O feio e o bonito
Atualizado: 23:40:24 15/09/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Se há - aceite-se sem relutância a indeterminação - na estética da política, e se a política é parte da filosofia - o feio e o bonito engendrando, nas suas entranhas, o belo e o horrível, hão de ser, por decorrência lógica, a derrota e a vitória. Feio é perder, bonito é vencer. O que não tem a força de afastar a altivez, num caso e noutro. E a altivez, convenhamos, não parece gravada no perfil dos nossos quadros de hoje, amesquinhados por uma já tão medonha ausência de posições. 

Talvez nossa única singularidade, ainda que matizada, muitas vezes, pelo sectarismo, tem sido a postura da deputada federal e petista Natália Bonavides, queiram ou não os olhos da má vontade dos representantes da tradição, não necessariamente de direita, mas inevitavelmente negadores de uma qualidade que as urnas consagraram até hoje, cumprindo aquele fenômeno de quando a empatia popular consagra e o faz por sobre todas as outras forças corporativistas ou não. 

De certo modo, e bem pesados os ingredientes, alguém pode argumentar que os tempos são outros. Pode ser. Mas, pesa hoje, como pesou ontem, a força do posicionamento, definidora agora da nitidez que tem subalternizado o papel do político. O destino tem nos roubado a vaidade de tê-los, como no passado, quando o sentimento coletivo, sem negar os pecados, esmerilava com o brilho as figuras de Aluízio Alves, Dinarte Mariz, Djalma Marinho, pata citar os mais recentes.

O posicionamento do ministro Rogério Marinho é bem o exemplo de como os frutos nem sempre refletem a qualidade da árvore-mãe. É ministro do desenvolvimento, como ministro é também o deputado Fábio Faria, mas o status, se um lado os colocou na ribalta política, iluminados pelo fogo sagrado do poder, de outro deles retirou a altivez. Dinarte e Aluízio apoiaram o golpe de 64, mas nem por isso perderam a altivez política e a capacidade de transformá-la em posições. 

É uma perda valiosa que eles dois cheguem a ministros de um governo que não consegue ser uma força de preservação da reconstrução democrática que a sociedade reconquistou nas ruas, a ponto de cobrar a liberdade e a própria vida. Dirão os fáceis, outra vez, que os tempos são outros, mas também foram outros aqueles tempos, quando a baioneta substituiu a palavra na cassação dos direitos políticos e nas prisões, arrancando os mandatos conferidos pelos votos da unção popular.  

É a pobreza desse novo-velho tempo que assalta o nosso futuro. A mediocridade substituiu a nobreza do espírito público. Somos órfãos - eis nossa ancestralidade trágica - da escola política da vida estudantil e acadêmica assassinadas pela repressão. O mandato é a nova e rica herança de pais para filhos e netos, no falso status que não seria ocupado antes, quando o exercício da vida pública era fruto da legítima vocação. E não da contabilidade nas contas do deve e do haver. Um horror. 

PRESIDE - O ex-senador José Agripino Maia será presidente, no Estado, do novo partido que vai nascer da fusão DEM-PSL, ainda sem nome e a ser presidido pelo deputado federal Luciano Bivar.

FORTE - Do ponto de vista da magnitude, o novo partido nasce com uma grande bancada federal e, na fusão, um fundo eleitoral da ordem de R$ 600 milhões e como uma oposição a Jair Bolsonaro. 

DÚVIDA - Para algumas fontes, não se sabe se a influência de Antônio Carlos Magalhães Neto, como vice-presidente pode arrefecer o caráter oposicionista. A ideia é ser de centro, não de centrão. 

EFEITO - No Rio Grande do Norte o novo partido pode rejuvenescer o DEM, um filho remoto da Arena, PSD e PFL, hoje arrefecido na força e no desempenho. O teste será a campanha de 2022.   

ATENÇÃO - O ex-governador Geraldo Melo aceitou o convite de Diógenes da Cunha Lima e vai ser candidato a uma cadeira na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Uma notícia excelente.

LIGA - Fez certo a governadora Fátima Bezerra quando negociou a quitação dos débitos para com a Liga Contra o Câncer. É a grande instituição médica de tratamento do câncer, sem fins lucrativos.  

TRISTE - Nós, os gauleses, essa tribo semidesaparecida, perdeu Zé Avelino, artista plástico, de alma doce e riso manso, que um dia foi morar de novo lá em Caicó até sumir dos olhos da gente. 

AGENDA- Sábado, 9h ao meio dia, tem lançamento no Sebo Vermelho: a edição especial de ‘A Padaria Espiritual’, tiragem de apenas 200 exemplares. Cada exemplar será vendido a R$ 50 reais.  

DÍVIDA - Quem consultar os dados da contabilidade geral do Estado vai descobrir que hoje as finanças estaduais devem, em precatórios prontos para pagamento, algo da ordem de R$ 1,8 bilhão de reais que pelos critérios estabelecidos deverão ser quitados até 31 de dezembro do ano de 2029. 

COMO - É tão elevado o valor de até agora - e será acrescido até 2029 de novos valores ditados pela Justiça - que fica fácil projetar a capacidade de negociação do governo atual, e dos próximos, para quitação mensal a ser programada. Erário estadual não terá reserva para suportar o impacto.

ALIÁS - Ao governo Fátima Bezerra ninguém pode negar o mérito de ter recebido uma dívida, em quatro folhas atrasadas, herança da gestão anterior, de cerca de um bilhão. Só o crescimento da arrecadação própria pode garantir a quitação. Não pagar precatório é crime de responsabilidade.   









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Não tem sentido
Atualizado: 23:12:35 14/09/2021
Vicente Serejo
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Talvez o melhor jeito, o menos doloroso, se é que é possível enganar a dor, seja olhar os dias vividos como uma derrota de todos os brasileiros. Uma banda - partamos meio a meio para evitar desgostos - por protestar contra as instituições sem o apoio da outra; e, esta outra, por ver milhares de cidadãos fantasiados de patriotas apoiando um governo que mesmo eleito e consagrado nas urnas, arrasta a grande tragédia de ameaçar e até agredir os esteios da sociedade democrática. 

Nada é pequeno num país continental. Tudo é gigantesco pelo tamanho de suas dimensões físicas e humanas. O bem e o mal já nascem grandes, como a desgraça coletiva do Coronavírus e a tragédia cívico-populista do 7 de Setembro. De um lado, o que fica nos registros que a História amanhã vai contar é o uso da linguagem de disfarce dos que tentam explicar o inexplicável e vão aos píncaros da farsa e recuam em nome da pátria que vilipendiaram na festa do instinto bovino.    

Quando vi as bandeiras verde-amarelas drapejando nas ruas e avenidas desse Brasil dito inzoneiro, e mesmo bem lembrado da frase do inglês Samuel Johnson - ‘O patriotismo é o último refúgio do canalha’ - nem assim fui tão longe. Fiquei antes. Naquele Grande Ponto que tinha medo da ditadura militar e emprestava, com gestos discretos, quase nascidos de mãos escondidas, o livro de João Ubaldo Ribeiro - ‘Setembro não tem sentido’, lançado em 1968, sob o fogo das paixões.

Por isso, Senhor Redator, tento a pobre paráfrase como se fosse justo adaptar o belo título do romance de estreia de João Ubaldo. Ainda tenho meu exemplar, de 1968, de José Álvaro Editor, com as marcas do manuseio e a sujidade dos anos, como diziam os velhos alfarrábios. Com seu verde e amarelo diluídos e o título na forma de losango. Salvou-se do tempo. Hoje, a nova edição tem na capa o peito e as patas de um cavalo, outra metáfora de um setembro ainda sem sentido. 

E diga-se, Senhor Redator: ‘Setembro não tem sentido’ é a prova perfeita da precocidade e premonição de João Ubaldo Ribeiro e quem atesta é seu prefaciador, colega de colégio: Glauber Rocha, quem mais lutou para o livro ser publicado. Foi escrito antes de João Ubaldo completar 21 anos. Seu tempo narrativo dura apenas cinco dias - começa dia 3 e acaba no dia 7, entre marinheiros que cantam o Cisne Branco e os aviões da Força Aérea que sobrevoam a Bahia de Todos os Santos.  

O livro estava concluído antes de 1968 e chega aos olhos de uma crítica que demorou a perceber que ali nascia um escritor genial, deflagrador da moderna ficção brasileira contemporânea e que um dia escreveria seu Magnum opus - ‘Viva o Povo Brasileiro’. O Brasil vivia a véspera do AI-5, editado a 13 de dezembro de 1968. João Ubaldo escreveu: ‘O Brasil é um país heroico”. E depois, com o travo de sua fina ironia: “Quero a minha bandeirinha. Quero a minha bandeirinha”.  

VOLTA - A UFRN encerra agora em setembro o primeiro semestre e inicia o segundo dia 18 de outubro com aulas gradativamente presenciais. Foi um exemplo de cuidado ao longo da pandemia. 

‘NÃO’ - A presidência da Assembleia não vai interferir na condução das duas CPIs. Seria ferir a autonomia das comissões e, depois, cabe a quem propôs, mantê-las sob a serenidade e a firmeza. 

BONZINHO - Para quem ainda acredita no ‘bonzinho’ é bom não deixar de fazer a leitura do livro ‘Ser bom não é ser bonzinho’, do escritor e palhaço Cláudio Thebas. Uma edição da Paidós. 

BECO - Estão fechados os acessos ao Beco da Lama para as obras de reforma que farão daquela área um novo espaço de lazer, fortalecendo os seus frequentadores e também os seus comerciantes.
  
ALIÁS - O Beco vem sofrendo com os vândalos que picham a obra dos grafiteiros, inclusive o belo retrato de Câmara Cascudo. É preciso, pois, uma campanha de valorização do Beco da Lama. 

TRAIÇÃO - De um entrevistado da antropóloga Mirian Goldenberg na sua pesquisa feita sobre as agruras e os prazeres da infidelidade amorosa: “Sou fiel por preguiça: trair dá muito trabalho”. 

AVISO - Aos navegantes de todas as etiologias: esta coluna não nega o direito de se discutir a legalidade ou ilegalidade da prisão de Roberto Jeferson. Desde que seja na Justiça, como deve ser. 

DOR - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, com seu olho de lâmia: “O candidato a imortal é um fingidor, como disse Fernando Pessoa. Ele finge sentir a dor que deveras sente”.

MISSA - O discurso do padre e teólogo João Medeiros Filho, na missa de sétimo dia do ministro José Augusto Delgado, no Bom Jesus das Dores, refletiu, em nome da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, toda a grandeza humana desse homem culto que a nossa instituição perdeu.  

PARADA - Os moradores da Redinha reivindicam ao prefeito Álvaro Dias a construção de uma parada de ônibus, na Rua Central, de aceso geral à vila, com proteção contra o sol e a chuva. Os ônibus param em qualquer lugar por falta de um ponto de embarque e desembarque. Fica o registro.   

LULA - A Companhia das Letras anuncia para o dia 16 de novembro o lançamento da biografia ‘Lula’, de Fernando Morais, a mais aguardada história do líder popular que o autor considera como o mais longevo, depois de Getúlio Vargas. Com 416 páginas, em papel e Kindle. Valor R$ 74,90. 








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E se amanhã...
Atualizado: 23:24:30 13/09/2021
Vicente Serejo
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Não custa nada perguntar se a dúvida na semântica jornalística é sempre uma mistura de desconfiança e precaução: e se amanhã a tradição retomar o artifício da velha matriz que sempre tem guardada no armário e se unir em torno de um nome? E se esse nome for mesmo Álvaro Dias, como saída mais provável, para disputar o governo e retomar o poder das mãos dos petistas, único ponto forte e convergente capaz de unir as famílias da tradição ainda saudosas do poder? 

A ideia, como artifício, não é nova. A tradição sempre soube afastar as diferenças e se unir cada vez que se sente ameaçada. Nessas horas, não apenas aceita que precisa unir as suas forças, como sabe escolher o melhor. Em política, o melhor é o melhor da hora. É aquele que além de apresentar-se melhor colocado, se comparado aos outros, oferece a garantia política da sobrevivência para todos naquela hora inadiável do combate a postergar quaisquer diferenças. 

O nariz de cera é para introduzir a questão que hoje parece presidir as elucubrações dos grupos agregados sob a marca da tradição. Nessas horas, as formulações se fazem por sobre as dificuldades e só depois são testadas na prática. A união possível, com a chance real de lutar e reconquistar o poder, seria unir, numa mesma chapa, as forças representadas por Álvaro Dias, Carlos Eduardo Alves, Rogério Marinho e Benes Leocádio, para focar nos nomes mais visíveis. 

Como? Por obra e graça do espírito político. Não há a criatividade graciosa em política, mas o senso de estratégia. E esse senso só é possível alcançar sem enganos. Uma alternativa hoje ainda posta debaixo de alguns travesseiros seria reunir Álvaro Dias para governador e Carlos Eduardo Alves para senador, se a escolha se fizer a partir das pesquisas. Benes Leocádio seria o vice-governador e Rogério Marinho um candidato a deputado federal, como cabeça de chapa. 

O ponto discutível, no caso, seria convencer o hoje ministro Rogério Marinho a aceitar a posição de terceira magnitude, consagrando-se as posições de governador e senador a Álvaro e Carlos Eduardo. Pior seria, mantido o artifício da projeção, alijar da chapa majoritária a forte presença de Carlos. Para testar, é avaliar o quanto foi anêmica a chapa com Benes Leocádio para governador e Rogério Marinho para senador, sem que se julgue o mérito pessoal deles dois. 

