No teto?
Atualizado: 23:44:56 19/05/2022
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Uma clara dualidade marca a avaliação da pesquisa AgoraSei, apesar de ser um retrato bem antes da campanha, o que é sempre colocado, pela própria estatística, com o cuidado da reserva de expectativa: a governadora Fátima Bezerra, neste momento, lidera o voto assumido e, ao mesmo tempo, bate forte na barreira da rejeição com 39%. O que assinala não é definitivo, mas aponta a existência de uma perspectiva: a de ir para o segundo turno e, se for, será uma disputa voto a voto.  

Pelos números, é confortável ter 36% na estimulada, mais de um terço, mas revela também a existência de um universo a ser conquistado se somados os que disputam os votos mais de perto, no caso, o senador Styvenson Valentim e o ex-vice-governador Fábio Dantas. Somados, os dois representam 26,5% do universo votante. E uma dúvida, por suposto: se Valentin será candidato, o que não foi confirmado até agora, mas é, neste recorte estatístico, um voto anti-PT, com certeza. 

Quando nada, há um universo a ser conquistado que só no decorrer da campanha vai ser possível saber se é persistente na sua manifestação contra a reeleição da governadora, e se pode significar, de algum modo, o seu teto. Tudo passa, de certa maneira, pelo desempenho do candidato Fabio Dantas, hoje abaixo de Valentim, mas dentro de uma margem que pode ser considerada na margem de segurança. No quesito não estimulado a diferença hoje pró-Valentim é de apenas 1%.

Há duas projeções possíveis, ainda que sejam traços de um retrato de hoje: a chance real da governadora sustentar seu patamar e até crescer, a exemplo de todos, chegando a 40%, o que significaria uma consolidação ideal. Sua posição é confortável na indagação não estimulada se é real a intenção de voto no seu nome de 21,8%, contra 5.1% de Styvenson Valentim e mais 4.2% de Fábio Dantas, o que projeta, estatisticamente, um empate com os seus principais contendores.

A pergunta que nasce da dualidade e dos pesos contrários entre si, é esta: a governadora bateu no teto e de lá não tem como subir, ou, no calor da luta, o voto rural impulsionado por Lula que no Nordeste se mantém, em média, bem superior a 50%, irá catapultá-la para o alto? A partir de agora, a relevância passa a ser o ritmo de crescimento, estagnação e queda de cada um deles até a data do voto. Por esses números, mesmo muito cedo, pode haver segundo turno e imprevisível.  

É da natureza das lutas majoritárias, principalmente para o governo, a disputa intensa, voto a voto, e a tradição de ser levada a um segundo turno, o que, na pratica, é outra campanha. É uma exceção histórica a derrota de um governador no primeiro turno, como no caso de Robinson Faria, vítima do desgaste pelo atraso de quatro folhas de pessoal, desagradando a milhares de eleitores e suas famílias. Vence aquele que tiver mais votos. É óbvio. Mas, neste momento, a única certeza. 

TUCANOS - O ex-deputado Júnior Souto, presidente do PT, sabe: o PSDB vai para luta dividido. Se a governadora Fátima Bezerra tiver o apoio do deputado Ezequiel Ferreira, terá a grande fatia. 

DIFÍCIL - Os próceres municipais não apostam no apoio do prefeito Álvaro Dias ao candidato Fábio Dantas. Mas asseguram que Dias vai apoiar Rogério Marinho. É no modelo do fogo cruzado.

SILÊNCIO - O prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, continua num silêncio de pedra quanto ao nome que deve apoiar para o governo do Estado. E pode ser assim sempre. Ou até o segundo turno.

PRESENÇA - O lado Rosado sob o olhar do ex-deputado Carlos Augusto, está convencido de que a eleição de Beto Rosado é estratégica. Sob pena da tradição política da família vir a sucumbir.

PERDA - A candidatura de Rafael Motta ao governo gerou perda substancial à chapa de deputado federal do PSB na soma de votos da sua nominata. Para não correr o risco de ficar sem um eleito.  

BRILHO - Anitta está na capa da Billboard com o título de ‘Visão global de Anitta’, lançada por uma das mais badaladas revistas norte-americanas. Depois da Bossa Nova, é nossa maior estrela.

HISTÓRIA - O editor Abimael Silva lança amanhã, sábado, 9h ao meio dia, no Sebo Vermelho, a segunda edição de Bravos Sertanejos do Seridó, genealogia pesquisada por Paul M. Assis Brasil. 

DANTAS - Assis Brasil conta como chegaram ao Brasil e ao Seridó as famílias portuguesas - os ‘Dantas Corrêa’ e os ‘Ribeiro Dantas’. Um livro raro e esgotado desde 2002 e só agora relançado.   

PESQUISA - É cedo para se ter boa consistência nas pesquisas. Mas mostram que o fenômeno Styvenson Valentim está vivo. Mais: o que fortalece Fátima Bezerra é a grande força de Lula com 57,8%. Bolsonaro tem rejeição de 60,2% no RN. E Carlos Eduardo lidera, mas é o mais rejeitado. 

MODERNOS - Amanhã, às 11h, no Seburubu - Av. Deodoro, de frente ao 294 - o lançamento do ensaio de Alexandre Alves - “Poesia Moderna no RN: primeiro tempo 1925-1930”. Alexandre é hoje o maior estudioso da nossa produção poética. É uma edição da Queima-Bucha, de Mossoró.

DEUS - Comovente a cena dos duzentos colchões, travesseiros e cobertores na nave da Catedral da Sé, São Paulo, para receber os moradores de rua nas noites frias da Paulicéia. No chão, entre as belas arcadas ogivais do seu estilo gótico. É como um abraço de Deus para abrigar os desvalidos.  

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A chave e a porta
Atualizado: 23:59:18 18/05/2022
Vicente Serejo
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Há uma chave na chapa que disputa a única vaga de senador e com apoio da governadora Fátima Bezerra nas eleições deste ano: os efeitos que poderão ser produzidos pela candidatura do hoje deputado federal Rafael Motta. Com três desfechos possíveis: se será o mais votado e, portanto, o eleito; se divide e esvazia a votação do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves; e se este fato pode contribuir para a eleição do ex-ministro Rogerio Marinho, candidato de Jair Bolsonaro. 

Não se trata de contrapor razões para desmontar a posição do governo quando, em seu nome, o chefe da Casa Civil, Raimundo Alves, declarou que ter dois nomes para o Senado, ao lado da governadora, não é um problema. E não é. A questão é bem outra e de ordem estratégica: qual será a posição da governadora diante do conflito público dos dois aliados a ser levado nos debates e comícios, ou se exercerá preferência por um em detrimento do outro, a qualquer preço. 

Os tempos são estranhos e, neles, cabem as bizarrices que hoje assolam a velha tradição democrática que antes buscava a unidade de pensamento. Pelo visto e lido até agora, a chapa que tem a governadora na cabeça da luta tem profundas clivagens internas e externas, ou seja, dentro e fora do seu partido. De um lado, pela presença do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, presidente do PDT; e, do outro, a candidatura de Rafael Motta que preside o PSB e seu socialismo de sigla. 

