A responsabilidade da imprensa

Publicação: 24/05/17
Este é o título de um dos editoriais do jornal O Estado de S. Paulo, edição de ontem: “A responsabilidade da imprensa”. Tema apropriadíssimo para o momento dramático que o país vive. Reflete o papel dos meios de comunicação incluindo os jornais impressos, rádio, televisão e, quem sabe, o uso das tais redes sociais de infinito alcance, ao registrar, interpretar e opinar sobre estes acontecimentos.  Li e reli o texto. Concordo com o seu conteúdo e sugiro a sua leitura nas salas das escolas de jornalismo e na hora do cafezinho das redações onde, às vezes, os coleguinhas papeiam.  O editorial do Estadão ensina o exercício do bom jornalismo (atenção blogueiros!) ao destacar a primeira tarefa da imprensa. Vale a sua transcrição, que o faço, agora, começando pelo começo:

- A tarefa primária da imprensa consiste em fornecer ao leitor informações que lhe permitam formar opinião acerca do mundo em que vive. Da qualidade das informações processadas pelos jornalistas depende, em grande medida, a formação de consensos em torno do que é realmente melhor para o País, muitas vezes a despeito do que querem aqueles que estão no poder ou que lá querem chegar. O jornalismo que, por açodamento, se baseia no que está apenas na superfície e se contenta com o palavrório de autoridades para construir manchetes bombásticas se presta a ser caixa de ressonância de interesses particulares e corporativos, deixando de lado sua missão nobre – jogar luz onde os poderosos pretendem que haja sombras.

- No dramático episódio das denúncias contra o presidente Michel Temer, feitas pela Procuradoria-Geral da República com base em delação dos empresários Joesley e Wesley Batista, ficou claro, mais uma vez, que o Ministério Público sabe como explorar a ânsia dos jornalistas pela informação de grande impacto.

- Não é de hoje que os procuradores usam a imprensa para disseminar acusações que, uma vez veiculadas, ganham ares de condenação. É evidente que a imprensa não pode ignorar denúncias graves emanadas do Ministério Público, ainda mais quando envolvem autoridades de primeiríssimo escalão, mas a história ensina que muitas vezes as acusações não têm fundamento, resultando em danos irreparáveis para os acusados.

- Outro sintoma de que a imprensa se deixa levar pela sofreguidão do Ministério Público é que as manchetes e os noticiários estão reproduzindo a própria linguagem dos procuradores e dos delatores, que vêm tratando todo tipo de pagamento de empresários a partidos e políticos como “propina”, quando muitas vezes se trata de mera doação eleitoral. Assim, quase todos os políticos que em algum momento receberam dinheiro de empresas são, por definição, arrolados como corruptos – e então confirma-se a tese do Ministério Público de que o mundo político está podre.

- Atribuir as denúncias ao Ministério Público não é o  bastante, do ponto de vista ético, para isentar a imprensa de responsabilidade por esses danos, pois são os jornais que decidem dar ou não dar destaque a acusações que ainda carecem de confirmação, especialmente quando o que está em jogo é a estabilidade do País.

- No caso específico que envolve Michel Temer, está claro, que as primeiras manchetes a respeito da delação dos irmãos Batista – segundo as quais o presidente teria dado aval ao pagamento de propina ao deputado cassado Eduardo Cunha para que ele continuasse em silêncio – estavam imprecisas. A interpretação mais danosa a Temer – a de que teria havido “anuência do presidente da República” ao pagamento do suborno a Cunha – foi feita pelo procurador-geral da República, conforme se lê na avaliação que ele fez do diálogo entre o presidente e Joesley Batista.

- Foi essa avaliação que pautou a imprensa. Nenhum jornalista teve acesso às gravações feitas por Joesley senão alguns dias depois. Nesse intervalo de tempo, a pergunta óbvia – é possível confiar cegamente no que diz o Ministério Público? – não foi feita. Tampouco se questionou que objetivos poderiam ter os vazadores do conteúdo de uma delação que deveria estar sob sigilo. Considerou-se que a versão de Janota bastava para incriminar o presidente da República.

- Quando a imprensa enfim obteve a íntegra da gravação, os jornalistas puderam constatar que a interpretação de Janot era excessivamente subjetiva. Mas então o estrago político já estava consumado e o maior prejudicado não era Temer, mas o País, que precisava de estabilidade para a recuperação da economia. É um estrago grande e talvez irreversível, em certa medida.

