O recrudescimento da fome

Publicação: 20/09/18
Antoir Mendes Santos
Economista

Caracterizada pela baixa ingestão diária de calorias, em relação às recomendações da Organização Mundial de Saúde(OMS), a fome continua atormentando o ser humano em todo o mundo, inclusive no nosso país.

Em 2017, estudo publicado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação(FAO) sob o título “A Segurança Alimentar e a Nutrição no Mundo”, constatava que apesar de apresentar uma tendência de queda em dez anos, a fome tinha voltado a crescer no mundo, penalizando cerca de 11% da população mundial. Em 2015, eram cerca de 784 milhões de pessoas atingidas pela fome, número que em 2016 evoluiu para 804 milhões  de pessoas subalimentadas, das quais 479 milhões vivendo em países afetados por conflitos.

Na visão da FAO, “a incapacidade de se reduzir à fome no mundo, naquele momento, estaria estritamente relacionada com o aumento dos conflitos e à violência em várias partes do planeta, e que às diversas iniciativas para combater à fome, deveriam estar juntas com as propostas para se manter à paz”. Em 2016, só nas áreas conflituosas da Somália, Iêmen, Nigéria e Sudão do Sul havia 20 milhões de pessoas ameaçadas pela fome.

Com relação ao Brasil, os especialistas advogavam que, como país produtor de alimentos, teríamos condições de alimentar toda nossa população, o que não acontecia, haja vista que os mais pobres não tinham renda para consumir. Em 1990, nosso país tinha 25 milhões de subnutridos e, em consequência, passamos a integrar o primeiro Mapa da Fome, elaborado pela FAO. Com a implantação de políticas públicas, à criação de programas de transferência de renda, de alimentação escolar e de aquisição de alimentos da agricultura familiar, foi possível melhorar o perfil da nossa população mais desassistida: de 1990 para 2012 à parcela dos mais pobres regrediu de 25,5% para 3,5%, em relação do total da população, fazendo com que em 2014 o Brasil saísse do Mapa da Fome.

Em 2018, um novo estudo da FAO sobre a segurança alimentar, com a participação de outras organizações da ONU, sinaliza para uma tendência de crescimento da fome no mundo, na medida em saímos de 804 milhões em 2016 para 821 milhões de pessoas com carência alimentar em 2017, ou seja, uma em cada nove pessoas no planeta está sujeita à fome. Essa situação se verifica na Ásia, em quase todas às sub-regiões da África, cuja população de famintos saltou de 241 milhões para 256 milhões, e na América do Sul, onde à  população de subalimentados saiu de 20,7 milhões para 21,4 milhões, no mesmo período.

Todavia, se considerarmos à insegurança alimentar grave, veremos que a África apresenta uma prevalência alimentar (percentual de pessoas subnutridas em relação à população total), cuja taxa passou de 25,4% de sua população em 2016 para 29,8% em 2017, o mesmo acontecendo na América do Sul, onde à taxa evoluiu de 7,3% para 8,7%, no período analisado. Para o Brasil, os dados da FAO apontam para uma estagnação da fome no país, haja vista que em 2012 tínhamos 4,9 milhões de pessoas famintas, chegando a 5,1 milhões em 2014 e atingindo a 5,2 milhões de indivíduos com carência crônica por alimentos, em 2017.  

O estudo também aborda o sobrepeso infantil e à obesidade em adultos, como consequências da fome. Em 2017, o sobrepeso afeta mais de 38 milhões de crianças menores de 5 anos, das quais 25% estão na África e 46% na Ásia, sendo que crianças afetadas pelo baixo peso, apresentam maior risco de não sobreviver. Por outro lado, a ingestão de alimentos de alto aporte calórico e baixo valor nutricional leva a adaptações metabólicas e à carência de micronutrientes, contribuindo para a obesidade de adultos. Atualmente, um em cada oito adultos no mundo, cerca de 671 milhões, são obesos, e uma em cada três mulheres, em idade reprodutiva, sofre de anemia. 

O fato é que produzir alimentos para atender às necessidades de ingestão de calorias, para uma população de 821 milhões de indivíduos subalimentados, e que estão submetidos às mais diversas condições de adversidades climáticas, é um desafio que deve ser compartilhado por todos os países e nações, sob pena de não atingirmos às metas estabelecidas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030.















