O tempo político de Eloy
Atualizado: 14:00:50 14/05/2022
Na gaveta dos papéis desarrumados encontro um envelopão com várias cartas de Eloy de Souza (1873/1959) para o “majó” Theodorico Bezerra (1903/1994). São cartas originais, todas manuscritas, datadas entre os anos de 1945 a 1950 e enviadas do Rio de Janeiro, Natal e Nova Cruz. No meio delas há cópia datilografada de uma carta que o doutor Eloy escreveu para Dinarte Mariz e para o dr. José Augusto Bezerra de Medeiros. O mote principal dessa correspondência, claro, é a política. A política das décadas de 1940 e 1950, muita parecida com a atual, quase os mesmos bastidores (camarinhas) partidários de hoje. Transcrevo a carta na íntegra:

“Nova Cruz, 14/6/945

Caros Dinarte e José Augusto

Tenho refletido muito a respeito da nossa situação política no tocante, principalmente, á organização da chapa dos que nos devem representar na Câmara e no Conselho Federal. Se o interesse de todos é a vitória do pleito o meu sobreleva a qualquer outro, porque se fôssemos, por ventura derrotados ficaria privado do desejo e propósito e sepultar-me em nossa terra. De um tal desastre não escapariam as conquistas morais e materiais realizadas pelos ancestrais num esforço consciente de perpetuidade. Tudo soçobraria; e é preciso que não sossobre. Pela amostra que aí está podemos prever o que virá depois de tal calamidade se concretizar.

Assim sendo, devem vocês considerar o campo eleitoral e por indicações adequadas fortalecermos o êxito da campanha. É preciso olhar o Oeste e o Assú por circunstâncias que uma conversa pessoal melhor esclarecerá. Só não me considero inválido porque, mercê de Deus, ainda conservo a faculdade de auto-crítica que me aconselha e determina escrever-lhes estas linhas, que espero e conto serão lidas por vocês com a devida atenção.

De meditação em meditação cheguei a convicção de que devo por ponto final na minha atividade representativa, sem prejuízo da minha colaboração propriamente partidária em tudo que se possa e deva fazer para assegurar a nossa vitória agora e depois. Venho, pois, dizer-lhes que não sou candidato a nenhum mandato na representação nacional. Meu tempo passou. O mundo que vai nascer em nada se parece com aquele em que tenho vivido tão longamente. É possível, será bem certo, talvez, que sua organização corresponda melhor à felicidade humana. Seja, porém, como for, já não tenho saúde para ajudar os gigantes que vão empreender essa construção de proporções tão vastas.

Não lhes escrevo palavras, mas sim, lhes comunico uma resolução que respeitada muito mais me solidariza com os meus amigos e os seus bens propostidos. Sinto-me no dever de acrescentar que minha deliberação foi tomada de acordo com minha mulher para quem a minha renúncia completa a harmonia da minha vida pública.  Não fujo. Antes busco com a minha atitude fortalecer ainda mais minha autoridade combativa.

Abraços e saudades do velho e fiel amigo,

Eloy de Souza”.

No final da cópia da carta, Eloy de Souza acrescentou à mão: “Caro Theodorico: Uma parte desta carta talvez sirva para enfeitar o meu necrológio. Velho Eloy”. 

O Democrata 

No mesmo envelopão, entre as cartas, tem um recorte do jornal “O Democrata”, edição de 4 de dezembro de 1947, destaque para o artigo de Eloy de Souza com o título “Exemplo a ser imitado”, que traça o perfil de Theodorico Bezerra como político e empresário.

“O Democrata”, fundado em 1945, era o órgão do Partido Social Democrático, cujo diretório estadual tinha como presidente Theodorico Bezerra. Naquele ano de 1947, confiro no expediente do jornal, “O Democrata” era dirigido por Veríssimo de Melo; secretário, Joanilo de Paula Rego; redator-chefe, Esmeraldo Siqueira.

O primeiro diretor do jornal foi Rui Paiva. Passaram também pelo posto Romildo Gurgel, Antônio Pinto de Medeiros e Manoel Varela, entre outros. O jornal funcionava num sobradinho da avenida Duque de Caxias, esquina com a Praça Capitão José da Penha, do outro lado o Grande Hotel, de propriedade de Theodorico Bezerra, velha Ribeira de muitas e preciosas histórias.

Comandante Graco 

Sexta-feira que vem, dia 20, o nosso querido comandante Graco Magalhães Alves estará festejando seus cem anos de idade, cercado de familiares, amigos e admiradores. Mineiro de São Lourenço (Muzambinho), nascido em 1922, potiguar derna de 1945 quando aqui chegou tenente-aviador da Aeronáutica, com passagens pela Segunda Guerra Mundial.

Como piloto serviu a 10 governos do Rio Grande do Norte. Conhece profundamente a história política do Estado, participando de decisões importantes. Teve atuação destacada também como empresário no setor agropecuário, fazendeiro e criador de cavalos, e como agente de companhia aérea (Lóide Aéreo).

Foi colaborador da Tribuna do Norte. Seus artigos e crônicas estão reunidas no livro “Voar é Preciso”, publicado em 2009, com apresentação de Aluízio Alves, prefácio de Sanderson Negreiros e orelhas do xará WM. 

Comandante Graco, mineiro-potiguar, é um grande brasileiro! 

Exposição 

Segunda quinzena de maio com exposições e feiras agropecuárias na região do Seridó.  No dia 19, quinta-feira que vem, começa a da cidade de Lagoa Nova. No dia 26, a de Caicó, indo até o dia 29, último domingo do mês.

Museu 

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, lá se vão 120 anos, vai participar da 20ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) para celebrar o Dia Internacional de Museus (18 de maio) com o tema “O poder dos museus”.

Aqui em Natal o evento acontecerá no dia 18, das 8 ás 17 horas, na sede do IHGRN, na bonita rua da Conceição.

Chuva 

Primeira quinzena de maio com boas chuvas pelos sertões potiguares, mais concentradas nas regiões Oeste e Seridó.  Maio é considerado “o último mês da quadra chuvosa do semiárido Rio Grande do Norte”. A partir de agora, incluindo, junho, julho e agosto, segundo o meteorologista Gilmar Bistrô, elas deverão se concentrar mais no Agreste e região Leste (Litoral). Amém.

Esta semana, entre domingo (8) e sexta-feira (13) houve chuva passando dos 100 milímetros na região Oeste. Foi em Caraúbas, 124 mm, seguido de Campo Grande, 94, Felipe Guerra, 64, Tibau, 63. No Seridó, Bodó com 88 mm, São Fernando, 49, Lagoa Nova, 45, Cerro Corá, 42.
Da poesia da aldeia
Atualizado: 19:19:11 07/05/2022
Jornal de WM
woden madruga [ woden@tribunadonorte.com.br ]

De volta à gaveta dos papéis desarrumados, no meio de muitos envelopes e recortes de jornais encontrei cartas de Franklin Jorge, de Volonté e de Diógenes da Cunha Lima, três poetas, correspondência de mais de quarenta anos. A carta mais antiga éa de Franklin Jorge, datada de 16 de março de 1976, escrita assim:
“Caro Woden: Por favor dê uma olhadinha no que o acadêmico Mauro Mota escreveu sobre o meu trabalho e, se possível faça uma referência em sua coluna. Mais uma vez obrigado.

