A melhor seleção

Publicação: 18/07/18
Antes de terminar a Copa, ainda nas seminais, escrevi aqui que o melhor time do ano era o “Javalis Selvagens”. Foi na coluna do dia 11, na véspera a França havia derrotada a Bélgica, que havia eliminado o Brasil. Escrevi assim: “Já escolhi o melhor time de futebol do ano, mesmo sem ter participado da Copa do Mundo: “Javalis Selvagens”. São aqueles meninos da Tailândia, adolescentes entre 12 e 17 anos que ficaram presos por 18 dias nas cavernas de Than Luang”. Teve gente que concordou, telefonemas, e-mails, conversas de padaria e farmácia.  Fiquei ancho.

Mais ancho fiquei ontem lendo   Joaquim Ferreira dos Santos, do meu time dos melhores cronistas brasileiros contemporâneos, biógrafo de Antônio Maria, outro craque.  Está todas as terças-feiras em O Globo.  Esta sua crônica tem o título de “Javalis Selvagens sabem”, com o subtítulo “Nervos de aço só nas letras de Lupicínio Rodrigues. Os jogadores da seleção nessa Copa, ao primeiro adversário fizeram-se com nervos em frangalhos”.

Tomara que Tite leia a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos  antes de conversar com os psicólogos de plantão. A pedido do mestre Gaspar, do Cova da Onça, e de Ambrósio, lá do Cabaço, transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- Agora que os Javalis Selvagens saíram, é hora de a seleção brasileira entrar na caverna escura e de lá só dar as caras quando entender como, caramba!, aqueles  moleques não panicaram?! Que técnica de jogo é essa? É o arroz? Aquela saudação de mãos postas?

- O que faz com que o time dos milionários? Os juniores dos Javalis Selvagens, trancados em meio à lama escura, próximos do fim anunciado para a hora seguinte, simplesmente meditaram sorridentes à espera de uma solução.

- Os Javalis Selvagens não enfrentaram a mixaria dos diabos belgas. Eles se viram olho no olho com a morte imediata, isto se a indigitada das gentes não estivesse invisível na escuridão. Ninguém via nada, os diabos de todas as nações estavam na tocaia. Nenhum garoto gritou. Por que o Brasil da Copa de 2018, diante de dificuldades menores, alarmou-se em pânico? Tinha sido assim em 2010, quando sofreu um gol da Holanda e imediatamente o volante Felipe Melo pisou de raiva vingativa a perna do Robben, e foi expulso. Os Javalis Selvagens controlaram-se. Diante da derrota que parecia iminente, foram encontrados sem tremeliques no meio das trevas. Zero de desespero. Que chá eles tomaram? Que Deus? Que técnico é esse?!

- Quem viu os jogos da Copa da Rússia ficou com a impressão de que essas seleções inventaram agora jogadores de dois mil metros de altura aos quais só custa aparar com a cabeça a bola que vem do escanteio. Grandes coisas! De futebol mesmo esses grandalhões devem ter visto no máximo aquele vídeo em que o Pelé, diminuindo-se de glórias, ensina a cabecear – bastava ficar de olhos abertos para ver em que direção se está mandando a bola. O Pelé era baixo, precisava de alguma artimanha para sair do chão. Esses sujeitos do futebol de laboratório são altos, fortes, mas quando voam não dão asas à imaginação.

- O Brasil está completando 60 anos da frase redentora de Nelson Rodrigues, aquela de que graças à seleção campeã de 1958 o país havia deixado de ser um vira-lata entre as nações. Foi um momento de afirmação, o fim da crença de uma covardia atávica que a todos de verde e amarelo acometeria na hora de decidir. Agora a viralatice pátria está nos nervos. Um país à flor da pele. Por que os Javalis Selvagens, ao verem a morte de perto, simplesmente não piscaram para qualquer manifestação de desespero, enquanto nos campos da Rússia, ao serem atropelados pelo De Bruyne e o Lukaku, os jogadores brasileiros esqueceram imediatamente todos os recursos que lhe eram inerentes e começam a chutar bolas sem qualquer sentido para longe do gol adversário?