Os conservadores sabem que a candidatura da governadora Fátima Bezerra está pronta e consolidada para ir às ruas e só nas urnas poderá ser derrotada. Cabe a quem deseja retirá-la do governo armar seu jogo a partir dos melhores nomes que dispuser. Para isto, terá que afastar as diferenças e centrar a estratégia nas semelhanças que possam unir suas forças. Antes que, da ruas e depois da luta, lhe reste, pobremente, resmungar justificativas sem qualquer racionalidade.

CHUMBO - O sete de setembro consolidou o PSDB na oposição. Com ou sem o impeachment de Jair Bolsonaro. Com ou sem a candidatura de governador de SP, João Doria, para presidente. 

EFEITO - No plano local, e considerada a plausibilidade, o PSDB de Álvaro Dias e o PDT de Carlos Eduardo não encontram impedimento. O resto é de pura construção política. Nada mais. 

CREIA - A Assembleia discute a prisão de Roberto Jeferson, enquanto a Liga contra o Câncer, patrimônio de todos, está sem pagamento. A estupidez humana tem suas formas de manifestação.   

AGENDA - Sem agente forte, sem capacidade de trazer revelações, as CPIs caminham para a mesmice de até agora. A da Arena das Dunas patina no já conhecido. E a da pandemia perdida.

AVISO - Chega aos olhos dos leitores brasileiros a tradução de ‘Uma Verdade Incômoda’, de Sheere Frankel e Cecilia Kang, o livro que “escancara a feia verdade por trás do Facebook”. 

SECRETO - Nas suas páginas revela informações de fontes que integraram a equipe de ponta do Facebook, inclusive a ‘invasão’ dos russos. Edição Companhia das Letras. Custa R$ 84 reais.

PANTIM - É fácil identificar o intelectual que sonha ser imortal de qualquer jeito. Basta vê-lo na Academia, no adeus ao morto que deseja suceder: banhado da mais triste e compungida dor. 

REGISTRE-SE - Pela beleza: a crônica de Drauzio Varela sobre a florada dos ipês amarelos; e a foto da florada dos ipês brancos, em São Paulo. O belo, às vezes, vence até a tristeza humana.

FORÇA - O Plano Diretor chega à Câmara Municipal e o conjunto dos movimentos - partidos, coletivos e entidades - atuantes nesta área está mobilizando a sociedade para realizar um Ato de Recepção Popular do Plano Diretor na CMN. Hoje, terça, dia 14, lá diante da Câmara, às14h30.

BRASIL -  A Companhia Editora de Pernambuco lançou o livro da jornalista portuguesa Isabel Lucas - ‘Viagem ao País do Futuro’. É como se, mais de quinhentos anos depois, um novo Pedro Álvares de Cabral viesse para redescobrir o Brasil do Século XXI, esse agora, de Jair Bolsonaro.

DETALHE - O livro, como texto, não é inédito. Foi orginalmente publicado em série no jornal literário ‘Pernambuco’ e nas páginas do maior jornal português, ‘Público’. No mesmo modelo das análises jornalísticas que ela adotou já no seu livro anterior, o ‘Viagem ao Sonho Americano’. 








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Das amendoeiras...
Atualizado: 15:32:50 11/09/2021
Vicente Serejo
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Era sobre a espera da primavera nos morros - sempre vem com o sol luminoso de setembro - que desejava escrever. Mas, sem querer, quando passava na direção do Campus, os olhos caíram na solidão de uma castanheira que vive aqui perto, nesta Brigadeiro Gomes Ribeiro, nas fraldas das dunas. É triste e ao mesmo tempo belo o espetáculo das suas folhas mortas que caem a cada minuto e vão forrando o chão em torno do seu tronco já rugoso de árvore velha e sem nobreza.

O cronista confessa ter antiga paixão pelas amendoeiras. Tanto que conserva nas estantes a edição original de ‘Fala, Amendoeira’, de Carlos Drummond de Andrade, José Olympio, Rio, 1957. E, enfiados nas páginas, os recortes já amarelados das crônicas de Rubem Braga e Zuenir Ventura. E, mais emocionante, se há emoção num recorte de jornal: a crônica ‘Ciao’, do poeta Drummond, o seu adeus aos leitores na edição de 29 de setembro de 1984, no ‘Jornal do Brasil’. 

Os livros e os papéis velhos que aqui vivem, Senhor Redator, com o tempo, ganham vida justamente pela inutilidade de sua pobre serventia. Nas mãos dos intelectuais certamente seriam arquivos implacáveis, hemerotecas, sei lá. Cronistas não sabem dessas coisas e se a tudo guardam não é por espírito superior, mas pelo simples gosto da convivência, calma e anônima. Aquela de quando as menores coisas viram companhia e, num passe de mágica, se tornam indispensáveis.

Rubem Braga, especialista em árvores e passarinhos, dizia que as amendoeiras, chamadas castanheiras pros lados do Sul, são ‘árvores desentoadas’. Não se vestem e se despem por igual, como assinala Zuenir Ventura, baseado no velho Braga. No caso, diz Zuenir, enquanto a que fica em frente ao seu edifício parece radiosa sob o sol do verão, a outra se cobriu de uma enorme tristeza outonal, perdendo as folhas - aquelas folhas mortas do verso célebre de Jacques Prévert. 

É essa castanheira desfigurada e triste que deixa suas folhas no leito da rua e que se revela aqui como numa desventura. Para Rubem Braga, consultado por Zuenir, as amendoeiras serão sempre assim, diferentes umas das outras. E por uma razão natural, de tão humanas: vivem de acordo com a data e as condições de quando e como nasceram. E crescem assim. Cada uma com seu temperamento, seu jeito de ser. Como as pessoas. Umas tristes e melancólicas, outras felizes. 

Quanto ao adeus do poeta Carlos Drummond, como não seria possível transcrevê-lo na íntegra, deixo aqui as suas últimas palavras de cronista. O poeta estava tristíssimo com o câncer que mataria sua única filha, Julieta. E a ele também, mas de tristeza. Depois de reconhecer a velhice, e de confessar que se despedia dos leitores e não das palavras, Drummond fecha o adeus com um parágrafo curto, de algumas palavras, assim “Aos leitores, gratidão. Essa palavra-tudo”. 

DELÍRIO - São risíveis, de tão delirantes, as estatísticas do turismo oficial. Paris, Nova Iorque e Roma não amarram a chuteira no crescimento do turismo em Natal nesta fase pós-pandemia.  

MAS - Apesar da ineficiência, Natal pode ser um nicho, como Maramar, no Piauí, do ambiente ‘open mind’, para adultos, com arquitetura inspirada nas ilhas Mykonos e Santorini, na Grécia.

LGBTQIA+ - São ambientes exclusivos para adultos, com banheiras tipo jacuzzi, sauna, boate e charutaria. Para hóspedes ou sócios. Não fique surpreso se Natal entrar nesse novo mercado.

ALIÁS - Natal pode sair da pandemia como a área da nova moda para a iniciativa privada. Por isso a Nazária, do grupo Jorge Batista, fará convenção aqui, em outubro, pelo seu belo cenário. 

