Tribuna: 70 anos

Publicação: 22/03/20
Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

Depois de amanhã, terça-feira, 24, a Tribuna do Norte chega aos 70 anos de circulação, de muita história. Fundada por Aluízio Alves, jornalista derna da adolescência, aí pelos 14 anos, ainda de calças curtas entrando na redação de “A Razão”, jornal político dirigido por Eloy de Souza. Três anos depois seria repórter e redator de “A República” (Eloy, também diretor), e por aí foi abrindo caminhos para ingressar na política exercendo cargos administrativos nos governos estaduais. Aos 24 anos se elegia deputado federal (Constituinte de 1946), seis mandatos. Mas nunca deixou o jornalismo, nem mesmo quando   governador e ministro de Estado. Uma rica trajetória.  A Tribuna do Norte foi uma de suas grandes paixões.

Dia desses, na gaveta dos papéis desarrumados, encontrei uma “ordem de serviço” de Aluízio que cuidava, final dos anos de 1979 começo de 80, de edições especiais para celebrar os 30 anos da TN, ele próprio pastorando a pauta, cheio de ideias e sugestões. E determinações. Naqueles idos, este já cansado guardador de papéis era o editor do jornal.  O texto de Aluízio está datilografado mas contém anotações manuscritas, às margens e ao final da lauda. Transcrevo-o por inteiro:

“Woden:
Sugiro o seguinte:

Escreverei a 1ª reportagem da série “O que não esqueci”, sobre a TN. Sairá na 1ª. página do caderno dedicado à nossa história. As outras reportagens da mesma série serão publicadas na 1ª página do 2º caderno, aos domingos.

Nesse caderno de nossa história, nas duas páginas do centro – 4 e 5 – publicaremos o artigo inicial (na íntegra) e trechos dos artigos de todos os anos. Mais: um box sobre a sede que íamos fazer na Princesa Isabel, com o desenho, e um box sobre impressora com as fotografias da mesma. Agnelo tem uma fotografia dela, antes de ser desmontada. Se não tiver, publica só da máquina atual. Faremos um perfil dos equipamentos técnicos, como fotografias da Harris e outros equipamentos (foto-compositoras), embarque, chegada, etc., num cineminha.

E nesse caderno virão as crônicas de Milton R. Dantas, Waldemar Araújo, Rivaldo Pinheiro (este deve ser urgentemente procurado), e outros que aí combinamos. E fotografias do prédio antigo, do prédio atual. E farei uma nota sobre a Cabugi, Difusora, etc.

Veja bem: é para a edição documento. Não vá publicar agora como fez com a entrevista do general Afonso.

Aluízio. ”

Abaixo do texto datilografado, sentindo falta de uma das edições da TN para as suas pesquisas, escreveu à mão:

“Importante: Falta o 24-3-1976. Peço ver aí e extrair os trechos mais importantes e acrescentar. ”

Sede e impressora novas
Numa página anexa, Aluízio juntou os textos-legendas (com fotos) dos dois boxes aos quais se referiu, o primeiro, com o título “O sonho de uma sede”. