráter de urgência. Agora só uma CPI da CPI para se saber a razão verdadeira do gesto.

ANTES - O coronel teve posição de firmeza quando foi ao Tribunal de Justiça, com Mandado de Segurança, para garantir a CPI, quando esta foi engavetada pela Assembleia. Ao contrário de hoje.   

ADEUS - Jovem romancista e contista, nascido em 1980, Renato Essenfelder lança o primeiro livro de crônicas pela ‘Arte & Letra’, de Curitiba: ‘Ninguém mais diz adeus”.  E a crônica resiste.   

VALEU! - Os dias macios são assim: chegam de Portugal, onde vivem, sobrinhos queridos como Williams Nunes e Gina. Com livros, jornais e revistas. E a vida fica animada para os tios setentões.

INOVA - O mercado virtual fica 24 horas no ar. Por isso, a Estante Virtual lança a oferta do Black Friday: livros bem abaixo do preço de mercado, se comprados entre meia noite e cinco da manhã.  

AGENDA - O procurador Anísio Marinho Neto lança dia 7, na Ampern - Amintas Barros, 4175 - seu livro ‘Tribuna & Holofotes”. Na capa, no bronze solene, a figura de Themis, Deusa da Justiça.  

POESIA - Do poeta Márcio Simões, versos iniciais do poema ‘Conversão’, que sabem flagrar o falso nessa vida real: “Conheço tanto do fastio do sábio / quando provo da satisfação do simples”. 

AVISO - A Áustria, ícone do primeiro mundo, em lockdown, temendo a quarta onda da pandemia e a contaminação volta a crescer no Brasil. Natal anuncia que entre 9 e 12 de dezembro Natal terá o “maior carnaval fora de época do mundo”. A quem vamos cobrar, juridicamente, pelo controle? 

NADA - Duas verdades, assegura uma fonte de governo: Cipriano faz uma gestão burocratizada na pasta da saúde, mas que uma justiça seja feita: nada tem com a decisão do governo participar do Consorcio Nordeste e de transferir os recursos. Se a CPI for por ai, não vai encontrar culpa sua.

ALIÁS - A mesma fonte chega a afirmar que o silêncio de Cipriano Maia servirá muito mais para proteger o governo do que a ele mesmo. Se houve o uso de recursos federais para pagar folhas de pessoal, a lei já permitia esse percentual de livre aplicação. E o Tribunal de Contas já sabe disto. 

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Do quão
Atualizado: 00:31:27 24/11/2021
Vicente Serejo
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Homenagem a Olavo Bilac

Homenagem a Olavo Bilac


Não sei dizer, Senhor Redator, se foi Cronos, o deus quantitativo do tempo, ou se Kairós, o deus qualitativo, aquele que sabe as horas oportunas de todas as coisas. Um deles protegeu a mim, o acusado de ser um parnasiano ultrapassado, e colocou outra vez na vitrine estilosa das palavras da moda o uso do ‘quão’. No passado, foi um sonoro advérbio de tempo a adornar a escrita e a fala e que vivia na forma de ‘quam’ nos verbetes de dicionários do português arcaico. 

O poeta Jarbas Martins, um dos melhores da tribo, muitas vezes, em seus artigos e falas, taxou de parnasiano o estilo deste cronista. Disse a verdade, mas foi injusto quando pareceu insinuar que este escrevinhador de jornais temia assumir o estilo passadista. Meu pai gostava de sonetos parnasianos, cantantes e sonoros, daí o jeito impossível de ser moderno, ainda que nem assim seja eterno, só para lembrar o verso célebre do poeta Carlos Drummond de Andrade. 

Venho acompanhando a redescoberta do ‘quão’ e sua nova glória, mas até agora as suas aparições não haviam assanhado esta alma setentona e comedida. Li em alguns artigos, aqui e ali, e ouvi algumas poucas vezes saindo da boca de comentaristas e repórteres de tevê. Ia indo bem, como se diz, de alma apascentada, quando dei de cada com um ‘quão’ no título do artigo de Tatiana Prazeres, senior da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim.

Ora, Senhor Redator, foi muito. Não pude mais ficar quedo e calado. Era a hora certa de fazer a defesa do meu tão humilhado gosto condoreiro, bem filtrado em versos alexandrinos, luminosos e cantantes, como a primavera. Por isso vou à luta, fazendo este registro que, se não bastar aos meus acusadores, bastará a mim mesmo, eu que vivi esses anos todos sem merecer do mundo o menor realce, mesmo amando as palavras e a elas devendo a própria sobrevivência.

Então, fica posto que não há palavra antiga que não possa voltar a ser moderna. Basta ir buscá-la em algum lugar da memória, afinal nunca renegam o seu passado. Vivem hibernando umas e dormitando outras, nas páginas dos dicionários antigos e novos. Quando li o título do artigo de Tatiana Prazeres - ‘Quão confucionista é a China hoje?’ - senti um alívio justo e merecido, até pelo renascimento de Confúcio na revalorização de suas lições de autoconfiança.  

Foi bom que depois de tantos usos por comentaristas e articulistas locais, saísse de uma ‘senior fellow’ um ‘quão’ assim, solenemente posto no alto da página da Folha de S. Paulo, para tratar das coisas importantes do mundo. É verdade que na velhíssima China ainda impera o velho Partido Comunista. Hoje vale a riquíssima China que depois de uma revolução cultural não renegou o passado para ser uma das maiores economias do mundo. Quão eterna é a China!  