“De súbito/ É como se apodrecessem/ As tenras maçãs (na fruteira). / Também a minha mão, / No gesto de atirá-las fora, / À sua natureza se incorpora’. Eis a primeira mostra. O poema com todo o seu conteúdo, na fusão do possuidor e da coisa possuída, no transitório de ambos; o poema bem construído, belo e sóbrio, sem que a sobriedade reduza o seu impulso de intenções e sim, ao contrário, mais o afirma. E em fidelidade a um processo também de outras peças, inclusive nesta onde nem o desespero exonera uma poesia que não foi de ninguém antes: “Mãezinha: Deus só ama/ Os cegos, os aleijados, / Os surdos-mudos de nascença. / Acima do Homem/ Deus ama a Doença. / Deus não é nenhum Deus: / É um hospital. ”

Ficha do autor: Franklin Jorge, 23 anos, nascido e residente em Ceará Mirim, nada mais sei sobre ele pessoalmente nem precisaria saber, conhecendo e com o privilégio de conhecer em primeira mão, inédito, em jornal e livros, a sua arte: “Por um minuto/ Deixa-te ficar/ Quieta e doce :/ Goiaba, pera. / Não penso em nada/ Para que eu possa/ Te possuir inteira”.

Nada mais precisaria além de saber que, na pequena cidade do Rio Grande do Norte, Franklin Jorge cria uma poesia que se junta à mais perdurável da sua geração e do seu tempo. Mauro Mota. Diário de Pernambuco, Recife, 7 de fevereiro de 1976. ”

Franklin Jorge acrescenta: “Somente hoje é que tomei conhecimento destas palavras que foram recortadas e enviadas do Recife pelo nosso Nilo Pereira ao meu tio Edgar Barbosa. E a surpresa foi ainda maior por se tratar de palavras espontâneas e encorajadoras, partidas de um poeta que admiro, mas que não tive ainda o prazer de conhecer pessoalmente.
Abraços,
Franklin Jorge. ”

Volonté e Diógenes
A carta do poeta Volonté é de 5 de janeiro de 1993, lá se vão quase trinta anos. Vai inteira:
“Woden Madruga:
Vi hoje no BOM DIA RN a entrevista do sr. Emanoel Pereira, PHD em KEYNES e outros bichos. Fiquei impressionado. No meu caso, por exemplo, antigamente ganhava dois salários mínimos e meio; dava até para alguma: ir a Nazi, lá no BECO DA LAMA, bater um papo com o Dr. Manoel de Brito, depois pegar um ônibus no rumo de Ponta-Negra, tomar aquelas três ou quatro cervejas geladas e esquecer a batalha da semana, porque sábado é um belo dia para se conversar e rever os amigos.

Pois bem, hoje só me resta lembranças. Dos dois salários mínimos e meio que ganhava, pela carruagem do GANHE JÁ, daqui pra maio vai ficar reduzido a um. Grande gênio esse Emanoel Pereira... Qual é o restaurante que esse cidadão frequenta?

Manoel Fernandes de Souza Júnior (VOLONTÉ). ”

A cartinha de Diógenes da Cunha Lima está datada de 18 de setembro de 1997, escrita em Natal:

“Woden
Mestre Paizinho é um excelente tamboreteiro de Caicó. Trabalha em couro, para tamboretes de vária bitola. Pratica a amizade e gosta de poesia. Me mandou de presente, água na boca, uma rapadura-batida com castanha de caju. Agradeci:

“Sobremesa lá em casa/ é feita de uma mistura:/ o doce da amizade/ e o doce da rapadura. ”

Se você gostar de rapadura, eu não dou. Mas se gostar dos versos, pode ficar com eles.Um abraço do Diógenes.

P.S.: Vou aprender a fazer bilhete para você com o oswaldiano escritor Paulo Balá. ”

Do Sindi 
O leilão da raça Sindi, realizado terça-feira (03), está no patamar dos grandes sucessos da 87ª Expozebu que acontece em Uberaba, Minas, promovida pela ABCZ e considerada a maior exposição do mundo das raças zebuínas.  O preço médio das fêmeas foi de R$ 103,520,00 e dos machos, R$ 237.000,00. Média das prenhezas, 73.750,00. Média geral do leilão: R$ 110.974,00, um crescimento de 46,50% em relação ao ano passado.

Vários criadores do Rio Grande do Norte estão participando da exposição, entre eles Orlando Procópio, que é o presidente da Associação Brasileira de Criadores da Raça Sindi, e José Geraldo Fonseca, presidente da Associação dos Criadores de Sindi do RN. A exposição encerra-se hoje.

Lagoa de Velhos O município de Lagoa de Velhos está comemorando 60 anos de sua emancipação política, quando foi desmembrado de Sitio Novo, através de decreto assinado pelo governador Aluízio Alves em 11 de maio de 1962. Tem festa  até quarta-feira.

O município, a mesma aldeia onde nasceu o poeta Fabião das Queimadas, tem 2.700 habitantes, pertence à Paróquia de São Paulo do Potengi e fica a 80 quilômetros de Natal. É banhado pelo Rio São Pedro, afluente do Rio Potengi, que vai bater no meio do mar.

Moacyr Gomes Perdemos Moacyr Gomes da Costa, o grande arquiteto e cidadão, que se encantou no amanhecer do dia 5, aos 94 anos. Faria 95 no dia 7 de junho. Poeta do traço, sua arte marcou a história da arquitetura no Rio Grande do Norte. São muitas obras. Uma dessas referências é o Estádio Machadão, batizado como “Poema de Concreto”.  Prédios públicos, como o “Centro Administrativo do Estado”, em parceria com Ubirajara Galvão, prédios particulares, residências.  Destaque para o belíssimo “Pórtico dos Reis Magos” (com as esculturas de Manxa).

Poeta no traço e na prosa da boa conversa. A boemia sempre esteve também em sua prancheta.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.
A folia de Tiradentes
Atualizado: 13:34:05 30/04/2022
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

No meio do feriadão da semana passada caiu na minha bacia das almas nova prosa do mestre Florentino Vereda, escrita no Jalapão, para onde voltou após longa temporada por praias nordestinas. Tem o título de lá de cima: “A folia de Tiradentes”. Segue na íntegra:

“Desde que morreu enforcado, decapitado e esquartejado, nunca mais pensou em voltar à Terra. Já poderia ter reencarnado, mas sempre relutara. Embora não mais sentisse as dores físicas das torturas a que foi submetido, ainda lhe doía a alma por saber que seu sacrifício fora inútil. Os ideais que defendia e o levaram à morte há muito foram esquecidos. Há mais de dois séculos juntou-se a um grupo que se dizia revolucionário e iria libertar o Brasil da Coroa Portuguesa, que desde o desembarque em Pindorama saqueava as nossas riquezas, principalmente os metais preciosos de Minas Gerais. Quanta ingenuidade!

A aventura tinha tudo pra dar errado.  A começar pelo nome do grupo: INCONFIDENTES: “(...) que não tem fidelidade, que é desleal, traiçoeiro, infiel, falso, traidor”. Mas naquele tempo ainda não existia o dicionário Houaiss. Hoje se dizem delatores e até são premiados por entregarem seus companheiros quando a coisa aperta. Assim como fez Silvério dos Reis, discípulo de Judas Iscariotes. Hoje não se contentaria com trinta moedas, preferindo receber em ouro de Minas.

Ainda relutante, porém, aceitou voltar às Alterosas. Saudades de Minas, belas paisagens, povo discreto, mas cordial, saudades do pão-de-queijo com uma xícara de café quente numa varanda ao fim tarde. Apenas uma condição impôs: como bom mineiro, antes de vir definitivamente, queria assuntar, caminhar pelas ruas e veredas, mais ouvir que falar. Quem sabe, seu exemplo teria feito o povo perceber que não deve aceitar a falsa segurança dos políticos, mas recusar a esmola que vicia o cidadão e estimula a subserviência, sem a qual nenhum poder se mantém. 

Chegou na madrugada do dia 21, data em que se comemora o seu gesto heroico e inútil. Ao ver as ruas enfeitadas com bandeirolas sentiu-se vaidoso e contente. Não lhe esqueceram!!! Soube que o governo havia “enforcado” a sexta-feira para que o povo pudesse celebrar sua data durante quatro dias. Não se incomodou em dividir as homenagens com um conterrâneo ilustre que morreu quase dois séculos depois da mesma data, pouco antes de assumir a presidência do Brasil.