RETRATO - A edição de setembro da revista Piauí tem na capa o ‘menino’ Jair Bolsonaro, numa metáfora, brincando com soldadinhos de chumbo, miniaturas de tanques de guerra e granadas. 

TOQUE - A ‘Isto É’ que está bancas assumiu o governo de São Paulo como referência para o Brasil, com João Dória e Henrique Meireles e o crescimento do PIB paulistano que atingiu 8%.   

HUMOR - Como disse Raimundo Nonato de Lima, leitor desta coluna, ao ler que o mito atribuiu seus despautérios ao ‘calor do momento’: o presidente parece sofrer dos ‘calores do climatério’. 

PIOR - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando ao seu redor: “Deles, o pior é o falso simples. Esconde na simplicidade que falsifica aquele brilho que não tem para mostrar”.  

AVISO - O governo da professora Fátima Bezerra pode patrocinar um trágico epílogo para uma tragédia silenciosa que há décadas vem destruindo a história administrativa do Rio Grande do Norte - os documentos do Arquivo Público do Estado armazenados sem condição de preservação.  

PERIGO - Depois de enfrentar, antes, as goteiras, traças e cupins, agora os milhares documentos enfrentam um novo e silencioso inimigo: o abandono. Descaso vem ainda do tempo de governos passados, mas a indiferença agora, do governo atual, pode comprometer a gestão da professora.

VISITA - Cabe ao presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, visitar o ‘arquivo’ e levar a governadora na sua companhia. Quem sabe, diante do abandono, os anjos da História façam cair sobre os dois o peso do remorso. Quem cala consente e já quem consente é culpado.   







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À luz das lamparinas
Atualizado: 00:23:19 11/09/2021
Vicente Serejo
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Aviso logo, antes que os intelectuais, principalmente os empedernidos, acusem de ser petulância um cronista mundano se meter a citar Baudelaire como se fosse seu leitor. Não é pela grandeza e ousadia do célebre autor de ‘As Flores do Mal’ que sequer alcanço, mas pelas réstias bruxuleantes, como diria um bom parnasiano, que ainda hoje flamejam nas paredes da casa da infância, quando a luz elétrica vinha com a lua cheia como no verso de Jorge Fernandes. 

Até hoje as lamparinas ainda iluminam as noites do homem feito se nele, como dizem, mora o mesmo menino que morou numa cidade sem energia. Havia um motor de luz, como se dizia, que iluminava as casas de algumas poucas ruas, e só. E, assim mesmo, entre seis e dez da noite, se tanto. Depois, piscava três vezes avisando que a escuridão estava para chegar. Quando as lâmpadas apagavam, minha mãe acendia uma a uma, as lamparinas, iluminando nosso mundo. 

Sempre achei que eram fantasmas do bem aquelas nossas silhuetas que se moviam projetadas nas paredes e até hoje nunca precisei ter medo de almas. E, se de tudo ficou essa memória afetiva, ficaria também a sensação de que lamparina é uma palavra com luz própria, iluminada pela chama dos pavios umedecidos no querosene que meu pai comprava naquelas latas, com a marca Jacaré, a fera que devorava a escuridão antes da energia de Paulo Afonso.
 
Destituído da fidalguia intelectual que nos outros é absolutamente natural, e só por uma mania besta, fui juntando num canto de estante as traduções de Baudelaire no Brasil. Desde as mais antigas, desaparecidas dos olhos do mundo, até as mais recentes. E se não fosse muito ousado a um cronista afirmar, diria que nada foi tão longe quanto a tradução de Ivan Junqueira, um poeta muito grande que chegou a presidir por duas vezes a Academia Brasileira de Letras. 

Mas, foi só agora, coisa de alguns poucos meses, menos de um ano, que notei um detalhe que passou sem ser percebido nas outras traduções. E o detalhe não caiu nos olhos lendo ‘As Flores do Mal’ dos seus tradutores mais celebradas. Nem na tradução da publicação individual do poema, um livro pequeno e alaranjado, justo dessa cor por ser da editora ‘Laranja Original’, lançado em 2017, com a nova tradução de Alexandre Barbosa de Souza do poema ‘A Viagem’.

Começo deste ano chega aos olhos a nova e ousada tradução de Margarida Patriota - ‘ao pé da fonte’ - e então notei que as ‘chamas’ de todas as traduções ali não mais iluminavam a abertura do poema ‘A Viagem’. Voltei a Margarida, mas perguntando a mim mesmo: teria sido impressão? Não. Não foi. Estava lá, fechando a primeira estrofe: “Ah, como o mundo é grande à luz das lamparinas! / Aos olhos da lembrança, como é pequenino!”. Era só. E até amanhã. 

VISÃO - Quando a Folha de S. Paulo circulou, naquela manhã do dia 7 de setembro, antes do destrambelho do presidente Bolsonaro, avisou que ele corria o risco de ser ‘o grande perdedor’.

FOI - Jornalistas não adivinham, projetam. No caso, a Folha não chegou a imaginar o epílogo melancólico que acabou marcando o episódio. Como um triste fim de um cantor de Ópera Bufa.

ALIÁS - Bolsonaro foi o falso sabido que acabou revelando o tolo amador. Agradou a multidão que um dia vai abandoná-lo. A classe média não tem líder, ideologia nem compromisso político.    

PIOR - Além de tudo, o episódio ainda nos deixou a herança de acionar a Polinter para procurar ‘Zé Trovão’, o fujão e medroso que acabou sendo encontrado num hotel do México. Arre égua!

AINDA - De todo turbilhão, mais uma vez, e diante de uma economia sem gestão que a cada dia empobrece mais o brasileiro e rouba o futuro, fica a constatação: extremos nada produzem. 

RETRATOS - De uma raposa política que acompanha as duas CPIs da Assembleia: “Estamos entre dragonas raivosas e raposinhas ávidas por holofotes. E não chegaremos a lugar nenhum”.  

NOME - Começa a despontar, muito discretamente, o nome do poeta e tradutor Horácio Paiva para a vaga do jurista José Augusto Delgado, de quem foi aluno e grande admirador. É esperar. 

SAUDADE - De Nino, olhando o Beco, suas paralelas fechando no oitão do velho Sobradinho: “O mundo é grande e é pequeno. Às vezes, cabe numa saudade anônima perdida na infância”.  

FOLHAS - A fonte desta coluna estava certa ao fazer a previsão de que a governadora Fátima Bezerra chegaria ao início da sua campanha de reeleição com as quatro folhas de pessoal pagas aos servidores públicos, o desafio que representa, em números financeiros, um bilhão de reais. 

CONTA - O fato demonstra que era questão de gestão financeira. O governo anterior devorou o fundo da previdência em nome da dívida salarial, abuso que contou com apoio da Assembleia e encerrou o quarto ano da administração defendo quatro folhas sem previsão de pagamento. 

OMISSÃO - A oposição calou e não instalou CPI para apurar o crime de responsabilidade pelo rombo - quatro folhas e fundo partidário - da ordem de dois bilhões. A Assembleia autorizou o governo a gastar um patrimônio do servidor público e não fiscalizou. Nem o Tribunal de Contas.







