O Diário

Publicação: 25/02/18
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Dia desses, numa passada pelas esquinas da internet, dei de cara com um exemplar de “O Diário”, jornal fundado por Djalma Maranhão em 1939. Foi uma surpresa agradabilíssima, emocionante mesmo. Buscava outras coisas e a internet me concede a oportunidade de ler, pela primeira vez, este jornal, até porque à época dessa edição (3 de janeiro de 1942) andava eu pelos cinco anos de idade e nem me lembro se já sabia debulhar as palavras da cartilha do ABC. Doze anos depois, imagine, me iniciaria no jornalismo, exatamente no Diário de Natal, que, em 1943, sucedera ao Diário de Djalma, adquirido por Rui Paiva, outro amigo querido.  Mas isso é uma outra história, longa (lá se vão 64 anos).

Confesso minha falha como natalense e jornalista de não ter procurado nos arquivos locais, ao longo desse tempo, uma coleção de O Diário. Será que existe no Instituto Histórico e Geográfico (IHGN)?  Mas o jornal está registrado no Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte 1909-1987, de Manoel Rodrigues de Melo, editado pela Fundação José Augusto/Cortez Editora, 1987.  O verbete começa assim:

“Em 1939, quando a guerra explodia na Europa, um grupo de jovens, morando em Natal, sentiu-se tocado pela força dos acontecimentos, querendo participar do esforço de guerra, ao lado das nações democráticas, contra o Eixo Roma-Berlim-Japão. Eram jovens, e isto já dizia tudo. Mas participar como? Eram civis e trabalhavam no órgão oficial do Estado – A República. Mas, como participar intensamente? Fundando um jornal?  Decidiram. Fundaram O Diário”.

Quem eram esses jovens? Seus nomes estão no cabeçalho do jornal, logo abaixo do título: Valdemar Araújo (diretor), Djalma Maranhão e Aderbal de França (redatores) e Rivaldo Pinheiro (gerente).  Tive o privilégio de conviver com o ilustre quarteto, tempos depois, nas passagens que eu fiz pelas redações e no convívio em outras rodas da província. Com Waldemar (agora com W), nesta Tribuna do Norte, onde ele foi secretário de redação por muitos anos. Com Djalma, no Jornal de Natal, do qual era diretor, e o secretário o poeta Oliveira Júnior. Fui conhecer Aderbal de França no Diário de Natal, anos de 1950, ele assinava uma coluna com um pseudônimo famoso – Danilo. É um dos fundadores da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Rivaldo Pinheiro, ajudou também Aluízio Alves a fundar a Tribuna do Norte. Papo tranquilo.

Quando fundou O Diário, Djalma Maranhão tinha apenas 24 anos. O mais velho era Aderbal de França, 44.

O que conta O Diário
A segunda guerra mundial está nas manchetes dessa edição de O Diário de 2 de janeiro de 1942, um sábado, o jornal chegando ao seu número 648, quarto ano. Tem um telegrama de Londres: “Anuncia-se que a Grã Bretanha enviará para o Extremo Oriente grandes contingentes de forças armadas que originalmente se pensava em enviar para a Rússia”.  Outro, de Washington: “O Presidente Roosevelt convocou para uma conferência na Casa Branca estrategistas britânicos atualmente em Washington e os norte-americanos”.

Já se via militares norte-americanos pelas ruas de Natal, mas o Brasil ainda não rompera com a Alemanha nazista pela qual o presidente Vargas tinha certa simpatia. Um ano depois, janeiro de 1943, Getúlio Vargas se encontraria com o presidente Roosevelt no Rio Potengi, Natal de 50 mil habitantes, pouco mais do que Currais Novos atual (45 mil). O Brasil, em seguida, entraria na guerra ao lado dos americanos e ingleses.