Depois de almoçar um leitão à pururuca, numa rede na varanda, uma pestana antes de ir pra rua. Certamente haveria uma missa na Basílica do Bom Senhor Jesus de Matozinhos, ainda paramentada para o domingo de páscoa, há menos de uma semana. Ali poderia apreciar a arte barroca do “Aleijadinho”, nascido poucos anos depois que ele se foi. Vestiu roupa domingueira e saiu caminhando em direção à praça onde, rapazote, apreciava as meninas-moças de sua época se amostrarem. Ao longe o som das músicas e dos batuques próprios das festas populares. Não reconheceu naquele ritmo frenético – diferente das músicas do seu tempo – nenhum sentimento de pesar e tristeza, mais condizentes com as cerimônias fúnebres que deviam estar acontecendo.

Sem problema, pensou. Afinal, tristezas não pagam dívidas. E os brasileiros – alguém lhe disse – nunca estiveram tão endividados. Porém, estranhamente, o povo que dançava e cantava parecia alegre e feliz e não havia sinais que demonstrassem qualquer traço de tristeza ou melancolia. Vai ver, errou de país ou de data. Mais parecia uma festa pagã, com mulheres seminuas e homens embriagados, desfilando em grupos isolados por cordas esticadas. A visão daquelas cordas lhe fez arrepiar-se, sentindo no pescoço o nó que lhe sufocara, antes do seu último suspiro. A “derrama” agora era da cachaça que descia goela abaixo e de urina que escorria pelas sarjetas. 

Sem se identificar perguntou a algumas pessoas se aquela festa celebrava os 230 anos da morte de Tiradentes. Ninguém sabia quem foi esse personagem com nome curioso. Talvez algum jogador de futebol ou artista de televisão. Alguém se arriscou a dizer que Tiradentes foi um dos primeiros eliminados no paredão do BBB 13 ou 14. 

Triste e confuso voltou imediatamente pra donde viera. Não há o que se esperar de um país que celebra os mortos de dois dos seus mais expressivos personagens históricos com festa de carnaval.

Se não deu pra enfrentar o rei de Portugal, imagine o rei Momo. ”

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No caminho da eleição
Atualizado: 18:37:15 23/04/2022
Contando de hoje faltam cinco meses e seis dias para as eleições presidenciais marcadas para o dia 2 de outubro, data consagrada aos Santos Anjos da Guarda (Amém!). Mas derna do ano passado o mote ocupa com destaque o vasto noticiário político, talvez até por conta da polarização entre dois candidatos como se constata em todas as pesquisas: Lula de um lado; Bolsonaro, do outro. A tal “terceira via” não consegue sair do lugar, lá bem atrás. Entendidos nessas ciências políticas poucos acreditam que surja um fato novo até o dia 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias confirmarem os nomes dos candidatos, segundo o calendário da Justiça Eleitoral. Uma dúzia de partidos no meio dessa novela.

Esta semana o jornal Estado de S. Paulo publicou matéria sobre a disputa entre Lula e Bolsonaro, baseada em números de pesquisas que apontam os estados onde os dois candidatos são mais votados. Título da reportagem: “Projeção do ‘Estadão Dados” indica vantagem de Lula em 15 Estados e de Bolsonaro em 8”.  Vigiando a internet não vi a repercussão da matéria nas colunas políticas dos principais jornais do país, principalmente os do eixo São Paulo/ Rio de Janeiro. Procurei os analistas, incluindo os da aldeia daqui, e não encontrei nenhuma linha, apesar da importância dos números da pesquisa.

A vantagem de Lula sobre Bolsonaro acontece nos estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia (todo o Nordeste), Minas Gerais, Tocantins e Espírito Santo. Quinze estados. Já a vantagem de Bolsonaro ocorre em 8 estados: Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e no Distrito Federal. 

Há quatro estados indefinidos: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás. Segundo o Estadão nesses quatro estados “a distância entre Lula e Bolsonaro é pequena e não permite apontar favoritismo. ”

Mais adiante a reportagem destaca:

- No Nordeste, onde desde 2006 o PT conquista vitórias por longa margem, a tendência é de manutenção do quadro. Há evidências de que hoje Lula esteja liderando em todos os nove Estados da região, e com vantagem significativa. Lá vivem cerca de 27% dos eleitores do País.”

- Na região Norte, que tem cerca de 8% do eleitorado nacional, é provável que o ex-presidente na liderança em quatro dos sete Estados – entre eles Pará e Amazonas, os mais populosos. Acre, Rondônia e Roraima, que se mostraram redutos antipetistas em eleições anteriores, dão vantagem a Bolsonaro.”

- Com economias centradas no agronegócio, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são dois Estados do Centro-Oeste onde Bolsonaro leva vantagem sobre o principal adversário. Em Goiás, a distância é pequena demais para se apontar um favorito. Apesar de ter área bem menor, o Centro-Oeste tem peso similar ao da região Norte: 7,5% dos votantes.”

- No Sul, que concentra 15% do eleitorado brasileiro, a maioria da população do Paraná e Santa Catarina está na coluna bolsonarista, segundo indicam pesquisas. O retrospecto para o PT nesses Estados é bem ruim: o partido não vence uma disputa presidencial desde 2002.”

- No Rio Grande do Sul, porém, a tendência não é clara. O PT venceu no Estado nos primeiros turnos de 2010 e 2014, quando a candidata era Dilma Rousseff. Em 2018, Bolsonaro ganhou de Haddad por 53% a 23%. A projeção do “Estadão Dados” que não há um líder isolado na região atualmente.”

- É no Sudeste que podem aparecer as principais novidades da geografia eleitoral neste ano. O PT não vence uma eleição presidencial em São Paulo desde 2002. Neste momento, segundo os cálculos, não é possível apontar quem lidera entre os paulistas, mas o simples fato de Lula se apresentar como competitivo no maior colégio eleitoral do País é um sinal de mudança importante.”

- Minas Gerais, que tem o segundo maior eleitorado do País, se inclina pelo candidato petista neste momento, assim com o Espírito Santo. No Rio de Janeiro, terceiro no ranking do peso eleitoral, não é possível apontar com segurança quem está na ponta. A região Sudeste concentra praticamente o número de eleitores que a soma de Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Tem quase 43% dos votantes.” 

Expozebu Sábado que vem, 30, acontece em Uberaba, Minas Gerais, a abertura da EXPOZEBU, considerada a maior exposição mundial das raças zebuínas e também a “maior feira pecuária mundial”. Estão programados 43 leilões.  Vai até o dia 7 de maio. Presença de criadores de vários países.

O Rio Grande do Norte está bem representado na pista de julgamento do belo Parque Fernando Costa com a participação dos juízes Marcelo Lopes, zootecnista, que julgará a raça Sindi, e Rodrigo Coutinho Madruga, julgando os animais da raça Nelore Mocho.

Homenageados Rodrigo, agrônomo com especialização em zootecnia, já atuou seis vezes como juiz na Expozebu, a primeira em 2005. Na exposição de 2019 foi agraciado pela ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu), que tem sede em Uberaba, com a Medalha do Mérito, na categoria Técnico.  Chefia o escritório da ABCZ no Rio Grande do Norte.

Nesse ano de 2019 teve outro potiguar homenageado pela ABCZ, com a mesma Medalha do Mérito: Kleber Bezerra.

Feira de São Paulo Hoje é o encerramento da exposição agropecuária de São Paulo do Potengi, promovida pela Secretaria de Agricultura do Estado em parceria com a Prefeitura do município. Começou quinta-feira, 21. Destaque para a feira e caprinos e ovinos.

Em maio mais duas exposições, ambas no Seridó:  dia 19, em Lagoa Nova, dia 26, Caicó.