- Nervos de aço só nas letras de Lupicínio Rodrigues. ”

Chuva
Conferindo os boletins da Emparn, somam-se três seguidos sem chuva pelos terreiros do Rio Grande do Norte. As previsões de chuvas esparsas pelo litoral falharam. No Ceará e na Paraíba, também sem chuvas. Faltam duas semanas para o mês de julho findar.

Livro
Amanhã, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, começando às 19 horas, tem o lançamento do livro “As confrarias e o tempo”, de Carlos Roberto de Miranda Gomes. Sai com o selo do Sebo Vermelho. O prefácio é de Vicente Serejo e a orelha assinada por Dom Inácio, o “bispo de Taipu”.

Salário
De Brasília vem a notícia de que aposentados e pensionistas do INSS receberão em agosto 50% (primeira parcela) do 13º salário de 2018, juntamente com o benefício correspondente ao mês.  A notícia acrescenta que não haverá desconto do Imposto de Renda. Enquanto isso, por estas bandas do Rio Grande do Norte, não se sabe quando o governo do Estado fechará o pagamento do 13º do ano passado.

Política
Deu na coluna BR18, do Estadão:
- Depois de desistir da pré-candidatura à presidência, Flávio Rocha (PRB) entrou no radar do MDB, que agora atua para trazer o empresário para a
 
chapa de Henrique Meireles. Segundo o “Valor”, Rocha confirma que as conversas ocorreram, mas nega que considera ser vice do emedebista.

Duas bombas Chamada de capa do jornal Diário de Notícias, de Lisboa, edição de ontem:

“Trump e Putin têm 92% das armas nucleares do mundo”.

Os dois mandões estiveram reunidos segunda-feira na Finlândia.

Biografia
Ormuz Barbalho Simonetti, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, está escrevendo a biografia de Bartolomeu Correia de Melo (07-03-1945/18/06/2011), dos nossos maiores contistas (Prêmio Nacional de Ficção Joaquim Cardozo – 1997). Espera lançar o livro ainda este ano.


Deu França

Publicação: 17/07/18
A bandeira da França está estampada na parede da frente do Cova da Onça desde da eliminação do Brasil e pelo jeito do mestre Gaspar, somando com  que aconteceu,  ficará ali por muito tempo. Essa sua paixão francesa   vem dos anos trinta, quando a Air France montou seu escritório na rua Chile esquina com a Tavares de Lira, quase parede e meia com o Cova. Jean Mermoz, por exemplo, era um de seus fregueses. A história, gente, tem muitas histórias. Ontem, ele escreveu na lousa, ocupando todo o seu espaço: “Allez les Bleus”. Ou “Vamos França” que, aliás,  está no título da coluna de Tostão, na Folha de S. Paulo: “Pela segunda vez na história, Allez les Bleus”. Pois é, a camisa azul francesa (também nas cores de sua bandeira, juntando com a branca e a vermelha) agora é bi-campeã.

A coluna de Tostão, que jogou duas Copas do Mundo, começa assim:

- A França, merecidamente, é, pela segunda vez, campeã do mundo. Quando a Croácia era melhor, a França fez dois gols ocasionais, de bolas paradas. Um, após uma falta que não existiu. O outro, como disse Maurício Noriega, do SporTV, foi por meio de um pênalti corretamente marcado, mas em uma regra equivocada. O acaso também entrou em campo. O terceiro gol foi magistral, pelo passe inicial de Pogba, uma chicotada com o lado esquerdo do pé, da intermediária da França pela habilidade e velocidade de Mbappé, pela ajeitada de Griezmann e pela finalização perfeita de Pogba, da entrada da área. ”

Adiante, Tostão acrescenta:

- A França, apesar de Giroud, é campeã, principalmente, por ter 5 jogadores que estão entre os melhores do mundo em suas posições (Varane, Pogba, Kanté, Mbappé e Griezmann). É a união de um jogo coletivo, pragmático, com a qualidade individual. Não é apenas um craque que ganha um título mundial. São vários. Mbappé é o craque revelação. Não sei em quem votaria como o melhor da Copa, incluindo Mbappé. Muitos foram brilhantes.