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Do ócio
Atualizado: 00:44:28 10/09/2021
Vicente Serejo
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Olhe, Senhor Redator, deixe que confesse: quem reclama da aposentadoria não merece a beleza do ócio, anônimo e justo. Como é bom entrar e sair de todos os lugares sem chamar a atenção de ninguém. É quando a vida fica mais mansa de ser vivida entre o acolchoado macio do ir e vir. Principalmente depois de anos e anos, de dias e noites trepidantes, no desassombro inevitável de enfrentar a sobrevivência todas as vezes que o desafio impõe as suas exigências. 

Tenho impressão que o jornalismo ensina a arte de viver sem coragem e sem medo todos os dias da vida. Quando chegam, e se chegam, os desafios vão sendo enfrentados com as armas de cada hora. A luta e a resignação são feitas da mesma matéria de que são feitos as ambições e frustrações. É não vê-las como maldição. Aprendi, com esses anos todos, que tudo passa. As alegrias e as tristezas, ao contrário dos diamantes do filme de James Bond, não são eternas.

Não significa dizer, necessariamente, que a saudade e o rancor não possam eternizá-las, lá dentro da alma, se não é possível esquecê-las tão completamente. Se é verdade que aos poetas cabe escrever mais profundamente sobre a vida, um dos belos tratados filosóficos está naqueles quatro versos que parecem simples do ‘Poeminha do contra’, de Mário Quintana. Eles avisam: “Todos esses que aí estão / atravancando meu caminho, / eles passarão... / Eu passarinho!”. 

Não erram os seus analistas quando encontram mais do que um mero jogo de palavras, embora a poesia jogue o jogo da criação. O pássaro e o passo de quem passa e atravancam o caminho, são grandes, o poeta não nega, mas um dia passarão. E que ele, o poeta, é apenas um passarinho. O poeta sabia - ele tão pobre de tudo, vivendo de favor numa pensão, que tudo passa se por sobre tudo voa o passarinho e leva, na metáfora das asas, o nobre destino de ser eterno.   

Acredite, Senhor Redator: há de existir, sim, alguma vantagem em não se ser um pássaro grande, metáfora dos fortes que, às vezes, fecham nosso caminho. Ser pequeno, apenas e tão só um passarinho, pode ter o sentido do melhor diante daqueles que se julgam intransponíveis. O ‘Poeminha do Contra’ não quer dizer que o poeta Quintana estivesse satisfeito com a sua pobreza. Ninguém é pobre por desejo, mania ou convicção. Mas a pobreza existe. Fazer o quê? 

 O mundo até hoje ainda não ganhou nada melhor do que os quatro versos de Quintana para se compreender a vida. Principalmente quando a vida, em si mesma, não explica tudo como seria ideal. Como a felicidade de não se ser nada, ainda que todos desejem tudo. Com os anos, a vida vai exigindo menos a cada dia. Somos todos, queiramos ou não, passageiros do mesmo navio que deixa em cada porto um pouco da carga que antes enchia seu convés. Quando partiu... 

PERDA - A morte do ministro José Augusto Delgado retira do patrimônio jurídico vivo do Rio Grande do Norte uma das suas mais valiosas presenças. E deixa, todos nós, enlutados e pobres.  

CUIDADO - A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras precisa eleger um nome à altura de José Augusto Delgado. Sua memória não pode cair jamais nas mãos de um arrivista da literatice. 

LOBOS - De um deputado com olhos de águia, vendo a CPI da Arena: “Os lobos do DEM já viram que os cordeiros ingênuos não são de nada e já começam a esvaziar a CPI dos amadores”. 

ALIÁS - A capacidade de arguição dos que, sutilmente, esvaziam a CPI da Arena das Dunas é mil vezes maior do que a percepção estratégica dos que a desejam manter. E pior: sequer notam.

AVISO - Quando um oficial, de qualquer das armas, inclusive da PM, prega a desobediência a um ministro do Supremo, nega a si mesmo o direito de cobrar obediência aos seus subalternos.  

DICA - Se você anda de alma vadia, sem ter o fazer, e aceita que a leitura tem alguma serventia, leia ‘Complexo de Vira-Lata’, de Márcia Tiburi. E veja como os brasileiros estão humilhados. 

AGENDA - Amanhã, sábado, das 9 ao meio-dia, no Sebo Vermelho, Carlos Gomes autografa dois livros: ‘Amor de Outono’ e ‘O Circo Vive’. O editor Abimael Silva é o anfitrião da tribo. 

LEIA - Do talentoso João Pereira Coutinho, cronista português-brasileiro que escreve na Folha, toda terça: “Culpar outros por nossos fracassos é a forma perversa de sujar o sucesso alheio”. 

PERDEDOR - O editorial de primeira página da Folha de S. Paulo, ao apontar Jair Bolsonaro como ‘o perdedor’, sem desconhecer a multidão que ele juntou nas ruas, foi certeiro num ponto que demonstra a fragilidade do seu desejo de golpe: 75% dos brasileiros querem a democracia.

MAIS - O editorial foi além - “Não importa o quão fanaticamente os bolsonaristas apoiem seu chefe e o quanto os opositores estejam menos mobilizados” - há uma verdade bem acima das emoções: para 78% dos brasileiros “o regime militar foi uma ditadura da qual não há saudades”. 

CUIDADO - A psicologia das multidões é estudada há mais cem anos. O clássico de Gustave Le Bon foi traduzido no Brasil há mais de um século. A multidão nascida da classe média foi a favor do golpe de 64; depois, foi contra. Fernando Collor foi ovacionado e execrado nas ruas. 








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Deles, dos cretinos
Atualizado: 00:11:34 09/09/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Aprendi com a vida, ao longo dos demorados cinquenta anos de repórter, vendo e ouvindo as vozes do mundo, de perto e de longe: só os inteligentes são cretinos. Pode existir, mas nunca vi um cretino burro. Com todo respeito, os fronteiriços não formulam essa forma tão perfeita e tão requintada do mal. É deles, dos inteligentes, Senhor Redator, essa vil capacidade de dissimulação, como se arrastassem uma refinada maldição de amar o falso para a falsidade ser como uma arte.

Oscar Wilde, vítima do escárnio intolerante e conservador da sociedade vitoriana na qual viveu, naquela Londres de um reinado frio e desumano, avisou: “Pouca sinceridade é uma coisa perigosa e muita sinceridade é fatal”. Talvez fosse melhor não ser tão claro e esconder a verdade nas costuras do avesso das batas, das togas, das pelerines. Quem sabe, a vida seria doce como um favo de mel, mas mataria por esganação o mais excitante de tudo que é o gosto forte do inesperado. 