Chuva Semana (de segunda até sexta-feira) de muita chuva na região Oeste. Tem município com acumulado passando dos 100 milímetros, como Felipe Guerra, 123, e Itaú, 115.  Em Tabuleiro Grande, 83, Almino Afonso, 75, Caraúbas, 73, Riacho da Cruz, 69, Antônio Martins, 62 mm.

Ferreira Gullar Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

- O ator e gestor cultural Antônio Grossi, que hoje vive em Portugal, virou sócio da Ler Devagar, conhecida livraria que ocupa três andares no centro de Lisboa.

- Sua ideia é abrir o espaço para debates, exibição de filmes e exposições. Começa em maio com uma exposição sobre o poeta brasileiro Ferreira Gullar (1930-2016).
Quiabada na mesa
Atualizado: 18:43:16 16/04/2022
Jornal de WM
woden madruga [ woden@tribunadonorte.com.br ]

No meio da semana caiu na minha bacia das almas uma crônica de Berilo de Castro, médico, professor, cronista, escritor e craque (ex) de futebol. Joga também um bolão quando a pelada é sobre música popular brasileira. Título da crônica: “Do caviar para a quiabada”. Mesa posta, vai na íntegra:

“Abrindo a minha página de e-mails, deparo-me com a boa crônica (como sempre) do jornalista, cronista Tomislav Femenick, intitulada de ‘Royal Salute, Caviar e Faisão’. A narrativa me fez lembrar de raspão de um episódio que aconteceu comigo no início da década de 1970.

Quando terminei o curso medico em 1969, fui fazer pós-graduação na cidade Santa Brasileira (das igrejas e dos seus terreiros de candomblés), Salvador/Bahia. Passei a residir no 5º andar do Hospital Universitário Professor Edgar Santos, no bairro do Canela, centro. Residência médica super aproveitável, bons ensinamentos e boas amizades.

Durante o período conheci pessoas simples, funcionários do Hospital, com as quais fiz boas e sinceras amizades e nunca me neguei a atendê-los quando necessitavam dos meus serviços.

Certo momento, devido a esses pequenos e cordiais atendimentos, fui convidado para um aniversário ou uma festinha na casa de uma funcionária do serviço de RX. Cheguei na hora combinada, irradiando alegria, por saber que estava sendo carinhosamente bem recebido por um pessoal simples e de amizade sincera.

Bom papo, conversa animada, foram servidas umas meladinhas, bebida semelhante à nossa caipirinha, só que o baiano usa mel de abelha e faz a mistura girando com uns pauzinhos. Depois de algumas horas foi servido o jantar. O prato principal e único foi uma grande quiabada (prato predileto e muito especial da gastronomia baiana). O bendito foi posto na mesa central; cheirava mais do que filho de barbeiro e babava mais do epilético em forte crise de convulsão. O detalhe maior vem agora: não gosto nem como quiabo, nem amarrado, nem sob torturas fleurianas; ojerizo o babado do quiabo, o seu cheiro e seu gosto me fazem arrepiar e nausear.

A atenção da anfitriã estava sempre voltada para o doutor, que aceitou o convite e estava ali presente para saborear o delicioso prato baiano.
Fui o primeiro a ser servido com muita gentileza e carinho pela própria aniversariante. Fez aquele prato digno da fome de um trabalhado servente de construção, depois de tomar como aperitivo uma “senhora” lapada de 51.

A quiabada se espraiava até as beiradas do meu prato; recebi agradecido e comecei a imaginar o que fazer. Comecei a suar frio, empurrando, lentamente, a vara e a remo, a danada de garganta abaixo, ao mesmo tempo enguiando a baba do quiabo. Quando menos espero, a amiga olha para o meu prato e diz: o doutor está adorando, espere aí que vou trazer mais um pouquinho! E voltou a aumentar o volume da quiabada no meu prato. Senti uma pontada no peito e uma vontade de sair correndo de porta afora a mil por minuto.

Com uma jogada de mestre e de mágico do Circo Nerino, fui me deslocando de fininho com o prato na mão; aproveitei um cantinho de parede e deixei a danada da quiabada, com saudade maiúscula da gostosa galinha torrada dos domingos que minha mãe Alice preparava. ”

Política Da cronista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo: 
- O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin afirmou em um jantar em sua homenagem, segunda-feira (11), que já trocou “caneladas” em disputas eleitorais com o ex-presidente Lula. O governo “cruel” de Jair Bolsonaro, e a ameaça que ele representa à democracia, porém, exigiram de ambos a superação de divergências e a união em torno da defesa das liberdades e das instituições.

- Alckmin será candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo petista. “Os tempos mudam, as pessoas mudam e a história mudou. Temos hoje um governo (de Jair Bolsonaro) cruel com o povo, que não pode continuar”, disse Alckmin a uma plateia de advogados e juristas que sempre se posicionou majoritariamente no campo da esquerda. ”

Boa música A Orquestra Filarmônica da UFRN se apresenta hoje à noite, domingo de Páscoa, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação,  Praça André de Albuquerque. O concerto, regido pelo maestro André Muniz, começa ás 18 horas. Será executada a obra “Cenas do Rosário” do compositor potiguar Tico da Costa.

Outra boa notícia na área musical:  a Escola de Música da UFRN confirma para o mês de agosto a realização do VII Festival Internacional de Violão de Natal.

Sem máscara 
Os três Reis Magos também já retiraram suas máscaras impostas pela pandemia, agora com o uso liberado em locais abertos. É só conferir as três belas estátuas erguidas na entrada de Natal (avenida Salgado Filho, que os “inventores” chamam de BR-101), obra do grande escultor e entalhador Manxa (Ziltamir Soares). 

Baltazar, Belchior e Gaspar passaram a respirar melhor. 

Pouca chuva Abril vai seguindo com registro de poucas chuvas na região Agreste, muito diferente do que ocorreu em março. O único município abençoado com uma ótima chuva foi Campo Redondo, já na divisa com o Seridó: 71 milímetros de uma tacada só. Foi no dia 6.

De lá pra cá, até quarta-feira, 13, foram chuvinhas finas (chuviscos) na maioria dos municípios, sendo que muitos deles, segundo os boletins da Emparn, aparecem zerados. 

Na região Leste (Litoral) as chuvas também diminuíram nestes primeiros dias de abril.  Já no Seridó, entre os dias 10 e 14, tem boas notícias. Em São José do Seridó uma acumulada de 80 milímetros, Jardim do Seridó, 79, Caicó, 47.

Vinho Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Veja esta estimativa feia pela rede Pão de Açúcar. A Páscoa deste ano será “responsável” por movimentar o mercado de vinhos. A previsão é de que 1,1 milhão de garrafas sejam vendidas até domingo (hoje), considerando um intervalo de 30 dias até a data, um crescimento de dois dígitos em comparação a 2021”.

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Praça sem vida
Atualizado: 15:53:26 09/04/2022
O prefeito Álvaro Dias assinou decreto que autoriza   a Prefeitura retomar a gestão de algumas praças públicas da Capital que estavam sob o “controle” do governo estadual por conta do programa “PAC Cidades Históricas”, coisa criada no governo da presidente (a) Dilma Rousseff, uns dez anos atrás, e trazida pra cá quando do governo Robson Faria. É difícil entender que uma praça municipal, em vez de ser cuidada pela Prefeitura do município (isso também pode acontecer em Lagoa de Velhos) fica sendo “obrigação” do Estado, passando por Brasília, Iphan, Ministério da Cultura (?) e Caixa Econômica Federal, tome burocracia.