- É justamente em momentos tão graves como esses que o País e suas instituições – a imprensa entre elas – devem fazer profundas reflexões sobre a responsabilidade de cada um. Já temos crises em abundância. Não há necessidade de que se fabriquem mais. ”

Chuva

Mais um dia sem chuva no Rio Grande do Norte, o mês de maio mais irregular que acontece há décadas. Maio, que sempre é chuvoso no Litoral e no Agreste, tem se revelado muito fraco neste 2017. Muito abaixo da média histórica.

A Emparn registrou ontem uma neblina em Natal, de menos de 2 milímetros. No interior, zero.  No Ceará neblinas em dois municípios e na Paraíba, neblinas também em só três municípios.
É tempo de tirar o rosário e rezar.

Queijos Tem uma atração especial na Exposição Agropecuária de Caicó, que começa oficialmente sexta-feira, depois de amanhã: “Mostra de queijos artesanais – Sabores do Seridó”.

No sábado, haverá o Leilão Seridó Terra do Leite, destaque para o plantel da Emparn: Sindi, Guzerá, Gir e Pardo-Suíço. Começa ás 20 horas. São 45 lotes, pagamento em até 24 parcelas.

Livro
A Editora Globo acaba de lançar Cartas Provincianas (Correspondência entre Manuel Bandeira e Gilberto Freyre), organização e anotações da pesquisadora Silvana Moreli Vicente Dias.

A troca de cartas entre estes dois monstros sagrados de nossa literatura durou 40 anos (de 1920 a 1960). Além de cartas, estão também no livro bilhetes, telegramas e postais.

Lixo A Urbana precisa dar as caras com foices, pás e enxadas. Tem muito lixo nas ruas, avenidas e praças de Natal, gente. E os carroceiros?


A política e a ficção

Publicação: 23/05/17
O estrupício de Brasília continua sendo o mote (até no programa do Faustão, com direito a comentários e opiniões do apresentador) das manchetes dos jornais, dos abundantes noticiários do rádio e da televisão, sem falar nas enchentes das redes sociais pontuadas por blogueiros de todos os credos, religiões, partidos e ideologias. É difícil prever o tempo de sua duração, pois ninguém sabe até onde chegará o fôlego do Palácio do Planalto. O presidente Temer já anunciou, de viva voz, que não renunciará e ainda acrescentou: “Se quiserem, me derrubem”.  Talvez seja um recado dirigindo-se ao Congresso ou ao Supremo Tribunal Federal (julgamento da chapa Dilma/Temer, ainda sema data) passando pela Procuradoria Geral da República.

Outra coisa que a tevê mostrou domingo foi o protesto contra Temer em várias capitais. Pouca gente nas ruas. Em Brasília, diante do Palácio do Planalto, umas 300 pessoas. Em São Paulo não chegou a 10 mil. Em manifestações anteriores a avenida Paulista recebia de 200 a 300 mil pessoas. A tevê também mostrou o empate de 1 a 1 do ABC com o Internacional de Porto Alegre, o jogo lá. Foi a melhor notícia do final de semana disputando o placar com o Dia da Cachaça Mineira, 21, comemorada derna de 2001, acertada invenção do então governador Itamar Franco. A data foi festejada nas Queimadas, abrindo-se uma garrafa da “Velha Januária”, das boas cachaças do norte de Minas (cidade de Januária, banhada pelo Rio São Francisco e já encostando na Bahia).

Outra coisa boa de domingo foi a leitura do artigo de Cristovão Tezza, dos grandes escritores brasileiros, publicado na Folha de S. Paulo com o título de “Na obra literária, o mundo da opinião é um objeto de observação”. O momento político que vive o Brasil está no meio das anotações de Tezza que aproveita, também, para discorrer com maestria sobre o mundo, vasto mundo, da literatura. Transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- A última vez em que manifestei publicamente uma opinião sobre política, há mais de um ano, perdi metade dos meus já poucos leitores; temo que, se repetir a experiência, a outra metade se vá, quando então só me restará me dedicar à marcenaria, minha vocação secreta.

- É verdade que o território da opinião política é naturalmente minado – meio passo à esquerda ou à direita e você explode na tela. Também não ajuda o fato de que o Brasil constitui a si mesmo pelo horror à pluralidade, da matança dos índios à violência sindical, do renitente racismo a um dos mais altos índices de homicídios do mundo.