Com o tempo, os olhos aprendem a separar as artes das artimanhas. Não para vencê-las. A vida precisa ter de tudo um pouco, mas para vivê-las verdadeiramente, sem se deixar enganar. Até os abutres, se vistos com os bons olhos perscrutadores, se justificam. É a bruta lei da sobrevivência da qual o ser humano é inseparável. E mesmo que tenha vivido o processo civilizatório dos bons costumes que tudo amaina, não apagou sua natureza violenta, a de ser capaz de matar a quem ama.

O mundo tem uma pequena teoria do cretino escrita pelo norte-americano Aaron James, depois transformada em documentário dirigido pelo documentarista John Walker. O livro nunca foi traduzido no Brasil, mas sua principal lição é avisar que ninguém nasce cretino. Um processo cultural vai formando o sentimento de cretinice. Principalmente se numa mesma personalidade a vaidade e a ambição se reúnem e as duas águas formam o caudaloso desejo de dominar o mundo. 

É do cretino a habilidosa arte de agradar. Não que necessariamente precise, mas em razão de algo mais profundo e cavernoso que é imaginar, com absoluta convicção, que a nova conquista será o bálsamo que vai curar a sua ansiedade. E será, seja lá o que for, no seu novo espaço, contanto que não seja apenas mais um, como os outros. O cretino é um colecionador de banalidades que ele soleniza naquela arte de inventar-se a si mesmo ainda que não passem de conspícuas nulidades.  

Os mundos da vaidade são assim - o político, o intelectual e o acadêmico. O político busca o poder e o intelectual financia a sua própria glória. As universidades abandonaram a busca do saber-saber e do saber-fazer, como se a sociedade não as mantivessem para que promovam o ensino geral das profissões. O modelo, no fim, é também castrense. A combinação de tempos e de patentes e o sistema, somados os seus dias e seus papéis, nivela a todos. Quando não são iguais.      

OLHO - A auditora Iana Silva de Lima, da TCE, informou à CPI uma novidade: há outro contrato sendo auditado: de obras e serviços de engenharia. Cabe à comissão buscar informações oficiais.

JUSTO - O vereador Eliabe Alves, de Lagoa Nova, no Seridó, vai propor o título de Cidadão Honorário ao ex-governador e ex-reitor Genibaldo Barros. A homenagem justa a um seridoense.

ALIÁS - Eliabe é vereador, mas é também jornalista e caricaturista dos bons. E remete, via e-mail, uma caricatura de Genibaldo festejando os amigos, ele que é um sertanejo cultivador de amizades.

ENCANTOS - Está nas estantes da livraria do Campus, ‘Encantos do Brasil, xilogravura e cultura popular’, de Pedro Lima, a pesquisa do escritor e professor de arquitetura e urbanismo da UFRN.

TEMAS - Pedro Lima reúne dez ensaios, ilustrados por xilogravuras criadas por ele, em torno de temas da cultura popular brasileira, lançado pela Appris, de Curitiba, Paraná, e numa bela edição. 

AILSON - Bonita a homenagem do filho Thiago Pereira Pinheiro na missa de 7º dia do seu pai, Ailson Pinheiro. Seu texto conta sua história de vida e sua luta contra a Covid. Um belo exemplo. 

TOQUE - O blazer preto, talhado em cortes harmoniosos e sobre uma calça grafite, foi o toque de elegância do deputado Raimundo Fernandes inaugurando a tarde nos corredores da Assembleia. 

SINAL -  De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, depois de tragar seu puro cubano olhando o beco findar nos costados da Vigário Bartolomeu: “Ninguém esconde um sorriso falso”. 

DISNEY - Vai ser dia 13 próximo, com acesso gratuito pelo perfil @disney.prof no Instagram, o lançamento do e-book Princesas Disney na sua Redação, do professor de Arte Ildisnei Silva que é mais conhecido como Professor Disney pelo seu trabalho pioneiro com personagens infantis. 

ALIÁS - O professor Disney adota um método voltado para aulas sempre muito dinâmicas e já faz sucesso com aulas temáticas a partir de histórias da Disney para destacar as nuances éticas, estéticas e políticas contidas nos contos infantis. O que revela sua criatividade na área didática.   

ALECRIM - A Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim - AEBA - lança, em breve, a programação oficial das comemorações dos 110 anos do bairro, apesar das dificuldades em razão da pandemia e da ressaca financeira que assola o RN, o que tem limitado a busca de patrocínios. 








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De não ser
Atualizado: 23:44:51 07/09/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Parece mentira, Senhor Redator, e é por isso mesmo que não duvido que duvidem. Um dia, sugestão não lembro de quem, fui convidado por uma instituição a fazer uma palestra sobre o sertão de Oswaldo Lamartine. Acertei a data, concordei com os honorários simbólicos, e achei que bastava. Dias depois, via e-mail, chega um ofício pedindo para o ‘conferencista’, como fui tratado, apresentar o currículo completo para assim justificar o insuspeito processo de empenho. 

Até ali, não imaginei o que viria depois. Mandei os dados, poucos e únicos: o ginasial no ‘Ginásio Noturno Monsenhor Matta’, na Praça Aristófanes Fernandes; o curso clássico no Atheneu; e o curso de jornalismo na Faculdade Eloy de Souza. Acrescentei minha atuação como jornalista profissional, colunista do então ‘Jornal de Hoje’ e a condição de professor aposentado do curso de Comunicação Social da UFRN. Nada mais existia e nem foi, portanto, declarado.

No mesmo dia, a secretária da instituição retornou, via e-mail, para só explicar que era preciso, no currículo, um documento de instituição pública que pudesse atestar, de fato, a minha condição de ‘intelectual’. Não tive dúvida: xerografei o quadro dos ocupantes da Academia de Letras, afinal lá estava meu nome na cadeira 27 que tem como patrono Aurélio Pinheiro e primeiro ocupante o meu ilustre conterrâneo, Américo de Oliveira Costa. E pensei: agora vai! 
Veio outro e-mail. E advertia: a minha condição de intelectual, ou seja, minha credencial para falar sobre o sertão de Oswaldo Lamartine teria que ser atestada. O que parecia difícil, não resistiu a um estalo que, se não foi tão célebre quanto o Estalo de Vieira, teria o condão de encerrar o assunto: informei, por escrito, via e-mail, que só Dona Benigna, minha mãe, aceitaria assinar aquela declaração. E, assim mesmo por amor - só por amor - ao seu filho mais velho. 

Não é fácil, Senhor Redator, viver nesse mundo sem ter um currículo, digamos, probo. Daqueles volumosos, de diplomas, declarações e atestados cuidadosamente fotocopiados, de preferência com firma reconhecida em cartório atestando a autenticidade. Tudo em boa ordem cronológica e, se for o caso de uma glória oficialmente reconhecida, com certidões de mestrado, doutorado e pós-doutorado, para não falar dos livros publicados e com a consagração da crítica. 

Imagine, depois de toda essa história, o que é viver há 51 anos a pobre vida de jornalista profissional desde 1970, na velha Rádio Rural, sem currículo, escrevendo como sobrevivência inevitável? A trocar palavras por margarina, feijão e pão? Enquanto outros, tocados pelo brilho da genialidade escrevem como um hobbie. Um jeito charmoso de passar o tempo, ainda que, às vezes, sem muita graça. Como quem abre a torneira e deixa jorrar belos eflúvios e encômios...  