Em princípio, a governadora nada perde, se dos dois convergirem os votos para seu nome, ainda que nascidos de uma disputa que promete não ser tão pacífica. Mas, o desdobramento pode provocar uma divisão do eleitorado a ponto de partir em dois fazendo do ex-ministro Rogério Marinho ser o mais votado e, por consequência natural, o senador eleito. Nesse diapasão, o fato não desagrada ao candidato do presidente Jair Bolsonaro, hoje a campanha com a maior estrutura.

Ninguém pode negar a coesão ideológica da candidatura de Rogério Marinho. A força e a clareza de sua retórica, sem subterfúgios, consolidou, desde sempre, sua posição oposicionista, o que não é constatável na retórica do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves. Foi sempre um crítico do governo Fátima Bezerra. Foi candidato ao governo, mas não mereceu quem apoiasse, de fato, seu nome. E tentou ser senador de um lado e do outro até ser abrigado numa aliança PT-PDT.

O que distingue Alves de Motta são seus acervos eleitorais. É inegável a forte presença de Alves em Natal, segundo a avaliação em todas as pesquisas na capital. Como é inegável sua fraca presença no eleitorado rural. Um eleitorado que foi determinante na sua derrota em 2018 para a hoje governadora Fátima Bezerra. Eis, a grande chave. Só a campanha desenhará os primeiros traços, como só as urnas dirão qual a porta que vai ser aberta e para qual caminho. 

PACTO - Anotem: o ex-senador José Agripino, presidente do União Brasil, aqui no Estado, vai honrar a decisão que for tomada pela bancada, mesmo em favor da governadora Fátima Bezerra.  

NOMES - É bom não esquecer que há dois nomes, segundo as contas do União Brasil, que estão no pódio para a Câmara Federal: a deputada federal Carla Dickson e o vereador Paulinho Freire.  

AVISO - Ceder a ordem de precedência não significa ser o nome da sucessão. Segundo uma mitra com décadas de vida eclesiástica, não há nome escolhido para suceder a Dom Jaime Vieira. 

NOME - Dizia, ontem, uma das cabeças coroadas da Província Eclesiástica deste Potengi: ‘Se alguém sabe quem será o novo arcebispo de Natal é Dom Jaime Vieira Rocha. E mais ninguém”. 

BASES - Fábio Dantas, candidato a governador, começa a percorrer as bases já comprometidas com o ex-ministro Rogério Marinho. Sabe que poderão ser naturalmente suas, se bem articuladas. 

MAS - Dantas sabe, também, que há apoios ao candidato Rogério Marinho que não irão para o seu nome. O efeito do voto de prefeitos e ex-prefeitos é uma ciência sobre a qual não há domínio.

FORÇA - Hoje, no interior, o núcleo maior e mais numeroso pertence a Lula e a governadora Fátima Bezerra será, em tese, a beneficiada na hora do voto. Mas, o voto é uma matéria volúvel.

DETALHE - Tão volúvel e tão ligada à sobrevivência que um dado revela seu estado líquido: o RN já tem hoje 450 mil inscritos no Auxílio Brasil. O que é um contingente muito representativo. 

POSIÇÃO - Foi clara e sem subterfúgios a tomada de posição do presidente estadual do União Brasil, ex-senador José Agripino, quando declarou a esta TN que os seus candidatos vão decidir a quem apoiarão nas eleições deste ano. Um gesto sem previsão do que pode decidir o plenário. 

GESTO - Agripino, com sua experiência política, sabe que poderia usar sua força em favor de um ou de outro, mas não parece ser esta a intenção. A decisão dos candidatos, pró-Fátima Bezerra ou pró-Fábio Dantas, será a posição do União Brasil, mesmo que possa divergir de José Agripino. 

PESO - Aliás, qualquer que venha a ser a direção do União Brasil, o peso é inegável e beneficiará o candidato escolhido. Votar em Lula é algo que não está no radar de Agripino, mas a vida é um assunto local, como diria Chaplin. Quando nada, é um bom exemplo e enriquece o jogo político.

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O tucanês
Atualizado: 23:22:09 17/05/2022
Vicente Serejo
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Nunca a linguagem dos tucanos teve tão boa expressão como na entrevista do deputado Ezequiel Ferreira quando aceitou quebrar seu silêncio de meses para explicar sua desistência para disputar o governo do Estado. Em síntese, se é possível apontar, justificou com um velho dístico popular de que preferiu um passo atrás para avançar, no futuro, um passo à frente. Um futuro que sabe ser, em política, algo muito volátil, capaz de volatilizar-se soprado até pelas circunstâncias.

Foi uma evasiva bem educada, dessas que os políticos cerebrais sabem usar na hora certa, mas não explica a contradição que os tucanos carregam, quando fazem um partido que acumula, ao mesmo tempo, magnitude e omissão. Vai às urnas deste ano com bons quadros, mas não disputa o governo, não indicou a vice e não tem candidato próprio ao Senado. E aceitou que, em nome do fortalecimento da governadora, ela convidasse Walter Alves e antecipasse sua própria sucessão.

A ambiguidade tem sido o freio a conter a capacidade de luta do PSDB, talvez nascido pelo destino que escolheu de abrigar contradições muitas vezes paralisantes e insuperáveis. O primeiro exemplo real é a candidatura do prefeito Álvaro Dias. Nasceu impossível de ser operacionalizada na medida em que o próprio Álvaro não teria a menor segurança em entregar a Prefeitura a Carlos Eduardo, patrocinador da vice, Aila Cortez, nem mesmo o apoio, de fato, à candidatura ao governo.

O segundo, foi a convivência, impossível, de Carlos Eduardo Alves, com Rogério Marinho na hipótese de lançar-se ao governo, ao acusá-lo de carrasco do desemprego. A desconfiança, aliás, contaminou as relações em torno dos tucanos, ostensivamente divididos ao meio, em relação à governadora Fátima Bezerra: a metade da bancada entrincheirada na oposição cerrada desde a sua posse, e seu presidente, deputado Ezequiel Ferreira, aliado com dois secretários no seu governo. 

Não deve ter sido por outra razão que o próprio Ezequiel Ferreira admitiu: os tucanos não fecharão questão contra ou a favor da governadora. Vão continuar assim, ambíguos e duplamente postados dentro e fora do governo. O papel bizarro fica por conta da retórica da banda oposicionista que cobra da governadora aquilo que esconde nos próprios antolhos que pregou no rosto para não cobrar ao próprio partido. Desatenção com eleitor que exige posições claras numa hora decisiva.  

Feitas as contas e contados os grãos, foi do melhor tucanês a explicação do presidente do PSDB na dança dos passos. O PSDB faz no Rio Grande do Norte o mesmo espetáculo que fragiliza sua imagem no resto do país. Partido ao meio, uma alma entregue a anjos e a outra a demônios, não parece interessado em acreditar na própria magnitude. Candidato, Ezequiel Ferreira facilmente teria unido todo o partido para disputar o governo e o Senado. Preferiu não dar um passo à frente. 