ESTILO - De um deputado estadual tucano que não quer botar o bico de fora: “Nós chegamos a um ponto tão ridículo que não sabemos se somos governo no Estado e oposição em Brasília”.

ASSIM – Aqui, os tucanos apoiam a governadora Fátima Bezerra, do PT; em Brasília, bem ao contrário da posição nacional, nossos tucanos apoiam o ministro Rogério Marinho ao Senado. 

MÉRITO - Fez muito bem a Câmara Municipal de Natal ao conceder o Mérito Elino Julião a Terezinha de Jesus. Foi a cantora que pioneiramente abriu o mercado do show para as mulheres. 

TUCANAGEM - Risível, para não dizer ridículo, o espetáculo protagonizado pelos tucanos na prévia para escolha do candidato da sigla a presidente da república. Eles são traidores entre si.

BRASIL - Somos uma terra de contrastes, já dizia Roger Bastide. O novo feriado nacional, 13 de março, é data de morte de Irmã Dulce, a santa brasileira. E não a do nascimento, 13 de maio.

ERRO - O cronista, vítima do alemão chamado Alzheimer que certas noites aparece para uma visita, grafou ‘Lima’ no lugar do legítimo ‘Cabral’ de Daniel, novo secretário de comunicação.

COMO? - Nosso Lula da Silva salta das suas estranhas certezas e compara os dezesseis anos de Angela Merkel no poder com os dezesseis de Daniel Ortega. Sem medo nenhum do inferno.

BABA - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando o olhar gordo do vaidoso babando na própria e esfarrapada fantasia de jacaré engomado: “O ridículo denuncia o falso”. 

INVISÍVEIS - O tema do Enem sobre os brasileiros sem identificação foi inspirado no livro ‘Invisíveis’, da mossoroense Fernanda da Escossia, filha e neta de jornalistas de Mossoró. Ela é casada com o jornalista Mário Magalhães, autor da biografia de Mariguella e que virou filme. 

VAREJO - Dizia dia desses, entre uma estante e outra da livraria do Campus, um bem treinado nas lides petistas do território acadêmico: “Hoje a governadora Fátima Bezerra paga o preço de um tempo atravessado nos últimos dois anos por uma pandemia que jogou o governo no varejo”.

MAIS - Segundo o petista, aposentado da UFRN, o prefeito Álvaro Dias aproveitou melhor o enfrentamento da Covid, como ação de governo, do que a governadora que aceitou uma gestão burocratizada: “A luta contra o Covid, é inegável, acabou sendo um mérito pessoal do prefeito”.   

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Gosto, desgosto
Atualizado: 16:36:53 23/11/2021
Vicente Serejo
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Reprodução


Sentir um gosto bom, é muito bom. Posto assim, Senhor Redator, parece um pleonasmo, mas é só realce. O gosto agradável facilmente inunda o céu da boca, por isso é um céu, mas logo depois se dissipa, lentamente, até desaparecer. Já com o desgosto não é a mesma coisa. Não é só como se fosse uma sensação passageira. O desgosto fica. Cria raízes. Envelhece. Até a gente notar então que faz parte da própria história da vida e, finalmente, que é impossível desfazer-se dele.

Os tocados pela grandeza humana, e são poucos, não deixam que o desgosto se transforme em rancor, lança em riste espetando a alma. Para dizer melhor: alguns adormecem a fera até que o tempo amanse a memória. Mas, às vezes, não. Às vezes, é difícil amansá-la, mesmo que pareça dócil no seu jeito dorminhoco e pachorrento de gastar o tempo. Principalmente quando feriu e o ferido de verdade não merecia. O desgosto, às vezes, fica para sempre - um gosto amargo na boca. 

Quem fere, fere e esquece. Ou, tanto pior, faz do gesto de ferir um prazer que, se não chega a ser mórbido, escava bem nas terras nobres do coração. O amor é frágil, Senhor Redator, mas não se engane com a sua fraqueza na forma do desejo ou do querer bem. Uma palavra ou um silêncio e a chaga se abre como uma ferida. O desgosto, se é possível comparar, é como uma mágoa suave, uma tatuagem que não vai além do seu desenho indolor sobre a pele, mas é o aviso que não fala. 

A raiva é sempre ruidosa, não tem a dignidade silenciosa do desgosto. Não se deixa levar pelos dedos finos e suaves dos amavios. Não é rancor. Sabe que a vida sofreu um assalto à mão armada, na espreita de uma esquina. Os magoados sabem que a vida tem muitas esquinas e que é inevitável topar, cara a cara, com o desgosto. Ora, como a raiva passa e o desgosto não, o jeito é deixá-lo quieto num canto da alma, adormecê-lo, como se ele fosse apenas uma mágoa menor. 

É ruim transformar a vida numa contabilidade rancorosa, com um livro-caixa, relação de débitos e rol de haveres. É verdade, o perdão é egoísta e por isso só faz bem a quem perdoa. Mas, se por acaso não for possível perdoar porque doeu demais e a carne da alma guarda a memória da dor, então é deixar que não vire um desassossego. Mesmo que fique ali, pregado no rosto de quem feriu. Ferir não pode ser um vício. Ninguém tem direito de ferir de novo a quem já feriu uma vez. 

Cada vivente arrasta nos próprios olhos, quando não escondidos no mais íntimo da alma, gostos e desgostos. Os rancorosos, não. Ostentam como um colar de pérolas, enquanto aqueles vivem como se tivessem guardado tudo numa cômoda de família. Cada um sabe viver o gosto, o desgosto, a mágoa e o rancor e transformá-los em coisas passageiras que em vão tentaram ferir a pele da tolerância. Ou não. Os desgostos, às vezes, adormecem, mas seu gosto sempre será amargo.  

VÍCIO - Para os petistas, as pesquisas erram: a governadora Fátima Bezerra não sofre desgaste na reprovação do nome e na desaprovação do governo. O poder quando não cega, faz nascer antolhos.  

FESTIVO - Os festivos tucanos potiguares chamaram a atenção de Brasília nas prévias do PSDB. Só pode: todos estavam de camisetas iguais, agitavam bandeiras e gritavam o nome de João Dória.  

RETRATO - Pelas pesquisas, a direita parece firme ao lado de dois nomes: o deputado e general Eliéser Girão; e o deputado André Azevedo, coronel da PM. A direita aqui tem chefes e não líderes.    

FIM - O gesto da governadora Fátima Bezerra ao garantir a autonomia institucional e orçamentária à Universidade Estadual, UERN, põe um fim ao risco de fechar que ressurge a cada peleja eleitoral.

FEDERAL - O melhor destino teria sido, à época, a fusão com ESAM na criação da Universidade Federal do Semiárido pela mesma origem: são duas instituições nascidas da luta dos mossoroenses.

HISTÓRIA - Estadualizada pelo então governador Geraldo Melo, a UERN encontra, na decisão da governadora Fátima Bezerra, a sua perenidade. A educação não é despesa. É um investimento.    

MODA - A casa de Cascudo foi o cenário de lançamento da ‘Coleção Incelença’ que representa o RN nos desfiles do São Paulo Fashion Week. Tema é o resgate de rendeiras e costureiras do Seridó. 

BANHO - As  185 crônicas de Antônio Maria - 135 inéditas em livro - da antologia ‘Vento Vadio’, consagram um dos maiores cronistas líricos do Brasil nos seus cem anos de nascimento, em 1921.  

AVISO - É sempre muito bom um governo incorporar ao seu acervo uma experiência profissional consolidada. É o caso da nomeação do jornalista Daniel Lima para secretário de comunicação. É sempre muito ruim um governo jogar na comunicação erros e omissões que comete. Eis a questão.  

CANTO - Quem consultar as primeiras páginas dos jornais do Rio Grande do Norte, nas últimas décadas, verá o falso milagre das estatísticas. Saímos bem em todos os números, mas o desfecho é o fracasso. Perdemos para o Piauí e hoje estamos disputando o lugar de lanterninha com o Acre.    

HUMOR - De um doutor aposentado, mas escolado, do tipo que conhece o jogo dos sabidos como se fossem sábios: “Edgar Morin, em cem anos de vida, resistiu aos críticos na França e no mundo. Mas, aqui, acabou virando o Alan Kardec de uma nova seita religiosa e exótica, a ‘Complexidade’.     

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Da ansiedade
Atualizado: 12:22:10 20/11/2021
De vez em quando leio nos jornais que a ansiedade é o mal deste terceiro milênio. O lugar que o medo encontrou para esconder suas garras. E não precisei da ciência - que não tenho - para descobrir. Aqui, nas fraldas desses morros, nos quintais humildes das casinhas que se acocoram encostadas umas nas outras, como se cansadas de vidas tão difíceis, tem um galo ansioso que canta antes, muito antes dos outros, como se chamasse o dia com medo de que a noite não tenha fim.
Arquivo TN

Deve ser coisa do destino dos que dormem cedo e acordam mais cedo ainda, como se fosse imprescindível o silêncio da noite. Depois - pra que negar? - nasci com o defeito de não acreditar muito em heróis. Sempre preferi os loucos e os bêbados por uma razão: nos delírios é que encontrei a verdade. A lucidez serve aos que se julgam normais. Só os loucos e os bêbados sabem que a vida vai bem além do apenas real e que a embriaguez é o jeito mais humano de se enfrentar a realidade. 

Não desfaço da lucidez, mas tenho medo. Os lúcidos desafiam a vida nos seus mistérios mais íntimos e não sei se é bom compreender tudo tão lucidamente. Sempre acho que é mais seguro deixar um espaço para nele acomodar todas as coisas que não compreendemos. Não posso, depois de tantos anos lidando com as notícias da vida real, acreditar em verdades inquestionáveis. Mesmo que não se possa, por suposto, duvidar de tudo, o tempo sempre ensina a esperar pelo inesperado.

O medo, se hoje vive nas dobras da ansiedade, segundo a ciência e as dúvidas, por sua vez, não moram longe. Tenho impressão que vou morrer sem pensar nas coronárias todas as vezes que passo pela frente de um hospital e, sob um desenho do músculo cardíaco, leio aquele aviso que diz: ‘Urgências do coração”. Não descuido de sabê-lo sob o risco das gorduras que entopem suas artérias, mas não acredito que o eletrocardiograma seja capaz de notar todas as dores do coração. 