Na página 3, o Diário publica, na íntegra, discurso (matéria da Agencia Nacional) que o presidente Getúlio Vargas fez durante um almoço que lhe foi oferecido pelas Forças Armadas, na passagem do ano novo. O presidente começou falando sobre o significado para os povos cristãos das festas do Natal e do Ano Bom para, mais adiante, fazer um verdadeiro relatório do seu governo, do avanço da economia do país   e, também, algumas referências a situação internacional, apontando ameaças que se faziam à segurança do país. Getúlio Vargas disse que o Brasil estava preparado para enfrentar essas ameaças e, ele, o presidente, pronto para encará-los. Título da matéria ocupando toda a página, ressaltando a frase de Getúlio: “Estarei convocado, pronto para lutar, para vencer, para morrer”.  

O Diário publica na primeira página a notícia da demissão do prefeito de Natal:

“Atendendo ao seu pedido de exoneração, o Interventor Rafael Fernandes está desde ontem privado de uma colaboração eficiente com que contava desde o início do seu governo: a do dr. Gentil Ferreira de Souza na Prefeitura da capital.

“Engenheiro profissionalmente capaz e cidadão de excelentes qualidades, muito procurou fazer e grandes obras realizou.

“Entre as obras de maior valor realizadas pelo prefeito exonerado contam-se os três grandes mercados públicos da cidade, a construção da Praça Pedro Velho, o matadouro, e o Grande Hotel na sua parte de administração técnica”.

Carnaval, cinema, etc.
Na quarta página, a notícia de destaque é sobre o carnaval, com o seguinte título:  “2º Grande Concurso de Marchas Carnavalescas”. Começa assim:

“A notícia anunciada que patrocinaríamos pela segunda vez o grande Concurso de Marchas Carnavalescas, revolucionou os nossos meios musicais.  Inúmeros compositores procuraram o redator encarregado desta secção, encarecendo informações. Entre os primeiros que vieram hipotecar solidariedade, podemos catalogar Albino Dantas, autor do famoso frevo “Jornal do Comércio”, que no ano passado com a marcha “Estudantes no Frevo”. Albino dentro de breves dias fará a sua inscrição. ”

Ao lado tem o anúncio dos cinemas. No Rex, o filme é “O Gavião do Mar”, da Wagner, com Errol Flynn (“Um romance de cenas dramáticas, dos lendários tempos da pirataria, do ‘corso’ e dos bucaneiros, aventura que não pode separar a verdade da imaginação”). Impróprio até 10 anos.

No cinema Royal, “O Filho do Sheik” (impróprio até 14 anos) e no cinema Rival, ás 19,15, “Sentinela Avançada” com Charles Starretz.

Outra coisa que me chamou muita atenção no Diário é o seu “Indicador Profissional” ocupando quase toda a segunda página. São anúncios de consultórios médicos, odontológicos, de advogados e até de engenheiro. A grande maioria deles, quase todos instalados no bairro da Ribeira.

Lá estão, entre outros, os médicos Dr. Manoel Vitorino, Dr. Manoel Vilar, Dr. Pedro Segundo, os dentistas Dr. Solon Galvão, Dr.Osvaldo Ribeiro, Dr. Rui Lago, Dr. Augusto de Souza. Cada um deles especificando suas especialidades.

Entre os advogados, vejo o anúncio do dr. João Medeiros Filho. Escritório: Rua Dr. Barata, 195 – 1º andar. Residência: Rua Vigário Bartolomeu, 602.

Chuva com guiné

Publicação: 24/02/18
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Almoçava no Lula Restaurante, comecinho da tarde de quinta-feira, quando, através do ‘uatizape’ de Roosevelt Garcia, chegou a notícia de que 2018 será um ano de inverno normal nos sertões do semiárido nordestino. Era o que dizia relatório da Reunião de Análise Climática para o Semiárido do Nordeste, que juntou aqui em Natal meteorologistas de várias partes do Nordeste e de outros cantos do país. A notícia chegava ao encontro das expectativas do pessoal da mesa, todos ligados ao mundo rural, dependentes e carentes de chuva, criadores de boi da raça Guzerá: Kleber Bezerra, Roosevelt Garcia, Jorian Matias, Silvio Eduardo Procópio e Rodrigo Madruga.