CRISE - Com 28 linhas urbanas a menos na área de Natal, a crise no sistema de transportes é certamente a mais profunda das últimas décadas. Uma crise já judicializada e sem saída à vista.

SINAL? - Olhos episcopais viram como sinal o gesto de Dom Paulo Jakson Nóbrega de Souza, bispo de Garanhuns, a indicação de Dom Jaime Vieira Rocha para presidir a missa no Vaticano.

COMO - Dom Paulo preside o Regional Nordeste II e abriu mão da precedência para Dom Jaime presidir a celebração dos bispos nordestinos no túmulo de S. Pedro na visita Ad Limina de 2022.

SERÁ? - O fato pode significar apenas a homenagem a Dom Jaime que deixa a Arquidiocese de Natal, mas também pode prefigurar o sinal simbólico de que Dom Paulo pode ser o seu sucessor.  

RITO - A Santa Madre Igreja tem seus ritos silenciosos para os leigos, mas ali estavam reunidos os bispos de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte que formam o Nordeste Dois.  

ARRAIÁ - Sexta-feira, coisa das 19h, no pátio da concessionaria Buda Motors, da Mitsubishi, na BR 101, Cidade Satélite, vai ter o Arraiá do Seu Pinto. Os ingressos no site outgo e na loja D Store. 

BUSCA - O candidato Fábio Dantas, segundo um velho prócer da província, ainda não encontrou um vice capaz de acrescer bom aporte à sua chapa. Na oposição, o protagonista é Rogério Marinho. 

GUERRA - Amanhã, quinta, às 18h, na galeria da Biblioteca Câmara Cascudo, Wendell Silva lança o livro “Os limites morais da guerra”. Um estudo sobre a guerra na obra de Michael Walzer. 

HISTÓRIA - Aluísio Lacerda, diretor do Memorial da Assembleia Legislativa, prepara a equipe para fazer um curso de ‘Introdução à Linguagem das Exposições’ a ser ministrado em Natal pelo museólogo Albino de Oliveira Júnior, da equipe técnica da Fundação Joaquim Nabuco, Recife. 

FUTURO - Na verdade, Aluísio Lacerda tem um desafio: preparar sua equipe para a montagem e operacionalização do Memorial na sua sede histórica que será instalada na casa que pertenceu ao historiador Tavares de Lyra, na Av. Junqueira Aires, hoje patrimônio da Assembleia Legislativa.

MULHERES - “Discurso de ódio contra as mulheres na Internet: diagnóstico e soluções para o caso brasileiro”, será um dos principais temas do Fórum da Internet no Brasil - FIB12 - que vai ser realizado em Natal do dia 31 de maio a 3 de junho no hotel Holiday. As inscrições são gratuitas.  

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Preguiça
Atualizado: 23:22:28 16/05/2022
Vicente Serejo
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Ando aqui, Senhor Redator, o corpo abandonado entre as varandas e amansando essa rede que é um refúgio longe dos olhos curiosos do mundo. Fazer o quê, se tudo já foi feito, segundo os donos da vida? Essa alma vadia, de uma serventia de quase nada, agora serve para saber do pobre destino dos homens por esse mundo de meu Deus. É bom não ter nada a fazer. Como os velhos da praça de São Marcos, na sereníssima república de Veneza, entre os leões, dando milho aos pombos. 

O Diabo, acredite, nunca esteve tanto em toda parte e ao mesmo tempo. Lembro, e nem sei explicar, do pequeno ensaio de J. B. Erhard, sua ‘Apologia do Diabo’. É livro antigo que outro dia foi reeditado em Portugal, pela Antígona. Johann Benjamin Erhard é o seu nome todo.

Viveu entre 1766 e 1827, médico e escritor, com incursões pela matemática e filosofia. Nasceu nos longes de Nuremberg, viveu em Berlin, onde viu o malogro da repressão e sentiu o fracasso dos seus sonhos. 

Cito esses detalhes só porque outro dia, por coincidência, procurando outro livro, os dedos puxaram o pequeno ensaio que destaca a sua frase célebre: “A virtude é um objeto que, pela sua natureza, é sublime e, pela sua liberdade, é belo”. Por isso fui correr os olhos no livrinho que achei na Finac, de Lisboa. Confesso: andava esquecido, no canto de uma estante, e sei pela etiqueta que registra o preço na contracapa que foi lá, em 2019 e custou 32 euros, com as suas oitenta páginas. 

Não nego, Senhor Redator: é bom o pequeno acervo que existe aqui sobre a figura e as peripécias do Diabo. Mas, confesso, não lembrava de Erhard. Não fosse o bom acaso e nem teria caído nos olhos. Com o livro, fui aos grifos daquela leitura: é que o Diabo de Erhard tem as vestes humanas. Ele adverte, duro: “O Diabo sob vestes humanas, o tirano, vive apenas no medo e do medo”. Há qualquer coisa de muito parecido com os diabos de hoje vagam nas ruas deste país.

Mais certeiro ainda é vê-lo lançar seu olhar implacável sobre o vício e a virtude. Se parecem desiguais na intensidade conflitante do bem e do mal sobre o espírito humano, a Erhard parecem mais. No vício, enxerga a ‘medonha perseverança’ como objeto preferido do sentimento sublime; na virtude, creia, não acredita existir ‘superioridade de força sobre o vício’. Mas reconhece que é sublime por sua própria natureza e belo pela liberdade, se a liberdade é uma resistência absoluta.

Não sei, Senhor Redator, se há tutano neste leitor de pequenas coisas, com estes olhos sem as virtudes superiores que os intelectuais exigem, para perceber que o mal é capaz de encontrar a razão. Não sei. O mal até hoje encontrou muitos homens geniais capazes de fazê-lo superior a toda a capacidade humana de fazer o bem. O poder foi sempre uma obsessão diabólica. E a conquista do poder, quando é uma obsessão, vê na virtude da liberdade um adversário que precisa derrotar.  

HUMILHADOS -Já nas livrarias o novo livro de Jessé Souza - ‘Brasil dos Humilhados’, edição da Civilização Brasileira. Um natalense que é hoje o maior nome da sociologia política no Brasil.

REVISÃO - O novo livro parte de um embrião publicado em 2015, com o título original ‘A Tolice da Inteligência Brasileira’. É a revisão crítica desde Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda.

UNÇÃO - A declaração do chefe da Casa Civil, Raimundo Alves, a voz da governadora Fátima Bezerra, é a unção que faltava ao deputado Rafael Mota na candidatura ao Senado ao lado do PT. 

E... - Comprovou que a governadora quer e aceita tudo e todos. Na edição de 17 de fevereiro deste ano, Raimundo Alves declarou a esta TN que Fátima queria Carlos Eduardo na chapa de Senador. 
AVISO - Quem avisa amigo é: tem um par de olhos muito atentos e bem informados olhando o acervo da Pinacoteca do Estado. De onde desapareceram alguns quadros e o governo não apurou. 