As abelhas de Paris

Publicação: 20/09/18
Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

Para muitas plantas, a reprodução precisa de ajuda externa, a fim de que o gameta masculino – pólen – se encontre com o feminino, e ocorra a fecundação e a magia da formação de um fruto, onde se alojam as sementes. Das sementes, nascerão novas plantas, com novas flores e com novos frutos, graças a Deus. A isso se chama polinização, aqui descrita no sentido geral e com palavras alheias à linguagem técnica. Esse processo, que mantém a sucessão de gerações de um sem-número de espécies vegetais, faz-se pelo vento ou pela água, bem assim por meio de insetos, morcegos, ou aves, a fim de que o pólen vá de uma flor para outra. O pólen, rico em proteínas, é a melhor refeição das abelhas, principais atores desse arranjo natural.

Não sou apicultor, não entendo do assunto e não tenho livros ou mesmo folhetos nos quais eu pudesse me instruir para escrever sobre o tema. Explico aqui a razão de ser desta crônica. Uma matéria publicada em 24 de agosto passado, no The New York Times, escrita por Alissa J. Rubin, alcançou o mundo, por meio das diversas mídias, sob o título “Apicultura cresce no topo de edifícios históricos de Paris”. Chamou-me a atenção essa matéria, que mostrava a criação de abelhas e a produção de mel em colmeias localizadas nos telhados de prédios famosos da Cidade Luz.

Nesse meio tempo, recebi de um dileto amigo, Alair Campos, o presente de uma garrafa de mel, e, no momento, lembrei-me do texto das abelhas de Paris. O amigo deixara em minha casa a lembrança que trouxera do interior do Estado, e, além do mel, havia um potinho com uma massa branca e um pequeno frasco com óleo. Liguei para agradecer, e ele, sob risos, falou: “Trouxe para você um ‘kit’ saúde. Além do mel de abelhas, tem óleo de copaíba e um pouco de sebo de carneiro capado, bom para calos, esporão de galo e contusões em geral”.

A autora do texto sobre o mel de Paris afirma que essa prática na capital da França tem interesse ambiental e comercial. A apicultura de lá não é tão nova, contudo, tem crescido muito nos últimos anos. Ela diz: “Se uma abelha fosse guia de turismo, ela talvez começasse um passeio pelo telhado dourado da Ópera Garnier que tem colmeias há décadas”. E segue o provável caminho da abelha guia: uma parada sobre a Place de la Concorde, e sobre a Catedral de Notre Dame, com o mesmo intuito de apreciar colmeias. Faria uma pausa especial sobre os Jardins de Luxemburgo, repletos de flores e arbustos, que servem de refúgio para esses insetos alados. Nos Jardins de Luxemburgo, ocorrem sempre cursos e aulas sobre apicultura. A atividade, bem como o número de colmeias na cidade, tem crescido nos tempos atuais, mas tudo sob controle, para que a população de abelhas não exceda à disponibilidade de néctar e pólen provindos das árvores e flores dos parques, jardins e cemitérios. Alguns restaurantes de Paris mantêm colmeias em seus telhados, para a produção do mel usado nos seus próprios cardápios. A Ópera Garnier vende o mel do seu telhado na loja de brindes e lembranças; a Notre Dame distribui com os pobres. Além do mel, da geleia real, da cera e do própolis, as abelhas, com a polinização, garantem 35% dos alimentos que chegam à nossa mesa. Esses curiosos bichinhos são incansáveis e deles muito depende o equilíbrio do planeta e o bem-estar da humanidade. Porém, cuidado com as agressões dos enxames. Afinal, só Deus é perfeito.















Lembrando o símbolo da Medicina

Publicação: 19/09/18
Jahyr Navarro
Médico

 Sempre desejei conhecer a origem e a história deste símbolo. Vez por outra, essa vontade era estimulada, mas nunca concretizada. Finalmente, fui contemplado pela sorte ao encontrar nos alfarrábios as respostas que tanto almejava. Embora suprido dos informes necessários, percebi algumas diferenças nas versões de mitólogos e historiadores, mas que não serviram de obstáculos na elucidação dos objetivos desejados.

O símbolo da medicina foi nos primórdios composto de uma haste, bastão ou cajado e nele, estavam enroscadas duas serpentes. Este símbolo originou-se na antiga Mesopotâmia, há cêrca de cinco mil anos. Os sumérios iniciadores da religião mesopotâmica, consideravam a serpente – conhecida como SACHAN – como um símbolo da juventude por ter o poder de trocar de pele anualmente, rejuvenescendo-se e, que vivia próximo às profundezas da terra, onde habitava a deusa EA, das águas e da saúde.