Claro que o pessoal já vinha há alguns dias celebrando as chuvas de fevereiro que, de repente, mudaram o cenário do campo trazendo o verde de volta às suas terras, riachos correndo com água nova, açudes em vésperas de sangrar. Um mês generoso. Na fazenda de Roosevelt, “Passagem Funda”, município de Taipu, as chuvas de fevereiro, por exemplo, já passam dos 220 milímetros. Na nossa Queimadas de Baixo, até domingo, 18, 185 milímetros. Ontem, mais 35. Todas as razões para se comemorar, mais ainda agora com o anúncio dos senhores meteorologistas.

Lá em Lula, nessa quinta-feira, havia outras mesas ocupadas com gente que tem a chuva no altar de suas emoções. Parecia até um simpósio, mas que não fora programado. Numa mesa maior, no alpendre que dá para os morros do Morro Branco, estavam Genibaldo Barros, Haroldo Bezerra e Dudu Melo. A pecuária, em vários tons, está na vida desse trio. Todos animados com o inverno que chegou e vai continuar pelo semestre todo. A mesa era completada por Ives Bezerra, José Bezerra Marinho, Álvaro Alberto Barreto e Vicente Serejo. Pauta variadíssima.

Voltando ao nosso canto, na mesa ao lado mais dois comensais da pecuária: Marcelo Passos, que é o presidente da ANORC (Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores), Marcos Teixeira, que é o primeiro vice e Rogério Neri, o segundo. Parecia até reunião da diretoria já cuidando da Festa do Boi de outubro.  Talvez nas mesas da outra banda e as lá de baixo mais  comensais-criadores atiçavam seus apetites.

Na nossa mesa, se o assunto foi só  o inverno que chegou, já os pratos degustados variavam de acordo com o gosto de cada um. O meu,  o de sempre: guiné guisado acompanhado de feijão verde, arroz de leite e farofinha na graxa. De entrada, acompanhando o conversar da roda, uma travessa com moela de galinha guisada e farofa de ovo. A cachaça do dia foi a Samanaú, de Caicó. Rodelas de abacaxi como parede.

Come-se bem no Lula. 

Onde choveu 
Do fim da tarde de quinta-feira para o amanhecer de ontem tem chuva de mais de 100 milímetros no Rio Grande do Norte. A maior delas foi em Bento Fernandes, 140 milímetros, seguido de Santa Maria, 105, ambos na região Agreste (Santa Maria na microrregião do Potengi). Em São Paulo do Potengi, fala-se em chuva ao redor de 80 milímetros.  A quarta melhor chuva agresteira foi em João Câmara, 21. Em Macau, na região Central (Litoral Norte), chuva de 93 milímetros.

Na região do Seridó, ótimas chuvas também: Parelhas, 83 milímetros, Cerro Corá (onde nasceu o Rio Potengi), 68, Santana do Seridó, 48, Carnaúba dos Dantas, 43, Ouro Branco, 36. Em Equador e Cruzeta, 15. Chuvas finas em Caicó.

Na região Oeste as melhores chuvas foram em Porto do Mangue, 50 milímetros, Paraú, 15, Rafael Godeiro, 12. No Sertão Cabugi: Lages, 18, Pedro Avelino, 15, Angicos, 12, Fernando Pedrosa. 10.  Na região Leste: Macaíba, 39 milímetros, Parnamirim, 29, São Gonçalo do Amarante, 18.

Paraíba
Na Paraíba tem chuva de 115 milímetros. Foi no município de Coxixola. Em São José do Sabugi, divisa com o Seridó rio-grandense, 109 milímetros, Várzea, 74, Pedra Lavrada, 69, Passagem, 68, Parari, 61, São José do Bomfim, 50, Santa Luzia, 46. Informações da Aesa.