- Acrescente-se o gigantesco fracasso do ensino: entre nós, 50% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora do ensino médio, e há décadas ninguém politicamente relevante se preocupa com isso.

Mais adiante, ressalta:

- Completa-se o quadro com a onipresença da internet, a disseminação  globalizada do culto narcísico à opinião instantânea  sobre qualquer coisa, e chegamos, dialeticamente (digamos assim, em homenagem à antiga esquerda), à síntese da ausência total de opinião, porque (agora a homenagem é ao multiculturalismo) todas  ética e moralmente se equivalem, exceto as outras – se é que (do lado de lá, ou de cá) podemos considera-las “opiniões”, e não expressões deformadas de pessoas que fariam melhor se não existissem. Esse é o clima.

Cristovão Tezza continua:

- Agora penso na boa ficção. Nela, o mundo da opinião é antes observado que assumido. Na obra ficcional de peso, as opiniões são objetos distanciados do olhar. O narrador afasta-se do instante presente para melhor compreendê-lo. ”

É preciso ler o artigo por inteiro, mais ainda na parte final onde os aspectos ligados à literatura são didaticamente explicados (“Na literatura, não é a ‘verdade’ que interessa, mas as pessoas que pensam sobre ela; na obra literária, o mundo da opinião é um objeto de observação, não um porrete na mão do usuário”). Usemos, pois, a internet. Talvez algum político se interesse.

Chuva
Não choveu no Rio Grande do Norte, nem sábado, nem domingo, nem no amanhecer de ontem. São informações da Emparn.  No Ceará a Funceme registrou, ontem, chuvas em apenas três municípios. A melhorzinha em Mombaça, na região do Sertão Central, 7 milímetros.

Na Paraíba, de domingo para ontem, segunda-feira choveu em 30 municípios, segunda a Aesa, a maioria no Litoral. A melhor chuva foi em Alhambra, 21, milímetros, seguido de Cabedelo, 12.

Exposição Depois de amanhã, quinta-feira, começa a Exposição Agropecuária de Caicó, uma das mais importantes do Estado. Vai até domingo.

Livro Na nota de sábado sobre o livro de Franklin Jorge (indicação de boa leitura) andei trocando as consoantes do título: saiu “O Livro dos Afigurares”. O certo, certíssimo, é O Livro dos Afiguraves, como se diz em Bom Jesus da Serra de Luís Gomes.

Clarice Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Prossegue a redescoberta nacional de Clarice Lispector (1020-1977), a escritora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira. Depois de “Todos os contos”, a Rocco vai publicar duas novas coletâneas de Clarice Lispector: “Todas as crônicas”, prevista para 2018, e “Todas as cartas”, em 2010, ano do centenário da autora de “A hora da estrela”.

Na Academia Está marcada para o dia 1º de junho a eleição do sucessor de Dorian Gray Caldas na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, que ocupava a cadeira n. 9 (patrono Almino Afonso). O candidato mais cotado é o poeta e contista Roberto Lima de Souza.

Reta A paralisação das obras da duplicação da chamada Reta Tabajara (BR-304), já vai completar um mês, ainda não chegou ao plenário da Assembleia Legislativa. Se chegou, ninguém soube, ninguém ouviu e nem viu.
Também se desconhece qualquer palavra do governo do Estado. Por exemplo: um telefonema para Brasília. Se é que Brasília atende telefonema?


Lula, o trovador

Publicação: 21/05/17
Este Lula que falo agora, mote do papo de hoje, é um outro Lula. Trata-se do poeta Luís Carlos Guimarães, que os amigos mais chegados o tratavam carinhosamente de Lula, velho Lula, mormente a partir da quinta dose de uísque. Pois é, há muitos lulas. Para todos os gostos.  Esta semana, remexendo mais uma vez a gaveta dos papeis desarrumados,  encontro uma carta do poeta, do grande poeta e querido amigo, colega de ginásio (o “7 de Setembro”, do professor Fagundes), companheiro de jornal, trintanos de vizinhos na mesma rua, as calçadas quase olhando de frente. A carta não tem data, mas, pelo que está contido no seu miolo, foi coisa dos últimos dias de dezembro de 1993. Lá se vão 23 anos. Vejamos:

“Prezado Woden:
Conto com a sua generosidade do amigo para, pela sua coluna, divulgar as linhas que se seguem.

