Ranço ideológico. Até quando?

Publicação: 26/03/17
Fernando César Nunes Saltão
CEO da ASSOCON - Associação Nacional da Pecuária Intensiva

As notícias sobre a Operação “Carne Fraca” merecem uma profunda reflexão sobre a produção de alimentos no Brasil.

Temos uma cadeia produtiva eficiente. Conseguimos produzir uma quantidade fantástica de alimentos, com qualidade e ética. Em 2017, serão quase 30 milhões de toneladas de proteínas animais, 37 bilhões de litros de leite e 215 milhões de toneladas de grãos.

Respeitamos o meio ambiente e as relações de trabalho. Não podemos esquecer que produzimos grãos em pouco mais de 60 milhões de hectares e são 170 milhões de hectares de pastagens.

Dados publicados recentemente comprovam a preservação de aproximadamente 62% do território nacional. No campo trabalhista, lidamos com uma legislação ultrapassada e inadequada, o que muitas vezes nos deixa à mercê de sermos incluídos em listas “sujas” de trabalho irregular, sem nenhuma razão técnica. Mesmo assim, é preciso dizer com orgulho que o campo gera 1/3 dos empregos do país, além de 23% do Produto Interno Bruto. E mais: cerca de 40% das nossas exportações saem do setor rural. Geramos riqueza, empregos e impostos.

Se há desvios de conduta, esses devem ser banidos. A corrupção é endêmica no Brasil e deve ser punida, como qualquer outro crime. Sobre punições, o Brasil precisa de uma revisão de conceitos. Basicamente punições devem ser aplicadas, sem dó nem piedade. A “lei de Gerson” tem que acabar! Em outros países, as coisas funcionam justamente porque punições são aplicadas. Simples assim.

Voltando à Operação “Carne Fraca”, me impressiona o despreparo e a falta de conhecimento de parte da mídia brasileira. Há erros grosseiros nas divulgações. É falta de conhecimento, sensacionalismo ou irresponsabilidade?

Um dos papeis da imprensa é informar fatos e alertar a sociedade sobre os acontecimentos. Porém, com imparcialidade. Esse é o conceito. O que estamos vendo é a exacerbação de um certo “ranço” que há contra o setor produtivo.  A raiz é profunda.

A mídia é, sem dúvida, a entidade que mais exerce influência sobre as pessoas. E as pessoas gostam de notícias negativas. Isso, por sua vez, gera a famosa teoria: “Sangue vende.” Eis a razão para aproveitar uma notícia negativa na essência e dar mais uma bordoada em quem, na visão de alguns, representa o cerne do conservadorismo no Brasil.

O objetivo de impactar a população urbana foi alcançado. Basta vermos os comentários e memes postados nas redes sociais. Não se trata, apenas, de bradar contra a comunicação exagerada de quem não conhece a produção.

O agro também tem sua culpa. Nos comunicamos muito mal com a sociedade. Não contamos direito a nossa história. Com isso, deixamos um enorme espaço para que outros a contem por nós. Com o viés que lhes convier. O fato é que falamos para nós mesmos. E, com isso, cometemos um grande pecado. Não comunicar às pessoas sobre como são produzidos os alimentos que elas necessitam todos os dias é muito grave. Não temos desculpas. Somos fortes, somos essenciais para geração de empregos, de riqueza, de exportações, de comida na mesa das pessoas.

Essa é a nossa verdadeira história. Devemos contá-la.

Carnaval como propulsor da economia

Publicação: 26/03/17
Carlos Eduardo
Prefeito de Natal

Na última quarta-feira, a FecomércioRN divulgou pesquisa mensurando não apenas o grau de satisfação do público em relação ao carnaval 2017, mas principalmente os reflexos da festa para a economia da cidade. Os dados corroboraram a expectativa da Prefeitura e atestaram o acerto de nossa tomada de posição em favor da realização do evento.

Se para 57,6% dos entrevistados este foi o melhor carnaval dos últimos anos, a Prefeitura contabilizou também como o melhor em participação da inciativa privada, que acreditou na festa como um seguro retorno, patrocinando principalmente os shows musicais, todos gratuitos e elogiados por 82,7% dos foliões.