No Ceará choveu em mais de 80 municípios, pegado todas as regiões do Estado. As maiores foram em Meruoca, 82 milímetros, Tauá, 70, Granja, 69, Quiterianópolis, 61, Quixeramobim, 60, Amontada, 57, Coreaú, 52, Salitre, 50. Informações da Funceme. Previsões de mais chuvas hoje e amanhã.

Cidadão
A Assembleia Legislativa marcou para o dia 15 de março a sessão especial de entrega do título de Cidadão Norte-Rio-Grandense do Norte ao professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes, cearense há décadas radicado em Mossoró.

Engenheiro agrônomo, Benedito foi professor e diretor da ESAM (Escola Superior de Agronomia de Mossoró), é professor da UERN, presidiu a Emparn e é imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.

Turismo
O Brasil perde espaço no turismo sul-americano. É o que está escrito na coluna de Lauro Jardim, de O Globo:

- Dados divulgados ontem pelo governo da Colômbia acenderam a luz amarela na Embratur. De acordo com o governo colombiano, 6,5 milhões de turistas estrangeiros desembarcaram no país em 2017. Os dados brasileiros para o período ainda não foram consolidados, mas devem ser menores do que os da Colômbia e da Argentina, que teve 6,6 milhões.

Literatura 
Deu na coluna de Ancelmo Gois:

- Pai e filho, os editores luso-brasileiros Jorge e Fábio e Pedro –Cyrino, que por aqui pilotam a Landmark, abriram na Terrinha uma editora, a Compasso dos Ventos. E contrataram, pela VB&M, os direitos de publicação de três obras tupiniquins: “Crônica da casa assassinada”, de Lúcio Cardoso; “A primeira história do mundo”, de Alberto Mussa, e “Se eu fechar os olhos agora”, de Edney Silvestre.

- Aliás... Será a reedição do premiado romance de Silvestre na Terrinha, pois o livro de 2009 –e que inspirou uma minissérie da TV Globo que está sendo gravada – já tinha sido lançado por lá pela Planeta.

Silêncio 
O atraso dos salários dos servidores estaduais, (o mês de janeiro ainda não foi concluído, faltando quatro dias para começar março) não mereceu, até ontem, nenhum discurso no plenário da Assembleia Legislativa. Nenhuma cobrança de nenhum deputado. Silêncio.

Muito menos o do 13º de 2017. Também não pago.


Inverno, sim

Publicação: 23/02/18
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Eis a notícia que todo mundo esperava, rezando, orações debulhadas no rosário: 2018 será um ano de inverno normal nos sertões do semiárido nordestino. Com chuvas que poderão ultrapassar a média histórica, agora no período de março (mês de São José) até maio, das flores e das noivas e, certamente, com o primeiro feijão verde na mesa. Junho, garantia de milho verde nas fogueiras de Santo Antônio, São João e São Pedro. Gado gordo já apontando nos cercados de julho em diante. Açudes cheios na travessia do segundo semestre.

Tudo isso está desenhado no relatório da Reunião de Análise Climática para o Semiárido do Nordeste Brasileiro, divulgado no começo da tarde de ontem. O encontro que reuniu em Parnamirim (sede da Emparn) meteorologistas de todo o Nordeste durou três dias. De repente as redes sociais espalharam pelo mundo a fora a boa nova, repicando os sinos da animação, festas nos alpendres, graças aos céus. Tudo vai dar certo.  Apesar da notícia já ter chegado a todos os cantos, transcrevo, na íntegra, o anunciado dos meteorogistas, guardando a cópia do documento na gaveta. Aí, pode-se ler e reler, atiçando as nossas esperanças e alegrias. Confira:

- O semiárido da região Nordeste vai ter um inverno com chuvas de normal a acima do normal, nos meses de março, abril e maio. Essa foi a conclusão da II Reunião de Análise Climática para o Semiárido do Nordeste Brasileiro, que foi realizada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn).

