Manoel de Brito

Publicação: 06/07/18
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Hoje, 6 de julho, dia consagrado a Santa Maria Goretti, Manoel de Medeiros Brito, seridoense de boa cepa e fibra longa, chega aos 90 anos de idade com o vigor dos trinta. Em plena e total atividade como presidente da Liga de Ensino do Rio Grande do Norte, mantenedora da Escola Doméstica de Natal, do Complexo Educacional Henrique Castriciano e da UNI-RN (Centro Universitário); preside, também, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio Grande do Norte, mantenedor do Hospital Infantil Varela Santiago. Expediente todos os dias. Trabalha assim derna da adolescência. Juventude dividida entre Natal e Rio de Janeiro, onde formou-se em Direito e já andava metido na política, quando assumiu as funções de secretário particular do então deputado federal Aluízio Alves.

Em seu livro “Resgate da Memória Política”, o jornalista João Batista Machado, traçando o perfil de Brito, conta como foi o começo dessa rica trajetória:

“Concluído o curso primário em Jardim, ginásio em Caicó e o secundário no Atheneu, tentou o ensino superior no Rio Janeiro, em 1950, aprovado para o curso de Direito da então Faculdade de Direito do Distrito Federal. O empresário Dinarte Mariz conseguiu seu primeiro emprego, como secretário do deputado federal Aluízio Alves, na Câmara Federal (...) Em 1953, a convite do governador Sylvio Pedroza, assumiu o cargo de chefe da Representação do Governo do Estado no Rio de Janeiro”.

Aí, dois anos depois (1955), se elegia para o seu primeiro mandato de deputado estadual. A política estava na veia de Manoel de Brito. Foi secretário de oito governos estaduais. Num desses intervalos foi nomeado ministro (hoje conselheiro) do Tribunal de Contas do Estado, do qual foi presidente e onde se aposentou do serviço público. Dos outros ofícios, entre eles, o de excepcional conselheiro em qualquer contenda, não. Tempo integral.

Brito, dono de uma memória privilegiada, conhece como poucos a história política do Rio Grande do Norte, das salas à cozinha, passando pelas camarinhas. Está concluindo um livro de memórias, “Tempos Marcantes”, onde conta fatos de sua infância sertaneja e de sua convivência com as figuras da política do Estado e do país. Histórias que viveu e que ouviu contar dessas personagens de romance.  Um livro esperadíssimo.

Um homem correto
Continuo a leitura do perfil de Manoel de Medeiros Brito, traçado por Machadinho no seu livro “Resgate da Memória Política”, publicado em 2006:

- Estatura mediana, corpo esbelto aos 77 anos, caminha todos os dias pela avenida Afonso Pena, com passos largos e apressados. É um conversador inigualável numa mesa de bar ou em qualquer outro ambiente. Com suas tiradas bem-humoradas, descontrai os mais sisudos expectadores. Tem a mania de tratar, pelo apelido, as pessoas com quem tem intimidade, hábito que se constitui sua marca registrada. Quem ouve uma conversa sua e não sabe do linguajar próprio, pensa tratar-se de uma linguagem cifrada, típica de espiões em tempos de guerra.

- Um exemplo para o leitor inteirar-se do dialeto de Brito: “Sebastião recebeu a visita do Cientista, Bejo e Dietil, na presença do Artilheiro e de Anderson Clayton”. Traduzindo: “Tarcísio Maia recebeu a visita de Lavoisier, Agnelo e Geraldo, na presença de Leônidas Ferreira e Sanderson Negreiros. ” Esse tipo de linguajar era usado nas campanhas políticas para “despistar” os adversários.

- Fiel ás suas origens, reconstruiu o velho prédio que servia de pensão para os ilustres hóspedes do passado, numa homenagem póstuma à dona Chiquinha, sua mãe, e à memória de Jardim do Seridó, sua terra natal.

- Há mais de 30 anos visita diariamente o “Bar do Nazi”, no Beco da Lama, hoje terceirizado. A visita, além de homenagem ao seu primeiro doo, falecido há pouco tempo, é para beber duas doses de cachaça com mel (meladinha), especialidade da casa, quer chova ou faça sol.

- Vive bem com a vida e não se conhece dele nenhum gesto mesquinho. Preserva as amizades, apesar de ter suas preferências políticas, convivendo bem com todos, sem abdicar do direito de fazer opções divergentes, quando sua consciência acha correto. ”

Permanece o atraso 
Findando a primeira semana de julho, o funcionalismo público estadual ainda não sabe quando receberá os salários de junho. Nem o governo sabe quando pagará.

Quarta-feira houve protesto dos funcionários no terreiro da Governadoria, no Centro Administrativo. Líderes das classes foram recebidos na Casa Civil. Conversa pra cá, conversa pra lá. Nenhuma informação concreta de quando a grana sairá.

Horas depois o Governo divulgou uma nota sensacional, bem didática, nos seguintes temos: “O governo anunciará nos próximos dias o início do pagamento de junho”.

Pois é, “nos próximos dias”. Pode ser dia no dia 13, lua nova, daqui a uma semana, ou no dia 18, ou, sei lá... nos próximos dias.

Saúde sem roupa 
Tem esta outra nota, agora do Sindicato de Saúde do Rio Grande, comunicando que o Hospital Deoclécio Marques, de Parnamirim, suspendeu todas as cirurgias marcadas para quinta-feira, ontem, “devido à falta de roupas adequadas para os procedimentos”.

E acrescenta: “O ocorrido é mais um sinal absurdo do descaso do governo Robinson Faria com a saúde pública no Rio Grande do Norte. ”

Política 
Deu na coluna BR18, do Estadão:

- Ao adotar o discurso da “humildade”, por meio do qual adota respostas como “não sei tudo”, “vou consultar” e “aceito sugestões”, Jair Bolsonaro adota uma clara estratégia de dar declarações, principalmente na seara econômica, que possam ser mal digeridas pelo mercado. Ele explicitou a tática no encontro com presidenciáveis: “Melhor dizer que não sabe que cometer algum lapso”.

- Já Ciro Gomes (PDT) pratica o oposto: a todo momento diz que é melhor ser sincero que “enganar” a plateia. Com esse propósito, defendeu o controle de câmbio e juros, a volta do BNDES como indutor do desenvolvimento e revisão da reforma trabalhista, o que levou uma parte da plateia a reagir negativamente.

Chuva 
Não choveu ontem no Rio Grande do Norte. Julho permanece zero. Assim como o pagamento dos salários de junho dos servidores públicos estaduais.