Diz o estudo que o gasto médio diário do turista chegou a R$ 213,20. Somados aos gastos dos potiguares presentes na festa, resultaram numa receita superior a R$ 40 milhões, movimentando diversos setores que antes deixavam de lucrar no carnaval. Este gasto médio incrementou em 48,6% o setor de hospedagem, em 18,5% o de alimentação, em 6,19% o de transporte, em 17,3% o de diversão e em 9.5% o de compras no comércio. Dados significativos diante do atual quadro econômico do país.

O carnaval levou 452.670 pessoas aos seis pólos montados pela Prefeitura, da quinta-feira, quando há a abertura oficial do evento com o Baile de Máscaras do Atheneu, até a quarta-feira de cinzas, superando o ano passado que trouxe um público de 392.150 pessoas. Desse contingente, 73,4% pretendem retornar para o carnaval 2018 e 95,3% recomendariam o nosso carnaval a amigos e parentes. Desse público total que compareceu aos eventos, cerca de 82 mil eram turistas de outras Estados ou países que elogiaram a hospitalidade do nosso povo, a qualidade da hospedagem, os serviços de bares e restaurantes, a diversidade da diversão cultural, a organização das atrações carnavalescas, o atendimento nos polos multiculturais e as belezas naturais de nossas praias e lagoas.

Consolidado definitivamente no espírito e na alma de nossos cidadãos e dos visitantes, nosso carnaval de rua se provou mais que uma alavanca econômica. Foi também poderosa ferramenta para levantar a autoestima da nossa gente, foi um agregador de forças ao reunir mais  empresários como patrocinadores no caminho para tornar nossa festa autossustentável, foi um balizador de nossa política cultural em termos de eventos populares, foi exemplo de alegria e segurança para centenas de famílias, que foram às ruas com toda tranquilidade e, principalmente, foi um farol a projetar mais longe a imagem de Natal.

Apostamos na retomada do carnaval desde 2014, por ser a maior manifestação cultural do povo brasileiro, acreditando numa festa aberta, onde as pessoas da cidade podem se confraternizar, e agora em 2017 podemos dizer com toda a segurança que o carnaval de Natal, que há décadas desaparecera das ruas da cidade, voltou. E voltou para nunca mais ir embora.  

Minhas livrarias em Nova York (III)

Publicação: 26/03/17
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
Mestre em Direito pela PUC/SP

Completando nossa série de artigos sobre os comércios de livros da ilha de Manhattan, hoje trataremos de alguns estabelecimentos localizados nas regiões apelidadas de “midtown” e “uptown” Nova York.

Vou começar suavemente, por “midtown”, com duas dicas de livrarias “especiais” que ficam muito próximas do hotel onde nos hospedamos, o “The Tuscany – A St Giles Signature Hotel” (120 East 39th Street), bem pertinho do Grand Central Terminal, hotel que, por sinal, recomendo deveras. A primeira delas é a pequenina livraria da “New York Public Library”, que fica no número 476 da 5ª Avenue (metrô 5ª Avenue ou 42ª Street/Bryant Park). A segunda é também a pequenina livraria da “Morgan Library & Museum”, que se acha no número 225 da Madison Avenue (metrô 5ª Avenue ou 33ª Street). Para além da visita às duas famosas bibliotecas, sobre as quais escreverei qualquer dia desses, a ida a essas pequenas livrarias vale muito a pena para quem se interessa por coisas e livros sobre livros.