Ainda menino, conheci um rapaz, quase vizinho de parede, que todos da vizinhança diziam ser aluado. Vivia, de manhã e de noite, como se dirigisse um carro imaginário. Parecia, pelo jeito, um caminhão, pela dificuldade das suas manobras. Ia e vinha, freava com vigor, dava ré e depois seguia mais à frente, imitando o som do motor resfolegando nas ladeiras. Viciado na cânfora do unguento, dizia morar no planeta Vapohub e era para lá que ele viajava no seu caminhão invisível. 

E tinha um senhor que vencia os sábados nas espumas da cerveja até a lucidez transbordar. E voltava para casa, meio trôpego, olhos tristes, quando a tarde já ameaçava cair no mar que víamos do alto das nossas pequenas casas. Era botafoguense de uma fidelidade sem mácula. Mas, se por acaso provocassem o orgulho escondido na alma, respondia, solene: “Eu sou eu, fora o meu cargo na magistratura”. Tão simples, tão humano, ele só era humildemente vaidoso de ter sido escrivão...

PALCO

RAZÃO - De um prócer governista: “A solidariedade petista e o baixo amor-próprio do médico Cipriano Maia justificam sua permanência na Secretaria da Saúde. O desgaste foi muito grande”. 

ALIÁS - O prócer, com anos de política, foi fundo: “É o medo que afugenta os nomes da oposição. Quem tem mandato, tem medo de perder. Quem não tem, foge da derrota como o Diabo da cruz”.  

BENTO - A natalense Ana Maria Cortez, que há cerca de quarenta anos reside em Paris, onde é professora universitária, tem um livro inédito sobre a vida e obra do crítico de arte Antônio Bento. 

VALOR - Considerado um dos maiores nomes da crítica modernista, contemporâneo da Semana de Arte de 22, Antônio Bento é autor dos maiores estudos, até hoje, sobre Portinari e Ismael Nery. 
ÍCONE - Foi Antônio Bento que hospedou Mário de Andrade no Engenho Bom Jardim e foi lá que Mário conheceu o cantador Chico Antônio, redescoberto, décadas depois, por Deífilo Gurgel.

HORA - Diante dos 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, a biografia de Antônio Bento bem que merece o apoio do governo para ser publicada. Uma tarefa para a Fundação José Augusto.  

AQUI - Por falar em Paris, que está de volta à sua casa, posta bem no alto da Rua da Misericórdia, vizinha do Potengi, é a filósofa Monalisa Carrilho. Depois de mais de um ano no pós-doutorado.  

GESTO - A Federação do Comércio, através da área cultural do Sesc, patrocina, dia 15 próximo, o lançamento da edição especial para leitura infantil d’O Pequeno Príncipe. À sombra do Baobá.   

CAMARIM

FERVURA - Começa a ferver o caldo no Ministério Público para a escolha de lista sêxtupla que deverá ser reduzida a uma lista tríplice, no Tribunal de Justiça, para substituir a desembargadora Judite Nunes que atinge sua compulsória nesse dezembro que já começa dentro de mais dez dias. 

CALDEIRÃO - Nenhuma fonte nega as chances reais do procurador Fernando Vasconcelos de sair na lista sêxtupla, mas só terá chance de ser o novo desembargador quem encabeçar a lista tríplice a ser eleita pelo Tribunal de Justiça, se for mantido o estilo da governadora Fátima Bezerra. 

IMPASSE - Vasconcelos tem um currículo de trabalho no Ministério Público, desde quando foi promotor, procurador e chefe da procuradoria. Contaria com a simpatia pessoal da governadora que até hoje manteve o crivo de respeito ao mais votado. Inclusive nas eleições internas do MP.
O monstro
Atualizado: 00:36:48 20/11/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Cedida


Luiz Maria Alves é vítima de sua própria visão avant la lettre, o homem à frente do seu tempo numa província que via suas ideias como algo quixotesco. Partiu dele o primeiro grito contra o processo de desertificação da caatinga; a defesa da paisagem e o combate por mudanças que seriam marcantes no projeto original da Via Costeira; e a longa campanha que patrocinou, sozinho, nas primeiras páginas do ‘Diário’ e de ‘O Poti’, contra a mosca doméstica que chamou de monstro. 

Era frio em certas horas. Noutras, escondia as suas emoções como se fosse feio a um líder manifestar fraquezas. Deixava tudo jogado do outro lado daquele seu bigode austero. Justificava a reação dos críticos - e não eram poucos, nem fracos – repetindo, sempre, que era o preço de liderar o mercado, na medida em que ele dirigia o então maior e mais forte jornal da cidade. Não aceitava dividir o mando e espantava por assumir esse mandonismo, ainda que custasse caro essa vaidade. 

Quando resolveu defender a caatinga, bioma ameaçado e hoje tão estudado, não inventou nada de sua cabeça. Leu no Estado de S. Paulo, sua referência no jornalismo brasileiro, que retornara ao Recife, onde residia, o geógrafo Vasconcelos Sobrinho, vindo de uma reunião da Unesco sobre a desertificação no mundo e, inclusive, no Nordeste. Buscou a chancela da UFRN e patrocinou sua vinda a Natal. Para representar o Diário de Natal, na mesa, teve o cuidado de indicar Hélio Galvão. 