Concordo com Tostão, mas no jogo de domingo a estrela que mais me chamou a atenção, simpatia total, foi a presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic.  Na tribuna de honra do estádio, ao lado do presidente da França, Emmanoel Macron, do presidente da Rússia, Vladimir Putin e do presidente da Fifa, Gianni Infantino, todos engravatado, ela vestia uma camisa da seleção de seu país, vermelho e branco quadriculados. Como se estivesse na arquibancada, no meio da torcida. E ela torcia mesmo, como uma apaixonada, pela sua seleção que jogava melhor.

Terminado o jogo desceu no rumo do gramado onde estava armado o palco para a entrega dos prêmios e do troféu da Copa, vinha de mãos dadas com o presidente francês, sorriso franco no rosto bonito, simples, com classe, apesar da chuva forte que caia na hora. Molhou-se, feliz, como se fosse uma sertaneja nordestina. Não abriu guarda-chuva nem sombrinha. Deixou-se molhar. Abraçou todos os jogadores patrícios, vice-campeões e, também, com a mesma simpatia, elegância e espírito esportivo, cumprimentou os jogadores franceses, campeões do mundo, incluindo o técnico Deschamps.

Antes já se sabia que a presidente Kolinda foi a Moscou em avião comercial, classe econômica, pagando a passagem do seu próprio bolso. Merece todas as taças, inclusive com champanhe.

Política
Deu na colina BR-18, do Estadão:

- Ciro Gomes vinha numa escalada retórica. Disparou contra Fernando Holiday em entrevista à Jovem Pan, prometeu expropriar poços de petróleo privatizados em entrevista a uma revista norte-americana e seu queixou de vaias pontuais que recebeu em sabatina na CNI depois de dizer que iria rever a reforma trabalhista. Tudo isso num intervalo de poucas semanas.

- Mas desde que intensificou a conversa para fechar alianças com o PSB e com partidos do chamado “blocão” o candidato do PDT se calou, numa espécie de “voto de silêncio”. A estratégia visa consolidar apoios antes que o PT bata o martelo do nome que substituirá Lula como candidato da sigla.

Convenção O diretório estadual do MDB, marcou para o dia n4 de agosto, aqui em Natal, a convenção do partido que homologará a candidatura do senador Garibaldi Filho à reeleição e, também, dos candidatos a deputado federal e à Assembleia Legislativa do Estado.

O tríplex de JK Acabo de ler na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- No “Ditadura e corrupção”, livro que Diego Knack acaba de lançar, consta um documento raro: uma carta de seis páginas escrita por Juscelino Kubitschek (1902-1976), em 1º de agosto de 1969, para se defender de uma denúncia de corrupção feita pelo regime militar.

- JK lembra que foi telegrafista, médico, professor, prefeito, deputado, governador e Presidente. E cita suas posses: “Dois apartamentos que comprara 30 anos antes, pelo equivalente nominal de 200 e 400 mil cruzeiros novos”.

Ceará-Mirim
Gustavo Sobral lembra que agora em julho, dia 30, a cidade de Ceará-Mirim celebra seus 160 anos. A Academia Ceará-mirinense de Letras e Artes organiza uma série de comemorações. A programação começa dia 23 com uma exposição de artistas locais com a curadoria do artista plástico Novenil Barros. Será na Biblioteca Pública Dr. José Pacheco Dantas.

No dia 30 haverá a inauguração da sede da Academia numa casa de estilo colonial localizada na praça Odilon Ribeiro Coutinho.

Na Carnaúba
Esta semana, de sexta-feira (20) a domingo (22), acontece na Fazenda Carnaúba, em Taperoá, PB, o “Dia D”, um dos mais importantes eventos da pecuária nordestina. Entre tantas atrações, destaque especial para a exposição de caprinos e ovinos, tida como a “a maior mostra de caprinos e ovinos de raças nativas do Brasil”, ao lado dos bovinos das raças Sindi e Guzerá

Outro destaque: a mostra de queijos da Carnaúba, que estão entre os mais premiados do Brasil. Isso sem falar nas conversas com Manelito Dantas e outras figuronas desses sertões brasileiros.


