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Nem tão elementar, meu caro Watson
Atualizado: 01:17:03 18/08/2022
Tomislav R. Femenick
Historiador, jornalista e membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis
Nos Laudos Periciais, os fatores subjetivos são identificados como aqueles que são norteados pela experiência, expertise e competência do perito e que, portanto, expressam um juízo de valor. Sabendo-se que pessoas diferentes podem tirar conclusões diferentes de uma mesma questão e ambas estarem corretas, o campo dos fatores subjetivos nas Pericias Judiciais é amplo e reconhecidamente necessário. Todavia há que se ter parcimônia no uso e influência de fatores subjetivos na estruturação desses documentos, bem como na interpretação de dados que sejam factíveis de subjetividade. Porém os elementos objetivos não podem ser objetos de interpretação e de “achismo”. 

Um dos princípios base do raciocínio científico diz que o “todo” se decompõe em “partes” e que a junção de todas as partes recompõe o todo. Outro axioma do mesmo campo impõe que, em um conjunto de variáveis, todas têm que ser verdadeiras para que o resultado da equação seja igualmente verdadeiro. É uma situação similar ao silogismo, sistema de raciocínio dedutivo, que parte de algumas premissas para se obter uma conclusão lógica. Para que a conclusão seja verdadeira, todas as premissas também têm que ser verdadeiras. “Elementar, meu caro Watson”, diria Sherlock Holmes. Proposições elementares, mas nem sempre seguidas com acuidade. 

Todavia nem sempre é assim tão elementar. Vejamos um caso concreto. Recentemente fomos convidados a analisar uma Perícia Contábil de um processo judicial em que se avaliava uma empresa para fins de dissolução da sociedade. Aparentemente nada de anormal. No entanto, ao estudar a metodologia adotada pelo perito e, ainda, como essa metodologia foi usada, deparamo-nos com algumas impropriedades. Primeiro, o Laudo Pericial tinha sido estruturado tendo como base o sistema de Fluxo de Caixa Descontado, metodologia fundamentada nos seguintes pressupostos: a) o valor do empreendimento está relacionado à expectativa de geração de caixa em períodos futuros; b) a capacidade de o negócio gerar recursos financeiros que lhe conferem valor. Essa lógica é correta quando a sociedade continua existindo, mesmo com a saída de alguns sócios, e não com a saída de todos os sócios. Havia ainda um agravante, era uma sociedade mista de capital e pessoas, pois a geração de caixa estava intimamente ligada ao trabalho dos sócios; profissionais liberais de um mesmo ramo e de uma mesma especialidade.

Mais estranho ainda foi o fato de que as “fórmulas matemáticas utilizadas eram indicadas somente para sociedades anônimas de capital aberto”, com ações negociadas em bolsa de valores. Uma das fórmulas usada inclui elementos bem próprios para esse tipo de empresas: “beta desalavancado”, “variações do valor das ações” em dado período, “risco país” atribuído por empresas de rating, tais como a Moody´s e Standard & Poor´s etc. Em outras palavras: o perito não teve a acuidade de adaptá-las à realidade objetiva: o capital das sociedades limitadas é formado por quotas inegociáveis com terceiros – a não ser em casos específicos, previstos em Lei.

Voltemos à questão inicial. Se uma das partes do todo é imprópria, inadequada e/ou não correta, o todo fica descaracterizado e perde a sua significância.

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor
As doenças de Salvador Dalí
Atualizado: 01:15:17 18/08/2022
Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

Na década de 1940, Dalí foi considerado pela crítica o melhor pintor acadêmico vivo.  O próprio artista expressou que o seu intuito era recuperar a técnica de alguns dos velhos mestres da pintura, entre os quais estava Rafael, um dos seus ídolos.  Em 1944/45, Dalí pintou a tela Galarina que se encontra no Teatro-Museu de Figueras, um retrato especial da sua mulher Gala, em honra à tela La Fornarina, de 1518, obra do pintor renascentista Rafael. Em Galarina, Dalí mostra seu modelo com o seio esquerdo desnudo, mas o jogo de cores e o contraste de claro/escuro retiram o tom erótico da figura e lhe conferem uma visão maternal. Os experts da obra daliniana afirmam que a formosa mulher Gala é responsável por cerca de um terço da produção do famoso pintor catalão.
 
