Lembrando Isabel Gondim

Publicação: 05/07/18
Redação
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Tiro da gaveta o “Calendário Cultural e Histórico do Rio Grande do Norte”, de Verissimo de Melo, para saber das datas importantes de julho, que começa com a fundação do jornal “A República”, no dia primeiro (1889), lá se vão 129 anos. O fundador foi Pedro Velho. Tem outro jornal fundado no mesmo dia, mas ocorrido quatro anos depois (1893), o “Diário de Natal”.  Nada a ver com o Diário fundado por Djalma Maranhão, em 1939, depois adquirido por Rui Paiva que mais tarde o venderia para os Diários Associados, de Assis Chateaubriand. A partir de 1947 passou a se chamar “Diário de Natal”, onde este batedor de notícias ingressou no jornalismo em 1954. Já faz um bocado de tempo.

Chegando no dia 5, hoje, Verissimo de Melo registra o nascimento em Papari (Nísia Floresta), de Isabel Gondim, educadora, escritora, dramaturga e poeta. Foi no ano de 1839. Vindo para Natal, Isabel Gondim morava na Ribeira onde fundou uma escola, iniciando suas atividades no magistério. Faleceu em 1933 aos 94 anos. Seu primeiro livro, “Reflexões às minhas alunas”, foi publicado em 1874, no Rio de Janeiro. Além de livros de ensaios sobre História e Educação, publicou três de Poesia. Isabel Gondim é patrona da cadeira 8 Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, que é ocupada pelo jornalista Nelson Patriota. Para a professora e pesquisadora Ana Amélia Fernandes, “Isabel Gondim juntamente com a sua conterrânea Nísia Floresta é uma das pioneiras da intelectualidade no Rio Grande do Norte. Defendeu ao longo da vida o ensino público para as mulheres”.

O poeta e dramaturgo Jaime dos G. Wanderley, em seu livro de memórias “É tempo de recordar” (Fundação José Augusto, 1984), uma das minhas releituras preferidas que me levam a caminhar por uma Natal deliciosa que não existe mais, tem um capítulo que fala sobre Isabel Gondim. Alguns de seus trechos estão reproduzidos na antologia “Literatura do Rio Grande do Norte”, de Constância Lima Duarte e Diva Maria Cunha Pereira de Macedo, publicado em 2001.

Jaime dos G. Wanderley fala sobre as festas populares e religiosas de Natal (festa dos Santos Reis, de São João e de São Pedro, festa da Padroeira) e de outros convescotes da aldeia:

- Tirante essas homenagens sacras, só uma grade festa era promovida pela alta roda, que era a reunião que a professora Isabel Gondim conseguia realizar em louvor à data de seu aniversário natalício, acontecimento marcante da elegância e da cordialidade reinante nos círculos sociais natalenses.

- D. Isabel Gondim era ilustre e velha mestra de muitas gerações estudantis, poetisa de fácil e brilhante imaginação e teatróloga famosa, autora do apreciado drama “Os Anjos do Amor”.

- Senhora e altos predicados de inteligência e talento, rica, profundamente vaidosa, era tida e havida como uma das mulheres mais luxuosas da cidade, daí o seu orgulho desmedido, que chegava a ponto de negar a sua idade, escondendo-a para que não n’a soubessem envelhecida. E aos indagadores da data do seu nascimento, respondia sempre, agressivamente, para não dizer, malcriadamente.

- Para os convescotes em homenagem ao seu dia natalício, a veneranda professora convidava elementos da melhor sociedade (...). Eram magistrados, médicos, bacharéis, intelectuais, funcionários públicos de elevada categoria, professores, que se divertiam até avançada hora da madrugada, em meio de muita alegria e cordialidade.

- Brincavam-se “Prenda”, “Berlinda”, “Anexim”, “Cara de Pau”, recitavam sonetos românticos, ao som melífluo das langorosas “Dalilas”, executadas ao violão pela maestria de Heronides França, o mais completo sexacordista da época.

- Às 10 horas da noite havia um intervalo nas diversões para ser servida a protocolar e farta ceia, que se realizava no salão de refeições da mansão, onde se encontrava uma grade mesa de 20 talheres, atufada de bolos e doces, das mais finas qualidades.

- D. Isabel ostentava, valendo a sua elegância e donaire, um rico vestido de seda europeia tendo o colo adornado de ricas joias de muito bom quilate e, nos dedos delgados e nervosos, anéis com lampejantes pedrarias, como para autenticar os seus predicados de mulher vaidosa, pedrarias que irradiavam chispas à luz vibrantes dos acetilenos. ”

Livro
Hoje à noite, começando ás 18 horas, na Pinacoteca do Estado (Palácio Potengi), haverá o lançamento do livro “Violência doméstica contra a mulher – da indivisibilidade à luta pela superação”, da advogada, assistente social e militante feminista Vani Fragosa.

Vai ter música também por conta de Jamily Mendonça, Yrahn Barreto e Rousi Flor de Caeté, e mais a performance “Manifesto Femina”, do grupo Comboio de Teatro.

Pós-graduação
A Escola Agrícola de Jundiaí (UFRN), localizada em Macaíba, abriu inscrições para o curso de Especialização em Tecnologias Educacionais, o primeiro oferecido através da Rede e-Tec Brasil na UFRN. São 80 vagas para graduados em qualquer área de conhecimento. O prazo de inscrições vai até o dia 18.

Saramago
Notícia boa vinda de Lisboa: foi encontrado um diário, até então desconhecido, do escritor José Saramago. Estava escondido numa pasta em seu computador, segundo informou a viúva Pilar Del Rio, também escritora e tradutora. Foi escrito em 1998. Saramago morreu em 2010.

Pilar Del Rio falou: “Eu pensava que tudo já tinha sido publicado. Fiquei perplexa quando me dei conta que ninguém sabia da existência desse livro”. A obra inédita do grande escritor, Prêmio Nobel de Literatura de 1998, será publicada em outubro.

Chuva
Não choveu ontem no Rio Grande do Norte, em canto nenhum. No Ceará, um chuvisquinho isolado de pouco mais de 2 milímetros em Viçosa do Ceará, divisa com o Piauí.

Sobre a falta de chuvas no Ceará nas duas últimas semanas (mesmo cenário do Rio Grande do Norte), a Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos), publicou um comunicado em que diz:

- Até quinta (hoje) não há condições de chuvas. Porém, há uma tendência de precipitações no próximo fim de semana.