Na defesa dos morros como a mais extensa reserva nativa de Mata Atlântica urbana, lutou sem trégua e no fim visava o que assegurou: que a avenida, se tivesse que ser construída, que fosse entre os hotéis e os morros. Ou seja: a estrada seria o limite definitivo da ocupação para que todas as edificações fossem feitas nos platôs naturais. Trouxe Burle Max e tinha a absoluta convicção que eliminada a cobertura vegetal das dunas móveis, o desastre ecológico seria grave e inevitável. 

Não foi diferente quando, um belo dia, resolveu aprofundar suas leituras sobre os perigos da mosca doméstica. Andava com o grosso volume de um tratado de entomologia de um cientista norte-americano ou inglês, já não lembro, mostrando que o aumento de doenças transmissíveis no Brasil, e no Nordeste, apontadas pelas estatísticas sanitárias, era fortemente em consequência da mosca doméstica atraída pelos currais ainda existentes na cidade e do lixo sem tratamento adequado. 

Alves tinha noção da força do jornal. E foi expor as suas ideias ao caricaturista Emmanuel Amaral para contratar uma série de desenhos que, bem ampliados, retratassem a mosca como um monstro. Lançou a campanha numa edição de domingo, em O Poti, alertando que era aquele o monstro que vivia ‘em sua casa e sua mesa’. Guardei a reprodução de um dos desenhos da campanha que ilustra a crônica de hoje. Luiz Maria Alves, queiram ou não, era implacável, sim, mas genial. 

SANTANA - O conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico ratificou o tombamento como patrimônio imaterial da Festa de Santana de Caicó como a maior devoção popular do Estado.

DEFESA - Na reunião virtual, Diógenes da Cunha Lima, conselheiro do Iphan, defendeu a força da civilização seridoense, ele que doou o sino e o galo da torre da Matriz de Santana, em Caicó. 

LETRAS - Dois novos livros de Ana de Santana para os olhos, pela Sol Negro: ‘Bicicletas para descer ladeiras à noite’ (poesia); e ‘As Faxineiras sabem de tudo’ (ficção). A Sol Negro ilumina.  

CABRAL - Depois da fotobiografia organizada por Eucanaã Ferraz, os cem anos de João Cabral ganham sua biografia, escrita por Ivan Marques, edição Todavia. 500 páginas escritas com talento. 

VINIL - Hoje, das 9h até cinco da tarde, tem feira de discos de vinil para colecionadores no Seburubu. Fica na Av. Deodoro, 307. Quem vai comandar o som é o jornalista Tadzio França.

VEJA - Chega às bancas e aos assinantes virtuais a edição da semana, de Veja. Na capa, os retratos de Lula, Bolsonaro e Moro. Abaixo deles, o botão da rejeição e um título assim: “Não, não e não”. 

AVISO - Do velho e irônico Camilo Castelo Branco olhando a vida e avisando do perigo que é viver para quem acredita nos abismos de amar e odiar: “Entre o ódio e o amor está o desprezo”.

CASTIGO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, compadecido com o pobre destino dos oradores oficiais encapelados nos encômios: “É uma vingança da vaidade contra os vaidosos”. 

HISTÓRIA - O advogado Armando Holanda vai registrar em publicação a íntegra documental dos autos do processo no qual reivindicou a transladação, do Rio para o Rio Grande do Norte, dos restos mortais de Augusto Severo, simbolizada pela edificação de um cenotáfio como homenagem.

VALOR - A presença simbólica de Augusto Severo no Estado foi uma luta de Holanda, até como conterrâneo, ambos filhos de Macaíba. É decisão judicial, determinada por juiz, e com prazo de cumprimento da sentença até fim de dezembro. A documentação histórica será toda reproduzida.  

AVISO - “Linguagem Jurídica Inovadora”, é o tema da próxima live que reunirá os procuradores federais Antônio Carlos Mota Machado Filho e Alexandra da Silva Amaral. Os dois receberam o prêmio pelo trabalho em torno desse tema. Será no dia 26, às 17h, no link https://bit.ly/aspern261 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
O erro
Atualizado: 22:42:11 18/11/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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O leitor desta coluna, e se o faz de clara boa-fé, sabe que aqui se defende o grande papel da classe política não como a melhor, mas como a única força capaz de legitimar a democracia. Não há como abrir mão do seu papel, sob pena de levar a sociedade a autoritarismos. De direita ou de esquerda. Mas, é indispensável pontuar que hoje, na sociedade conectada e aparelhada para vigiar e punir, como diria Michel Foucault, um erro pode dilacerar profundamente sua imagem.

É bem o caso, neste momento, do debate que se trava em todos os canais, principalmente nas redes sociais, sobre o que ficou timbrado como ‘o orçamento secreto’. De repente, deputados federais e senadores vestem a capa da impunidade na defesa da distribuição de recursos públicos da ordem de R$ 16 bilhões e na forma de emendas parlamentares, como se não devessem prestar contas do que vão fazer com todo esse monte de dinheiro numa hora de grave crise econômica. 