Na volta ninguém se perde

Publicação: 15/07/18
Daqui a pouco teremos França e Croácia, findando a Copa da Rússia, últimas emoções. Ou não. Quem anda por lá é o nosso querido Florentino Vereda, que só vim saber por conta de um imeio dele que caiu na minha bacia das almas, quarta-feira, logo depois da derrota da Inglaterra para os croatas sobre a qual não falou. Na verdade, na verdade, Vereda não foi à Copa nem deambulou pela Praça Vermelha. Tudo não passa de um sonho acontecido em sua pasárgada do Jalapão, como ele conta. Confira:

‘Ave Putin; morituri te salutant’

Estava eu em Moscou, prostrado aos pés do gladiador que acabara de me derrotar. Nas arquibancadas de uma arena faraônica, uma multidão estrepitosa e furibunda esperava a decisão do imperador; um simples gesto do polegar que, voltado para o alto salvaria o moribundo ou, para baixo mandaria meu algoz cravar a lança em meu coração, desferindo-me o golpe fatal. Fechei os olhos e, subitamente, cessou o barulho. Já não havia dor, a multidão sumira. Um sentimento de solidão e abandono abateu-se sobre mim e abri os olhos. Agora no fundo de uma caverna, isolado do mundo, tinha como única companhia meus companheiros de time, tão apavorados quanto eu. Estranhamente ilhados dentro de uma gruta, num pequeno pedaço de terra cercado por todos os lados por água escura e barrenta. Uma ilha deserta a mil metros de profundidade, sem comida, sem sol, sem esperança.

Aí a Jenicleide me acordou do sono agitado. Passado o susto, ficamos conversando até o dia raiar e a vida voltar à anormalidade. Falamos, como não poderia de ser, da Copa e do sonho do hexa mais uma vez adiado. Em 2014 quatro seleções chegaram ao final: duas europeias, duas sul-americanas. Nesta, só escaparam as europeias, confirmando que não mais existe futebol no lado debaixo do Equador. Somos meros fornecedores de mão-de-obra. Celeiros de craques que logo estarão vivendo como príncipes nos países europeus, longe das favelas onde nasceram e ensaiaram os primeiros chutes em busca de fama e fortuna. Imigrantes de luxo a mostrar que no esporte, assim como na vida, importante não é competir, mas ganhar muitos dólares e euros, seja nos gramados, seja nos gabinetes.

Finda a Copa, começa um novo campeonato que, igualmente, acontece a cada quatro anos. Eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. Na Copa, as esperanças de milhões de torcedores estavam nos pés de Neymar; nas eleições espera-se que surja um craque que possa salvar a pátria, nem que seja nos pênaltis. Afinal, candidatos também são bons de bola. Nós brasileiros estamos sempre a buscar alguém que abra o mar vermelho e nos leve com segurança à outra margem, onde desfrutamos as delícias de um paraíso utópico com fontes de leite e mel e palmeiras onde cantam os sabiás. ‘O Senhor é meu pastor; nada me faltará’.

Somos o rebanho do senhor feudal. Vivemos a ilusão da monarquia. Trocamos nossa liberdade por uma segurança efêmera e incerta. Pastamos docilmente nas terras do soberano, esperando que ele não nos escolha para churrasco em que seus convidados encherão as barrigas com nossa carne e os bolsos com nossos impostos.

O time de quem menos se falou nesta Copa e que, paradoxalmente, mas me tocou foi a dos jovens tailandeses, confinados numa gruta escura, à espera de quem os leve de volta às suas famílias, missão impossível até para um herói hollywoodiano. É necessário um esforço conjunto de especialistas e voluntários de vários países, lutando para resgatar os incautos aventureiros.

Assim deveríamos agir nas eleições que se aproximam. Não será apenas um indivíduo – presidente ou governador – que nos salvará da caverna escura e lamacenta em que o Brasil se meteu por incompetência e/ou má fé dos muitos em que voamos e que muito nos iludiram. Dos três poderes da República - independentes e harmônicos entre si – o mais importante, para mim, é o legislativo, porque representa o povo, de quem o poder emana. São os parlamentares, em nome do povo, que votam as leis que regularão o funcionamento da sociedade. Leis que deverão ser rigorosamente respeitadas pelo executivo e pelo judiciário.