- Meteorologistas dos centros de previsão climática do Nordeste e de centros nacionais como o Centro de Pesquisa Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) se reuniram nos dias 20,21 e 22 de fevereiro para analisar e discutir as informações geradas pelos modelos meteorológicos, assim como, as condições climáticas e qual a influência delas na geração das chuvas.

- Esse resultado da reunião é semelhante a conclusão do encontro realizado em janeiro, pela Funceme, no Ceará. Mas desta vez, segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, as condições climáticas estão ainda mais favoráveis para que ocorram chuvas no semiárido – “a temperatura do Oceano Atlântico Sul que está mais quente e o resfriamento no Atlântico Norte que favorecem a permanência da Zona de Convergência Intertropical sobre a região Nordeste”.  A Zona de Convergência Intertropical é o principal sistema causador de chuva no semiárido nordestino.

- A análise dos campos atmosféricos e oceânicos de grande escala (vento em superfície e em altitude, pressão ao nível do mar, temperatura da superfície do mar, entre outros), e dos resultados de modelos numéricos globais e regionais e de modelos estatísticos de diversas instituições de meteorologia do Brasil (Funceme, INMET, CPTEC/INPE) e do exterior indicou que há uma maior probabilidade de chuvas acima do normal, na faixa do Nordeste, que engloba todo o semiárido potiguar.

- No Rio Grande do Norte, 92% do seu território é semiárido, engloba as regiões Central, Oeste e quase toda a região Agreste. No semiárido o período de inverno vai de fevereiro a maio, com exceção da região Agreste onde o período chuvoso se estende até o mês de agosto.

Boletim das chuvas
Ontem, 22, dia consagrado a Santa Joana Maria, choveu pouco no Rio Grande do Norte. Chuvinhas finas pela região Oeste. Já no Ceará, do outro lado da Chapada do Apodi, choveu em mais de 80 municípios, a maior chuva em Tamboril, região do Sertão Central, 48 milímetros. Em Milagres, região do Cariri, 27.

Na Paraíba algumas chuvas pelo Sertão. Em Teixeira, 17 milímetros.

Política
Da cronista política Vera Magalhães, do Estadão, vendo o teatrinho de Brasília:

- Michel Temer joga com o tempo para responder à pergunta, cada vez mais repetida, sobre se será ou não candidato à reeleição. Sua condição, apenas e tão somente nesse campo, é vantajosa em relação a alguns dos virtuais oponentes:  não precisa renunciar ao mandato e não é premido pelo prazo para escolher um partido.

- Por isso, julga ter tempo para que os dois principais fatores que vão determinar suas chances eleitorais mostrem resultado: a recuperação da economia e o sucesso ou fracasso da intervenção federal no Rio.

Machado de Assis político
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

- Machado de Assis deputado? Quem descobriu foi José Murilo de Carvalho. O “Jornal do Commercio” de 22/12/1866, na página 2, dá a lista de candidatos do Partido Liberal a deputado feral por Minas Gerais (três deputados por cada distrito). Entre os três do 6º distrito está... Machado de Assis (1836-1912).

- O historiador diz que há 95% de probabilidade de o candidato ser o grande escritor. Ele destaca que a legislação da época permitia que pessoas de uma província ou da corte se candidatassem por outras províncias. Aliás, na mesma chapa está o jornalista e político Quintino Bocaiuva (1836-1912).

- “Em 40 anos de estudo do Império, nunca encontrei político com o nome de Machado de Assis “, disse o historiador.

Ancelmo Gois arremata: - Sorte nossa, ele não ter sido eleito. Assim, pode ser dedicar a escrever. ”

Previdência
A Reforma da Previdência, que deu uma encolhida agora com a intervenção no Rio de Janeiro, será o tema da próxima Quinta Jurídica, que será realizada no dia 15 de março no auditório da Justiça Federal do Rio Grande do Norte.

Livro
Em abril, começo do mês, teremos o lançamento de um novo livro de Osair Vasconcelos, agora de crônicas: Retratos fora da parede.