Muito próximo dessas duas “dicas” fica a livraria que muito provavelmente é a maior de Manhattan (tirando, claro, a “Strand Bookstore”, que, além de ser livraria e sebo ao mesmo tempo, é “hors concours”): a badalada “Barnes & Noble” do número 555 da 5ª Avenida (metrô Grand Central 42ª Street ou 47-50ª Streets Rockefeller Center). A “Barnes & Noble”, como muitos devem saber, é a maior rede varejista de livrarias nos Estados Unidos da América, com mais de seiscentas lojas espalhadas por cinquenta estados da Federação. Vende, além de livros dos mais variados temas e estilos, revistas, jornais, DVDs, “e-books”, jogos eletrônicos, utensílios de leitura (entre eles, o NOOK, seu “e-reader”), brinquedos e mil e uma outras coisas do gênero. De praxe, em cada loja da “Barnes & Noble” há uma cafeteria com produtos “Starbucks”, o que, digo logo, é “mais que bom”. A loja da 5ª Avenida, com seus vários andares, aberta de domingo a domingo, até as 21 horas, tem tudo isso de sobra. Várias poltronas e cadeiras estão espalhadas pela loja, e você pode, confortavelmente, sem que ninguém o incomode, ler a vontade, não importa o que. Se você vai comprar algo, embora acabe sempre comprando, isso é outra história.

Bem pertinho dessa gigante “Barnes & Noble”, vou sugerir para vocês o que considerei um tesouro achado inesperadamente: a livraria do “The Center for Fiction”, que fica no número 17 East da 47ª Street, precisamente entre a 5ª e a Madison Avenues (metrô Grand Central 42ª Street ou 47-50ª Streets Rockefeller Center). “The Center for Fiction” é uma instituição, talvez a única nos Estados Unidos, dedicada exclusivamente à arte da ficção. O mais interessante é que ela é uma sucessora da outrora importantíssima “Mercantile Library”, fundada em 1821, e que, por volta de 1870, antes da criação da “New York Public Library”, era a quarta maior biblioteca dos EUA, atrás somente da “Library of Congress”, da “Boston Public Library” e da “Harvard University Library”. Nessa pequena e simpática “bookshop”, que é também um sebo, comprei livros usados baratíssimos, capas dura e mole, por coisa de três e dois dólares, respectivamente. De graça mesmo.

No mais, ainda naquele “miolão turístico e de business, cheio de tudo, lojas, escritórios, teatros, cinemas e restaurantes”, como define Nelson Mota (em “Nova York é aqui: Manhattan de cabo a rabo”, editora Objetiva, 1997) o burburinho de “midtown”, há uma loja da “Midtown Comics”, livraria especializada em quadrinhos que, embora não seja esse tema minha praia, acho que vale a pena visitar. Fica no número 200 West da 40ª Street, na “confusão” do Times Square, sendo facílimo de chegar por qualquer das várias estações de metrô da 42ª Street.

Por derradeiro, já em “uptown”, para além do Central Park, numa pitoresca região da cidade, chamada “Morningside Heigths”, onde fica a prestigiada e belíssima Columbia University, tenho duas livrarias para recomendar. Uma delas é a própria “Columbia University Bookstore”, também uma “Barnes & Noble” (aqui cultura e capitalismo andam juntos), que fica no número 2922 da Broadway Avenue (metrô 116 Street – Columbia University). Embora seja uma livraria voltada para fins acadêmicos, ela, ao contrário da livraria da New York University (sobre a qual falamos no artigo da semana passada), tem um bom acervo de livros técnicos em geral, incluindo de direito. Recordo-me de haver ali comprado dois livros sobre legislação e interpretação, “Legislation and Statutory Interpretation” (de William N. Eskridge Jr., Philip P. Frickey e Elizabeth Garret, Fundation Press, 2006) e “Legislation: Statutory Interpretation 20 Questions” (de Kent Greenawalt, Fundation Press, 1999), sendo que, para meu desgosto, o último deles, quando cheguei em casa descobri, eu já possuía.

A outra livraria fica bem pertinho, na mesma Broadway Avenue, no número 2915 (metrô 116 St – Columbia University), e chama-se “Book Culture”. Pequenina, charmosa e “pet friendly” (tenho até uma foto com um enorme cão branco que “decorava” o local). Soube depois, pelo Facebook, que é uma livraria de famosos, incluindo astros do cinema. Não encontramos ninguém badalado, confesso, e olhem que ficamos um bom tempo vagando, abasbacados, pelas redondezas.