Por abordar o inconsciente, o livro “A interpretação dos sonhos”, de Sigmund Freud, exerceu forte influência na vida e na obra de Salvador Dalí. O escritor Stefan Zweig, grande amigo de Freud, em seu livro “Autobiografia: mundo de ontem”, registra:  “Uma vez, em uma das minhas últimas visitas a ele, levei Salvador Dalí comigo, na minha opinião o pintor mais talentoso da nova geração, que venerava Freud incomensuravelmente”. Rebelde e polêmico, em 1926, Dalí foi expulso da Academia de Belas Artes de Madri, ao se recusar a prestar os exames acadêmicos normais, e alegou que seus professores não estavam capacitados para esse mister. Neste mesmo ano, participou de uma exposição em Barcelona, quando seus quadros muito impressionaram a crítica e outros artistas. Contando com o apoio de Miró, conviveu em Paris com seleto grupo artístico, formado por escritores, pintores e escultores famosos. Por volta de 1930, o pai de Dalí retirou-o do seu testamento, por discordar da união do filho com Gala, ex-esposa do poeta Paul Eluard, além de que, nesta década, recebeu fortes críticas dos surrealistas por suas ideias franquistas. Dalí também se dedicou a outras artes, em especial ao cinema. Com Walt Disney, trabalhou no filme “Destino”. Uniu-se ao seu amigo Buñuel na produção de “Um cão andaluz”, e colaborou com Alfred Hitchcock no filme “Quando fala o coração”.

No começo da Segunda Guerra Mundial, Dalí foi morar nos Estados Unidos, tendo ao lado a mulher da sua vida Elena Ivanovn Diakonova, a sua querida Gala, nascida na Rússia em 1894, ou seja, uma década antes do seu segundo marido.  Durante os oito anos que viveu nos Estados Unidos, converteu-se ao catolicismo e publicou sua autobiografia, A Vida Secreta de Salvador Dalí,  além de continuar sua constante produção de telas surpreendentes. Regressou à Europa e, gradativamente, foi se afirmando como o maior autor surrealista do mundo. 

Gostava de chamar a atenção, a começar pelo pontiagudo bigode, fixado com açúcar de tâmaras. À pergunta por que pintava relógios moles, respondeu: “O importante não é que sejam moles ou duros, e sim que marquem a hora certa”. Neurose e paranoia são diagnósticos constantes em seu excêntrico perfil. Nos últimos anos de vida, após a morte de Gala, em 1982, amargou profunda depressão, além de passar por um incêndio em seu quarto de dormir, no castelo Gala- Dalí, em Púbol, quando sofreu graves queimaduras. Salvador Dalí faleceu em 1989, aos 84 anos, tendo como causa da morte uma insuficiência cardíaca. 

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor
Qual a nova juventude?
Atualizado: 22:20:30 16/08/2022
Renata Ankowski
Administradora de empresas, especialista em gestão de projetos e COO na MCM Brand Experience

Nos últimos anos temos visto o envelhecimento sendo tratado como um problema tanto econômico quanto social no mundo todo. Quando olhamos para países desenvolvidos, isso fica evidente ao analisarmos o déficit de população economicamente ativa e a grande necessidade de assistência às pessoas idosas.

Entretanto, segundo um estudo recente divulgado pelo IBGE, a população economicamente ativa -- entre 17 e 70 anos -- vem apresentando aumento constante desde a década de 90. Mesmo que encarar o envelhecimento como um problema seja estrutural, pois não estamos adaptados a flexibilizar o ganho de idade como algo normal e parte da sociedade, é possível notar um grande avanço quando falamos de valorização da experiência, longevidade e aumento da expectativa de vida.

O mercado de trabalho talvez tenha sido um dia o grande vilão dessa história. Até pouco tempo atrás, a experiência era facilmente descartada para a jovialidade nos recrutamentos. O preconceito e a descriminação tomavam conta dos departamentos responsáveis pelas contratações e afastava cada vez mais as pessoas com mais idade do mercado de trabalho. Mas isso tem mudado. Segundo o IBGE, em 2012, a porcentagem de indivíduos 60+ ativos era de 5,9%. Já em 2018, o índice aumentou para 7,2%, o que representa 7,5 milhões de idosos atuando como força de trabalho no Brasil.

A atuação dos profissionais seniores está em crescimento graças ao entendimento da própria capacidade e da força de trabalho experiente. O preconceito é movido pela desinformação e ainda que o fator etário esteja associado à experiência e à sabedoria, por muito tempo o “envelhecimento” foi tratado como fragilidade e falta de autonomia.

Movimentos de empresas abrindo vagas afirmativas para pessoas com mais de 50 anos representam um chamado e uma necessidade de mudança de pensamento do mercado focado na inclusão de pessoas com mais idade, valorizando a experiência e oferecendo novas oportunidades para que essas pessoas se sintam úteis e continuem no mercado de trabalho.