ALIÁS - É pra valer: o MP abriu um Termo de Ajustamento para verificar os critérios adotados na concorrência da licitação do Museu da Rampa. A coisa vem de mais distante do que se pensa. 

POESIA - Do poeta Horácio Paiva, jardineiro do seu Jardim das Caiporas nas terras bem além das sombras dos umbuzeiros, esse verso assim, belíssimo: “Seis horas / o vento descansa nas árvores”.  

TEATRO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, lavando os olhos com as águas da ironia: “Os melhores atores e atrizes são aqueles que representam, com perfeição, a falsa cultura”.   

CORAÇÃO - A médica natalense Sanali Paiva, diretora do Instituto Atena, coordenadora nacional do grupo ‘Mulheres Intervencionistas’, emplacou a campanha nacional ‘Seu coração não espera’, lançada no domingo, em Copacabana, com a presença do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

CANDIDATO - Os políticos sabem que, se prevalecer a autonomia dos partidos, e mesmo que os prazos na legislação eleitoral sejam peremptórios, o senador Styvenson Valentim pode disputar o governo este ano. E se for, não é impossível que ele assuma a liderança da oposição nas pesquisas.  

VENENO - Cassiano Arruda Câmara tem razão, ele que formou gerações nas redações e nas salas de aula: o curso de jornalismo, aos sessenta anos, perdeu o protagonismo dentro e fora da UFRN. Excesso de teoria, em curso profissional, é como remédio: se a dose é excessiva vira um veneno. 

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Os retumbantes
Atualizado: 14:08:30 14/05/2022
Anote, Senhor Redator: se por artes de Deus ou artimanha do Demônio, for sugerido a este cronista a tarefa de falar, por telefone, no prazo de quinze minutos, entre uma autoridade local ou o presidente da república, preferiria tentar falar com Jair Bolsonaro. Sendo sua excelência um comedor de sanduiche de pão com leite condensado, e dado a churrasco com farofa, e, ainda, posto que estamos em ano eleitoral neste paraíso populista, ouviria fácil sua voz rascante do outro lado.

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Aprendi, num texto que ganhei de Aurino Araújo, ainda no tempo das nossas conversas em Marpas, ali na esquina com o Grande Hotel, que o mundo é feito das pessoas do sim e pessoas do não. Quem é do sim só é do sim quando vive de bem com a vida. As do não, essas são invencíveis. Vivem absolutamente convencidas de que o não consagra e o sim banaliza. E, se são acometidas da velha síndrome do pedantismo, nem pensar - dizer um não é mais glorioso que a própria vida.

Há nas pessoas do não um eco tonitruante. Um espasmo cavernoso que vem do mais fundo das vísceras e jorra pelos sete buracos da cabeça, como nos versos de Caetano Veloso. É como se o próprio silêncio fosse um não. E o sim, creia Senhor Redator, fosse perigoso para quem acredita que só é importante quem nega. Os mais educados, raros certamente, ainda se lamentam, afinal é o charme da falsa humildade e não há nada mais medonho do que o falso humilde quando fala. 

O pedante não dorme, se a vaidade é a sua vigília. Fica ali, um olho fechado e outro aberto, vendo passar o cortejo dos que ele imagina menores do que a sua importância. E se acordam com o furor dos vitoriosos, jogam o sono debaixo da poltrona. Antônio Maria, o grande cronista, dizia que o rosto do ser humano se desfaz de todas as tramas quando dorme. Ele certamente, e sendo um lírico, nunca viu um pedante dormindo, suas rugas cavando no rosto os caminhos do rancor.

Já as pessoas do sim, não. São os simples e os simples são tocados de uma grandeza humana que preferem esconder o que possa, mesmo de leve, cantar fortuna. Nem sei se a um simples de verdade interessa a fortuna se é um desassossego. O simples vive simplesmente. E daí? Nega a si mesmo o direito de parecer melhor do que os outros. Pra quê, se o destino colocou nas suas mãos o ouro de viver de bem com a vida e se viver é o ouro que lhe foi dado merecer como uma dádiva? 

E se cabe confessar, e se não parece ser por nenhum temor, diria que não tenho medo dos pedantes. Tenho pena. A eles, por artes do Demônio, foi dada a maldição de não descobrirem que a vida é sublimação. Que a vida ensina nos ganhos e das perdas, posto que nunca a ninguém, nem aos santos, será dado saber de que matéria são feitos os sonhos e os pesadelos. Só os simples amam com o coração. Como se soubessem que o cérebro é a casa do prazer, mas também dos horrores... 

MÉRITO - Maria Sanali Paiva, cardiologista intervencionista e diretora do Instituto Atena, é a nova imortal da Academia de Medicina do RN. Ocupa a cadeira seis do patrono Ovídio Fernandes.

BRILHO - Doutora Sanali Paiva coordenou a pesquisa nacional da vacina Clover (para Covid 19) em todo o Brasil, e é hoje um nome com uma forte projeção científica na cardiologia nacional.

VAMPIRO - Os jornalistas Alex de Souza, da Universidade Federal da Paraíba, e Pedro Fiúza, começam a trabalhar numa sacada genial: um ensaio jornalístico sobre O Vampiro de Areia Preta.

VIDA - O Vampiro, um personagem criado por Sanderson Negreiros na página policial do Diário de Natal e tem sua morte, no imaginário natalense, com outra sacada de Cassiano Arruda Câmara. 

DRAMA - O grande instante dramático que faz a história sair do plano da ficção para ganhar sua forma viva e real, é quando o poeta Milton Ribeiro é preso pela polícia acusado de ser o vampiro.  

BUENOS - O poeta Diógenes da Cunha Lima foi visto, alegre e faceiro, na grande feira de livros de Buenos Aires. Com a mancheia, como cantaria o grande e inolvidável condoreiro Castro Alves.

SILÊNCIO - De uma fonte muito próxima ao gabinete do Palácio Felipe Camarão convencida de que o silêncio do prefeito Álvaro Dias tem método: “Ele não puxa freio de mão sem motivo”.   

CASCUDO - Esta coluna já afirmou várias vezes, mas não custa repetir como tem sido a cada dia mais evidente a má gestão das instituições públicas e privadas da obra de Câmara Cascudo como força inspiradora e indutora do turismo cultural que, por sua incúria, o Estado nunca soube fazer.

MÉRITO - Cascudo é um produto hoje nacional e internacional por seu mérito pessoal, na solidão da sua sala de trabalho, chegando pela via do talento às maiores editoras do seu tempo, mas nunca, nem depois de morto, foi valorizado e transformado numa força seminal para novas conquistas.