Esta simbologia foi transmitida até o reinado de HAMURABI, na Babilônia, que retirou uma das serpentes do cajado. Antes, muitos confundiam com o caduceu de HERMES, também com duas serpentes, que diferenciava por ter duas asas na parte superior do bastão. Com a retirada de uma serpente, chegou à antiga Grécia, oito séculos mais tarde, quando incorporou conceitos da religião mesopotâmica para a sua mitologia.

Para o mundo pagão da mitologia, os gregos foram buscar na mais alta hierarquia do Olimpo, o mais belo e mais lírico de todos os deuses, – APOLO -, de cuja cabeça deveria surgir o deus da medicina: ASCLEPIO. Entretanto, a concepção de um deus da medicina não nasceu dos gregos, como se acredita. Ela veio de um tronco, cuja progênie teve origem na Fenícia, onde recebeu o nome de ESMOUN. Dalí, esta divindade foi levada para o Egito com o nome de TOSORTHOS.

Uma outra afirmativa, é que tenha chegado à antiga Grécia antes da destruição de TROIA, quando lhe foi dado o nome de ASCLÉPIO.  Com a expansão do império romano, a mitologia grega passou a ser assimilada pelo mundo latino, cuja a mitologia, embora não possuísse o misticismo, a expressão e a beleza da mitologia grega, teve também sua época de domínio e de poder. Foi então que ASCLÉPIO passou a ser conhecido como ESCULÁPIO.

Filho de APOLO e de CORONIS, nasceu no Monte TITION, no Peloponeso. O seu culto espalhou-se rapidamente, sendo personificado em memoráveis estátuas, dentre elas, uma de ouro e marfim erigida em EPIDAURO. Nela, estava assentado num trono, tendo na mão esquerda um bastão, onde se enroscava uma bonita serpente.

HOMERO, tentou levantar a origem mitológica de ESCULÁPIO, afirmando ter tido ele uma vida muito agitada e venturosa. Como médico, curou moléstias e ressuscitou mortos. Mas, ao tentar usurpar os poderes e os direitos da divindade suprema, foi castigado e morto por JÚPITER, transformando-se na Constelação do SERPENTÁRIO, passando a ser venerado sob a forma de uma serpente. Roma deu mais dignidade a ESCULÁPIO do que Atenas de ASCLÉPIO.  

HOMERO ainda acrescenta que ele teve dois filhos, MACHAON e PODALÍRIO, que serviram como médicos na guerra de TRÓIA. Um outro descendente se tornou famoso - HIPOCOON -, presumido avô de HIPOCRATES. Segundo outros mitólogos, ele teve ainda outras filhas, entre elas, duas se tornaram deusas: PANACEIA e HIGÉIA, cuja função era exterminar as doenças.

ESCULÁPIO, foi muito venerado na antiguidade, tanto pelos gregos, como pelos romanos que representavam-no como um homem sério ao lado da filha HIGÉIA, e na mão direita, um cajado enroscado por uma serpente como o símbolo maior e inseparável da medicina.

Existia uma curiosa particularidade nesta alegoria: é que sempre havia aos seus pés, um galo e um gato, como emblema da vigilância e da constância. Este emblema deveria ter sido o símbolo da medicina pelo profundo significado que ele representa.

Tudo isso faz parte de um mundo lendário que sempre enriqueceu a imaginação dos homens.










Pesquisas e eleições majoritárias no RN

Publicação: 19/09/18
Ney Lopes
jornalista, ex-deputado federal e advogado
nl@neylopes.com.br

A divulgação de pesquisas é o momento mais torturante para os candidatos. Cientificamente, a pesquisa é válida. Entretanto, em período eleitoral exige-se muita cautela para identificar os institutos idôneos e aqueles que “manipulam resultados” para inflar, ou destruir candidaturas.

Em eleição majoritária convivi com pesquisas em 2004, quando fui candidato a prefeito de Natal, de “última hora”, para atender apelo do meu partido. À época tinha altíssimas chances de ser escolhido pela Câmara Federal Ministro do TCU, com o nome já aprovado nas comissões. A direção do partido fez apelo dramático e prometeu, se perdesse a disputa de prefeito, confirmar a minha candidatura ao Senado, um velho sonho. Acreditei, renunciei ao TCU e aceitei o desafio. Um instituto de pesquisa me procurou e pediu valor em dinheiro para colocar o meu nome como favorito. Recusei. No final, perdi e o compromisso de indicação partidária para o senado não foi cumprido.