A questão da juventude está atrelada à criatividade e ao desejo de aprender, o tamanho do nosso desejo de aprender é a vitalidade da juventude que a gente tem. Tornou-se comum vermos pessoas com mais idade sendo arrimo de família, começando novos cursos, mudando de área de atuação, aprendendo coisas diferentes e ficando economicamente ativas por muito mais tempo.

Tempos atrás era comum encontrarmos profissionais com mais de 30 anos na mesma empresa ou, até mesmo, aqueles que tiveram apenas um emprego a vida toda, marca registrada a geração que ganhou o nome de Baby Boomer (nascidos de 1940 a 1960). Porém, com o aumento da expectativa de vida relacionado ao Índice de Desenvolvimento Humano, foi permitido ao ser humano se reinventar, mudar e recomeçar quantas vezes for necessário. Afinal, a nova juventude não tem idade, não tem validade e não tem preconceito. O grande X da questão está em abrir espaço para que todos possam se sentir pertencentes, úteis e capazes.

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor
Medíocre, Eu?!
Atualizado: 22:17:23 16/08/2022
Carlos Alberto Josuá Costa
Engenheiro civil, escritor e membro da Academia Macaibense de Letras

Não é você. 

Estou refletindo se sou eu.

Isso depois que José Ingenieros, notável pensador argentino, me instigou em seu livro “O HOMEM MEDÍOCRE”.

A cada página eu temia me deparar com afirmações do tipo “você é medíocre”. Como nada disso acontecia, eu seguia esperançoso de que, ao final, poderia retribuir e responder ao autor: “medíocre é você!”

Seria eu realmente um homem medíocre?!

O autor parte de um ponto fundamental e de forma bem rigorosa, de que os indivíduos mais desprezíveis são os pregoeiros da moral, valentes no que falam, mas que não harmonizam suas condutas com as suas palavras, ou seja: melhor praticam o “faça o que digo, mas não o que faço”.

A máscara em suas características pessoais impede que se possa distinguir entre o homem medíocre e os demais que constituem a sociedade. O medíocre abre mão de sua existência individual para que a coletividade pense e deseje por ele. Não importa o que pense; regula as suas atitudes pela opinião dos outros. Passa a projetar e a ver no outro a sua própria sombra.

O convencionalismo social é o seu lema. A cabeça da sociedade está acima da sua, em pensamento, razão e existência.  Sem amparo definha em suas ideias, não fazendo nenhum esforço para ao menos submetê-las a qualquer tipo de crítica.

José Ingenieros reforça bem que o homem medíocre nunca experimentará lapso de genialidade, pois ao pregar a verdade, transige com a mentira; ao pregar a justiça, não é justo; ao pregar a piedade, é cruel; ao pregar o caráter, é servil; ao pregar a dignidade, dela não se serve.

A mediocridade é contagiosa, pois os seus pseudofrutos são vistos apenas pelo imediatismo da fala, sem nenhuma ação associada. O que importa é favorecer uma causa, que a bem da verdade nunca é a sua.

O homem medíocre se estimula na crise, pois só aí ele pode brilhar ao se apoiar na “muleta” dos outros. Ele não é um desonesto, ele segue sua rotina ao utilizar a cabeça de outrem para delinear pensamentos que não tomam forma por si próprios.

No entanto, prossegue o autor, o homem medíocre carrega consigo um sentimento que anda de mãos dadas com a falsidade: a inveja. Ele, com sua mediocridade “aparente do oculto”, estará sempre pronto para escancarar os malfeitos dos outros e se ufanar como se nisso houvesse mérito.

Anima-nos saber que esse tipo – medíocre, não é exclusivista de uma sociedade já facetada por outras tantas características humanas. A ele se contrapõem os homens de boa vontade, que se destacam pelo aperfeiçoamento de suas atitudes a partir de pensamentos que evoluem à medida que o mundo também se modifica.

É sabido que, na vitrine do mundo, de vez em quando surgem homens exitosos, que pensam e agem em favor de muitos e contribuem para mover a humanidade em direção ao futuro. Também se percebe que períodos de tempo se passam, até que nasçam ou que se deem oportunidades a mentes brilhantes, que catalisam as benesses que Deus disponibiliza ao homem em sua breve passagem terrena.

Basta olhar para o nosso mundo atual, esse que abriga em suas trincheiras os administradores de todas as atividades que norteiam os nossos passos.

Se enxergarmos a mediocridade “aparente do aparente”, seremos capazes de selecionar o joio do trigo.