PREÇO - O historiador da alimentação não teve na Escola Doméstica uma consciência educadora para criar aqui um centro formador do estudo e da prática das gastronomias nordestina e brasileira. Hoje, entre os 200 livros dos 200 anos da Independência, é o último colocado com apenas um voto. 
Da caverna
Atualizado: 00:32:14 14/05/2022
Riem, riem muito os amigos, alguns poucos que às vezes chegam por aqui, quando chamo de caverna esta casa nas fraldas dos morros plantada. É nossa desde 1980, há quarenta e dois anos, se aqui vivemos até o ano dois mil. Quando viver em apartamento foi inevitável, só teve um jeito de não deixá-la cair em mãos alheias: fazê-la a casa dos livros, quadros e teréns, viveiro de tatus, jacarés, tartarugas, um gavião e passarinhos que vivem aqui, como se vida de verdade tivessem. 

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E aqui, Senhor Redator, tudo carrega seu destino manso de vidas inúteis ao apuro do lucro e da vantagem. Nada serve à vaidade humana. E se há, por ventura, algum valor a declarar, talvez seja o de servir aos olhos nesse mister de amenizar o tão grave ofício de viver. Glória, se é justo só dizer a verdade, também não há. Mas, vive em cada coisa uma lembrança que veio de perto ou de longe, com a pobreza de apenas ser pedra ou de reluzir a vaidade de ser uma espada do Império. 

E se um dia me fiz mestre de cerimônia desta caverna de lembranças, foi certamente por não ter outro destino mais nobre. No fim, se é forçoso dizer, há uma humilde nobreza em todas as coisas. É nobre na vida de cada um aquilo que nos faz companhia a vida inteira. Mesmo que seja apenas uma pequena placa de ágata, com letras muito azuis que avisa, como avisou durante anos pregada no alto da fachada das casas onde viveu o meu avô maranhense: Alberto Mattos Serejo.

Foi presente do meu tio Domingos, assim como uma caixa de bronze, com um dragão em relevo, encontrada no cofre. Dentro, dois cartões que guardou de tempos vividos: um de Câmara Cascudo, pedindo que indicasse o nome para a escola em São Gonçalo, onde ele foi interventor; e outro, de Mário Câmara. E, ainda, uma caixa de cedro, forrada com tartaruga, onde guardou o lenço com o qual enxugou as lágrimas de sua mãe numa despedida, ele que nunca mais iria vê-la.  

É uma pobre fortuna, dirá vosmicê, mas cada um tem a fortuna que que lhe é dado ter, feita do brilho intenso do níquel ou do verniz das lembranças. A mim, e talvez por isso vivi sempre um jeito pobre de ser feliz, coube esse destino de guardador de pequenas joias de família. Mas nunca, registro com vaidade, perguntei se delas viria alguma serventia que não fosse tê-las nas paredes ou nas estantes. Um ouro que ninguém desejaria roubar, se é inservível para a vida farta e gloriosa.  

Há, devo dizer, uma belíssima imagem barroca da Senhora da Conceição, entre outras, com seu manto azul, sua coroa e seus três anjos, protetora dos fracos e oprimidos como mãe de Deus, sereníssima na sua misericórdia. E se há o junco do pecado, algumas tardes e noites, há o perdão da bondade infinita. É que certos dias, quando a angústia de viver sobe os degraus da alma, vem a necessidade inevitável de um bom uísque que se bebe aqui, como se fosse uma unção dos deuses. 

JOGO - Sabido, para não dizer ardiloso, o argumento de Garibaldi Filho ao classificar o primo, Carlos Eduardo Alves como político independente. Carlos e Walter Alves podem dizer o mesmo.  

ALIÁS - Deve ser a moderna versão multiplex, aquela que antigamente a ciência política chamava oligarquia. Quando o slogan do conhaque Dreher dizia bem assim: ‘De pai para filho desde 1910”.   

VINDITA - Henrique Alves estava certo ao deixar o MDB. Garibaldi Filho, com a própria boca, confessou a trama de tomar seus votos dentro do partido. Algo de feio e deplorável entre amigos.  

VIVO - Diante da notícia de que um cemitério privado da cidade vai transmitir os sepultamentos, via Internet, para o Brasil e o mundo, então estamos diante da morte ao vivo. Tempos estranhos. 

PERDA - A nossa Academia Macauense de Letras e Artes perdeu o poeta João Lino Dantas, o fundador da Cadeira 16 que tem como patrono Luiz Xavier da Costa. Um nome querido na cidade.

FALSO - Pesquisa nas redes sociais mostra que só três por centro dos homens feios se reconhecem feios. O resto, 97%, se acha bonito. Menos este cronista que reconheceu e confessou nesta coluna. 

ANOTEM - O ex-governador Robinson Faria conhece o jogo e por isso constrói em silêncio a sua eleição a deputado federal. Discreto, não deixa rastro. Os votos só vão aparecer dentro das urnas.   

POESIA - Da poetisa Heloíza Abdalla, de Mogi das Cruzes, SP, versos assim e que abrem seu belo poema ‘Pressa’: “Não temos mais pressa / nós temos uma coisa imensa / chamada urgência”.

TORPEDO - O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, no estilo de substituir argumento por desaforo, a jogar pedras contra a dignidade dos adversários, não pode deixar de desmentir a denúncia de que usou o dinheiro do PDT, como presidente, para alugar um imóvel de propriedade de sua mulher. 

CADÊ? - Para William Pinheiro, nos sertões de pedra dos Currais Novos: onde anda você que não publica o diário da jornada do monsenhor Paulo Herôncio quando foi a Roma, há setenta anos, na canonização de S. Maria Goretti? E até inaugurou a Capela para sua devoção, em Currais Novos?  

HISTÓRIA - Na agulha, para ir aos prelos, numa edição Sebo Vermelho, de Abimael Silva, “Notas sobre Canguaretama, noções de história, algumas lendas e tradições”. Um texto inédito de Antônio Fagundes, com prefácio e anotações do juiz Ivan Lira de Carvalho. Sairá ainda este ano.  
O monstro...
Atualizado: 22:27:11 12/05/2022
Vicente Serejo
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A minha geração, Senhor Redator, deve ter sido uma das últimas a ter assistido, no espaço de meio século, o trajeto completo da comunicação - do grito ao satélite. Da fala à tela do smartphone, essa estação portátil que levou e consagrou o ser humano como universal. Antes, convenhamos, era um desejo. Hoje, com as extensões que foi capaz de criar, alcançou a vastidão infinita que ele sempre buscou em sonhos, na criação literária e na ficção científica. 

Quando tomei noção da vida, ali bem no finzinho da década de cinquenta, se nasci em 1951, já encontrei o mundo enfrentando o perigo do comunismo, esse monstro feio e devorador das almas de Deus. Era natural a presença do perigo, se vivíamos uns anos depois daquilo que meu pai, um católico e mariano, chamava de Intentona Comunista. Ele certamente fora leitor das trinta horas de subversão do Dr. João Medeiros que só conheci anos depois, como jornalista. 