Na tumultuada eleição de 2018 assiste-se com frequência a “dança” das pesquisas, que não é fotografia estática, mas sim filmagem ao vivo, dinâmica. Vale lembrar que em 2014, duas semanas antes das eleições presidenciais, Marina Silva tinha 37% das intenções de voto, Aécio tinha 14%. Abertas as urnas, Marina não foi nem para o segundo turno.

No Rio Grande do Norte dois exemplos: em 2010, na disputa pelo senado, o empresário Fernando Bezerra era favorito absoluto nas pesquisas. A atual prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini ganhou a eleição. Em 2014, o então deputado Henrique Alves chegou a liderar pesquisas, pela ampla margem de 40%. Terminou derrotado.

As eleições majoritárias no Brasil, desde 1994, foram disputadas entre PT e antiPT, o que se repete em 2018.  Faltando 18 dias para a votação, Bolsonaro se consolida na liderança (53% de apoio dos “antipetistas”) e irá para segundo turno. Não parece viável a “carona” sonhada por Alckmin, de que a rejeição a Bolsonaro leve os antipetistas a apoiá-lo (voto útil), na reta final da campanha. Outra vertente do “voto útil”, para evitar Haddad no segundo turno, consistiria nos eleitores que rejeitam Bolsonaro serem convencidos de que o petista é quem tem menos chance de vencer o candidato da direita, num segundo turno. Nesse caso, Ciro cresceria.

Nos últimos dias, Bolsonaro enfrenta desgastes, em razão das declarações do seu vice-presidente. Agravou-se com a informação de que, Paulo Guedes, (o seu “guru econômico) foi apontado pela Justiça como um dos beneficiários de fraude que causou prejuízos à fundação responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do BNDES, arranhando o discurso anticorrupção do candidato. Por outro lado, o economista Pérsio Árida, de renome internacional, declarou à Folha, que Paulo Guedes é mitômano, nunca escreveu artigo acadêmico de relevo e jamais dedicou um minuto à vida pública, sem nenhuma experiência. Ademais é ultra privatista e defensor ferrenho da desmontagem do serviço público e do estado.

Nesse “vai e vem” de probabilidades eleitorais, a preocupação é a alta parcela de indecisos. Na resposta espontânea das pesquisas, 32% não sabem em quem votar. Dos que optam pelo voto nulo ou branco, 61% dizem que não mudarão de opinião. Um grande risco, em relação à legitimidade dos eleitos.

Na eleição de governador do Rio Grande do Norte, os dados disponíveis nas pesquisas antecipam o segundo turno. Um fato apenas deve ser considerado. A pulverização de votos (brancos e nulos) reduz o percentual de votos válidos e pode favorecer o candidato que está na liderança. A prioridade dos oponentes de Fátima Bezerra deverá ser, portanto, levar o eleitor à urna. Na disputa do Senado, tudo aponta para uma taxa de brancos e nulos maior do que nas últimas eleições estaduais, pelo fato dos eleitores não se sentirem contemplados, com os nomes apresentados pelos partidos.

O segundo turno no Estado sofrerá grande influência da eleição presidencial. Ciro ou Haddad na disputa poderão fortalecer Carlos Eduardo, ou Fátima, embora seja provável a aliança do PDT com PT. Outra hipótese seriam os partidos de centro-direita, hoje comprometidos com a reeleição de Robinson Faria, migrarem para Carlos Eduardo, em razão do antipetismo. Nesse caso prevaleceria o voto estratégico. Mesmo assim, o resultado final da eleição estadual é imprevisível, salvo mudanças na reta final. Tudo poderá acontecer.









Clichês inapagáveis

Publicação: 18/09/18
Valério Mesquita
Escritor
mesquita.valerio@gmail.com

O então governador José Agripino inaugurava obras no município de Brejinho, juntamente com o prefeito Avelino Matias, alcunhado “Meu Pai”, à época. Muito festejado pela população, o prefeito não cabia em si. Uma senhora elegante que compunha a comitiva do governador aproximando-se cumprimentou: “Parabéns, prefeito! Estou aqui para registrar esse importante evento. O senhor poderia me dar um autógrafo?”. “Meu Pai” (Avelino), apalpando os bolsos, respondeu com seriedade: “Minha filha, mais tarde eu te dou ‘por causa de quê’ o derradeiro eu deixei no bolso da outra ‘carça’. Tchau!”.