As vitrines se renovam, os manequins patéticos se esgotam em suas mediocridades dando espaço para que, nas novas gerações, surjam homens que devotem suas genialidades em benefício da humanidade.

Cabe a você, como cabe a mim, estar atento para que a mediocridade não germine, não prospere e não dirija as nossas vidas.

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor
O tempo e o senso
Atualizado: 00:15:28 16/08/2022
Valério Mesquita
Escritor

Nos dias de hoje, o ânimo de viver nos torna inconstante e nos empurra para buscas ávidas de expressão, imaginação e criatividade. O próprio Luís da Câmara Cascudo, no passado, apesar de um ser simples, foi uma figura numerosa, pois escreveu sobre tudo e sobre todos. Conheço muitos escritores conterrâneos que detêm idêntica curiosidade inesgotável e volubilidade inventiva contagiadas pelas idéias, gostos e poder aliciante do charme da escrita cascudiana. E nesse particular, todos foram largamente influenciados pelo desejo insofreável de ressurreição do tempo morto, pela inestimável compreensão da alma coletiva das gerações passadas que se encontram como que cristalizadas em todos nós.

São as nossas afinidades eletivas fincadas na íntima, nostálgica página evocativa que romantiza a realidade ou, às vezes, a fantasia. Daí, não me encantar tanto com os procedimentos rotulados de culturais pela mídia eletrônica e certos gestores públicos. Não é a compulsão de recapturar o antigo só por ser antigo. O que desejamos, penso, é respirar o oxigênio cultural que foi dotado de um poder de radiação imanente, que se manteve vivo, apesar do efeito paulatino, paradoxal e destrutivo de uma “cultura de aparências”, fóssil e fútil, atualmente em alto astral! O crítico Paulo Prado chegou a afirmar no seu livro “Retrato do Brasil” que a proliferação desse contraditório “representava a astenia da raça, o vício de nossas origens mestiças”. Nada mais verdadeiro e impiedoso.

A cultura se transformou num circo mambembe de vaidades ressentidas, perdida nas suas cismas e inseguranças, desde o tempo em que o Ministério da Cultura tornou-se serpentário de figuras exóticas e estereotipadas. No Rio Grande do Norte, por exemplo, já passa do tempo da governadora reunir os órgãos de cultura do Estado: Academia Norte-Riograndense de Letras, Conselho de Cultura, Instituto Histórico e mais ensaístas, poetas, historiadores, sociólogos e críticos literários para ouvir sugestões dessa atividade tão pluralista e significativa da sociedade, porém, totalmente esquecida e somente lembrada para eventos passageiros. Tempos passados, um governante tentou contrair um vultuoso empréstimo internacional, para investimentos diversos, as poucas entidades culturais não foram ouvidas para discutir e identificar os seus problemas estruturais.

É com profunda lástima que vemos as edificações, casarões e monumentos que representam o vasto painel da dramática criação de uma sociedade civil de cem e de duzentos anos passados se encontrarem em estado de deterioração. Lembremo-nos que o “passado não passa”. A beleza plástica dos casarões, o teor emotivo e sentimental que retrata a abordagem lírica de épocas imemoriais, em qualquer país civilizado, nunca foram substituídos por folguedos e fanfarras. A preservação do patrimônio histórico e artístico do Rio Grande do Norte precisa de maior atenção e acuidade perceptiva. Como na Trindade Santa, o passado, o presente e o futuro se entrelaçam na mesma realidade existencial. 

Veja o bairro da Ribeira em Natal, tão desitratado pelos gestores públicos: casarões envergados pelo tempo, pela solidão e a tristeza do abandono. Quanta história não hospedam em cada fachada? À tardinha, uma passagem pelas ruas Duque de Caxias, Chile, Tavares de Lyra, Dr. Barata, Frei Miguelinho, praça Augusto Severo (você chora!),  imaginando ali o milagre da ressurreição do ambiente!!!

No passado, os políticos falaram tanto em projetos salvadores, em restauração, resgate, etc. Mas, faltou, o senso das proporções, não houve unidade de ação nem boa vontade. É preciso dizer a todos, que a Ribeira, o Cáis do Porto, o rio Potengi, também pertencem a  Natal, ó gente avara e proterva!

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'Comer como um padre'
Atualizado: 00:14:02 16/08/2022
João Medeiros Filho
Padre 

É bastante conhecido o ditado popular: “comer como um padre.” Há uma pequena variação, dependendo da influência dos conventos e mosteiros em algumas regiões. Assim, emprega-se a versão: “comer como um frade” (ou abade). Entretanto, em ambos os casos, a máxima recai sobre um personagem masculino. Não se diz: comer como uma freira. Todavia, no passado as religiosas eram afeitas à criação e ao deguste de iguarias, algumas das quais levam nomes conventuais como, por exemplo: barriga de freira, pastel de Santa Clara, toucinho do céu, papo de anjo etc. (típicos doces portugueses). Seria bom remontar às origens do adágio. Em artigo na revista “Veja”, Deonísio Silva aborda o assunto. Discorre sobre os hábitos alimentares dos claustros, voltando-se para os aspectos históricos da gastronomia luso-brasileira. O ditado pode dar a impressão de que os eclesiásticos eram ou são glutões contumazes no pecado da gula. Pretende-se aqui apontar motivos condizentes com o provérbio, repetido até hoje. A motivação resulta das antigas normas litúrgicas da Igreja. O jejum eucarístico era obrigatório desde a zero hora, pois as missas eram matinais. O dito provém das consequências na observância de tais prescrições eclesiásticas. 

As paróquias de antigamente dispunham apenas de um sacerdote para as celebrações eucarísticas. Nas cidades interioranas, as feiras-livres aconteciam preferencialmente aos sábados ou domingos. Para facilitar a participação dos fiéis, as missas eram rezadas às nove ou dez horas, precedidas de confissões e seguidas de batizados e casamentos. Os celebrantes ficavam em jejum, a partir da meia noite, não podendo sequer tomar água. As cerimônias terminavam entre doze e treze horas. Os padres quedavam-se famintos. Com um apetite voraz alimentavam-se sobejamente. E, não raro, após o almoço, deveriam atender os enfermos nas comunidades distantes, viajando a cavalo. Inexistiam estradas asfaltadas e automóveis com ar condicionado. Não podiam prever a que horas retornariam à casa e se alimentariam novamente. Assim sendo, comiam fartamente. Dessas circunstâncias, resultou a expressão: “comer como um padre.” Situações idênticas aconteciam nas desobrigas pascais e visitas às capelas rurais. Os paroquianos estimavam seus vigários e os convidavam para almoçar. Uma forma de acolhida manifestava-se na lauta mesa. Para agradar os anfitriões, os convidados comiam de tudo. Um prato tradicional era a galinha caipira torrada, decorrendo daí outro ditado: “Barriga de padre é cemitério de galinhas.” Eis alguns fatos que explicam o axioma. 

Em 1953, por causa das missas vespertinas, Pio XII mitigou o jejum, passando a três horas para os alimentos sólidos (posteriormente, reduzido a sessenta minutos por Paulo VI) e apenas uma hora para os líquidos. Apesar de tal amenização, o início de minha vida sacerdotal, em Caicó (RN), foi marcante. Na noite de Natal de 1965, celebrei a primeira missa à meia noite, no distrito da Palma. A segunda, em Laginhas, por volta de três da manhã. A terceira ocorreu num bairro caicoense, ao alvorecer. Eram comunidades em direções opostas. Voltei à igreja matriz para a eucaristia das sete horas. Seguiram-se confissões, casamentos e batizados. Havia me alimentado no jantar do dia anterior. O cansaço, sono e fome eram ingentes. Foram mais de quinze horas de jejum e aproximadamente cem quilômetros percorridos nos trajetos. Está na Bíblia: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de coração para o Senhor e não para os homens” (Col 3, 23).

Outrora, o jejum eucarístico era rígido. Quando um presbítero devia celebrar duas ou três missas seguidas, não podia sequer ingerir a água da purificação do cálice. Era guardada num reservatório para ser consumida, após a última Eucaristia. No Seridó, conta-se que Monsenhor Expedito Sobral chegou a desmaiar entre uma celebração e outra. O bispo necessitou solicitar à Santa Sé autorização para ele tomar um copo d’água entre as missas. Encontrei nos Livros de Tombo paroquiais depoimentos impressionantes. Um sacerdote diabético tinha hipoglicemia, durante as celebrações, causada pelo jejum prolongado. Outro presbítero hipertenso usava diuréticos e transpirava muito por conta dos paramentos e do calor. Por vezes, desidratava, interrompendo a missa. Apesar disso, nenhum sacerdote era infeliz. Vivia-se com forte convicção o ensinamento do apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10, 31).