A gravidez paterna

Publicação: 26/03/17
 Rita de C. Medeiros Homet Mir
Psicodermatologista/ritaursula.com.br

“Talvez, um dia, não saibamos exatamente o que foi a loucura (...).Qual será o suporte técnico dessa mudança ? A possibilidade de dominar a doença mental como qualquer afecção orgânica ? O controle farmacológico preciso de todos os sintomas psíquicos? Os avanços da medicina poderão fazer desaparecer completamente a doença mental, como já acontece coma lepra e a tuberculose ; mas sei que uma coisa sobreviverá, ou seja, a relação entre o homem e seus fantasmas; seu impossível, sua dor sem corpo, seu cadáver durante a noite; que uma posto fora de circulação aquilo que é patológico, a obscura memória sem idade de um mal cancelado na sua forma de doença, mas irredutível como dor "

Michel Foucault (Filósofo)

Propositadamente,usamos este texto um pouco, vamos assim dizer, aterrorizador, para falarmos do desenvolvimento normal de uma mente. Sabemos que nenhuma relação é mais poderosa e possui maior impacto do que a existente entre PAIS E FILHOS. Como uma criança vem a ser depende, em grande parte, de como começou e o impulso inicial é sempre dado pelos pais.

Aqueles adultos que possuem a responsabilidade primaria de cuidar da criança terão a maior influencia em seu desenvolvimento, tanto para melhor quanto para pior. Quando as coisas vão mal, parece ser natural dos pais culparem à outrem, seja as escolas, os avós, as crianças vizinhas e, hoje, a internet. Todavia, a MODELAÇÃO PRIMÁRIA da personalidade da criança pertence ao adulto ou adultos que a criaram.

É dentro deste contexto emocional de algum tipo de unidade familiar que uma criança em crescimento se sente amada ou não, querida ou não,capaz ou incapaz, dotado ou não de valor, ademais de como se sentem e sentirão num futuro, que pode até ser distante da época de seu nascimento, a respeito de si mesmas e de outras pessoas.

Há poucos anos, a maioria dos grandes estudiosos sobre a educação das crianças e suas relações familiares, como Ferenczi, Fairban, Enid e Michael Balint, Sullivan, Erikson, Winnicott,Kohut, Sander e a propria Melanie Klein, seguidora tão direta do pai da Psicanálise, Sigmund Freud, não abordaram diretamente a relação do NEONATO com o PAI, somente com a mãe, e o pai era seguramente, um intruso, daí os estudos sobre o Complexo de Édipo, etc, ou seja, se referiam ao papel dos pais na criação dos filhos e jamais faziam a conexão do neonato com a figura paterna .

Há uma nova visão, um novo olhar cada vez mais atento na Psiquiatra e Psicologia moderna que encoraja a presença ativa do pai, o qual “tornando-se grávido" com a genitora, escutam juntos os apelos do bebê: “Veja-me, sinta-me, toque-me, cure-me " (Pete Townshend). No momento que ele (o pai) é acolhido nas Maternidades, que vão sendo amigas DELE, sua tarefa ajuda não somente o neonato, mas ajuda a mãe, que às vezes, por imaturidade, culpa ou outros sentimentos afetivos, debruça-se sobre o seu filho, esquecendo o parceiro. É uma vantagem para ambos a favor da saúde mental do bebê que necessita apenas sentir-se seguro e amado.

Este vínculo precoce vai apenas reforçar uma frase muita dita pelos adolescentes: o melhor pai é aquele que ama minha mãe. Que a novas gerações estimulem estas atitudes paternas e das maternidades., pois assim fazendo estarão cumprindo uma das MÁXIMAS PARA A PREVENÇÃO DE DOENÇAS MENTAIS.

Desejo a todos um feliz e abençoado domingo e até o próximo artigo se o nosso bondoso Deus assim o Permitir.

Mais sobre alimentos "funcionais"

Publicação: 26/03/17
Jorge Boucinhas (Médico e professor da UFRN - boucinhas_jc@hotmail.com)

O assunto a ser revisto hoje é dos que mais têm recebido espaço nos meios de comunicação nos últimos tempos. Trata-se da possibilidade do uso de alimentos para a redução do risco de doenças crônico-degenerativas.