Certas declarações que fazemos, na forma como são expressas e colocadas, e mais ainda quando impressas, levam a interpretações dúbias, errôneas e, até, diversas das que o pensamento procurou dizer. Foi que aconteceu na entrevista publicada na TN de domingo, 19.12.93.

Ao apontar os poetas vivos do Rio Grande do Norte, entre os maiores, num juízo de valor, citei em primeiro lugar meu velho amigo Luiz Rabelo. Ao mesmo tempo lamentei que não tivesse publicado nenhum livro nos últimos anos, talvez pela simples razão de faltar-lhe tempo para tal, assoberbado com os louros que vem colhendo sucessiva e constantemente, com a premiação de suas trovas em concursos nacionais e internacionais. O que não fiz na entrevista, faço-o agora. Por que não enfeixar em livros as trovas inéditas e as premiadas?

Sabê-lo um dos maiores trovadores do país é motivo de júbilo para mim e demais compatrícios. Aos que leram apenas a entrevista da TN, que leiam a outra, publicada no Jornal de Natal, na edição de 20.12.93, e com certeza nenhum mal-entendido prosperará.

A oportunidade desse esclarecimento vem a calhar para que, de público, declare minha profunda admiração pela trova como gênero poético, para a qual sou canhestro, sem competência, sem vocação, o que me causa frustração. Do mesmo modo, e para a minha infelicidade, também sou inábil para a glosa. Não quis, portanto, ferir suscetibilidade de ninguém. Aqui mesmo, na minha rua, tenho como vizinho o poeta Revoredo Neto, de quem sou amigo e admiro como trovador de indiscutíveis méritos.

Aproveito sua coluna, velho Woden (não vá se ofender pelo “velho”, que é tratamento de afeto e amizade), não para desculpar-me pelo não dito, mas para, de público, fazer a confissão de que eu gostaria mesmo era de ser trovador. E também glosador. Daqueles que são reconhecidos por onde passam. Como meu ego se inflaria se alguém me chamasse de trovador?

Agradecido pela publicação.
Luís Carlos Guimarães”

A violência em Acauã
Nos idos de julho de 1998 a falta de segurança pública no Rio Grande do Norte é mote de uma carta de Oswaldo Lamartine de Faria dirigida ao Secretário de Segurança do Estado. Está datada de 28 e escrita (datilografada) na Fazenda Acauã, município de Riachuelo, ribeiras do Potengi, onde vivia o grande escritor e grande homem. O assunto é atualíssimo, poderia ser abordado nos dias gravíssimos de hoje, agora, junto às ditas autoridades.  Tenho uma cópia da carta que me foi mandada por Oswaldo, que já não anda mais por estas bandas. Conversa agora lá em cima nos alpendres do céu:

“Fazenda Acauã (Riachuelo) 28/jul/98

Sr. Secretário de Segurança,
É de meu dever formalizar o que está aqui ocorrendo de vez que não sei prever o desdobramento de tudo isso e também para que no amanhã, não se diga ter deixado de comunicar a autoridade maior.

Tenho avançada idade (78 a.) e vivo e resido só, na Fz. Acauã, ao pé da Serra dos Macacos (Riachuelo), pouco mais de meia légua da pista (RN-121) que liga Bento Fernandes a BR-304. Vizinhança, apenas do casal que me serve, a distância de um grito.
A despeito de uma platônica placa fincada a entrada da Fazenda com os dizeres: Fazenda Acauã – Proibida caçar – Lei 5197/67- a reserva vegetal está sendo pilhada, a fauna dizimada e até o gado bovino, baleado e levado pelos ladrões.

No final da semana (noite sem lula de 25/26), cerca de 23,30 hs., uma moto seguida de camionete diesel, com capota e luzes apagadas, esbarrou na entrada – estrada de Bento Fernandes. Os tripulantes saltaram e tentaram forçar a porteira. Advertidos pelo vigia que oculto a tudo espreitava, dispararam cerca de 4 tiros no rumo deles que revidou com 2 disparos de cartucho 12. Surpreendidos, fugiram.