Aqui em Natal foram incluídas no programa umas 12 praças, algumas delas nada de históricas. Excesso de imaginação.  Pelas minhas contas, algumas já concluídas, mas não terminadas. Ficaram mais feias do que eram. Dou um exemplo: a Praça Capitão José da Penha (“Meu coração tem a dureza daquelas pedras”), no bairro da Ribeira. Sua “restauração” se esticou por mais de três anos, um tempo absurdo para uma pracinha menor do que uma quadra de voleibol, cujo tamanho é de 18 metros de comprimento por 9 de largura, forma retangular. Acrescente-se que a Praça Capitão José da Penha é de forma triangular, a parte mais larga defrontando com Igreja do Bom Jesus da Dores, e a ponta com a Duque de Caxias, olhando na direção da Tavares de Lira, o Potengi logo depois.

Dois pedreiros e três serventes (trabalhando seriamente) teriam feito a obra em dois, três meses. Já a empresa (?) contratada arrastou-a por uns três anos, mas sem conclui-la. O seu piso ainda está no barro bruto. Não plantaram sequer um pé de cravo. “Obra” sem revestimento, feia. A praça já foi uma das praças mais bonitas da Ribeira, parelhando com a Augusto Severo, que também está nesse Programa PAC Cidades Históricas, atrasadíssima.  A Praça Augusto Severo, que já foi a mais bonita desta aldeia esquecida, mais parece nos dias de hoje um recanto de uma Kiew bombardeada por putinho. Tem putinho por todo lado.

 No passado, a citada praça Capitão José da Penha era, sim, um encantamento. Em seu livro “Natal que eu vi”, publicada pela UFRN no ano de 1971, Lauro Pinto a descreve assim:

 “Na Ribeira existia outro lindo jardim, em frente à Igreja do Bom Jesus das Dores, hoje Praça José da Penha com os nomes anteriores de Campina do Jesus e Praça Leão XIII. Um jardim pequeno, mas muito bonito e bem cuidado, com seu majestoso coreto de alvenaria, bancos e árvores. Muito bem frequentado, principalmente, nos dias de retreta. Também a Igreja teve seus dias de glória. Muito bonito o mês de maio porque os padres estrangeiros sabiam organizar festas. Era, naturalmente, a igreja frequentada pela Escola Doméstica. Hoje, não existe mais o jardim que era tão formoso e muito menos o coreto. Atualmente, naquele lugar, só encontramos sujeira e escombros. A Ribeira não merecia tantos castigos”.

O prefeito Álvaro Dias, segundo o seu decreto, quer retomar as obras (ainda não iniciadas, de verdade) das praças Djalma Maranhão, no final da rua da Misericórdia, onde se tem uma das vistas mais bonitas do Rio Potengi, João Tibúrcio (antiga praça da Laranjeira) e a da Santa Cruz da Bica, todas as três na Cidade Alta, aldeia dos xarias.

Acertadíssima a decisão do Prefeito que se completaria com a retomada das obras não concluídas de outras praças reinauguradas (?) pelo governo estadual.  Que as cidades sejam administradas pelos seus prefeitos.

Garibaldi Alves O Rio Grande do Norte acaba de perder Garibaldi Alves, falecido quinta-feira, 7, aos 98 anos. Político, administrador público e privado, agropecuarista. Foi deputado estadual por três mandatos, vice-governador do Estado, senador. Um líder.

Cordial, sabia - como poucos - fazer e cultivar amizades. Hábitos simples, bom conversador, fiel ás tradições sertanejas de seus sertões do Cabugi. Um grande cidadão.

Na Petrobras Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

- A indicação de José Mauro Ferreira Coelho para presidente da Petrobrás surpreendeu o setor. Para uma fonte, trata-se da prova de que o governo estava desesperado para achar logo um nome para comandar a maior empresa do país.

- Dessa forma, o jeito foi recorrer a quadro do “segundo escalão”. Ferreira Coelho, aliás, é muito ligado ao pessoal do etanol. ”

Exposição

Hoje, 10, tem o encerramento da exposição agropecuária de Currais Novos (ExpoNovos), aberta quinta-feira. As chuvas de fevereiro e março ajudaram nos negócios.

Daqui a 10 dias começa a Exposição de São Paulo do Potengi (de 21 a 24), cumprindo o calendário da Secretaria de Agricultura do Estado em parceria com a Anorc.

Livros no Parque

Hoje também tem o encerramento, no Parque das Dunas, da feira de livros (“Livros no Parque”) promovida por cinco editoras potiguares. Vai das 8 ás 17 horas.

Ir ao Parque das Dunas (“Bosque dos Namorados”) é um dos passeios mais agradáveis de Natal. E quando lá acontece uma feira e livros, fica melhor ainda.

Revista

Saiu esta semana o número 70 da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, correspondente ao trimestre janeiro, fevereiro, março. A sua primeira edição   foi publicada em agosto de 1951, lá se vão 70 anos. Era diretor, Nestor Lima. O atual diretor é Manoel Onofre Jr.

A revista traz ensaios, artigos, crônicas, contos, poemas, discursos. Entre eles os discursos de posse dos acadêmicos Geraldo José de Melo e Gaudêncio Torquato. São 203 páginas de boa leitura. Destaque especial para a capa, a partir de um desenho de Erasmo Xavier

Roberta Sá

Anote em sua agenda: dia 30, no Teatro Riachuelo, tem o show de Roberta Sá – “Samba & Bossas”. Das mais belas vozes do nosso Brasil musical. Imperdível, sim.

Política

Deu na Folha de S. Paulo, com este título: “Datafolha: Doria e Bolsonaro são os padrinhos que mais atrapalham em S.P.” A notícia saiu assim:

“João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL) são os padrinhos políticos mais pesados para o eleitorado de São Paulo. Não votariam num candidato indicado pelo ex-governador 66% dos paulistas, enquanto 62% não apoiariam um nome do presidente.  Os dados estão na mais recente pesquisa Datafolha sobre a sucessão estadual”.

Imprensa atacada
Atualizado: 14:21:26 26/03/2022
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Dois  de abril que vem (faltam seis dias), caindo numa sexta-feira, vamos ficar sabendo quais os políticos (ou não) que serão candidatos nas eleições deste ano. É o que está fixado no calendário da Justiça Eleitoral: prazo final para a “desincompatibilização”. Aqui no Rio Grande do Norte a imprensa tem ocupado bastante sobre o assunto tentando se equilibrar no mundo, vasto mundo, das especulações. Vou tentando acompanhar a maratona (incluindo a parada da tal “no-mi-na-ta”), mas, confesso, sem maiores emoções.  Elas estão voltadas mais para os constantes ataques que a imprensa brasileira vem sofrendo do Palácio do Planalto e de seus cercadinhos. Atenção, distinto público: O espetáculo vai começar. 

Esta semana os jornais andaram publicando um relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) que revela aumento do número de profissionais da imprensa vítimas desses atentados. São números referentes a fatos ocorridos em 2021. O jornal Folha de S.Paulo deu esta manchete:  “Ataques à imprensa avançam no Brasil; Bolsonaro lidera em ofensas. ”

Destaco trechos da matéria:
- Um relatório da Abert (Associação de Emissoras de Rádio e Televisão) mostra um aumento de profissionais da imprensa vítimas de atentados, agressões, ameaças, ofensas e intimidações em 2021, na comparação com o ano anterior. Pelo menos 230 profissionais e veículos de comunicação sofreram algum tipo de ataque, 22% a mais do que em 2021.

A Folha acrescenta:
- O principal autor das ofensas ao longo de 2021 foi o presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório da Abert, divulgado na manhã desta terça-feira (22), lista 46 ofensas à imprensa por parte do chefe do Executivo.

- Já apoiadores do presidente foram responsáveis por oito episódios de agressão, cinco de ameaça e cinco de intimidação, o que é compreendido como uma resposta ao estímulo a ataques à imprensa por parte de Bolsonaro”.

O relatório da Abert aponta ainda a ocorrência, no ano de 2021,  de “4.000 ataques virtuais por dia à imprensa, ou 167 ataques por hora, quase três por minuto. Foram identificados 1,5 de posts pejorativos, com palavras de baixo calão e expressões depreciativas”. 

Mais adiante a matéria acrescenta: “O documento da lembra que, pela primeira vez em 20 anos, o Brasil passou para a ‘zona vermelha’ do ranking mundial de liberdade de imprensa, organizado pela Repórteres sem Fronteiras. O país caiu quatro posições em 2021, passando de 107ª para 111ª, a pior posição em 20 anos”.

O documento da Abert também foi destaque nas páginas de O Globo com este título na capa: “Brasil teve quase três casos de violência contra jornalistas por semana em 2021”. Transcrevo este trecho: 

- Em parceria com a consultoria Bites, a Abert também fez um levantamento de agressões sofridas por profissionais e veículos de comunicação nas redes sociais. Em 2021, houve uma redução de 54% em relação a 2020, mas ainda assim foram 4 mil ataques virtuais por dia. Ao todo, foram 1,46 milhão de postagens contra a imprensa com palavras de baixo calão, expressões pejorativas e termos depreciativos.

Conclui:
- Na avaliação de Manoel Fernandes, da consultoria Bites, a redução do número de ataques virtuais entre 2020 e 2021 não deverá se repetir em 2022, em razão a eleição presidencial e da “polarização que irá tomar conta do universo digital”, com tentativas de desconstruir a mídia profissional. ”

Ariano Suassuna Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Obras de arte de Ariano Suassuna (1927-2014), que nunca saíram do Recife, vão ser expostas na mostra Movimento Armorial 50 Anos, movimento criado pelo escritor pernambucano, no dia 30, agora no CCBB. Entre elas, as iluminogravuras (termo criado por Ariano que é uma mistura de iluminura e gravura) e três telas a óleo, um conjunto de pinturas que foram encomendadas ao artista para ambientar um hotel cinco estrelas de Recife.

- Para a mostra foi criada uma instalação cenográfica de cordel para exposição por Pablo Borges, filho de J. Borges (reconhecido gravurista que teve suas gravuras usadas até na abertura da no ela “Roque Santeiro”. A ideia é que os visitantes façam uma lúdica viagem pela cultura popular. ”

No Instituto 
Terça-feira que vem, 29, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte comemora 120 anos de sua fundação. É a instituição cultural mais antiga do Estado. Merece todas as homenagens.

Fernanda Montenegro 
A atriz Fernanda Montenegro, 92 anos, tomou posse sexta-feira na Academia Brasileira de Letras, sucedendo Afonso Arinos de Melo Franco na cadeira 25. Uma dica de excelente leitura: a crônica de Cora Ronai, em O Globo de quinta-feira, 25, com o título: “Fernanda Montenegro rejuvenesce a ABL”, 

Do Sindi 
O último número da revista Sindi, editada pela Associação Brasileira dos Criadores de Sindi, dá destaque a 59ª Festa do Boi, realizada em novembro de 2021 no Parque Aristófanes Fernandes: “A Festa do Boi é uma das maiores mostras do Agro na região Nordeste”.

A revista publica um artigo do criador potiguar Ricardo Altévio Lemos (o “Careca”) sobre os 70 anos da presença da raça Sindi na pecuária brasileira. A Associação Brasileira de Criadores do Sindi é presidida pelo norte-rio-grandense Orlando Cláudio Gadelha Simas Procópio.

Exposições  
O governo do Estado definiu o circuito de exposições agropecuárias do Rio Grande do Norte que estava sem ser realizado há dois anos por conta da pandemia. As exposições acontecerão em 26 cidades. A primeira será a de Currais Novos, entre os dias 7 a 10 de abril; a segunda, em São Paulo do Potengi (28 de abril a 1º de maio). A última exposição acontecerá na cidade de Jaçanã (16 a 18 de dezembro).

Confirmadíssima a Festa do Boi, entre os dias 8 e 15 de novembro, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. A Festa do Boi vai comemorar seus 60 anos. Tudo começou no Governo de Aluízio Alves.

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Salve-se quem puder
Atualizado: 17:40:04 19/03/2022
Woden Madruga 
[ woden@tribunadonorte.com.br ]

Em meio ao bombardeio brutal e covarde que ocorre na Ucrânia por tropas russas e ordenadas pelo presidente Putinho, caiu na minha bacia das almas nova crônica do mestre Florentino Vereda com o título que aparece lá em cima: “Salve-se quem puder”. Não tem nada a ver com o sofrimento do povo ucraniano. O mote do que escreveu vai no rastro de outra loucura internacional: a colonização do planeta Marte, coisa que saiu da cabeça de mister Elon Musk, o homem mais rico do planeta terra.  Vereda começa citando versos de Gilberto Gil: “ (...) é chegada a hora de escrever e cantar talvez as derradeiras noites de luar”. E vai em frente:

“As moscas abandonaram o navio. Elon Musk, o homem mais trilionário do planeta, arruma as malas para fugir da terra, em busca de outras galáxias onde possa aumentar sua fortuna. Por mim já vai tarde. Mas, convenhamos: esta é a ideia mais insensata, absurda e estúpida que alguém já teve, desde quando os símios levantaram a bunda do chão e deixaram de ser 4x4. Sendo inédito o projeto, não há como compará-lo a qualquer outro episódio histórico. Apenas por curiosidade não posso deixar de pensar na época das grandes navegações, quando foram descobertas as Américas e inventados o BBB, a Coca-Cola, o Mac Donald’s e Donald Trump.

Quando os impérios europeus enfunaram suas caravelas e saíram por mares nunca dantes navegados, não sabiam se encontrariam a glória ou a morte. Sua principal motivação era econômica. Novas terras de onde levassem paus, minérios e outras riquezas inexistentes ou esgotadas no velho mundo. Reis e Papas aboletados em seus tronos, enquanto marinheiros arriscavam suas vidas enfrentando civilizações primitivas – talvez hostis – com os porões abarrotados de quinquilharias para engabelar os nativos d’álem-mar.  Logo que arriaram as âncoras, apropriaram-se das terras, mandando para as cortes, ouro, prata e madeiras nobres que se transformariam em castelos e catedrais ainda hoje fascinantes para os descendentes dos povos saqueados, quando em viagens turísticas compradas em promoções imperdíveis.

Agora são outros quinhentos. Senão, vejamos. Enquanto os pobres serão abandonados no que restou do antigo planeta, os nobres irão para um novo. Catedrais e castelos também serão construídos aonde chegarem, exibindo as vaidades que levaram nas bagagens. Mas quem construirá esses prédios faraônicos? Eles, certamente não, pois nunca pegaram numa colher de pedreiro. Quem cultivará os campos para produzir vinhos, quem criará faisões, pescará lagostas? Quem mergulhará para roubar das ostras as pérolas que enfeitarão os pescoços das suas concubinas?

 Certamente não encontrarão nativos a quem escravizar, como fizeram ao longo da história. Não creio que mandem buscar aqui na terra, supondo que não mais haverá terra, razão da sua fuga. Mas talvez seja difícil construir um novo planeta, para quem destruiu um antigo.

Por outro lado, não sendo possível transportar mais de sete bilhões de terráqueos, há que se fazer uma escolha, um critério para definir quem embarcará nas naves espaciais. Elon Musk, não levará pobres, pois deles já está fugindo. Comunistas não serão aceitos, para não incomodarem o amigo Trump. Capitalistas também não. Basta ele próprio. Como será instalado o primeiro governo? Possivelmente haverá fraude nas eleições, sem as urnas eletrônicas que aqui deixaram.

Mas enfim, que importa? Os foguetes já deixaram a terra e não há mais volta. Adeus guerras estúpidas, adeus rios poluídos, florestas queimadas, mares entupidos de plástico. Os novos emigrantes vão procurar refúgio longe da via láctea. Bom para quem tem intolerância à lactose. Mas nem tudo são dólares. Já na decolagem, quando o centrão tentou assumir o comando, o computador não deixou. Pra piorar, por mais cuidado que tivessem na desinfecção das naves, alguns passageiros conseguiram embarcar com atestados de vacina falsificados, comprados de um cambista na porta da NASA. Logo todos começaram a tossir e a ter febre. Os respiradores – vendidos por uma empresa brasileira – de nada adiantaram, assim como não funcionaram em Manaus. Nem mesmo cloroquina havia a bordo. Máscaras, nem pensar.