Mas, em Macau, o monstro tinha também um inimigo. Na missa dos domingos lutava para destruí-lo o Monsenhor Honório, santo dos macauenses. Impaciente com os desmantelos do seu pequeno mundo, acusava os hereges de comunistas. Quando os meninos, ao lado do altar, faziam barulho, e se fosse nos minutos sagrados da Elevação do Santíssimo, o bondoso monsenhor bradava, braços erguido na sua ira santa: “Calem a boca, bando de comunistas”.  

Vi o destemor daqueles homens ateus que nos sindicatos pregavam a resistência e, depois, felizes e beberrões, festejavam o sonho e a carne na noite misteriosa do Beco das Quatro Bocas. Foi justamente de lá, do seu chão medonho, por onde ninguém ousava passar, que vieram as primeiras notícias do pecado. Lendas que deixavam nos ouvidos da cidade calma e boa, como no verso do poeta Edinor Avelino, o medo do inferno para quem teimasse duvidar.  

Hoje, tantos anos depois, já na soleira não da melhor, mas da entrada de todas as idades, inclusive a provecta, leio o noticiário traduzido dos jornais franceses e de certo modo reencontro o mesmo medo do comunismo que deixei nas ruas da infância. Uma notícia diz: “Vitória de Macron evita desastre democrático na Europa”. E logo na linha seguinte, adverte: “... mas o crescimento dos extremos é eloquente”. É ele, Senhor Redator, o velho perigo do comunismo. 

A história dos franceses, após o longo período de Charles De Gaulle, numa ditadura à francesa, viveu o mesmo temor. Jacques Chirac, há uns vinte anos chegou a presidente com 64,4% dos votos. Seu maior aliado - ele um político conservador - foi o medo do comunismo. Jean-Marie Le Pen, pai da Marine Le Pen, fazia medo àquela França entre catedrais. A França de hoje é como Macau da minha infância - o mesmo monstro fazendo medo nas ruas de Paris...  

LUTA - Imprensado entre dois gladiadores - Carlos Eduardo Alves e Rogério Marinho, ambos com os fortes escudos de Lula e Bolsonaro - Rafael Mota luta sozinho ou tem, de fato, o PT?  

CONTA - Os defensores da reeleição de Natália Bonavides estão atentos a um detalhe que é, pelo menos, provável: manter a liderança para a hipótese do PT eleger um só deputado federal.

RISCO - Eles temem a preferência ostensiva, embora negada, da cúpula do partido pela eleição do ex-secretário Fernando Mineiro. O derrotado, na visão do PT, mas vítima de erro jurídico.  

MAS - Os cálculos otimistas do PT chegam a contabilizar duas vagas de deputado federal com a eleição de Natália e Mineiro. O que parece muito improvável é a eleição de um terceiro nome.

ACREDITE - As fontes ligadas ao candidato Rogério Marinho ainda esperam o apoio formal do PSDB a Fábio Dantas. Ezequiel Ferreira apoia Rogério Marinho e é aliado da governadora. Será? 

BRASIL - A quem criticou a coluna ao duvidar da liderança do deputado Luciano Bivar para disputar a eleição de presidente do Brasil: na pesquisa Quaest seu desempenho foi zero. Zero.

LONGE - O publicitário Alexandre Macedo foi descansar os olhos no velho mundo. Ao seu lado, Tatiana Bulhões. Foi visto visitando o Museu da Cruz Vermelha, Genève.

HOJE - Nesta sexta, no bar ‘Me Leve’ - Rua Raposo Câmara 3438, Candelária - Genildo Costa, lança seu livro de poemas e um CD com suas músicas. E tem canja, ao vivo, com voz e violão.

EXPORT - O RN pode exportar camarão em conserva e enlatado, água de côco, suco de caju e outras especiarias para o resto do mundo. Tudo graças ao grande talento e capacidade de empreendedorismo de Clija Chait, hoje com negócios vitoriosos nos EUA e na Coreia do Sul. 

RAÍZES - Clija, para quem ainda não sabe, é norte-rio-grandense de Cerro Corá e agora terá negócios no Rio Grande do Norte. É casada com o consagrado restaurateur Bill Chait, residem em Los Angeles e estão convencidos de que o Nordeste tem espaço no mercado internacional. 

BAHÚ - Amanhã, no calçadão do Sebo Vermelho, agora largo e restaurado, o lançamento da edição fac-similada de ‘Bahú de Turco’, de Sá-Poty, pseudônimo de Pedro Lopes Cardoso Jr., publicado em 1932, há noventa anos. É um dos títulos mais raros do RN. Das 9h ao meio dia.  

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É cedo
Atualizado: 23:23:50 11/05/2022
Vicente Serejo
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Este cronista, em que pese o evidente despreparo para deslindar os mistérios da política ou fazer previsões, não arriscaria afirmar, com tanta antecedência, uma derrota do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves nas urnas de outubro. Não é do ofício do jornalismo ser pitonisa, nem indutor dos interesses na busca de transformar em fatos o que são apenas desejos pessoais. Não há qualquer sintoma de favoritismo na disputa da vaga de senador, a não ser perdas e ganhos não determinantes.

Ainda assim, com a precaução que o leitor exige do jornalismo baseado em fatos, também não é certo negar que o candidato Carlos Eduardo Alves sofre cobranças internas e externas. Dentro da aliança, ao assumir uma candidatura imposta pela cúpula do PT-PDT, mesmo dono de uma valiosa avaliação positiva em Natal, fruto de doze anos como prefeito; e fora da aliança, por presidir um partido que não soube gerir, hoje caído nas próprias ruínas, em Natal e na área rural. 

O ex-prefeito, apesar de presidir o PDT há anos, viveu até hoje nos volteios de um bambolê ideológico que lhe rouba uma mínima altivez de coerência. Em 2018, como se sabe, e sem qualquer justificativa, a não ser por oportunismo, assumiu a bandeira de Jair Bolsonaro no primeiro turno. Para sua surpresa, no turno seguinte, a maioria da governadora Fátima Bezerra foi maior e ele, se indagado, não saberia explicar esse desmazelo de ter bancado um verdadeiro camelô ideológico. 

Agora mesmo, aliado ao PT, assume a retórica que em nada se coaduna com Ciro Gomes, o candidato do seu partido a presidente da república. E por isso mesmo corre o risco de constatar ao longo da luta que pode assistir a preponderantes petistas, ditos de raiz, erguerem a bandeira do candidato Rafael Mota. E, diga-se, em nome do que é público: Mota não tem poupado o novo aliado da governadora que hoje defende, a quem acusa de incoerente e sem tradição de posições. 

A candidatura de Rafael Mota também a senador, pelo PSB, não é apenas um enclave, mas o claro resultado da insatisfação que sua presença representa desde o início. Alguns dos mais bem situados nomes petistas, no ranking eleitoral, não só condenam a aliança, como alguns chegam até a regurgitar sua presença física, num ato de escárnio. Como fez a deputada estadual Isolda Dantas, representante do eleitor petista de Mossoró, a quem a governadora pediu o silêncio obsequioso. 