HISTÓRIA - Toma posse hoje, às 19h30, na Cadeira 75 do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, Gustavo Henrique Marques Bezerra que tem como patrono Luís da Câmara Cascudo.

QUEM - Gustavo Bezerra é escritor e diplomata e reside em Brasília. O Instituto Histórico do Rio Grande do Norte será representado na solenidade pelo médico Evaldo Alves de Oliveira. 

GRITO - É tão confuso o conceito de herói no Brasil que o coronel Azevedo, na convocação patriótica que fez para o dia 7 invocou Pedro Álvares Cabral como autor do grito do Ipiranga.  

SAIBA - Cristiana Coeli, filha de Celso da Silveira e Mirian Coeli, mora no Canadá, onde é artista plástica, e tem como marchand Eric Belmondo, um filho do ator Jean-Paul Belmondo. 

BRASIL - Andamos tão loucos que a ira se fez até contra quem pacificamente botou bandeiras do Brasil nas fachadas e nos automóveis. A liberdade é a maior vítima da polarização sectária. 

AVISO - Ao gravar sobre os 100 anos da Independência, em 1922, não especifiquei as rupturas estética e ideológica, ali representadas pela Semana de 22 e a fundação do Partido Comunista. 

ALIÁS - Foram apenas 10 minutos, pouco para uma discussão mais profundada. Claro que há influências estéticas e ideológicas nos dois sentidos. E os estudos mostram essas consequências. 

PECADO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, a animar o amigo de mesa com medo do perigo: “Não honrar uma paixão é tão grave que deveria ser o oitavo pecado capital”. 

PÁTRIA - Quando os protestos são financiados, de um lado ou de outro, inclusive pelos cofres públicos, direta ou indiretamente, é a própria pátria que acaba sequestrada. Como conceito e como pátria. E é típico das civilizações sem heróis verdadeiros e, por isso, precisa inventá-los.

EXEMPLO - O caso flagrante foram as honras militares concedidas ao piloto Ayrton Senna, um dos maiores da Fórmula I no mundo, mas não morreu pela pátria. Foi vítima de um trágico acidente. E seu corpo desfilou em Brasília no ombro dos garbosos Dragões da Independência. 

BRASIL - O Brasil tem sido pródigo em inventar heróis em todos os campos. Da política ao esporte, da vida civil à militar. Para não falar nos ídolos eternizados no bronze por força política de grupos familiares. Os heróis anônimos, então, esses voltam ao pó na solidão dos cemitérios.






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À mesa, sempre
Atualizado: 01:00:10 07/09/2021
Vicente Serejo
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O processo civilizatório, ensina Câmara Cascudo, se fez em torno da fome e a luta contra fome ao redor da mesa na caverna com seu chão de pedra. De quando o homem tomava água na concha das mãos, coletava frutos e caçava com o instinto de sobrevivência que o fez moquear a carne no calor da chama, até assar, cozinhar e refogar com ervas de cheiro e de gosto. Não fosse o desejo da carne, na mesa e na cama, teria morrido de tristeza sem sentir o prazer da vida. 

Até hoje, os franceses, para quem a mesa é celebração - dos cafés aos palácios - não sabem, ao certo, quem disse a frase famosa sobre o champagne, para ser fiel até na grafia da palavra gaulesa. Stéphane Hénaut e Jeni Mitchell, marido e mulher, ele alemão e chef de cuisine consagrado; ela professora de história militar no Kings College, de Londres, escreveram juntos ‘A Deliciosa História da França’, e não negaram a dúvida. Mais por charme do que respeito. 

Para eles, há duas versões: na mais antiga, foi coisa de Napoleão Bonaparte, de quem não se pode duvidar das ousadias e excentricidades. Um conquistador que devastou os maiores exércitos do seu tempo para construir um império e coroar-se com as próprias mãos, a ele e a Josephine, sua mulher, diante do Papa, sob a nave gótica de Notre Dame. A mais recente ficou na conta de Winston Churchill que liderou os ingleses para derrotar Adolf Hitler, o invencível. 

A dúvida sobre a frase consagradora do champagne seria esta: “Na vitória, você merece champagne, na derrota você precisa dele”.  Talvez os franceses estejam certos quando tomam para si a autoria da frase. Napoleão seria capaz de dizê-la. Afinal, e se não é excessivo da parte do cronista, ninguém foi mais perfeito do que eles ao criarem a expressão ‘joie de vivre’ para significar, na doce plenitude do prazer, o que o resto do mudo conhece como a alegria de viver. 

As civilizações criam seus caldos de cultura, mas é preciso cultivá-los sem o pedantismo próprio dos que desconhecem a beleza dos trópicos tão bem defendida por Gilberto Freyre quando inventou a Tropicologia. E pelo nosso embaixador Nestor dos Santos Lima ao escrever seu ensaio ‘Esqueça a primavera, irmão’. Temos uma saudade envergonhada da civilização do frio, como se superior, e fechamos os olhos à civilização sob o sol forte do sertão e do mar. 

Isso tudo é pra dizer que temos hoje cachaças, bem destiladas em excelentes alambiques e estudos, para ficar no campo de expressão das bebidas fortes e do bom hábito de tê-las à mesa. O que não supera a velha nobreza do champagne. Como teria dito Napoleão - ou foi Churchill? - às vezes você merece uma bela taça de champagne nas suas grandes vitórias. Ou pode precisar, depois de sofrer uma derrota. Os dois, Napoleão e Churchill, sabiam da vida. 

EXTINTOR – Pode haver corrida de deputados estaduais e federais para o viveiro dos tucanos se não for mantida, no Senado, a permissão para as alianças nas chapas proporcionais em 2022.

ALIÁS - Se depender de alguns - menos PT e Solidariedade - iriam todos para o PSDB com o pacto dos tucanos liberá-los depois das eleições. Na política o instinto de sobrevivência é a lei.  

FRIA - O tempo vai mostrando que a CPI da Arena é palanque de amadores. A investigação está judicializada e com indícios muito mais graves do que nos dizem os deputados falastrões.  

QUENTE - Caminhos quentes - se não cair no espetáculo - poderão ser os trilhados pela CPI da Pandemia. Embora os contratos, até agora, não se mostrem eivados das velhas deformações.

RECADO - Este ano o tema da Bienal são dois versos célebres do poeta Thiago de Melo, do seu poema ‘Madrugada Camponesa’: “Faz escuro mas eu canto / porque a manhã vai chegar”.

CANTO - O poema foi peça de teatro e tema do 14º Congresso do PCdoB, em 2017. Canto de luta gravado por Nara Leão no Lp ‘Manhã de Liberdade’, com música de Monsueto Menezes.  

POESIA - Tião Maia, da Academia Macauense de Letras, lançou em Macau, como parte do aniversário da cidade, seu livro de poemas ‘A Solidez do Âmbar’. Foi na praça da Conceição.