Portanto, sem desprezar presidente e governadores, vamos eleger bons parlamentares (ainda existem) e acompanhar o trabalho deles ao longo dos quatro anos dos seus mandatos, assim como opinamos sobre a permanência, ou não, de Tite à frente da seleção e sobrem quem deverá ser escalado para a Copa do Qatar. E vamos participar da política, mesmo como torcedores, cobrando daqueles que mereceram o nosso voto e que, se não nos decepcionarem, continuarão a merecê-lo. Talvez consigamos formar um bom time, mesmo sem uma estrela principal, e ganharmos a copa nossa de cada dia. Juízo na hora do voto! ”

Lembrando Paschoal
Na gaveta dos papéis desarrumados encontro um bilhete de Meira Pires que fala de uma carta de Paschoal Carlos Magno, o ator, poeta, teatrólogo, diplomata, fundador do Teatro do Estudante do Brasil.  O bilhete é datado de 22 de agosto de 1974:

“Woden, amigo:

Mais um bilhete. Recebo carta do Paschoal agradecendo as gentilezas que recebeu de mim. Ele emite certos conceitos que me parecem válidos demais. A folhas tantas, como você gosta de dizer, o grande batalhador afirma:

‘E frequentemente me agonia o desejo de fechar as malas e renunciar a tudo. Nascemos num país errado. Sem acústica para as nossas vozes atormentadas de ideal. ’

Que beleza, hein seu Woden? Calcule o que não tenho eu para dizer, para contar. Um dia o farei, sem ressentimentos, com dignidade, sem as marcas das cicatrizes.

Venha tomar um cafezinho. Um abraço do cansadíssimo amigo.

Meira Pires”

Livro 
Amanhã teremos o lançamento de As últimas cartas do Seridó, de Paulo Bezerra, edição cuidada por seus filhos. Paulo, Paulo de Balá, faleceu em 21 de julho do ano passado. O lançamento será no Instituto de Radiologia de Natal, avenida Afonso Pena, 744, esquina com a rua Jundiaí (Tirol), a partir das 19 horas.

Poesia 
“O beijo de Tristão/ lê os meus fonemas/ e ouve meus sons/ de sereia // O beijo de Zeus/ em várias línguas, / faz em mim/ oceano e areia. // O beijo de Eros/ despe as palavras/ e a paixão, em fogo, / me incendeia. ” (Do poema “O beijo da palavra”, de Maria José Gomes, em seu livro “O beijo de Eros”).


Na boa leitura

Publicação: 14/07/18
Saindo mais um número, o de abril a junho, da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, à disposição de seus leitores na própria sede da ANL, ali na rua Mipibu, 443, ares de Petrópolis.  Não paga nada e ganha ainda uma boa leitura. A revista está incluída nas melhores publicações literárias do Estado, tarefa dividida entre Manoel Onofre Jr., diretor, e Thiago Gonzaga, editor. Este número presta  homenagem a Dom Nivaldo Monte na passagem do centenário de seu nascimento. Sobre ele escreveram Dom Jaime Vieira Rocha, o Padre João Medeiros Filho e Francisco de Assis Câmara. Dom Nivaldo ocupou a cadeira 18 da ANL, sucedido pelo atual imortal, Padre João Medeiros Filho.

Andei dando uma passada pelas páginas da revista, reservando o tempo da leitura mais esticada para este fim de semana nos alpendres das Queimadas de Baixo.  Artigos, crônicas, discursos, ensaios, contos, poemas. Tem uma entrevista com José Saramago, feita por Antonio Nahud, baiano/natalense, em 2002, em Lisboa. Foi publicada no jornal “A Tarde”, de Salvador, e agora, 16 anos depois, chega ao conhecimento dos potiguares. Li e gostei. Respondendo a uma pergunta de Nahud, “Por que escreve romances? ”, Saramago respondeu:

- Faço romances porque não aprendi a escrever ensaios. Mas não tenho imaginação.  O romance, como eu o vejo, mudou muito, mas não é mais como os magníficos romances do passado que contavam histórias sobre a vida das pessoas. Eu não o vejo como um gênero literário, mas como um espaço criativo em que cabem o ensaio, o drama, a filosofia, a ciência. Tenho a história que quero contar limitada ao essencial. Então, sem perceber, entro com reflexões filosóficas, deixando os personagens de lado por instantes. O autor se intromete, mas não estava previsto inicialmente. ”

Na revista tem o necrológio (“oração de louvor” do poeta e escritor Sanderson Negreiros, feito pelo acadêmico Armando Negreiros, mais a saudação do acadêmico Manoel Onofre ao novo imortal, Clauder Arcanjo, como também o seu discurso de posse.  Outro destaque: a entrevista que o escritor e professor de Literatura Humberto Hermenegildo de Araújo deu para a Revista Contramão, da Universidade Federal do Piauí, falando sobre a obra de Antônio Cândido.