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Cartas
Atualizado: 18:22:24 13/08/2022
Desigualdade social

Pesquisa fundamentada em dados do IBGE, efetuada por órgãos de reconhecida idoneidade, cobrindo o período de 2012 a 2021, revelou que o número de pessoas em situação de extrema pobreza na região metropolitana de Natal, saltou de 86,6 mil para 135 mil. Esse mesmo estudo, informa que Natal foi uma das capitais que registrou maior desigualdade de renda. É o nosso RN subindo em mais um pódio da desgraça. A eleição está à nossa porta. É bom verificar, se os programas dos candidatos a governador do nosso Estado, abordam alguma medida visando atenuar essa situação calamitosa, essa vergonha nacional. Se é que eles apresentaram algum programa. [Sobre matéria: Região Metropolitana de Natal tem mais de 135 mil em extrema pobreza].
Alberto de Sousa Bezerril via e-mail

Acidente 

Lembro quando era pequeno, ninguém usava cinto e era “normal”. Nos dias de hoje, não usar cinto de segurança especialmente viajando representa um risco muito alto. Eu logo que entro no carro vou logo procurando o cinto. Os carros são cada vez mais potentes e as condições da pista ou animais cruzando são imprevisíveis. [Sobre matéria: Empresário morre após ser lançado para fora do carro em capotamento no Agreste].
Jefferson Freire via Facebook

Redinha I

Levem segurança para lá também. Nem na calçada ninguém pode ficar, ladrão a qualquer hora do dia e à noite. Se tranquem porque é brabo. Redinha nunca mais será a mesma. [Sobre matéria: Obra do complexo da Redinha avança e lote tem 30% de conclusão].
@cianaluliz via Instagram

Redinha II

Aproveitar o embalo e capacitar os comerciantes. [Sobre matéria: Obra do complexo da Redinha avança e lote tem 30% de conclusão].
@paulino.cacilda via Instagram

Cartas para esta coluna deverão ter no máximo 350 caracteres e endereçadas à seção Coluna do Leitor - Email - pauta@tribunadonorte.com.br
Golpe? sociedade diz não
Atualizado: 18:17:51 13/08/2022
Gaudêncio Torquato 
Escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor político

Abro este texto sob as primeiras impressões do evento no salão nobre da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, onde o ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, leu, dia 11, quinta, por volta das 11 horas, a Carta em Defesa da Democracia, após discursos de representantes de entidades da sociedade civil.

A inferência mais abrangente é a de que, se havia alguma articulação sub-reptícia para golpear, dia 7 de setembro próximo, a ordem democrática, foi sustada pelo mais incisivo movimento empreendido pela sociedade brasileira nos últimos tempos. A Carta foi um eloquente discurso em prol do sistema democrático e, mais que isso, um vistoso sinal da nossa democracia participativa.

A comunidade levanta a mão e avisa: não toleraremos qualquer desvio autoritário no regime. Iremos às ruas, se for o caso.  Viu-se intensa mobilização, comparável em simbolismo ao famoso Comício das Diretas - Já, realizado em 16 de abril de 1984, o último e o maior comício em favor das eleições diretas, que reuniu 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.

A projeção que se faz oportuna é de que a corrente em defesa da democracia tende a crescer, face à imagem de pedra jogada no meio da lagoa, que a leitura da Carta nos transmite. Essa percepção se acentua ante a análise dos organizadores e assinantes do documento, que beiram 900 mil pessoas, de segmentos profissionais variados, e originários do meio da pirâmide social. A recorrente comparação que ancora os argumentos deste analista é: as classes médias exercem o poder de irradiar seu pensamento, a partir do meio da lagoa até as margens.

Esse poder é alavancado pela integração das mídias na divulgação do movimento. Desse modo, é bem provável que a defesa da democracia ganhe mais apoios do que a tese do fechamento do regime, e consequente instalação de mecanismos autoritários.  

A comunidade nacional, por sua vez, age como a panela de pressão. A fervura precisa que a panela tenha um buraquinho para deixar vazar o ar quente, sob risco de explosão. Os movimentos sociais, as manifestações de ruas, aplausos e urras são o vapor que, ao vazar, deixa o sistema em equilíbrio. O perigo é de ruptura no processo, com forte corrosão social.

O fato é que a comunidade utiliza meios para se exprimir. Exemplos são seus representantes nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas nos Estados, na Câmara Federal e no Senado. Quando esses mecanismos não agem a contento ou quando, mesmo sob sua ação, os Poderes Executivos (federal, estadual e municipal) não atendem ao clamor social, a população reage. É quando a democracia participativa entra na arena de guerra. Esse sistema também conta com o plebiscito, o referendo e o projeto de lei de iniciativa popular. Mas, em momentos de crise, como o que estamos vivendo, e sob um ambiente eleitoral polarizado, a sociedade escolhe a ferramenta do aviso direto: a movimentação de rua.