AVISO - Nas livrarias, ‘Código de Machado de Assis’, de Miguel Matos, 596 páginas e 116 QR Codes que remetem às imagens citadas no livro. Edição Migalhas. Valor: R$ 184,60 reais. 

AVISO - Cláudio Galvão, o historiador da nossa vida cultural e literária contemporânea, já chegou ao ano de 1954 na pesquisa sobre a vida e a obra do poeta Antônio Pinto de Medeiros. Na cena do baile do Aero Clube, ele dançando com Zila Mamede que lançara ‘Rosa de Pedra’. 

ESTILO - Autor de um estilo considerado implacável como crítico literário, Antônio Pinto, na sua coluna ‘Santo Ofício’, rasgava o véu das mediocridades lítero-recreativas provincianas. E chegou até a um grave conflito e rompimento com a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.  

QUANDO - Claudio Galvão ainda não tem data para terminar a pesquisa, mas é possível que entregue ao leitor até final do próximo ano. Os dois livros do poeta - ‘Um poeta à toa’ e ‘Rio do Vento’, foram relançados numa edição Sol Negro com um belo ensaio de Tarcísio Gurgel.






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Saudades, ruínas
Atualizado: 17:38:02 04/09/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Reprodução


Nossas juventudes eram pobres, Senhor Redator. Vividas no pequeno mundo do Grande Ponto, se nele cabiam todos os sonhos e frustrações. Cada um cumpria seu destino na humildade das descobertas possíveis. Uns, mais inteligentes, imitavam poetas e prosadores; outros, ouviam quando alguns repetiam histórias e boatos. A vida corria mansa como as águas do rio que a gente olhava do telhado que parecia cair de um velho bar chamado, vaidosamente, de Brisa Del Mare.

Um deles, era comunista. Dizia-se seguidor de Proudhon e por isso repetia sempre que toda propriedade é um roubo. Quando os fuzis do golpe militar recrudesceram, com o AI-5, ali por volta dos fins de 1968, as más línguas diziam que ele fugira com medo para as terras mais escondidas de Jaboatão dos Guararapes. Era funcionário público e pregava a revolução nas salas sem graça de sua repartição, numa vida besta que se era pobre de salário, tinha a riqueza das grandes ilusões.

Lembro que gostava de dizer alguns poemas revolucionários, mas, às vezes, de alma mais apascentada, repetia o soneto de Lêdo Ivo a Emengarda: “Eis-me junto à tua sepultura, Emengarda / para chorar a carne pobre e pura / que nenhum de nós viu apodrecer”. Registro os versos como ficaram pregados nas paredes velhas da memória. Ou então, e tristemente, seu Soneto de Abril, bem assim: “Agora que é abril, e o mar se ausenta, /secando-se em si mesmo como um pranto...”.

A vida, como no poema de Manuel Bandeira, chegava pelos jornais que os menos humildes podiam comprar na Banca Tio Patinhas, na calçada do cinema Rex. Era ali que nas manhãs de domingo adolescentes e adultos trocavam revistas de quadrinhos e figurinhas. Os candidatos a uma vida intelectual, frequentavam a Livraria Universitária, de Walter Pereira, quando a Universidade dava seus primeiros passos e já não era possível limitar a vida à papelaria de Seu Ismael Pereira.

Não diria, Senhor Redator, que a récita desapareceu. Ainda há os que sabem dizer poemas inteiros. Não faz tanto tempo, ouvi um amigo dizer os versos completos de ‘Essa Negra Fulô’, de Jorge de Lima. Ou, quando instigo a sua memória mais distante, os versos belos e tristíssimos de Alphonsus de Guimaraens a cantar a loucura de Ismália, aquela que morreu no mar: “As asas que Deus lhe deu / ruflaram de par em par... / Sua alma subiu ao céu, / seu corpo desceu ao mar...’.

O tempo passou. Foi indo como se não fosse, de tão manso e fugidio. A vida é curta e não acreditávamos. Hoje, o Grande Ponto é como se fosse uma velha estação de trens que passam sem destino e cheios de lembranças. Ainda tenho dois amigos comerciantes que de vez em quando visito bem por ali. Chego, puxo duas ou três lembranças que ainda boiam, sem vida, no mar dos sargaços, e logo vou embora. Uso a desculpa de ter mandado lavar o carro. Mentira. É só saudade. 

LUTA - O escritor Manoel Onofre Jr. dedicou a página que escreve semanalmente para o ‘Jornal de Fato’, de Mossoró, a uma justa causa: a restauração do Presépio projetado por Oscar Niemayer.

ALIÁS - Natal consegue chegar ao cúmulo de manter invadida, dilapidada e desprezada uma obra de Oscar Niemayer. Nas barbas do governo do Estado e Conselho Estadual de Cultura. Pasmem!

JEJUNOS - Isto é o resultado de se manter à frente da política de turismo cultural gestores jejunos e despreparados. Uma secretaria e uma empresa estatal que vivem de fritar bolinho e fazer cocada.  

MACHADO - Para o escritor Ivan Maciel, maior conhecedor de Machado de Assis nesta aldeia de Felipe Camarão: saiu a nova edição do Dicionário de Machado de Assis, de Ubiratan Machado.

MAIOR - Lançado originalmente em 2008, a nova edição sai acrescida de 120 novos verbetes e tem a chancela da Academia Brasileira de Letras. São 580 páginas com ilustrações e bibliografia.

AMANTE - O verbete mais ousado, e de certa forma inédito, é a confirmação de uma amante que Machado de Assis manteve durante seu casamento com Carolina. Com nome, endereço e citações.   

ALEGRIA - O carnaval depois da Gripe Espanhola e da I Guerra Mundial foi uma explosão de alegria no Brasil e no mundo. O Rio quer repetir e anuncia que fará ‘o maior réveillon da década’.

MAS... - Não será fácil retomar o carnaval dos blocos de rua. Depois de dois anos, os proprietários desmontaram ou venderam os caminhões. Eles quebraram financeiramente, vítimas da pandemia. 

SINHO -O empresário Paulo de Paula prepara-se para iniciar a realização do seu grande sonho, depois de fundar e consolidar uma das maiores universidades privadas do país, a UnP: começa no segundo semestre a cidade balneária no litoral Norte, numa ousada extensão de 2.700 hectares.

GRANDEZA - As obras deverão ser iniciadas ainda no verão de 2022 com a construção de casas, apartamentos, hotéis e parque aquático. Uma obra a partir de parcerias com grupos nacionais e internacionais. A sua grande área, encravada na praia de Jacumã, terá quatro quilômetros de mar.  

NÍSIA - De volta a Natal, depois de mais de um ano, a professora de filosofia Monalisa Carrilho, da UFRN. Aproveitou o pós-doutorado para pesquisar em arquivos e bibliotecas francesas sobre a vida e a obra de Nísia Floresta. Trouxe muitas novidades na bagagem. Além da saudade de Paris.


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