Ora, se o discurso é no sentido de que as emendas parlamentares servem às necessidade e até urgências de cidades, vilas e povoados, chãos das bases políticas de cada parlamentar, como então escondê-las sob o manto suspeito de ‘orçamento secreto’, uma forma matreira de retomada do ‘Mensalão’, de triste memória? Como ser secreto o que se declara como certo e útil, diante de uma sociedade hoje de aguçada visão crítica, e se o bem feito é a razão maior da ação política?

Não é preciso provar o viés que, há pouco menos de três anos, galvanizou uma grande parcela de brasileiros-eleitores quando um deputado de inexpressiva atuação política ergueu uma bandeira, ainda que rota, simbolizando a moralização. Fez a leitura, naquela hora ainda quente, dos efeitos da Lava Jato, um conjunto de fatos e circunstâncias que, bem ou mal, materializou a corrupção, e construiu-se mártir com uma facada que não tirou sua vida, mas o fez um justiceiro.

Claro que a Lava Jato não tem mais o fulgor de antes, dilacerada pelo legalismo excessivo e desregrado, e o herói de araque, fecundado nas urnas do falso moralismo, fenece nos braços do Centrão. O grande erro é da classe política que, vilipendiada duramente por um combate abrasivo e desleal, não conteve a ambição. Caiu no colo de um ‘orçamento secreto’ e hoje não encontra como justificar ter tentado esconder ‘o quanto’, o ‘para quem’ e o ‘para quê’ de R$ 16 bilhões. 

O episódio, na avaliação dos seus efeitos, não desautoriza a importância da classe política. Seria abrir mão do grande esteio de sustentação do regime democrático, feito de pluralidades e contradições, consonâncias e dissonâncias. Mas, nem por isso, é possível conceder o perdão diante de um erro que é grosseiro, muito antes de ser primário. Como se bastassem as palavras para diferenciá-lo do condenável Mensalão. Quando o Legislativo erra fere a própria democracia. 

ELEIÇÃO - As previsões, inclusive as não reveladas pelos próprios adversários, dão conta da reeleição, hoje, do advogado Aldo Medeiros, considerada como a proposta mais conservadora.

SERA? - Nos escaninhos, há quem informe existir no estômago das eleições de hoje um filhote bem nutrido para ser conhecido quando for aberta uma vaga no Tribunal Superior do Trabalho. 

PALCO - Titina e César Ferrário encenam neste final de semana “Sinapse Darwin - a Odisseia de um Pensamento”. A estreia será no Tecesol que fica na Governador Valadares, em Neópolis.

ÍCONE - O livro ‘O Pequeno Príncipe’, tradução de Ivo Barroso e belas ilustrações de Raquel Matsushita, será lançado dia 15 próximo, à sombra do Baobá do poeta Diógenes da Cunha Lima.

MEMÓRIA - Sai o terceiro volume da Coleção Memória Viva com a reunião de mais dez nomes do mundo jurídico, um trabalho cuidadoso dos advogados Armando Holanda e Joventina Simões.

LIÇÕES - O editor Abimael Silva prepara a segunda edição de “Como Fazer Boa Política”, um pequeno manual de Waldson Pinheiro e Hélio Vasconcelos. Foi lançado originalmente em 1996.

POESIA - Do poeta macauense Tião Maia no seu ‘Solidez do Âmbar’, sobre as matilhas de cães vadios nas ruas: “Cachorros da noite / que ladram vadios, / que matam, / e / que andam no cio...” 

PERFIL - De Nino, tirando o gosto de uma boa cachaça com cajá verdadeiro, doce e perfumado: “O intelectual do tipo clássico coleciona telefones e endereços para se sentir íntimo da glória”.

LUPA - A CPI, pelo que já foi dito e comprovado pela Controladoria, não vai encontrar desvio na aplicação de recursos originalmente destinados ao combate contra o Coronavírus. Se for este o caminho da comissão, o fim será o mesmo de até agora: não encontrará nada para a reprovação.

MAIS - Os recursos transferidos ao Consórcio Nordeste e por este geridos, são da competência do próprio Consórcio justificar, gestão que não esteve sob o controle do governo do Rio Grande do Norte. Nem a decisão de pagar os respiradores antes de recebê-los, como seria indispensável. 

FIM - Uma fonte ligada ao Legislativo comentava, ainda ontem, que o depoimento do médico Cipriano Maia, secretário da saúde, deverá ser o epílogo da CPI: “Não há mais nada relevante, a essa altura, a ser revelado pela CPI”. E arrematou: “Não impactou em nada, além do barulho”.  

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
Pecado original
Atualizado: 00:23:17 18/11/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Fica difícil de acreditar que o novo partido, fruto da fusão PSL-DEM, garante a oxigenação da prática política brasileira. Nasce com o pecado original, mas sem o batismo que seria capaz de livrá-lo do passado. São as mesmas figuras e suas velhas ideias, mas agora detentores de mandatos e, muitos deles, dotados das moedas do fundo partidário e do tempo de tevê dispostos a reinaugurar a falsa renovação que reúne vantagens sem compromisso com o futuro da democracia brasileira. 

Indo ou vindo - União Brasil ou Brasil União - não há como acreditar em mudanças, se o destino é cair na polarização estéril de votar em Bolsonaro contra o PT ou vice-versa, se for essa a disputa no segundo turno. Unir forças - e isto o novo partido foi capaz - não é, necessariamente, unir bons propósitos. No cardápio das siglas partidárias, já ficou provado, os progressistas não são progressistas, como não são democratas, liberais ou cristões os que juram e assinam suas fichas.   

