Débora na capa

Publicação: 07/07/18
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Com o título “Pioneira e Destemida”, o número de julho da revista “Bzzz” traz em sua capa a professora Débora Seabra: “Potiguar, que enche o RN de orgulho, é a primeira professora com síndrome de Down do Brasil. Ofendida publicamente por desembargadora, ela revela exemplos de barreira e supera preconceitos. ”

Débora, que também é escritora e palestrante (já falou na ONU), não para. Esta semana esteve em Goiás participando de um evento promovido pela Universidade Federal na cidade de Goiás Velho, terra da poeta e contista Cora Coralina.  Dividiu a mesa com a advogada Ana Claudia Figueiredo, vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, e a advogada Margarida Araújo Seabra de Moura, sua mãe. Deu entrevistas para a televisão.

Aproveitou para fazer uma caminhada pelas ruas e becos de pedra, mais do que centenários, da bela cidade goiana (Patrimônio Histórico Mundial), sua primeira capital. Belo casario. Igrejas. No roteiro, uma visita ao Museu Casa de Cora Coralina, instalado na casa onde viveu a poeta e contista – a Casa da Velha Ponte -, a ponte passando sobre o Rio Vermelho, oitão da casa. Nessa casa de tantas histórias, Cora praticava também outra arte, com o mesmo amor e talento: a de doceira. Fogão a lenha, tachos de cobre.

Carlos Drummond de Andrade numa carta para Cora Coralina, disse:  “Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu verso é água corrente, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. ”

A viagem de Débora e Margarida a Goiás Velho, por onde, um dia, encantado, andei também, me leva a um dos poemas de Cora Coralina, “Becos de Goiás”: “Beco da minha terra... /Amo tua paisagem triste, ausente e suja. / Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa. / Teu lado negro, esverdeado, escorregadio. / E a réstia do sol que ao meio-dia desce, fugidia, / e semeia polmes dourados no teu lixo pobre, / calçando de ouro a sandália velha, / jogada no teu monturo”.

Viagem da volta
Acabou o sonho, lá se foi a ilusão, Brasil fora da Copa. Bélgica 2 Brasil 1. Agora é a viagem da volta. Aliás, na verdade, também não haverá essa viagem porque a quase totalidade dos jogadores da seleção brasileira atua e mora na Europa. Voltarão, sim, os milhares de torcedores brasileiros que foram até Moscou e arredores distantes, passagens e hospedagem em até 24 prestações, somando a metade do tempo da próxima Copa. No Catar.

Restam oito seleções na disputa, todas da Europa: Rússia, Bélgica, França, Inglaterra, Suécia e Croácia. Nenhuma da América do Sul. Brasil, Argentina, Uruguai Colômbia e Peru desclassificados.

Agora as emoções de Brasília sem Galvão Bueno.

Livro
Anote em sua agenda: dia 16, lua já em quarto crescente, teremos o lançamento do livro As últimas cartas do Seridó, de Paulo Bezerra, o nosso sempre lembrado doutor Paulo Balá, que se encantou no dia 21 de julho de 2017. Vai fazer agora um ano.

É o seu quinto livro, esta edição de agora organizada pelos filhos.  O lançamento será no Instituto de Radiologia de Natal - do qual é um dos fundadores -, na avenida Afonso Pena, 744.

Política
Deu na coluna BR18, do Estadão:

- Dá para apostar em tucano que não levanta voo? O clima de ceticismo imperou no jantar de Geraldo Alckmin com integrantes do “blocão” (DEM, PP, PRB e SD). O desafio do ex-governador é convencer possíveis aliados de que o início da campanha na televisão pode transformá-lo numa “Regina Duarte”.

- Bolsonaro E Ciro mostraram que têm estratégias diferentes: enquanto o deputado do PSL adota a política “pergunta lá no Posto Ipiranga” e não responde o que não sabe, Ciro se faz de “sincerão” e fala tudo que lhe vem na cabeça.

- No DEM, os caciques têm seus motivos para fechar aliança com o PDT, mas ninguém admite. Dia movimentado também no governo, com o ministro do Trabalho afastado pelo STF a pedido da PF e da PGR.

Chuva
Chuvas pelo Litoral do Rio Grande do Norte, de Maxaranguape até Baia Formosa e chegando, também, em alguns pontos do Agreste, principalmente nas ribeiras do Potengi. Chuvas começadas na boca da noite de quinta-feira, 5, até o amanhecer de ontem, 6

O boletim da Emparn registrou estas ocorrências até ás 7 horas, de ontem. Mas as chuvas continuaram caindo pela manhã toda, chegando ao meio dia, quando bato estas mal traçadas linhas.

Vejamos o que diz o boletim da Emparn. Chuvas do Agreste: Bom Jesus, 15 milímetros, Parazinho, 11,9, Monte Alegre, 10, Nova Cruz, 4,5.  Na região Leste: Ceará Mirim, 38 milímetros, Baia Formosa, 28, Arês, 22, Espirito Santo, 17, Maranguape, 16, Natal, 14, Montanhas, 10, Goianinha, 9, São Gonçalo do Amarante, 5,5.

Previsões de mais chuva para hoje e amanhã. Amém.

Inflação
Miriam Leitão comenta a alta da inflação:

- Depois de 15 meses, a inflação acumulada em um ano voltou a se aproximar do centro da meta. Em junho, a taxa foi de 4,39%, com a alta mensal de 1,26%, três vezes mais que o 0,4% de maio. O resultado do mês, no entanto, foi um ponto fora da curva, explica o professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio.

- A última vez que a inflação acumulada esteve próxima dos 4,5% havia sido em março de 2017. Junho foi também o primeiro mês desde janeiro de 2016 em que a taxa mensal ficou em 1%.

- Uma combinação de fatores provocou o resultado excepcional. Os alimentos consumidos em casa subiram 3,09% muito acima do 0,36% de maio. A energia elétrica foi outra vilã. O mês concentrou reajustes de várias distribuidoras e ainda contou com a bandeira vermelha na conta de luz. Já a alta da gasolina e do etanol em junho teve peso de 0,26 ponto no índice.