Diversos fatores vêm direcionando esse interesse.  Assim, por exemplo, evidências epidemiológicas têm associado a alimentação extremo-oriental, rica em hortaliças e soja, a uma menor incidência de osteoporose e câncer de mama na mulher. Já a dieta dos países mediterrâneos, abundante em frutas, hortaliças, azeite de oliva e massas, leva a níveis de colesterol que, mesmo quando elevados, não se correlacionam a maior número de mortes por infarto do miocárdio.  Por outro lado, a dieta dos esquimós, embora rica em gorduras animais, paradoxalmente não provoca muitas mortes por acidentes cardiovasculares entre essas populações, fato atribuído aos ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa presentes nos peixes que ingerem bastante.

A estas evidências epidemiológicas vêm-se associando pesquisas bioquímicas e clínicas que evidenciam a existência de componentes químicos que podem ter ação na manutenção da saúde, ação esta que estaria bem além dos papéis exercidos apenas pelos nutrientes adrede conhecidos.  

Ao mesmo tempo houve uma mudança nos conceitos referentes ao estabelecimento das recomendações nutricionais e passou-se da idéia de alimentação para “prevenir ou combater deficiências nutricionais” para a de "promoção da saúde". É o caso, v.g., das recomendações aumentadas de cálcio para mulheres com base na redução do risco futuro de osteoporose ou nas de ácido fólico, também para mulheres, visando a redução do risco de nascimento de crianças com defeitos do tubo neural.

A Nutrição como ciência está, portanto, passando a se preocupar com as funções fisiológicas do indivíduo para assegurar o máximo de bem estar, o mínimo de doenças e uma vida cada vez mais longa. Com isso começam a ser vistas mudanças até nas informações veiculadas pelos rótulos de alguns alimentos, que passaram a apresentar alegações que os associam à redução de risco de doenças específicas.  Por outro lado, a expectativa de vida aumentou em quase todo o mundo, acarretando o aumento dos custos de saúde pela maior incidência de doenças crônico-degenerativas, e necessita-se conseguir manter uma qualidade de vida satisfatória para os idosos.

O aumento do consumo de dietas ricas em gorduras animais e pobres em fibras, amido e micronutrientes, tudo isso associado a uma vida mais sedentária, responde por doenças como Obesidade, Hipertensão, Infarto do Miocárdio, Isquemias e Derrames Cerebrais, Osteoporose e Cânceres.  Ademais, o mercado de alimentos especiais, avaliado em dezenas de bilhões de dólares anuais, tem atraído o interesse da indústria de alimentos e da farmacêutica, promovendo o desenvolvimento de pesquisas e a consequente comercialização de novos produtos destinados a um segmento populacional que busca a saúde não mais através de medicamentos mas, sim, através da alimentação adequada.   Este segmento envolve desde pessoas com um problema definido, por exemplo os portadores de taxas de colesterol elevadas, às que visam simplesmente mais energia e disposição.

Tem-se chegado a falar em "função terciária dos alimentos".  A primária seria a organoléptica (referente aos sabores e odores e cores que estimulam a ingestão dos mesmos e respondem pelo prazer de comer), a secundária seria a nutricional propriamente dita (dizendo respeito às carências ou excesso de nutrientes) e a terciária seria a funcional (aquela associada à manutenção de uma saúde supostamente ideal). Por tal tipo de interesse gerou-se uma nova conceituação, a de "Alimentos Funcionais" ou "Alimentos de Saúde". Para os ingredientes ativos aí englobados, as denominações mais adequadas são as de fitoquímicos ou compostos bioativos ou nutracêuticos. Estas denominações, hoje em dia, freqüentam assiduamente os meios de comunicação. 

Conceituar Alimentos Funcionais é difícil e polêmico.  É possível, no entanto, adotar uma definição que estabeleça princípios básicos sobre o assunto. Assim, podem ser descritos como os semelhantes em aparência aos convencionais mas capazes de produzir efeitos metabólicos ou fisiológicos úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental, podendo ajudar na redução do risco de doenças crônico-degenerativas num papel acima das meras funções nutricionais básicas.

Sua importância atual é tamanha que vale a ele serem-lhes devotados alguns dos próximos Artigos.  Até lá!