Para constatar o pobre futuro do partido que se diz novo, basta olhar o cenário que se monta no Rio Grande do Norte. Estamos diante do mesmo mando e dos mesmos mandados, ainda que se possa, por dever de isenção, admitir os desempenhos individuais. No conjunto, não há como ter a convicção de que teremos mudanças. Por mais que o país viva o mais terrível atraso político, não será com o novo partido que será possível uma mudança de azimute, a não ser no manejo retórico.

Não é fácil voltar ao passado, depois de execrado nas urnas, como a retomada do futuro. Somos hoje o resultado do que temos sido até hoje. Nossa falência política não se deu ontem como vingança das urnas. Vem sendo construída nas últimas décadas, fruto estéril dos legados de dois grupos familiares voltados para a manutenção do poder, ocupando os cargos diretos pelo voto, mas estendendo os seus tentáculos com a nomeação de parentes e aderentes para posições de mando. 

Pior, muito pior do que as fantasias que encobrem os trapos, é constatar que sequer fomos capazes de defender os interesses maiores que levassem aos segmentos, de fato, uma vida melhor para todos. Os bons gestos não nascem da bondade de uns ou de outros, mas do compromisso dos que abraçam a vida política movidos pelo espírito público. Não, não foi assim que fizemos política nas últimas décadas. Nunca tivemos tantos ministros e fomos tão pobres de gestos e de conquistas. 

O falso novo é o destino traçado para o partido que nasce da fusão de velhos hábitos políticos. E o falso novo é sempre um artifício assumido para falsificar a renovação. Aqui, há anos e anos, filhos, sobrinhos, netos e que tais, venderam-se como a renovação. E o que restou foi um cenário desolador de um estado sem líderes. Tão são líderes que a nenhum de nós resta ao menos o sonho de tê-los. Cavamos o abismo sob nossos pés e agora vivemos o terrível medo da vertigem.  

AVISO - Arquejam de mesmice nas gavetas bolorentas da Assembleia Legislativa os relatórios que nada revelaram de novo das CPIs da Arena das Dunas e da Pandemia, num blá-blá-blá inútil.

MAS - Segundo uma fonte da CPI, há uma esperança de fervura: o depoimento, como investigado, do secretário da saúde, Cipriano Maia, no dia dois próximo. As canhoneiras já estariam assestadas.  

DÚVIDAS - A CPI quer saber quanto o governo recebeu em recursos federais para combater a Covid; se tudo foi aplicado na saúde; ou se parte foi desviada para quitar outras dívidas do governo. 
  
FORTE - A oitava Mostra de S. Miguel do Gostoso, hoje item permanente do calendário nacional de cinema, abre dia 27 próximo, às 21h, com a exibição do filme ‘Mariguella’. Seguido de debate. 

QUANTO - A Assembleia, em nome da transparência, bem que poderia divulgar suas despesas com diárias para viagens desnecessárias de deputados. Fazer segredo com dinheiro público é feio. 

SINAL - O fim do ano está perto. As acácias amarelas já derramam seus cachos de ouro nas ruas e canteiros da cidade, anunciando dezembro. Depois, virá o verão com a sua alegria cheia de vida.  

POESIA - Da jovem poetisa Maria Clara Parente, jornalista e documentarista, que mereceu duas páginas da L’Officiel, no minúsculo e certeiro poema: “Às vezes / você acha que é só sexo / e é”. 

REAÇÃO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, triste e cansado dos solilóquios intelectuais que assassinam as manhãs de domingo: “O verão luminoso já vem aí para nos salvar”. 

AVISO - O ex-governador e ex-senador José Agripino Maia ainda não deu por encerrado seu sonho de voltar a exercer um mandato, de preferência de senador. Não é fácil encontrar um lugar seguro. O cenário político mostra: não há vaga de senador entre petistas e nem nos bolsonaristas.  

ÁGUA - Vivaldo Costa levantou a aba do seu chapéu de palhinha do Panamá e jogou água nas palavras flamejantes do deputado seridoense Nélter Queiroz ao pedir a exoneração do secretário Cipriano Maia, da Saúde. Vivado tem a marca dos anos: sabe que governo, mesmo do PT, é bom. 

VINTE - Depois do sucesso de ‘Metrópole à Beira-Mar, os leitores de Ruy Castro esperam que chegue dezembro A Companhia das Letras lança “As Vozes da Metrópole: uma antologia do Rio dos Anos 20”. Como avisa, “saborosa reunião de frases, provocações, poemas e textos de ficção”.  

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Retrato do futuro
Atualizado: 23:24:46 17/11/2021
Vicente Serejo
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O Brasil só tem um líder de esquerda e outro de direita. Da esquerda, Lula da Silva; da direita, Jair Bolsonaro. Todos os outros se declaram de centro, mas são conservadores. Temem a reeleição de Lula, e, diante das profundas desigualdades sociais, se dizem de centro, mas sabem que o artifício não passa no teste do segundo turno se o confronto final for Lula versus Bolsonaro. Votarão Bolsonaro, mas, se Lula vencer, irão todos para o Centrão em nome da governabilidade. 