No Brasil, a organicidade social é um dos mais interessantes fenômenos da contemporaneidade. Significa que as massas d’outrora estão dando lugar a grupos, setores, núcleos, alas, que passam a agir em defesa de seus interesses. A isso chamo de poder centrípeto, que vem das margens e vai até os centros, os poderes constituídos. Essa força centrípeta, de lá para cá, é o novo desenho dos poderes da Nação. E quem quiser ter sucesso na política, não pode desprezar tal sinalização.

O Brasil, mesmo que se reconheça a prevalência de padrões tradicionais – o grupismo, o mandonismo – caminha, a passos lentos, porém, graduais, na direção da esfera racional. Que tem na autonomia um dos seus motores. Autonomia quer significar capacidade de o cidadão decidir, sem se valer da influência de outros. Claro, a equação BO+BA+CO+CA (Bolso, Barriga, Coração, Cabeça) poderá influenciar o voto. Devemos reconhecer: já teve mais força no passado.

Hoje, coisas como a Carta aos Brasileiros, harmonia social, desenvolvimento, paz, segurança, igualdade, educação, saúde, mobilidade urbana, habitação, conseguem chegar aos ouvidos do anônimo escondido na multidão. Que eleva sua condição de cidadania e sabe distinguir trololós de compromissos sérios.

Rezemos um Pai Nosso!

*Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor
Marcelo Fernandes de Queiroz
Presidente da Fecomércio RN

A Fecomércio Rio Grande do Norte deu início, na última semana, a uma série de encontros com candidatos ao Governo do Estado. Nas ocasiões, realizamos a entrega do documento “RN em Foco”, um compilado com sugestões para o futuro da economia potiguar, que reúne pontos prioritários para os segmentos do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Para se ter uma ideia da força desses segmentos, são mais de 200 mil empreendimentos no estado, que geram ocupação e renda para 440 mil pessoas, sendo 326 mil com carteira assinada. Estes negócios pagam R$ 774 milhões em salários e respondem por 79% do nosso PIB e por 77% do ICMS recolhido aos cofres públicos. 

Por ser a principal entidade de representação destes setores, temos o intuito de proporcionar um ambiente de diálogo democrático e propositivo, sobretudo neste momento. Por isso, além dos candidatos ao governo, o compilado de sugestões também será enviado para os candidatos ao Senado e à Câmara Federal, além de estar acessível de forma pública no site www.fecomerciorn.com.br/rnemfoco.

Para construção das propostas, foram feitas análises de dados públicos, estudos do Instituto Fecomércio e pesquisa realizada junto a empreendedores e líderes das organizações representativas do setor produtivo. 

Também incluímos os documentos “Vai Turismo – Rumo ao Futuro”, que traça um diagnóstico do turismo potiguar, principalmente após o impacto da pandemia; e a “Agenda Institucional do Sistema Comércio – Propostas e Recomendações de Políticas Públicas do Comércio de Bens, Serviços e Turismo”, ambas iniciativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC). 

Com isso, o “RN Em Foco” apresenta proposições para temas ligados à Gestão Pública, Segurança, Turismo e Incentivo ao Empreendedorismo. Entendemos que estas são áreas prioritárias. 

Apesar de toda a proatividade, resiliência e espírito inovador do nosso empresariado, os nossos setores dependem fortemente de condições econômicas que podem – e devem – ser fruto de ações de Governo. Tais iniciativas precisam dar suporte para que possamos enfrentar um cenário que atualmente é bastante desafiador.

Temos observado os primeiros passos no processo de recuperação da economia, mas não sem sofrer duramente a influência do aumento da inflação, da dificuldade de acesso ao crédito pelas empresas e da queda do poder aquisitivo da nossa população. 

Essa é uma preocupação constante dos empreendedores que foi revelada na pesquisa que realizamos com 800 empresários do Comércio, Serviços e Turismo em todo estado. Para 65% dos entrevistados, a economia piorou ou está igual ao ano passado, e cerca de 71% esperam mudanças para 2023. 

Geração de empregos, queda da inflação e juros mais baixos são os principais fatores para estimular a economia, na opinião dos entrevistados neste estudo. 

São dados que só reforçam a importância de abrirmos o canal do diálogo, para a construção conjunta, a fim de que o nosso estado possa desenvolver todo o seu potencial, ampliando as oportunidades de geração de emprego e renda, em benefício da nossa população e de um ambiente de negócios positivo. 

A Fecomércio Rio Grande do Norte se coloca, mais uma vez, como um parceiro na elaboração de soluções aplicáveis e que construirão o RN que todos nós queremos! 