Desassossego geral

Publicação: 22/02/18
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

A intervenção federal no Rio de Janeiro é manchete diária da mídia brasileira. Decretada pelo presidente Temer, atendendo pedido do governador carioca e aprovada por ampla maioria dos congressistas (Senado e Câmara dos Deputados), o objetivo é combater a onda de violência, o crime, estabilizar a segurança pública. Medida que bem poderia ser estendia para outros estados, incluindo o nosso Rio Grande do Norte. A intervenção que está sendo cumprida pelo Exército foi bem recebida pela população do Rio, apesar das esquerdas e da OAB.

Das tantas matérias que estão sendo publicadas pela imprensa, tem um artigo de Zuenir Ventura, o grande escritor, autor de “1968: o ano que não terminou”, que descreve com clareza e exatidão, didático mesmo, essa questão da violência pública pelo Brasil afora. Zuenir é imortal da Academia Brasileira de Letras, sucedendo a Ariano Suassuna.  Seu artigo foi publicado em O Globo, de ontem, com o título “Fontes do desassossego”. Transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- A intervenção federal ainda requer muita explicação, mas já se pode afirmar que uma das maiores dificuldades que a medida vai enfrentar é a existência no Rio dos dois principais agentes da desordem: o crime organizado e o crime desorganizado, o que age no atacado e o que atua no varejo. O primeiro se dedica preferencialmente a grandes ações, como o tráfico de drogas, contrabando, assaltos a caminhões de carga, explosão de caixas eletrônicas e rebelião nos presídios.

- Tão ou mais bem armados do que a polícia, os traficantes são os donos das favelas, exercendo sobre elas domínio absoluto – territorial, político, econômico e militar. Antes, ainda tinham que disputar a hegemonia com a milícia, mas hoje são parceiros, e a força do terror duplicou.

- Eles formam um Estado paralelo tirânico, que impõe suas leis seja por meio da extorsão – pedágio e tributos sobre serviços como luz e gás -, seja por meio da execução dos que desobedecem ou transgridem. Seus “tribunais” julgam, condenam e aplicam sentenças de morte.

- Tudo isso é sabido, mas, como ocorre do “outro lado”, da cidade, não chega a assustar tanto quanto o crime desorganizado, que neste verão, principalmente no carnaval, aterrorizou os moradores do asfalto, com grupos de menores agindo em conjunto e praticando pequenos furtos e roubos a pé ou de bicicletas, às vezes usando facas. Eles têm promovido arrastões não só na praia, mas também em lojas, onde entram em bandos, saqueiam rapidamente e saem, como fizeram no supermercado Pão de Açúcar, no Leblon.

- Nos ataques a transeuntes, é essa a característica: o requinte de crueldade. Os jovens bandidos não se contentam mais em roubar. O prazer maior é proporcionado pelo sadismo com que agridem, espancam e até matam sem qualquer motivação.

- Não têm chefes, agem de modo anárquico em bandos e por conta própria, numa espécie de versão tupiniquim dos “lobos solitários”. Será que a intervenção federal tem algum plano para secar essas fontes de nosso desassossego? ”

Ano de inverno
Será divulgado ainda na manhã de hoje o relatório da Reunião de Análise Climática para o Semiárido do Nordeste, que ocorre na sede da Emparn, em Parnamirim, derna de segunda-feira. Aí ficaremos sabendo, com detalhes, como será o inverno deste ano, pegando os meses de março a maio. Estão reunidos lá meteorologistas de todo o Nordeste

Pelas chuvas registradas janeiro e fevereiro (chamados de pré-estação) tudo pinta para um inverno normal, passando até da chamada média histórica.

Acima da média
Ontem, a Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos), postava em seu saite uma nota com o seguinte título: “Os dados ainda são parciais e devem variar até o fechamento do mês, mas, desde já são otimistas”. Destaco trechos:

-  A média de chuvas para o mês de fevereiro no Ceará já foi ultrapassada. Até terça-feira (20), o volume observado é e 157,6 milímetros, cerca de 32% acima do normal climatológico.