02) O mundo político vivia em suspense. Lideranças e liderados da província viviam em ebulição, tanto, quem era da direita como da esquerda. Facas de dois gumes. Dormir uma noite inteira era privilégio de poucos. Perguntado sobre a então conjuntura, o “majó” Theodorico Bezerra se saiu bem: “Nesse momento”, deslizou matreiramente, “eu analiso as palavras de Amaral Peixoto (PSD): um partido pode ser de centro, formado com a esquerda da direita e a direita da esquerda”. Nada mais lhe foi perguntado.

03) Um caso inusitado aconteceu certa vez em Natal. Um guarda municipal, conhecido por fazer parte dos “amarelinhos”, encostou a moto (instrumento de trabalho), e foi dar uma informação a um motorista. Ao voltar, a surpresa: furtaram a moto! Comunicaram o acontecido à secretária do gabinete da prefeitura, que, por sinal, estava ao lado de Carlos Eduardo. Naquele momento o prefeito dava uma entrevista coletiva, porém não perdeu a calma. Pediu licença aos repórteres, sublinhou com a seriedade que o caracteriza: “Quero abrir um parêntese em face de uma ocorrência agora mesmo e fazer um apelo: senhor ladrão! Por favor, devolva-nos essa moto, pois a situação da prefeitura é pior que a sua. Muito obrigado!”. E tocou pra frente a entrevista. O veículo foi encontrado, abandonado num matagal. Aconteceu, virou manchete.

04) Aguardava-se uma reunião de alto nível na Fundação José Augusto. O grande papo era composto por Diógenes da Cunha Lima, François Silvestre, Odilon Ribeiro Coutinho entre outros. Encostado numa coluna estava Agostinho, um policial da reserva apelidado de “pêia mole”, que prestava serviço àquele órgão. Agostinho, um tanto “melado” da noite anterior, mal abria os olhos, porém, mesmo à distância se ligava na conversa dos intelectuais. Alguém chegou a pedir uma informação. O PM respondeu: “Sei dizer não, mas pergunte ali aqueles ‘homes’. Eles sabem tudo! Ô bando de cabras sabidos!!!”.

05) Nos áureos tempos dos “três reis maias”, numa animada conversa entre caciques, alguém alfinetou: “E aí doutor Tarcísio, diante dessa debandada partidária, quem sai ganhando?”. Tarcísio, pausadamente, explicou: “Nessa hora faço minhas as colocações ateístas do mineiro Tancredo: entre a Bíblia e o Capital, é preferível o Diário Oficial”. Entenda-se, o governo. Fechou o firo.

06) Expedito Alves tinha a fama de durão, um senhor mão-de-vaca. Com esses predicados, Expedito granjeava algumas rejeições. Ao chegar à prefeitura de Angicos, a situação piorou. Expedito enfatizava repetidamente: “Aqui eu não tenho nada. Não posso dar nada a ninguém!”. Certo dia, passeando pelo “Grande Ponto” em Natal, encontrou-se com um angicano que pensando em filar algum dinheiro, puxou conversa: “Prefeito Expedito! Como vai? Ontem conheci uma pessoa que gosta muito do senhor!”. De pronto o prefeito detonou todo o seu mau humor preventivo: “Então o senhor deve ter conhecido a minha mãe, como ela está?”.

07) Joaquim Inácio de Carvalho Neto, de grande defensor da antiga Cruzada da Esperança, passou a ser grande o inimigo gratuito de Aluízio Alves. Carvalho instigava e irritava Aluízio e os aluizistas. O voraz orador passou a viajar pelo interior, levando consigo um enorme ataúde e publicamente discursava: “Eu não tenho medo! Se me matarem, quero voltar para casa nesse caixão!”. Cristalino Regalado, fiel defensor de A.A., fazendeiro no município de Lajes, mandou via imprensa, um recado para o bravo e irrequieto político: “Destemido Carvalho Neto, não fale de nós! Venha morrer aqui mesmo em Lajes!”. Segundo testemunhas oculares, o Carvalho teria lido e dito: “Lá eu não piso, nem à pau...”.