Indefeso de vez que nesse Brasil dagora só aos bandidos é facilitada a posse de armas e, coerente com a tradição sertaneja, fui me valer do Vigário – Mon. Expedito Medeiros – a quem pedi a proteção de Deus e, em seguida, ao delegado, a quem roguei os poderes da Lei.

Se V.Sa. não me julgar exagerado, o que pretensiosamente pretendo é reservar esse sobejo de vida que me resta e o lenço desse chão onde moro – restos da herança de meu pai.

Atenciosamente
Oswaldo Lamartine de Faria
Fazenda Acauã – Riachuelo/RN
Cep: 59.470-000”

Cordel das adutoras

Bilhete do Monsenhor Expedito Medeiros, o “Profeta das Águas”:
“São Paulo do Potengi, 5-6-95.

Prezado Woden
Venho agradecer-lhe a valiosa ajuda da impressão do cordel “A luta pelas adutoras”, pela Fundação José Augusto.
Você está convidado para o lançamento do mesmo, em data a ser marcada.

Um fraternal abraço do mano velho,
Mons. Expedito”


Graco.95

Publicação: 20/05/17
Graco Magalhães Alves, nosso querido Comandante Graco, chega aos 95 anos de idade, recebendo os amigos para festejá-los, logo mais à noite, no Olimpo, da Hermes da Fonseca, ares do Tirol.  Cinco anos atrás, quando ele fez 90, abri esta coluna com o título “Comandante Graco”, celebrando o grande dia que se repete hoje. Escrevi assim:
- Graco Magalhães, aviador, mineiro de São Lourenço e natalense há quase 70 anos, faz hoje 90 anos de idade. Firme que só um cadete. Oficial da FAB chegou por aqui no finzinho da Segunda Guerra Mundial, seu avião pousando na Base Aérea de Parnamirim. Passado o tempo, transformou-se em piloto civil e foi ser aviador do Governo do Estado. Serviu a mais de 10 governadores (a partir do Governo de Aluízio Alves) pilotando avião e helicóptero. Antes já tivera birô no Palácio Potengi servindo no Governo de Sílvio Pedroza, seu cunhado. Conhece muito bem, de ver e ouvir, a história política do Rio Grande do Norte.

- Graco é um cavalheiro, no sentido exato da palavra. Educado, fino, agradável de convivência e dono de uma prosa onde se percebe ainda o temperado sotaque do “mineirim”, fiel à sua terra e à sua gente. Além de aviador (militar e civil) foi empresário (agente de companha de aviação, o Loide Aéreo), fazendeiro, criador e montador de cavalos e, por muito tempo colaborador desta Tribuna do Norte. Alguns de suas crônicas estão reunidos no livro Voar é preciso, que ele publicou em 2009, com prefácio do poeta Sanderson Negreiros.

 Transcrevo um trecho do prefácio.  Escreveu Sanderson:
- Quem tiver a felicidade de ler este livro, encontrará a vida exultante de um grande homem. Não exerceu mandatos políticos, não perfilou a glória inaudita de nenhum heroísmo. Não ambicionou a meta exaustiva de nenhuma liderança. Não quis para si a fama oblíqua dos apressados e vaidosos, que sempre termina com o sol morrendo no ocaso. Aqui construiu-se um destino humano, evidenciado pela riqueza de um cotidiano que partia do chão de uma vida sem milagres, para, quase diariamente elevar-se aos céus, como piloto privilegiado que foi durante “50 anos”.

Seus amigos, todos nós, vamos brindá-lo hoje à noite, alçando as taças e copos por todas as alturas. Espero transcrever mais uma vez esta coluna daqui a 5 anos quando do centenário de nosso Comandante.

A Crise
Para a analista política Eliane Cantanhêde, de O Estadão, a crise política brasileira vai continuar. Já está explícito no título de seu comentário de ontem, “A crise continua”. Destaco alguns trechos, começando pelo começo:
-As declarações de Joesley e Wesley Batista que serão divulgadas hoje (ontem) pelo Supremo Tribunal Federal jogam Lula, Dilma, Renan, Serra e novos personagens no lamaçal da JBS. Não é só o presidente Michel Temer que parece estar afundando, é todo o mundo político.