Aí entra o time dos articulistas, ensaístas, contistas, cronistas: Jurandyr Navarro (falando sobre o primo Newton), Nelson Patriota, Eider Furtado, Ivan Lira de Carvalho e Anchieta Fernandes (os dois falam sobre Sanderson Negreiros), Valério Mesquita, Vicente Serejo, Carlos Miranda Gomes, Valério Andrade, Marcos Silva, Francisco Fernandes Marinho, Benedito Vasconcelos Mendes, Cassio Augusto Nascimento Farias, Aldo Lopes, Osair Vasconcelos e Thiago Gonzaga.

No capítulo poesia aparecem Lívio Oliveira e Jarbas Martins. A capa da revista é de outro poeta, também artista plástico, o grande e sempre saudoso Dorian Gray.

Política
Deu na coluna BR18, do Estadão:
- A ex-senadora Marina Silva, pré-candidata à Presidência pela Rede, que adota uma postura crítica em relação às práticas políticas tradicionais no País, disse ontem que os partidos do chamado Centrão, como PP, o DEM, o Solidariedade e o PRB, são “atravessadores do sonho brasileiro”.
- “O Centrão acaba sendo o pêndulo que tentar puxar para sua agenda – que no meu entendimento não é de melhor interesse do Brasil – qualquer candidatura que se coloque no cenário nacional”, afirmou ao Estadão. “Chega do Centrão terceirizar as mudanças do Brasil para o que lhes interessa”.

Flávio desiste
Flavio Rocha, PRB, desistiu da candidatura à presidência da República. A notícia foi divulgada no meio da tarde de ontem e está nas chamadas de capa dos principais jornais. A coluna Painel, da Folha de S. Paulo, acrescenta que a renúncia “abre espaço para que o seu partido declare apoio a outro candidato na corrida ao Planalto”. Diz mais:
- O PRB faz parte do grupo que discute se sela uma aliança com Ciro Gomes (PDT) ou com Geraldo Alckmin (PSDB), mas a sigla pende para um apoio ao presidenciável tucano.
- Neste sábado (14), os presidentes dos quatro partidos do centrão – PRB, DEM, PP e Solidariedade – se reúnem em São Paulo para definir o caminho do bloco.

Chuva 
As chuvas perderam intensidade nas últimas 24 horas. De quinta-feira para o amanhecer de ontem foram poucas ocorrências pelo Litoral e Agrestes, segundo o boletim da Emparn.

A chuva mais forte foi em Parnamirim, 16 milímetros, seguido de Natal, 11, Macaíba, 8, Extremoz, 6,5, São Gonçalo do Amarante, 5. No Agreste: Vera Cruz, 5, Monte Alegre, 2. Houve uma chuva de 12 milímetros em São Bento do Norte, Litoral Norte, 12 milímetros.

No Ceará não houve registros de chuva Litoral. Chuvinhas finas e esparsas pelo sertão. Mesma coisa na Paraíba.

Documentário 
O Departamento de Comunicação da UFRN está anunciando um curso de especialização em Produção de Documentários. Acontece pela primeira fez.  As inscrições estão abertas até o dia 8 de agosto.

No rastro do Brasil 
Mestre Gaspar diz que já tem uma resposta para a pergunta da TV-Globo (“Que Brasil você quer para o futuro?”) repetida todos os dias, já faz tempo.  Vai responder com o que Miriam Leitão escreveu em sua coluna de ontem, no jornal da mesma empresa:

- Os parlamentares aprovaram nos últimos dias uma série de medidas que piora as contas públicas e eu pesará no bolso do consumidor. Houve desde isenções fiscais à indústria de bebidas até a permissão para aumentos ao funcionalismo em 2019, com emendas que distorcem os projetos originais. O “Estado de S. Paulo” estima que o custo das medidas chegará a R$ 100 bi, o que pode inviabilizar o próximo governo”.