Não parece fácil a caminhada de Carlos Eduardo até por sua dificuldade em juntar pessoas em torno de suas lutas. Pelo menos até agora. Mas, nada tem consistência antes da faixa de gaza que a tevê deve marcar como ponto de largada. O seu contendor, Rogério Marinho, tem seus pontos vulneráveis e Alves não teme enquadrá-lo na alça de mira. Resta saber quem é dos dois o javali e quem vai abatê-lo.  O Senado deve ser a praça de guerra da campanha. Mais que o próprio governo. 

LUTA - A pré-estreia da campanha para o Senado já mostrou como será o nível de combustão da disputa que ainda nem começou. Dentro e fora do PT e que parece ter virado uma praça d’armas. 

JACK - O ex-governador Garibaldi Filho foi sincero quando declarou que não perdoará o primo Henrique Alves. Só quem sofreu o corte do seu fino estilete sabe muito bem que ele diz a verdade. 

FOGO - É fácil a um observador acurado perceber que o deputado Rafael Mota tem um desafio: quebrar a força da polêmica que vai concentrar o debate Rogério Marinho versus Carlos Eduardo.  

FORÇA - Mais da metade das vagas para o Fórum da Internet no Brasil, em Natal, de 31 de maio e três de junho, já estão preenchidas. Este ano o Fórum discute a governança da Internet no Brasil. 

SONHOS - A Folha de S. Paulo voltou a destinar página inteira ao neurocientista Sidarta Ribeiro, da UFRN, em razão do seu novo livro sobre o sonho e a sua importância na construção do futuro. 

VOAR - Hoje, às 15h, na Rampa, o lançamento do livro ‘Augusto Severo, o homem que sonhou voar’, para marcar os 120 ano da morte de Augusto Severo. Um dia nós vamos festejar a sua vida. 

DARWIN - Começa amanhã, em Caicó, o circuito de ‘Sinapse Darwin’, grupo Casa de Zoé, com apresentações em Natal, Assú, Parnamirim e Mossoró, inspirado na vida e obra de Charles Darwin. 

DATA - O espetáculo marca os sessenta anos da Neoenergia e mereceu, em processo de seleção, o patrocínio da Cosern. Serão apresentações abertas e com as oficinas gratuitas para os estudantes.   

TALENTO - A escola moderna ensina, mas também incentiva talentos específicos. O Colégio CEI-Romualdo Galvão, é um exemplo de performance excepcional: treze alunos foram premiados pela Olimpíada de Matemática da Índia. O aluno Luís Felipe Nunes Soares foi Medalha de Ouro. 

RACHA - A candidatura do deputado Rafael Mota a senador, não é só uma novidade. Atesta a divisão do PT e fragiliza, ainda mais, o seu apoio a Carlos Eduardo Alves. Chamaram o ex-prefeito para o mato e agora tomaram o cachorro. Resultado de quem preside uma sigla e não um partido.  

LIBERDADE - De Muniz Sodré, catedrático da UFRJ, e um dos maiores analistas da identidade brasileira, na Folha: “Um paradoxo sombrio vem sendo soprado pelos ventos do iliberalismo: quanto mais se fala em liberdade de expressão, mas se voltam as costas à liberdade de expressão”.  

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A reversão
Atualizado: 22:02:57 10/05/2022
Vicente Serejo
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Partiu de Eugênio Bucci, titular da Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo, flagrar o processo de inversão que agora marca os gestos e atos retóricos da direita brasileira. A rigor, e é significativo, a direita adora tudo o que antes condenava na esquerda - a agressividade dos punhos erguidos, gritos com palavras de ordem, atos públicos, ameaças de invasão de instituições e a escancarada desobediência às decisões do Supremo Tribunal Federal.

Seria natural se não representasse a quebra dos hábitos da tradição, como mostra Bucci, autor de importantes ensaios de interpretação dos efeitos da comunicação na sociedade brasileira neste primeiro quarto de novo milênio. Mais do que tensões do jogo político em ano eleitoral, desta vez é a direita que se opõe à ordem. Pior, sob a cumplicidade dos setores conservadores e sob a liderança de um presidente de origem militar, um símbolo da disciplina. 

Não se trata de uma repetição da grande jornada pacífica do 13 junho de 2013, quando multidões saíram às ruas de todo o país em caminhadas de um protesto silencioso. É a repetição de uma cenografia que se tornou forte na medida em que é apoiada por autoridade constituída e formal, aquela a quem, antes, cabia manipular as forças da repressão. Já bastaria esse fato para demonstrar que mudou “a velha gramática dos protestos” agora numa “virada de ponta-cabeça”. 

O mais marcante é saber que há raízes fortes nascidas não numa economia de profundas desigualdades, mas na mais rica civilização: os Estados Unidos. Foi lá que um presidente eleito e de extrema direita, Donald Trump, incentivou a desobediência civil, patrocinou de uma forma velada a invasão do Capitólio e tentou desestabilizar o sistema eleitoral. Fatos que estão aqui, nas ruas do Brasil, como se o trumpismo fosse o pai e o modelo ideológicos do bolsonarismo.  

Não foi diferente na França civilizada e rica. Mas, lá ainda foi a esquerda que foi às ruas logo depois das urnas apontarem a vitória de Emmanuel Macron. Os seguidores de Marine Le Pen protestaram agressivamente nas ruas. Como escreve o professor Bucci, no seu artigo, vivemos hoje a tosca experiência do poder tentar destruir não só a máquina pública, como as instituições: “Seu método é empregar o aparelho de estado para demolir o aparelho de Estado”. 

Bucci vai além. Para ele, Bolsonaro não quer desqualificar e destruir a Justiça Eleitoral: “Ele não quer derrotar seus rivais, ele quer derrotar todo o sistema eleitoral”. É tão forte a onda que levou a esquerda a inverter sua posição e defender as instituições democráticas: “Estamos aprendendo, tarde demais, que não é por desinformação que muita gente o idolatra, mas por ódio a tudo o que seja informação”. Paixão violenta e irresistível que ele compara ao fascismo.

LUTA - O jornalista e crítico de cinema Valério Andrade enfrentou um vírus que invadiu seu olho direito e embaçou sua visão. Foi obrigado a usar tapa-olho como nos filmes de Errol Flynn.  

GESTO - Valério foi atendido em caráter de urgência pelo oftalmologista Tarcísio Caldas. O médico Herith Alves Correia Júnior também atuou. Natal ainda tem médicos com gestos assim.

PERDA - Natal vai perder um importante acervo de curtas-metragens por incúria dos seus ditos gestores culturais. Valério Andrade vai doar à cinemateca do Museu de Arte Moderna. Do Rio. 

ALIANÇA - A essa altura as armas do candidato Fábio Dantas não serão as ‘robustas’ alianças partidárias, mas a retórica. A única alavanca, em política, que desmonta uma máquina do poder.

REALCE - A declaração do ex-ministro Rogério Marinho anunciando alianças é de muito bom realce retórico, mas sejam quais venham a ser, serão menos determinantes do que as palavras. 