- Quem teve acesso diz que os valores são estonteantes e a intimidade dos irmãos com os políticos é nauseante. A Odebrecht vai ficar com ciúme... E isso tudo, evidentemente, dificulta uma solução para a maior crise de que se tem notícia.
- Antes de mais nada, é preciso ressalvar que as gravações divulgadas ontem (quinta-feira) à noite são demolidoras para Aécio Neves, mas parecem menos comprometedoras para Temer. Primeiro, Joesley diz que tem mantido relações com Eduardo Cunha e Temer diz que deve manter, sim. Só depois o empresário fala nas mesadas. É diferente da versão original de que Temer teria estimulado o pagamento das mesadas.

- De qualquer forma, com PT, PSDB e PMDB mais sujos do que pau de galinheiro, além de Lula, Dilma, Aécio, Serra, Renan e, claro, Temer politicamente estropiados, as saídas para essa crise monumental parecem bloqueadas. Como fazer eleição direta, se a Constituição não prevê e se o líder nas pesquisas é réu cinco vezes e projeta mais crises? E como fazer indireta, se a legitimidade do Congresso é questionada?

Chuva
Chuvas esparsas, uma longe da outra. O boletim da Emparn registrou, ontem, chuvas caídas em apenas 13 municípios do Rio Grande do Norte, de quinta-feira para o amanhecer da sexta. A melhor delas foi no município de Florânia (Sítio Juriti), 17 milímetros.

Na região Oeste: Luís Gomes, 13 milímetros, Paraná e São Miguel, 11, Tenente Ananias, 9, Major Sales, 6, Coronel João Pessoa, 5. Teve uma chuva de 13 milímetros em Angicos, no Sertão Cabugi.

No Litoral e no Agreste, nada. Há uma semana que não chove no Agreste.

No Ceará
Ontem, segundo a Funceme, choveu em 43 municípios cearenses. As chuvas estão mais concentradas, nos últimos três dias, na região do Cariri. As três melhores de ontem foram em Granjeiro, 67 milímetros, Aurora, 59 e Várzea Alegre, 57.

Na Paraíba chuvas registradas em apenas 11 municípios. A melhorzinha em Alhandra, Litoral Sul, 16 milímetros.

Academia
Hoje, coisa das 10 horas, na Cidade de São Paulo do Potengi, tem a posse de três novos membros da sua Academia Potengiense de Letras e Artes (APLA): Cleudia Bezerra Pacheco, Haroldo Pinheiro Borges e Gustavo dos Santos Fernandes. Será na Câmara Municipal.

O presidente da APLA é Aluísio Azevedo Júnior.

O encanto de Portugal
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Alceu Valença comprou dois apartamentos em Portugal. Aliás, há mais brasileiros comprando imóvel na Terrinha do que na Barra da Tijuca.

Boa leitura
Para este final de semana dou a sugestão para uma boa leitura:  O Livro dos Afigurares, de Franklin Jorge. São histórias dos sertões de Luís Gomes, escritas por quem sabe contar.



O horror de Brasília

Publicação: 19/05/17
Diante do tsunami de Brasília, noticiado com mínimos detalhes na avalanche da tevê, o colombiano Gabriel Garcia Márquez não pegaria o juvenil do realismo fantástico brasileiro onde acontecem histórias do nosso mundo político. Há uma escuridão infernal em Brasília que impede se chegar a porta da saída. Temer renuncia ou não?  Quando bato estas mal traçadas linhas, no andar devagar desta manhã quinta-feira, 18, o bombardeio do noticiário na tevê sugere mil coisas que podem acontecer no pais das incertezas e que os próprios analistas políticos também se revelam assombrados por estas veredas sem rumo. A cronista política Eliane Cantanhêde, do Estadão, faz esta apreciação:

- O Brasil, pobre Brasil, acaba de dar uma cambalhota mortal. Após uma semana de boas notícias na economia, com as reformas andando e justamente a 20 dias do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Eleitoral (TSE), o presidente Michel Temer despenca no escuro, deixando o País sem presente e sem futuro. ”

Pelo visto o Congresso não vai ter como votar as reformas trabalhista e da previdência e a economia, que ensaiava uma recuperação, pode retornar ao despenhadeiro. Ontem, logo após as notícias da hecatombe política, a Bolsa de São Paulo despencava em 10%. Mais ou menos no mesmo tempo a Polícia Federal entrava pelos gabinetes do Congresso, para cumprir determinações judiciais, o ministro Fachin (do Supremo) terminava o afastamento de Aécio Neves da função de senador, e a sua irmã Andréa era presa em Belo Horizonte. Manchetes no noticiário internacional. A imagem do Brasil despencando.