- O Litoral Norte é a macrorregião com a maior média até agora. A média no território é de 258 mm, ou seja, 60% acima do volume normal, que é de 161,2 mm.

- Outra região em destaque é o Cariri. A área também registra, até agora, volume mensal acima da média histórica. Com 203,2 mm, as chuvas do Cariri estão 21,8% acima da média.

As chuvas daqui 
O maior volume de chuvas caídas ontem no Rio Grade do Norte, segundo a Emparn, ocorreu na região Oeste:

Riacho da Cruz, 51 milímetros, Campo Grande, 38, José da Penha, 33, Venha Ver, 24, São Francisco do Oeste, 21, Major Sales, 17, Apodi, 16, Francisco Dantas, 15, Pau dos Ferros, 14, Riacho de Santana, 12, Alexandria e Paraná, 10

No Seridó houve uma chuva de 17 milímetros no município de São Vicente.

Cangaço 
O historiador e pesquisador Honório Medeiros faz palestra no fim da tarde de hoje (17 horas) no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Tema: “Cangaço e Coronelismo”.

Livro 
O jornalista Antônio Melo faz sua estreia na literatura ficcional com o romance “Vingança”, que lançará no dia 8 de março, coisa das 18 horas, na galeria do fotógrafo Fernando Chiriboca, do Miduei.

Melo, que já foi editor desta TN, passou pelas principais redações deste país:  Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Globo, Estadão, Veja. O seu romance “mergulha no submundo das relações entre a política, a polícia e empresários com a pistolagem, a prostituição e os subterrâneos dos negócios”.  Vai da Paraíba ao Pará passando pelo Rio Grande do Norte.

Atraso 
Faltando seis dias para terminar fevereiro, o governo do Rio Grande do Norte ainda não fechou a folha de pagamento dos salários de janeiro de seus servidores.

Já com relação ao 13º salário de 2017, ninguém sabe, ninguém viu.


Saindo da recessão

Publicação: 21/02/18
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

As ações políticas do governo Temer continuam nas prateleiras negativas da imprensa, mote repetido 24 horas nos noticiários da televisão, rádio e capas dos jornais impressos, por sua vez combustível (sem o selo da Petrobras) usado pelas tropas da oposição sem descanso. Até a intervenção pela segurança pública no Rio de Janeiro teve o voto contrário da bancada oposicionista. A mesma bandeira desfralda de sempre: “fora Temer”. Ou, então, “fora segurança”.   Mas há fatos positivos no governo de Michel Temer que precisam ser destacados, exatamente os que ocorrem na área da Economia. Se na Politica o governo bambeia,  na Economia pisa firma, andando pra frente, no rumo certo. No pouco tempo de seu mandato tirou o país da grave recessão.

Quem afirma assim é uma das mais importantes analistas econômicas de nossa imprensa, Miriam Leitão, que também atua, aqui e acolá, na área da política.  Em seu artigo de ontem em O Globo ela aponta como o governo Temer tirou o Brasil da recessão herdada do governo Dilma, mas também critica severamente o governo por conta de um elenco de medida administravas anunciadas na manhã de segunda-feira, que ela, Miriam, chamou de “lista de factoides”: “Tudo estava errado naquela mesa, a começar pela sua composição. Se havia um lado que se se salva neste governo era a área econômica, mas quando ela se mistura com figuras controversas da política, a fronteira se desfaz”.

Mais adiante, Miriam aponta alguns acertos do governo Temer na área da Economia. Destaco alguns trechos:

- O governo Temer tirou o país da recessão. Ontem o Banco Central mostrou que pelas suas contas o PIB cresceu 1,04%. Pouco, mas muito melhor do que as quedas fortes de 2015 e 2016. No último trimestre, o país cresceu mais do que na média do ano, em dezembro mais do que no último trimestre. Este ano deve crescer 2,8%, segundo a mediana das projeções do mercado. Nada que nos devolva o PIB perdido, mas é o começo da recuperação. Este governo acertou em algumas medidas na economia. É tão inevitável admitir os acertos do governo Temer quanto reconhecer suas falhas.