LÍNGUAS - A UFRN vai sediar amanhã e depois, o quinto Congresso Internacional Ágora sobre ensino e pesquisa de idioma. Nas graduações e mestrados, doutorados e pós-doutorados. 

AVISO - Dizem que o Instituto Ágora pode não parecer muito com a praça da Grécia antiga, mas o velho Sócrates já foi visto saindo de lá para ministrar suas aulas nas alamedas do Campus.  

TÉDIO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, desconfiado da filosofia passada na tinta desbotada do diploma oficial: “Na filosofia dos doutores as dúvidas morrem de tédio”.    

PREVI - “O Regime de Previdência Complementar” é tema do evento, on line e gratuito, a ser transmitido hoje, às 11h05, realização da ASPERN com o superintendente Geral da Associação Brasileira das Entidades de Previdência Complementar, Devanir Silva. Link: bit.ly/precom1105

FRÁGIL - Pelo menos para efeito de marketing, instrumento por excelência da luta política nos tempos atuais, a chapa majoritária do PT só tem um nome coerente com as ideias que pregou as longo do mandato, as mesmas dos petistas: o deputado Rafael Motta, candidato ao Senado. 

MEMÓRIA - A constatação não exige prova, basta lembrar: o PMDB, hoje outra vez MDB, do deputado Walter Alves e do ex-governador Garibaldi Filho, votou pelo impeachment de Dilma Rousseff. E o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves aderiu a Bolsonaro na eleição de 2018.  

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Da liberdade
Atualizado: 22:46:57 09/05/2022
Vicente Serejo
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Todos os recentes presidentes, ao envergarem a faixa presidencial que conquistaram pelo voto democrático, em algum momento, cheios de poder, passaram a defender a regulamentação da liberdade de expressão. De passado marxista, como Fernando Henrique; ou de base sindical na luta de classes, os casos de Lula e Dilma; legalista, como é Michel Temer, um professor de Direito Constitucional; ou com a formação castrense, feito o bravo e patriótico capitão Jair Bolsonaro. 

Todos, não por desinformação, mas por deformação intencional, tentaram o mesmo plano, como um sonho nefasto: defender a falsa ideia de que a liberdade pode e deve ser regulamentada como forma de construção de uma prática moderna. Não existe liberdade antiga a modernizar-se. Liberdade é uma só e em plenitude. Regulamentar é punir. A punição, se for juridicamente justa, só é devida se tipificada como injúria, calúnia e difamação. Não há um quarto delito de opinião. 

O quarto tipo, aliás, foi inventado pela ditadura militar, quando pariu um monstro em nome de outra deformação que foi o conceito repressor de segurança nacional. Em seu nome, este país praticou todos os crimes contra a condição humana, fossem sindicalistas e empresários; jornalistas e advogados; civis ou militares. O resumo trágico recente foi a declaração de Hamilton Mourão, o vice-presidente, quando classificou de inútil a discussão, afinal “os homens estão todos mortos”. 

A confusão vem antes. Uma das primeiras visões críticas foi da professora e jurista Ester Kozovsk ao mostrar que a liberdade de imprensa, se no passado foi um privilégio dos jornalistas, hoje é garantida como um direito da cidadania. Concepção ainda mais ampla e definitiva quando passou a ser um direito da própria sociedade. Sua lógica é simples: a informação é um direito. Negá-la, é sonegar e sonegá-la é crime de lesa-cidadania, sem resguardo de qualquer amparo legal.

Mas, se fosse preciso debulhar mais um pouco, bastaria acrescentar que a ninguém é dado o direito, ou mesmo a iniciativa, de negar, omitir, escamotear ou esconder a informação. Nem a prerrogativa de decidir, no curso dos fatos, o que deve ou não ser do conhecimento público. É o que separa o jornalista do assessor de comunicação. São exercícios profissionais garantidos pela mesma dignidade, mas um tem o dever de publicar; o outro, de só divulgar o que for conveniente.

Não há justificativa digna para sustentar qualquer tipo de regulamentação da liberdade de expressão. Muito menos pelas mãos do Estado. É tão pétrea que a constituição norte-americana sequer permite ser emendada. A calúnia, a injúria e a difamação são os delitos de opinião e estão na lei ordinária. Basta aplicá-los com garantia do amplo direito de defesa. Sem a pena da supressão da liberdade, mas indenização pelos danos causados. Pelo autor e pelo veículo que publicou. E só.  

CONTA - A governadora Fátima Bezerra perdeu o apoio do prefeito de Macaíba, Edivaldo Emídio Jr., mas ganhou o prefeito de São Gonçalo, o petista Eraldo Paiva, que assume até final do mandato. 

VALOR - A se considerar o levantamento do IBGE, São Gonçalo representa hoje o quarto maior colégio eleitoral do Estado, depois de Natal, Mossoró e Parnamirim. É uma base eleitoral valiosa. 

ALIÁS - Fontes de Macaíba reconhecem que o prefeito Edivaldo Emílio apoiou a governadora Fátima Bezerra em 2018, mas este ano assumiu compromisso com o candidato Rogério Marinho. 

DATA - O engenheiro e pesquisador Manuel Negreiros marcou para a noite de 14 de julho no Iate Clube o lançamento da ‘História da Ponte de Igapó’. Um grande livro e uma bela edição da Appris. 

TEMPO - Os mais experientes leitores de pesquisa afirmam que ainda é cedo avaliar o patamar do candidato Fábio Dantas como sinal de explosão do seu nome. Antes da tevê nada é significativo.  

ESTILO - A depender do que desejam alguns tucanos, de lado a lado, o tucanato não deve fechar questão contra ou a favor da governadora Fátima Bezerra. Em cada gaiola tem cocho com comida. 

SAIR - Segundo a avaliação de um tucano com as asas pousadas num galho do poder, não é fácil deixar o governo, renegar as vantagens e ordenar a retirada total. O canto do governo é mavioso.  

TESÃO - De Nino, o filosofo melancólico do Beco da Lama, na tarde varrida pelos últimos ventos banzeiros, convencido de que não há traídos nem traidores no amor: “A carne só é fiel ao desejo”.  

PAUTA - O PT, através do presidente, o ex-deputado Júnior Souto, anuncia que o partido vai discutir as alianças eleitorais na reunião de 21 próximo. Seria prosaico afirmar como novidade não estivesse a declaração publicada nesta TN: “A tendência é confirmar Fátima, Walter e Carlos”. 

QUAL? - Não há tendência. É pantim alimentar dúvidas com declarações evasivas, de que “a tendência é aprovar os nomes”. Ninguém é tolo a ponto de acreditar que Lula e Fátima sairiam ao lado dos novos aliados, em foto pública, sob o risco do PT local desautorizar a palavra de Lula.

COSTURA - A ninguém bem informado cabe duvidar: estamos diante do velhíssimo centralismo democrático. Foram decisões de Lula: Walter Alves, vice; e Carlos Eduardo para senador. Não foram duas decisões locais. O PT do Potengi não tem força para desaprovar decisões nacionais. 

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