Séculos depois, quando a nave autônoma pousou num planeta da galáxia Andrômeda – depois de desviar de vários buracos negros um pouco menores que os das estradas brasileiras -, no meio dos passageiros mortos desceram criaturas estranhas, conhecidas por COVID-199, que povoariam o novo planeta.

Aqui na terra os livros de história falam de duas pandemias que quase nos destruíram: uma no século XIV, outra no século XXI. Os cientistas que aqui ficaram, sem a politicagem dos governantes, conseguiram salvar nosso planeta. Graças a eles, escapamos. Hoje, felizes, nadamos em rios limpos, como fazíamos quando crianças. Nas palmeiras das florestas recompostas ainda cantam sabiás. Nos mares, livres do plástico, não mais imigrantes fugindo das suas terras.

E o povo, livre da polarização estúpida, vive em paz, depois de mandar para o espaço quem destruía seu espaço. ”

Livro 
O escritor João Almino, norte-rio-grandense nascido em Mossoró, lançará no dia 14 de abril, na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, o seu novo romance: “Homem de Papel”, editado pela Record. Mas o livro lá está nas prateleiras das livrarias.

É o seu oitavo romance. João Almino, também autor de obras sobre História, Filosofia e Política, é imortal da Academia Brasileira de Letras, diplomata, e detentor de vários prêmios literários.

O Conselheiro Aires e o seu criador, Machado de Assis, passeiam pelas páginas do romance que recebeu os aplausos do crítico português Abel Barros Baptista: “Uma lição de literatura: surpreendente e inteligente”.

Na Academia 
Eleito, dia 11, imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sucedendo ao ministro José Augusto Delgado, que ocupava a cadeira 36, o magistrado Edilson Pereira Nobre Júnior marcou sua posse para o mês de maio. Falta, apenas, definir o dia.

Enquanto isso, na Casa fundada por Luís da Câmara Cascudo só se fala (alto e baixinho) na sucessão de Geraldo Melo, falecido recentemente (dia 6).  Pelas contas são cinco candidatas mulheres. Muito cochicho.

Nominata 
É a palavra da moda: NOMINATA. Aparece com destaque nas colunas políticas (impressas ou não) e noutras, também. Tem a ver com a eleição de outubro, portanto, faz parte do rico vocabulário dos candidatos: se estão ou não nas no-mi-na-tas...

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Geraldo Melo, o líder
Atualizado: 13:36:10 12/03/2022
Com a morte de Geraldo Melo o Rio Grande do Norte perde um de seus maiores líderes políticos. Vice-governador, governador, senador, vice-presidente do Senado, chegando a presidir a Casa. Nessa mesma trajetória aparece como um dos maiores oradores do Estado. A política já fazia da parte da vida de Geraldo Melo desde dos tempos de estudante, ginasiano do Colégio Marista. A política estudantil que o levou a outros estabelecimentos de ensino propagando as suas ideias.  Isso foi nos idos de 1949, tinha 13 anos, quando fundou o jornal “O Luzeiro” em parceria com o colega de turma Arthur Carvalho, hoje imortal da Academia Pernambucana de Letras. 

Arthur Carvalho, do time dos grandes cronistas pernambucanos, conta essa história numa das crônicas reunidas no seu livro “Basta de Amargura”, publicado em 2019: “Em fins de 1948, aos 13 anos de idade, cheguei em Natal, com meus pais e irmãos, pulsando no sangue a veia jornalística. Matriculado no Colégio Santo Antônio, dos Maristas, em 1949, fundei, com meu colega de turma Geraldo Melo, depois governador do Estado, de 1987 a 1990, o jornalzinho ‘O Luzeiro’, com as novidades do colégio (...)”.

Seis anos depois, meados de 1950, Geraldo já era jornalista profissional, compondo o time da Tribuna do Norte: repórter e redator político. O jornal era dirigido por José Gobat Alves e tinha como secretário da redação (hoje, editor) Waldemar Araújo. Foi na época da campanha de Dinarte Mariz para governador, na qual, em alguns comícios, Geraldo aparecia como orador. Ali se cruzavam, com o mesmo brilhantismo o jornalista e o político. 

O jornalista e escritor João Batista Machado (1943-2021), a quem Geraldo sucedeu na cadeira 32 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, em seu livro “Resgate da Memória Política”, publicado em 2006, traça o perfil de Geraldo Melo, ao lado de outros 69 políticos potiguares. Transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- O jovem estudante Geraldo José da Câmara Ferreira de Melo foi a grande sensação da campanha eleitoral de 1955 que conduziu o senador Dinarte Mariz ao Governo do Rio Grande do Norte. Franzino, ainda com cara de menino, despertava o interesse o interesse das multidões por onde passava. O exercício do jornalismo na “Tribuna do Norte” e a participação na política estudantil deram a ele régua e compasso, além de embasamento para sua surpreendente atuação na vida pública do Rio Grande do Norte.”

- Tornou-se, repentinamente, ainda menor de idade, uma vocação precoce para a vida política norte-rio-grandense. O governador eleito Dinarte Mariz encantou-se com o jovem orador, de raciocínio rápido, frases bem colocadas e discursos empolgantes que chamavam a atenção não somente das massas que ocorriam às praças públicas, mas de senhores sisudos presentes aos palanques, também admiradores do seu talento.”

- Embora adolescente, Geraldo tinha a língua afiada e castigava com sua oratória incendiária o governo Silvio Pedroza, a quem fazia oposição não apenas na imprensa, como repórter da “Tribuna do Norte”, mas, também, nos palanques eleitorais.”

- Geraldo começou sua vida pública, ainda menino de calças curtas, participando de campanhas estudantis e depois se transformando em repórter do jornal “Tribuna do Norte”, de Aluízio Alves, que, descobrindo no jovem estudante vocação para a vida pública, incentivou-o não somente no jornalismo, mas na política também.”

O zebu de Geraldo 

O poder de liderança de Geraldo Melo não se limitou apenas ao mundo político, à administração da coisa pública. Esteve presente também no mundo dos negócios privados, com destaque no campo da agropecuária. Foi usineiro em Ceará-Mirim, com a Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim, herdeira da Usina São Francisco, e pecuarista, criador de gado zebuíno.

A primeira raça que criou foi a Nelore, na fazenda Umbuzeiro, município de Santa Cruz. Mais adiante, ano de 1978 (quando da Exposição Nacional da Raça Guzerá, realizada no Parque Aristófanes Fernandes) trocou de raça, passando a criar Guzerá, cuja marca, “EG”, foi premiada em várias exposições no país, incluindo a de Uberaba, Minas Gerais, que é a mais importante exposição de gado zebu no mundo.

A atividade de pecuarista levou Geraldo Melo à presidência da ANORC (Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores). Quando do seu governo, em 1990, o Estado, através de um comodato, passou a administração do Parque Aristófanes Fernandes para a Anorc, contrato que vigora até hoje, lá se vão 32 anos.

Na TV 

Além da agropecuária, Geraldo Melo também atuou como empresário na área da comunicação. Foi o fundador da TV-Potengi (hoje Bandeirantes), que funcionava na avenida Hermes da Fonseca, Tirol.  Um detalhe, para não esquecer: Geraldo, na mocidade, também foi ator, fazendo parte do elenco do Teatro de Estudante, dirigido por José Maria Guilherme. Subiu várias vezes o palco do Teatro Alberto Maranhão.

