Chega de Saudade

Publicação: 10/07/18
 A Bossa Nova chega hoje, neste 10 de julho, aos 60 anos, sem envelhecer, mas anda sendo tocada e cantada pouco nos palcos brasileiros. Sou seu fã e, por uma deliciosa coincidência, passei o final da semana em Queimadas ouvindo João Gilberto em alguns cds, sem saber que era véspera das 60 primaveras do grande movimento cultural brasileiro. Sim, sou do tempo ainda dos cds, João cantando bossa nova e outros sambas, samba canção. Aliás, dizem os mestres, que a bossa nova sucedeu ao samba canção com um tempero de jazz, essas bossas e tais. João Gilberto, um dos gênios da música brasileira, está fora de cena e longe dos refletores, com a saúde muito debilitada e atravessando “absoluta penúria financeira”, como li recentemente. Foi ele que marcou o início da bossa nova gravando “Chega de Saudades”, de Vinicius de Morais e Tom Jobim nos idos de 1958.

Vim saber desse aniversário, lendo, ontem, Ruy Castro, na Folha de S. Paulo: “Gravação de ‘Chega de Saudade’ foi um parto, mas elevou à eternidade som sem nome” e, a partir daí, conta essa história toda temperada com um pouco de futebol”

- Onze dias antes, 29/6, o Brasil fora campeão do mundo pela primeira vez, na Copa da Suécia. Em condições normais, o baiano João Gilberto, 27, louco por futebol e torcedor do Vasco (o qual tinha três titulares na seleção: Vavá, Orlando e o capitão Bellini), ainda estaria saboreando aquela conquista. Mas era pouco provável que, ao subir ao quarto andar do edifício São Borja, no centro doRio, naquele dia 10 de julho de 1958, João Gilberto pensasse em outra coisa que não fosse o disco que estava gravando. ”

Era nesse edifício São Borja que funcionava o estúdio da Odeon onde “Chega de Saudade” foi gravado. Ruy Castro conta mais:

- A gravação do 78 estava se constituindo numa batalha. O perfeccionismo do artista ameaçava enlouquecer os técnicos e o próprio Tom. Nada parecia satisfazê-lo. Mas Tom segurou a barra, em nome de algo que já suspeitava maior do que ele ou do que João Gilberto – um novo conceito, um novo ritmo, uma nova música. E só então, em alguma hora do dia, produziu-se a versão que João Gilberto consideraria perfeita, definitiva. Com “Chega de Saudade”, de um lado, e “Bim-Bom, do outro, aquela música, sem nome – só meses depois seria chamado de bossa nova – decolava para a eternidade. ”

Tem um norte-riograndense no restrito time dos percussores da bossa nova: o compositor Hianto de Almeida. Em seu livro “Chega de Saudade – A História e as Histórias da Bossa Nova” (Companhia das Letras, 1990), Ruy Castro, narrando os primeiros passos de João Gilberto, destaca:

- Para a sua grande estreia João Gilberto escolheu dois sambas-canção fresco do forno: “Quando ela sai”, de Alberto Jesus e Roberto Penteado, e “Meia Luz”, de Hianto de Almeida e João Luiz, - todos eles jovens compositores que circulavam na Murray”

Se o leitor quiser saber mais sobre Hianto de Almeida leia o “Dicionário da Música do Rio Grande do Norte”, de Leide Câmara. Ficará sabendo, também, que ele foi parceiro de Chico Anísio em inúmeras composições e também de Veríssimo de Melo (“Caju nasceu pra cachaça”).

 Para festejar os 60 anos de “Chega de Saudade” nada melhor do que uma cachacinha acompanhada de caju, ouvindo João Gilberto. Claro.

Chuva
A chuva de sexta-feira pelos litorais e agrestes do Rio Grande do Norte teve pancada de 202 milímetros. Foi no município de Praia Grande. Parazinho, ao lado, 195, e São Bento do Norte, do outro, 120 milímetros. Em Ceará Mirim, 119, Extremoz, 113, Guamaré, 43, Macau, 26, todos no Litoral Norte, menos Parazinho, agreste

No Agreste, as melhores chuvas, além de Parazinho foram em Taipú, 61 milímetros, João Câmara, 58, Ielmo Marinho, 56, Bento Fernandes, 48, Santa Maria, 45, São Pedro, 24, Barcelona, 22. Em Queimadas, 22. A chuva de Natal, 73 milímetros.

Houve também chuvas no Oeste: Alto do Rodrigues e Pendências, 25 milímetros, Carnaúba, 21, Porto do Mangue, 19. No Sertão Cabugi: Pedro Avelino, 68, Lajes, 58, Jardim de Angicos, 31.

Celebridade
O Brasil tem nova celebridade. Capas de todos os jornais, rodízios contínuos na televisão, na internet não se fala de outra coisa. Seu nome: Rogério Favreto, desembargador federal. A propósito, a coluna BR18, do Estadão, publicou esta nota:

- O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já acumula seis representações contra o desembargador Rogério Favreto e uma contra o juiz Sérgio Morto até a manhã desta segunda, 9.

- Dentre os que pedem medidas contra Favfreto estão a ex-procuradora do DF Beatiz Kicis e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Já quem assina a petição contra Moro é Benedito Silva Junior, que já protocolou habeas corpus a favor de Lula em outras ocasiões.

Futebol Hoje tem o antepenúltimo jogo da Copa do Mundo: França e Bélgica, países vizinhos de cerca. Os brasileiros, fora da Copa, deverão torcer pelos franceses, tarde de hoje mais aliviada.

Sobre a atuação da seleção eliminada, o craque Tostão falou assim em sua coluna de domingo na Folha:

- O Brasil foi eliminado por causa dos erros individuais e coletivos, do caso e, principalmente, porque a Bélgica possui quatro jogadores que estão entre os melhores em suas posições no mundo (Courtois, De Bruyne, Hazarad e Lukaku). Temos de deixar a soberba de lado e aprender com o óbvio, que, contra as grandes seleções, as chances de vitória são iguais.

De Betinho
Deu na coluna de Patrícia Kogut, de O Globo:

- A história de Herbert de Souza, o Betinho, vai virar filme e, depois, série de TV. Será uma coprodução do AfroReggae Audiovisual, da Globo Filmes e da Hugry Man. O filho de Betinho, Daniel de Souza, será o consultor. O diretor ainda não foi escolhido. A ideia é lançar em 2020.

Livro
Confirmado para o dia 19, no Instituto Histórico e geográfico do Rio Grande do Norte, o lançamento do livro de Carlos Roberto de Miranda Gomes, “As confrarias e o tempo”.