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor

Aí complica
Atualizado: 13:43:13 13/08/2022
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República •  Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL •  Mestre em Direito pela PUC/SP

Eu sempre digo e repito que, das franquias do cinema, a minha preferida é, de longe, a que tem como protagonista o espião 007. Eu sempre invejei – inveja, boa – o Bond, James Bond. Suas aventuras, sejam na pele de Sean Connery, de Roger Moore ou de qualquer dos seus sucessores. E, sobretudo, cobicei as bond girls. Honor Blackman, Diana Rigg, Lois Chiles, Maud Adams e a oficiosa Kim Basinger, entre as minhas preferidas. Mas isso, falo da minha simpatia para com as bond girls, que fique cá entre nós.

Como sabemos, James Bond e suas aventuras são uma criação do britânico Ian Fleming (1908-1964), mestre dos romances de espionagem. “Casino Royale”, de 1953, é o primeiro título da série de enorme sucesso. Ele já nos mostra um espião 007 “charmoso, sofisticado, bonito, friamente implacável e mortal”, como consta da edição que possuo da obra, em inglês, da Penguin Books, de 2006. E as estórias de Bond foram transpostas para a tela grande. O filme de estreia foi “Dr. No” (“007 contra o satânico Dr. No”, no Brasil), de 1962, com direção de Terence Young e com Sean Connery e Ursula Andress no elenco, entre outros. O legado da dupla Fleming/Bond é indiscutível. E o sucesso no cinema foi e é mais que estrondoso.

Todavia, estes dias, revisando as minhas anotações do já distante ano de 2013, anotações que sempre faço para poder escrever as minhas crônicas, acabei reencontrando uma reportagem alarmante da Folha de São Paulo: “Estudo diz que James Bond era alcoólatra com risco de cirrose e impotência”. E ainda confirmei a informação numa matéria, da mesma época, da BBC/Brasil: “De tanto beber, James Bond seria impotente, dizem médicos”. Aí a coisa complica!

Entre outras “maldades”, relata a Folha: “O famoso espião britânico James Bond corria o risco de sofrer de ‘cirrose, impotência e outros problemas de saúde’ devido ao seu alcoolismo, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira (13) pela revista científica British Medical Journal (BMJ). A pesquisa, divulgada em uma edição especial de Natal do BMJ e baseada na análise dos 14 romances de Ian Fleming, concluiu que o Agente 007 consumia cinco martínis (‘batido, não mexido’, como costumava pedir) por dia e que seus hábitos de consumo podiam gerar ‘risco de morte’. 

De acordo com o estudo, realizado por pesquisadores de Nottingham e Derby (Inglaterra), Bond ingeria 92 unidades de álcool (736 gramas) por semana, taxa quatro vezes maior que o máximo recomendado no Reino Unido para um homem. Ao todo, 007 consumiu 1.150 unidades de álcool (9.200 gramas) em 88 dias e ficou apenas 13 dias sem beber ao longo de todos os livros. ‘O nível de funcionamento físico, mental e sexual de Bond é incompatível com o nível de álcool que consumia’, conclui o estudo, acrescentando ainda que Bond ‘não era um homem confiável para desativar uma bomba nuclear’”. Eu também não sou confiável para desarmar a tal bomba atômica, mas essa de cirrose e impotência é de lascar. Estou até meio indignado. E tenho as minhas contraditas a essas “aleivosias” dos especialistas britânicos, até porque, segundo a BBC, os médicos “deixaram claro que suas observações não vieram de um estudo científico, mas apenas de anotações coletadas após leituras nas horas vagas (...)”. Assim, até eu posso dar alguns “pitacos”.

Primeiramente, os mais famosos Bonds, Sean Connery (1930-2020) e Roger Moore (1927-2017), só vieram a falecer nonagenários, o que não é pouco. George Lazenby (1939-), octogenário, mesmo com a esposa morta em “007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade”, está ainda entre nós. E, pelo que sei, os mais jovens, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig, “vão muito bem, obrigado”. 

Ademais, de 2013 para cá, já vieram mais dois filmes da série, “007 – Contra Spectre” (2015) e “007 – Sem Tempo para Morrer” (2021), ambos sucessos retumbantes de crítica e público. E a coisa não para: a atual produtora da série já revelou estar em busca de um novo ator para o papel do protagonista Bond, James Bond. Quem sabe não me ofereço?

Por fim, de toda sorte, pedia sempre Bond “Vodca martíni, batido, não mexido” (“shaken, not stirred”, no idioma de Fleming). De minha parte, descomplicando, a partir de agora, só bebo uísque ou uma boa cachacinha. 

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