- Em tempo de memória deliberadamente fraca é preciso repetir. Quem fez esta recessão foi a administração desastrosa da economia no governo Dilma. O germe do erro veio da parte final do governo Lula. Optou-se pelo gasto descontrolado, pela intervenção excessiva, pelos subsídios escancarados.  Apostou-se numa suposta novidade batizada de nova matriz macroeconômica. Dilma escalou o erro que herdou.

- No governo Temer, o Banco Central buscou o centro da meta, como era seu dever, e derrubou a taxa de inflação que chegara aos dois dígitos no começo de 2016. A administração do Tesouro foi diligente. A Petrobras passou a ser bem gerida e deixou  de ser alvo de saque. O BNDES ensaiou um processo de modernização. O governo aprovou a nova taxa de juros de longo prazo para tentar, no futuro, reduzir os abusivos subsídios às empresas. A Eletrobrás era um pária internacional. Havia sido tirada da Bolsa de Valores de Nova York por não ter sido capaz de fechar balanços. Voltou ao mercado em outubro de 2016, reduziu desequilíbrios, cortou custos, organizou a contabilidade”.

Chuva  
As chuvas de ontem no Rio Grande do Norte ocorreram na região Oeste, concentrando-se mais na “Tromba do Elefante”.  A maior chuva, segundo o boletim da Emparn, foi no município de Tenente Ananias, 65 milímetros, seguido de Grossos, 44, José da Penha, 31, Major Sales e Riacho de Santana, 23, Dr. Severiano, 19, Paraná e Pau dos Ferros, 18, Água Nova, 13, São Francisco do Oeste, 12. Portalegre, Tibau e São Miguel, 11.

Paraíba e Ceará
Na Paraíba tem chuva de 105 milímetros. Foi em Souza, no Alto Sertão, pegando os municípios vizinhos de Lastro (divisa com a “tromba do elefante” de cá), 74, Nazarezinho, 73, Monte Herebe, já encostado no cariri cearense, 72. Choveu em mais de 40 municípios, segundo a Aesa.

No Ceará choveu em 109 municípios (números da Funceme) pegando todas as regiões, principalmente no Cariri (sul do Estado): Milagres: 148 milímetros, Barro, 122, Mauriti, 82, Brejo Santo, 58, Barbalha, 51, Abaiara, 43, Aurora, 32, Crato e Porteiras, 29.

As previsões da Funceme são de mais chuvas hoje e amanhã.

Escuridão
O leitor João Pereira, morador da Olinto Meira, subida do Barro Vermelho, pede a Sensur que restabeleça a iluminação da praça Almirante Tamandaré. É um breu só, isso já faz bastante tempo. A escuridão vai facilitando os constantes assaltos que ocorrem por ali.

João Pereira lembra ainda que lá na praça mora uma das maiores figuras humanas desta província:  Luiz G.M. Bezerra, no andar dos noventanos. Ele é merecedor de todos os holofotes.

Profanação 
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de o Globo:

- Invasão bárbara – Muitos camarotes na Sapucaí apelaram, como se sabe, para o funk e outros ritmos bate-estacas no intervalo dos desfiles.

- Mas o Rio Experience foi mais além. Teve hora em que a música continuou profanando o samba mesmo com escola na Avenida. Não é justo.

Trilha 
O programa de extensão “Trilhas Potiguares – 2018”, da UFRN, já abriu inscrições para a seleção de coordenadores e alunos que irão atuar em vários municípios do Estado. O prazo vai até o dia 4 de março.

São municípios com população até 15 mil habitantes.

Lugar adequado 
Ouço na CBN:

- O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, transferiu travestis para prisão feminina. As duas presas estavam em cela masculina, num presidio de Presidente Prudente, em São Paulo, desde 2016.