O que vai acontecer com o nosso país com uma economia frágil, em crise, e o sistema político perdendo a credibilidade e o respeito da sociedade?  Tento encontrar uma resposta em Merval Pereira, em sua coluna de O Globo:

- Já não há mais condições políticas necessárias para a aprovação de reformas tão importantes quanto polêmicas. Este tipo de reforma necessita de um líder com credibilidade de estadista para levá-las adiante mesmo em condições adversas.”

- Temer não tem mais condições de governar, os presidentes da Câmara e do Senado estão sendo investigados pela Lava Jato. Na linha de substituição do presidente sobra a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lucia. Seja qual foi a saída encontrada, o presidente eleito terá que convocar uma Constituinte para aprovar as reformas estruturais. Mas nada disso tem resposta jurídica fácil, e depende de um Congresso desacreditado.”

E se houver uma eleição indireta para presidente da República quais os prováveis candidatos nessa altura do campeonato e nessas circunstâncias? O cronista José Josias responde:

- Um Congresso repleto de delatados, investigados, denunciados e réus, teria um mês para eleger um novo presidente. E a pergunta não para de ressoar: Quem? Em meio a nomes partidários, como o do grão-tucano Fernando Henrique Cardoso, que se apressou em informar a correligionários que não está interessado, menciona-se a ministra Carmem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, número três na linha de sucessão do Planalto.”

Perplexo diante do quadro escuro de Brasília, mestre Gaspar soltou a pergunta na calçada do Cova da Onça: Quem acenderá a fogueira na noite de São João?

Tem chuva  Há notícia boa no ar: voltou a chover em alguns pontos do sertão nordestino, incluindo o Rio Grande do Norte. Em Caicó, da noite de quarta-feira para o amanhecer de ontem, choveu 22 milímetros ao redor do Itans, 17 na área do Batalhão e 15 no Açude Mundo Novo.  Chuvinha de 5 milímetros em Ouro Branco.

Na região Oeste: Antônio Martins, 9 milímetros, Lucrécia, 8,5, Rafael Godeiro, 7, Martins e Viçosa, 5. No Agreste não choveu, já interando quase uma semana. No Litoral, leblinas.

Na Paraíba

Na Paraíba teve chuva passando dos 100 milímetros. Foi no município de Riacho dos Cavalos, que fica no chamado “sertão do Catolé do Rocha”, perto da divisa com o Rio Grande do Norte (de um lado Serra Negra do Norte e Jardim de Piranhas; do outro, Alexandria, Patu, Almino Afonso). Lá choveu 104 milímetros.  Em Brejo do Cruz, ao lado, 70.

Tem também notícia de chuvas no cariri cearenses: Ipaumerim, 75 milímetros, Lavras das Mangabeiras, 40, Cedro, 38.

Boas comidas
Anote em sua agenda: nos dias 26 e 27 vai acontecer o 1º Simpósio Gastronômico de Pipa, com o tema “Gastronomia é negócio”. Será no Centro de Convenções do Hotel Pipa Atlântico.

Palestrantes de várias partes do país e gente também do Uruguai. Destaque para a paraibana de Taperoá – mas que reside em Brasília – Ana Rita Dantas Suassuna, prima de Ariano e de Manelito, autora do livro “Gastronomia Sertaneja” (Receitas que contam histórias), que tem apresentação de Ariano Suassuna.

Entre as suas referências, Ana Rita cita dois rio-grandenses ilustres: Câmara Cascudo e Oswaldo Lamartine de Faria.

Exposição Semana que vem, começando dia 25, quinta-feira, tem a Exposição Agropecuária de Caicó, já chegando ao seu 44º aniversário. Festa montada no Parque Monsenhor Walfredo Gurgel.

Frei Betto Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Frei Betto lançará três novos livros: “Ofício de escrever” (Rocco), “Parábolas de Jesus – ética e valores universais” (Vozes) e o “O budista e o cristão” (Fontanar), em parceria com o coleguinha Heródoto Barbeiro.

- Com os novos lançamentos, Frei Betto tem 62 obras editadas no Brasil e o mesmo número lançadas no exterior. E mais 46 em coautoria.

Físico Hoje, 19, é o Dia do Físico. Tem comemorações no Departamento de Física da UFRN. A programação começa ás 15 horas.