A pergunta é inevitável: quem são os nomes da tal terceira via? João Dória, Eduardo Leite, Sérgio Moro, Luiz Henrique Mandetta, Rodrigo Pacheco e Simone Tebet. Nesse time, o único de origem não política é o ex-juiz federal Sérgio Moro que acaba de assumir a legenda do ‘Podemos’ e já representa, a essa altura, e ainda que ninguém declare, o nome menos confiável para a classe política na medida em que tentou destruí-la como um justiceiro com sua democracia judicializada. 

Mas, o temor da classe política não é um antídoto que baste para frear Sérgio Moro. Ele sabe: a polarização Lula-Bolsonaro é forte, mas pode ser quebrada se nascer o sentimento popular do tipo ‘nem-Lula-nem-Bolsonaro’, uma fresta na qual possa caber aquela preferência nascida do alívio popular. Moro pode retirar votos dos dois extremos e, em razão dos desgastes, se por ventura perdurarem, ser levado ao segundo turno contra Lula no modelo maniqueísta do bem contra o mal. 

Lula é o candidato que encarna o tipo do Messias verdadeiro que volta para derrotar o falso Messias, no caso, Bolsonaro. A essa altura, o próprio Lula sabe que Sérgio Moro pode assumir o papel daquele que enfrentou os poderosos da política e seus sócios da esfera privada, e que é o líder de direita que pode implantar, de verdade, a agenda que Bolsonaro, por destrambelho, não conseguiu, hoje abatido por gestão desastrosa no enfrentamento da pandemia e a volta da inflação. 

Nenhum argumento, nesta hora, terá a força do imprimatur, capaz de garantir que Sérgio Moro será a variável não controlável pela classe política, e a ninguém é dado negar que não é o mais fértil para nele a persuasão fecundar a esperança de uma vida econômica menos injusta e uma paz social mais real. Mesmo que não se desconheça a cristalização dos votos de Bolsonaro, estes são sempre substituíveis por alguém que o eleitor viu ser testado, mesmo ferindo os limites da lei. 

A julgar pelo discurso na assinatura do seu registro no ‘Podemos’, será possível medir a força de sua retórica contra os dois, se vai sensibilizar o eleitorado. No rol dos pecados e crimes que abominou, tanto condenou a corrupção que combateu no passado, clara alusão a Lula; como listou as denúncias mais recentes, do tipo ‘Rachadinha’, tiro direto contra Bolsonaro. Mas, só o tempo dirá se Moro vai abater um dos dois ou se será esmagado pela polarização Lula-Bolsonaro.

CAVIAR - Espera-se que as forças armadas desmintam, formalmente, a denúncia publicada por Guilherme Boulos, uma licitação de duas toneladas de caviar e camarão. Nem o exército francês. 

MODA - Os restaurantes do Beco da Lama, no sábado que passou, no seu Pratodomundo, incluiu alguns pratos indígenas. Como sugere a moda, segundo a releitura do gosto das autênticas etnias. 

RUMOS - O editor Abimael Silva vai reeditar o número um da revista ‘Rumos’, do Diretório da Faculdade de Direito e que tinha como diretor de redação o hoje escritor Ivan Maciel de Andrade. 

VALOR - A ‘Rumos’, lançada em 1958, tem no número de estreia um ensaio de Berilo Wanderley sobre três poetas do Rio Grande do Norte: Segundo Wanderley, Ferreira Itajubá e Auta de Souza.

CORRUPÇÃO - Em pré-venda, com previsão de chegada às livrarias dia 2 de dezembro, o livro de Sérgio Moro, base do discurso de campanha: “Contra o Sistema da Corrupção”, por R$ 49,90. 

POESIA - Hoje, a partir das 19h, no salão do Bardallos, o poeta Tião Maia lança seu livro ‘Solidez do Âmbar’. O Bardallos fica na Rua Gonçalves Lêdo, 679, Cidade Alta. Com direito a voz e violão.

RUAS - Da Barra do rio Punaú, já de braços abertos para encontrar o mar, Carlos Peixoto avisa aos navegantes deste mar feito de asfalto: estão nas ruas todas as graças e todas as mágoas de amor.  

TURISMO - De Dino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, maroto e lascivo, vendo o RN perder a disputa para todos os estados nordestinos: “Aqui o negócio virou uma questão de gênero”.

ESTILOS - Ninguém tem, no deputado Nélter Queiroz, o exemplo dos bons atavios da elegância no uso das palavras. Nem a lhaneza vence a prepotência petista do secretário da saúde, o doutor Cipriano Maia, como ao rebater a Queiroz por pedir sua demissão à governadora Fátima Bezerra. 

MAS - O que flagra a declaração do secretário Maia, ao afirmar que Queiroz precisaria ser eleito governador para demiti-lo, é que Fátima Bezerra foi eleita, com maioria absoluta e legitimadora de votos e, nem assim, o demitiu por omissão. Nos jogos do petismo o culpado é sempre o outro.     

HORROR - Não há normas burocráticas acima da vida a impor encaminhamento a uma unidade de saúde para só depois atender a quem está em situação de urgência com risco iminente de morte. É omissão de socorro. E fere princípios cristãos, éticos, médicos, jurídicos, políticos e humanos.    

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