Como também subiu muitas vezes pelos céus do Brasil, como aviador, brevetado pelo Aero Clube do Rio Grande do Norte, começo do governo de Dinarte Mariz.

E para fechar o seu bonito círculo de vida resolveu ser romancista publicando o romance “Luzes e Sombras do Casarão”, cujo mote é o seu Sertão, o do “menino de calças curtas”. O livro, muito elogiado pela crítica, foi editado em 2020. Em seguida aconteceu sua eleição para a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sucedendo a João Batista Machado, outro jornalista maior, na cadeira 32.

Grande Geraldo Melo!

Política 

Deu na coluna de Lauro Jardim, de O Globo:

- Faltam três semanas para Rogério Marinho deixar o Ministério do Desenvolvimento Regional para virar candidato ao Senado no Rio Grande do Norte. 

- Seu sucessor ainda é um mistério. Mas há duas certezas no Palácio do Planalto. A primeira: será Marinho quem indicará a Bolsonaro o novo ministro. Segundo: o escolhido não será Pedro Guimarães, que continuará no comando da Caixa Econômica Federal.”

Chuva 

A segunda semana de março foi de chuvas mais concentradas nas regiões do Oeste e no Seridó. No Agreste, poucas e finas. Em Natal o desmantelo da enxurrada de domingo. 

No Oeste, principalmente na “Tromba do Elefante”, os municípios com melhores chuvas foram Major Sales, 87 milímetros, Paraná, 68, Luis Gomes, 61, Viçosa,55, Severiano Melo,51,Itaú,47,Paraú, 43   e Cel. João Pessoa, 41.
Natal de Cascudo
Atualizado: 13:06:34 05/03/2022
woden madruga 
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Na coluna de domingo passado, rastreando as comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna, destaquei como dica de uma boa leitura o livro “Modernismo Anos 20 no Rio Grande do Norte”, de Humberto Hermenegildo de Araújo, editado pela UFRN em 1995. Ressaltei na nota que o autor transcreve no livro, resultado de sua tese de Mestrado defendida na Unicamp, trechos de autores potiguares, entre eles Luís da Câmara Cascudo.

É o cenário cultural da aldeia potiguar nos idos de 1920, Cascudo publicando suas crônicas e artigos nos jornais “A Imprensa”, fundado por seu pai e onde o nosso historiador maior começou no jornalismo, “A República” e na “Revista de Antropofagia”, editada em São Paulo nos anos de 1928/1929.  Na revista paulista, dirigida por Raul Bopp e o potiguar Jaime Adour da Câmara, Cascudo traça o perfil de Natal daqueles tempos. Transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:
- “35000 patriotas. Fundada em 1599. Nasceu Cidade como filho de Rei é príncipe. Padroeira: Nossa Senhora da Apresentação que veio dentro dum caixote, lento e manso pelo rio no século XVIII. Tem um rio e tem o mar. Campo de Latecoere. Tennis. Cinemas. Autos. Cinco pharmacias. Bispado. Dois jornais diários. As mulheres votam. O Presidente guia automóveis e viaja de avião. O secretário mais velho roda os quarenta anos. Sal de Macau. Algodão do Seridó. Cera de carnaúba. Couros. Açucar de quatro vales largos e verdes. Boiadão histórico que em 1799 mandava dezesseis mil cabeças para Pernambuco(...)”.

- “Instituto Histórico. Escola Doméstica número um do Brasil. Aero-Club-de-Natal com dois aviões e seus campos no sertão. Grupo-Escolar, grupo-escolar, grupo-escolar. Todo o sertão se estorce no polvo das rodovias. O pneu amassa o chão vermelho dos comboios lerdos, langues, lindos. Poetas. Poetisas. Cronistas elegantes. Avenidas abertas para todos os ventos” (...).

- “Dezembro. Lapinhas e Pastoris com músicas de cem anos teimosos e recordadores (...) Bois. Bumba-Meu-Boi pedindo cinco dedos para riscar em papel aquelas toadas maravilhosas. Novembro. Festa da Padroeira. Irmandade dos Passos, solemnissima.”

Num artigo publicado em “A República”, dia 8 de dezembro de 1929, com o título “Para fazer um romance”, Cascudo escreveu:
“O Rio Grande do Norte está à espera do seu romancista. Importa dizer que o romance inda não foi feito. Há um, velho-velho, do dr. Luís Carlos Wanderley e o de Polycarpo Feitosa. Este melhor se enquadraria nas linhas gerais da novela. O do Wanderley é tétrico.  Não me recordo bem do enredo mas sei que é tão complicado como os filmes em séries. Como os da finada madame Ratcliff. O de Polycarpo merece as honras da iniciação. Verdadeiramente o romance começará dele. ”

“Enquanto isso há o desequilíbrio de algumas toneladas de poema. A produção é neste particular abundante. Inversamente característica. Tanto seria daqui como do Cambodje. Não quer dizer que eu seja estreitamente regionalista e condene um poeta porque ele não rimou o Cabugi”

O livro de Humberto Hermenegildo de Araújo está precisando de uma nova edição. Lá está contada a história como o Modernismo chegou no terreiro potiguar através dos escritos de Cascudo e da poesia de Jorge Fernandes.

Museu Março começando com ótima notícia:  o Museu Câmara Cascudo, da UFRN, após dois anos fechado ao público por conta da pandemia da tal covid, reabre suas portas a partir de terça-feira, 8. 

Instalado na avenida Hermes da Fonseca, Tirol, é uma das mais importantes instituições culturais do Estado com atuação nos campos da Paleontologia, Antropologia, Arqueologia, da Arte Popular e da Arte Sacra. Lá estão as trilhas dos dinossauros potiguares. Os legítimos.

Artistas em Brasília Dia 9, quarta-feira que vem, sob a liderança de Caetano Veloso, vai ter concentração de artistas na Esplanada dos Ministérios.  A notícia saiu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

-  A caravana de artistas vai a Brasília, dia 9, para um encontro com o senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, contará com um carro de som em frente ao Congresso por volta das 15 horas. O grupo é liderado por Caetano Veloso, que continua recebendo adesões de peso do meio cultural.

- A pauta de reivindicações, como se sabe, é contra a tal “PL do Venero” dos agrotóxicos e o desmatamento da Amazônia e a favor da defesa dos povos indígenas. ”

Othoniel Menezes Para não esquecer: quinta-feira que vem, dia 10, é o aniversário de nascimento de Othoniel Menezes, o “Príncipe dos Poetas”, lá se vão 127 anos.  Natalense, nascido na rua das Laranjeiras, também foi jornalista e imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. 

Merece todas as serenatas começando com todos cantando sua “Praieira do meu pecado, / morena flor, não te escondas, / quero, ao sussurro das ondas/ do Potengi amado, - dormir sempre ao teu lado.../ Depois de haver dominado/ o mar profundo e bravio, / à marem verde do rio/ serei teu pescador, / oh, pérola do amor! ”

Na Academia Tem eleição na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras para a escolha de um novo imortal, que ocupará a cadeira 36, sucedendo ao acadêmico José Augusto Delgado. Sessão marcada para o final da tarde de sexta-feira, 11. Sabe-se apenas de um candidato inscrito: o juiz federal Edilson Nobre.

Cordel feminino Amanhã, na Pinacoteca do Estado, coisa das 16 horas, haverá o lançamento da quinta edição da Coletânea Dez Mulheres Potiguares, onde se destaca a participação das mulheres na literatura de cordel e na xilogravura. Ao todo são 10 cordéis, todos escritos e ilustrados por mulheres. Viva! 

Política Deu na coluna Estadão do jornal “Estado de São Paulo”:
- O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), vestiu a fantasia de pierrô abandonado na disputa eleitoral e abriu mão de sua candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Norte em favor do ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

- Faria disse que Bolsonaro não interferiu na decisão e fez questão de dizer que estava bem posicionado nas pesquisas para a vaga. ”

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