Alex na Coréia

Publicação: 15/12/19
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Na gaveta dos papéis desarrumados, misturados com recortes de jornais, encontrei uma carta de Alex Nascimento, postada, imagine, na Coréia do Sul (ou teria sido mais uma invenção do bardo de Lagoa Seca?).  Escrita em 30 de setembro, mas sem o ano. Calculo coisa de 2002 pois a essa época ele passava uma temporada em Madagascar, fazendo “pós-pós” na Universidade de Antananarivo (o mote: “Os mares e os oceanos na poesia de Camões”) e tinha planos de atravessar o Índico e o Pacífico passando pela Austrália, Indonésia, Filipinas, Japão até chegar em Seul. Transcrevo a carta por inteiro:

“Seul, 30 de setembro.
Olá, Woden, saudades. Mas de pouquíssimas pessoas e uma toda especial do Cachorro-quente de Souza, sabe Deus a única carne comparável à das meninas do nosso time de vôlei. Unanimidade internacional. Conheci Chun-Chen, um baixinho de olhos tipo Elza Soares, que não perde um jogo das meninas. Fiz amizade com ele o sacaninha me confidenciou que detesta vôlei. Começo a descobrir a razão de chamarem essa raça de amarela.
Aqui tem de tudo, Madruga, até ração transistorizada prá bode, você ficaria louco. Comprei dois robots, em duas lojas diferentes, um parecido com papai e outro com mamãe. Desde que se encontraram não pararam de brigar. Frescura do robot-papai achando que eu pareço um ocidental e quer saber com quem robot-mamãe andou saindo. Ah, essas máquinas!
Ali na banca da esquina tem tudo que é publicação, do mundo inteiro, do New York Times ao Almanaque Capivarol. Ontem comprei a Tribuna e li, ao lado da sua coluna, uma notícia que eu achei meio sensual, meio esquisitinha, e que Chen-Chen, olhando minha cara de admiração, disse na linguagem dele: “Isso sakan-age, non? ”
A notícia diz que eu estou trabalhando como voluntário prá uma “Frente Popular de Natal”, que aqui na Coréia ninguém sabe do que se trata. Bem, não sei quem botou, mas a informação é mentirosa. Primeiro, porque não trabalho prá ninguém, exceto prá CIA e KGB. Segundo, porque os únicos voluntários a que me juntei foram três lourinhas gringas e gostosas, Voluntárias da Paz, e a nossa tarefa política era acabar com o estoque de Old Parr do Thaiti, ah, saudades de Alcyony. E, terceiro, porque não gosto nem de frentes nem de populares, minha paixão são retaguardas burguesas, Carolina de Mônaco, e que nunca me deu bola. Mas Chu-Chen dá, e acho que nos casaremos em breve.
Como dizem os coreanos, Ling Ping-Uau! Traduzindo: O que é a natureza!
Abração,
Alex Nascimento”

Os peladeiros
Berilo de Castro, por conta dos reclamos do joelho, despediu-se das peladas, mas continua firme e apaixonado pelo futebol do qual foi craque nos anos de 1950/60, depois enveredando pela Medicina que o levou à cátedra e em seguida à literatura. Dois meses depois de lançar o seu último livro Memória Emoldurada, está publicando agora Uma história, uma vida – Um encontro de peladeiros.

Tipo livro de bolso, 87 páginas, sendo apenas 29 de textos e outras 56 de fotos. Muita gente distinta na moldura. Lê-se bem num intervalo dessas peladas, seguido de comentários no decorrer das resenhas que sempre acontecem após essas disputas pelos vários campos e bares (ou coisas que tais) da aldeia de Poti mais peladeira.  São 56 anos de muita história.
Berilo cita os nomes de todos os “peladeiros”. Juntos dão para formar uns 18 times, vasto campeonato sem fim. Entre os citados aparece o nosso prezado Otávio Lamartine, que não chegou a ver o livro pois se encantou no dia 2, agora.  Outros que se foram para os gramados (ou não) lá de cima: Véscio, Galego Ozir, Peninha Lamartine, Luciano Barros, Zeca Passos, Domilson Damásio. Tem mais.

Dos peladeiros vivos, ainda chutando aqui e acolá, tem até ex-senador e ex-ministro: Fernando Bezerra. O livro é dedicado a Mário Roberto Sá Leitão, engenheiro e peladeiro, que motivou Berilo a contar toda essa história.

A Floresta
Anote em sua agenda: quinta-feira que vem, dia 18, no Espaço Valéria Calazans, a partir das 18 horas, haverá o lançamento do livro A Floresta, que reúne poemas de Gilberto Wanderley Filho (1985/2019). A edição póstuma foi organizada  por Joana D’Arca Arruda Câmara (Darquinha), sua mãe, socióloga e integrante da Academia Cearamiriense de Letras e Artes, diretora do programa Memória Viva da TV-Universitária.  O prefácio é de Maria Emília Wanderley.
O Espaço Valéria Calazans fica na rua Paulo Lira, 3582, Candelária.

Do Boi 
A boa nova, muito boa: o “Bumba-meu-boi”, dançado e cantado no Maranhão, foi reconhecido pela Unesco como “Patrimônio Cultural da Humanidade” em reunião realizada esta semana em Bogotá. Vai agora para os terreiros do mundo inteiro. O Bumba-meu-boi maranhense, que derna de 2011 ostenta o título de Patrimônio Cultural do Brasil (dado pelo Iphan), faz parelha com o nosso Boi de Reis, potiguar de nascença, também chamado de Boi Calemba, muito bem apresentado em Lagoa de Velhos: Mateus, Birico e Catirina. Cascudo iria gostar. Em São Gonçalo do Amarante tem o Boi Calemba Pintadinho, mais de cem anos de vida.

O Auto da Compadecida 
Outra boa notícia da semana:  A minissérie “O Auto da Compadecida”, baseada na peça teatral de Ariano Suassuna, exibida em 1999, volta à tela da Globo a partir do dia 7 de janeiro. Reencontro de João Grilo e Chicó, direção de Guel Arraes. A programação da tevê vai melhorar muito, bastante. Está carecendo.

Má educação 
De Mirian Leitão em sua coluna de O Globo, 12:
- Será uma boa notícia, se confirmada, a saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub. A jornalista Renata Cafardo, especialista em educação do “Estado de S. Paulo”, apurou que a exoneração de assessores próximos indica que o ministro está de saída. Ele entra de férias na sexta-feira e pode não retornar ao cargo. Weintraub conquistou o troféu de pior ministro da Educação da História do Brasil. ”

Chuva 
Notícias boas de chuvas boas no Ceará no decorrer da semana (de segunda-feira a sexta, 13, dia de Santa Luzia), principalmente na região do Cariri, raízes de Padim Ciço. As maiores chuvas no Cariri foram em Barbalha, 97 milímetros, Crato, 75, Missão Velha, 70, Juazeiro do Norte, 56, Brejo Santo, 43, Barro, 37, Milagres, 34 mm. Em Uruoca, no Litoral Norte, choveu 82 mm, e em Assaré (Sertão Central e Inhamuns), 62. Tem chuvas também em alguns municípios da região do Jaguaribe, divisa com o Rio Grande do Norte. Finas, mas anunciadoras de bons tempos.