Jessier 
Hoje à noite tem Jessier Quirino se apresentando no palco do Teatro Riachuelo. Taí uma boa dica para se sair de casa.


Carta ao governador

Publicação: 13/07/18
Remando pelas águas agitadas (talvez por conta da seleção da Croácia ou pela jurisprudência do desembargador de plantão) encontro uma carta do navegador Nelson Mattos Filho, o avoante da praia de Enxu Queimado, não dirigida a este cansado escrevinhador, mas endereçada ao excelentíssimo governador do Estado que anunciou ir a Enxu, onde vive o querido missivista, para inaugurar uma obra, mas que não foi, lá não pisando os pés. Enxu é uma praia linda e tranquila (os modernosos chamam de “paradisíaca”), localizada no município de Pedra Grande, onde, no final da semana passada, choveu 202 milímetros, um dilúvio.  Nelson foi, por muitos anos, colunista desta TN, escrevendo principalmente sobre os mares por onde navegou, as praias e aldeias que conheceu até se ancorar em Enxu Queimado, onde vive feliz com Lúcia.   Leiamos a sua carta, que está, também, exposta no seu blogue “Diário do Avoante”:

“Enxu Queimado, 09 de julho de 2018
Mas Governador, porque danado você não veio a Enxu Queimado, homem de Deus? Se foi pelo motivo alegado, na entrevista a um blogueiro do Mato Grande, acho que foi fraqueza de sua parte. Onde já se viu um governador se intimidar com protestos, ainda mais protestos que impedem a passagem da mais alta autoridade de um Estado em viagem oficial para cumprir compromissos? Sei não viu! Se eram baderneiros, como você falou, mandasse a polícia desobstruir a via. Se eram moradores, reclamando melhorias prometidas e nunca realizadas, fizesse valer o bom diálogo democrático e desse por resolvido a peleja, mas não pisar no lugar, dando meia volta enquanto estava a 60 quilômetros de distância, foi surreal. Será que o senhor estava de olho no regabofe da fama em São Miguel do Gostoso, para onde se dirigiu após decidir não vir aqui?

Mas tudo bem, ou tudo mal, sei lá, aquele 4 de julho era mesmo dedicado a São Tomé, o israelita, aquele que só acreditava vendo, e sendo assim: Eu não estava acreditado que o governador do Rio Grande do Norte não viria a Enxu inaugurar uma obra tão importante para a população, tão significativa em termos de ganho para a saúde a pública. Obra que esse pequeno povoado praieiro esperava há mais de 40 anos e que deve ter custado uma bagatela do orçamento do Estado. Pois é, o senhor não veio e água encanada de boa qualidade foi liberado sem o tradicional “batismo” oficial. Dizem que quem não é batizado vira pagão. Será que o senhor vai permitir eu a água encanada de Enxu Queimado, liberada em 04 de julho de 2018, siga pela história com essa mácula? Água pagã? Faça isso não governador Robinson Fariia, deixa de birra e venha cumprir a sua obrigação.

Dizem que certa vez o presidente Juscelino recebeu uma sonora vaia ao chegar a uma cerimônia oficial, mas não perdeu a pose nem sua condição de líder popular, que sabia decifrar a linguagem do povo, ao declarar: “feliz é a nação que pode vaiar seu presidente”. Bastou dizer isso para os aplausos comerem no centro. Governador, tem um ditado que diz que “triste é o poder que não pode”. Não o poder de fazer e meter os pés pelas mãos em atos escusos, mas o poder de bom fazer, de proporcionar melhorias, de caminhar de cabeça erguida em meio a população sem ser apontado por algum dedo acusador, de ter a alegria de prestar contas de seus atos e esses estarem limpos e transparentes. Pois é Governador, o presidente Juscelino Kubitschek, com maestria, mudou o rumo de um momento delicado, pois tinha absoluta certeza do poder que tinha. Não que a história do mito de Diamantina não tivesse fases obscuras, mas ele entrou para a História de cabeça erguida e desfazendo obstáculos.

Claro que o senhor lembra do episódio com o deputado Ulysses Guimarães, oposicionista e líder do MDB em plena ditadura militar, quando caminhava com o grupo de campanha pelo centro de Salvador/BA e deu de cara com uma barreira formada por soldados armados de fuzis e segurando cachorros. Sem aliviar os passos, Ulysses disparou: “Respeitem o presidente da oposição”. Sendo assim, empurrou o cano de um fuzil para o lado, abriu caminho e seguiu em frente com o grupo que o acompanhava.

Pois é, governador Robinson, fico aqui pensando na sua não vinda a Enxu Queimado com medo de enfrentar manifestantes, que nem eram tantos assim. O que terá passado por sua cabeça? Será mesmo que o senhor achava que a população dessa praia linda e maravilhosa iria rechaçar sua vinda, ainda mais sendo para dar vida a um sonho antigo? Os meninos que estavam na “barreira” têm suas mágoas, mas não são meninos maus a ponto de pretender agredir um governador. No mínimo, o senhor levaria uma sonora vaia e quem sabe uma chuva de ovos, porém, isso faz parte do enredo dos regimes democráticos. Dizem, que não ouvi, que uma de suas promessas de campanha por aqui, foi que traria água e faria o asfalto na estrada que linga Enxu a Pedra Grande, sede do município. A promessa da água está cumprida, mesmo sendo uma água pagã, mas o asfalto foi esquecido e é justamente aí que o bicho pegou, porque a estrada, que o senhor não viu porque desistir de vir, está em estado lastimável, para não dizer outra coisa.

Aliás, não viu a estrada e também não viu as belezas da região, não viu o maravilhoso parque eólico, a fábrica de torres, não viu a beira mar que precisa de ações urgentes, pois Netuno ameaça invadir com seus exércitos, não visitou uma comunidade alegre e em paz. Em paz, sim, pois neste paraíso ainda não chegou a tal violência que assombra seu governo. Não sentou na beira-mar, sobre uma jangada, para bater um papo descontraído com essa gente feliz. E o pior, não sentiu o sabor de uma suculenta posta do peixe serra, acompanhado de uma cerveja gelada. Eita que é bom demais, homi!

Venha governador Robinson Faria. Vem sem medo e inaugure a obra por seu governo construída. Se o povo tiver de cara feia, desça do carro, abra um sorriso e chame os meninos para uma conversa de pé de ouvido, que garanto que serás bem-sucedido.

Nelson Mattos Filho”

Chuva
A semana vai sendo toda de chuva e a maior de ontem, por estas bandas do Rio Grande do Norte, foi em Caicó, em cima do Itans: 42 milímetros, o dobro da média para todo o mês de julho no calendário seridoense. Em Caicó tem ainda 29 milímetros nos arredores da Emater e 20, no Batalhão. Julho, mês de Santana, padroeira de Caicó.

Outras chuvas no Seridó: São Fernando, 20 milímetros, Cruzeta, 11, São José do Seridó, 5.

No Agreste: Parazinho, 18 milímetros, Bom Jesus, 13, Taipu, 10, Ielmo Marinho e Jandaíra, 8, Barcelona, João Câmara e Serrinha, 6, Sítio Novo, 5. Região Leste: Extremoz, 28 milímetros, Maxaranguape, 24, Parnamirim, 16, Ceará Mirim, 12, Montanhas, 11, Macaíba e São Gonçalo do Amarante, 10, Natal, 8. São chuvas ocorridas até as 7 horas da manhã de ontem, segundo o boletim da Emparn. Previsão de mais chuva para hoje e amanhã.

Política 
Da analista política Vera Magalhães, citada na coluna BR18, do Estadão:

-A absolvição de Lula pela Justiça Federal, em Brasília, no caso em que era acusado de agir para comprar o silêncio de Nestor Cerveró, na Lava Jato, enfraquece a tese que o PT insiste em propagar de que o ex-presidente é alvo de uma perseguição implacável do Poder Judiciário. Neste caso, a Justiça considerou que os indícios produzidos em decorrência das investigações e da delação do ex-senador Delcídio do Amaral eram insuficientes para comprovar a participação do petista na suposta trama. E ele foi absolvido.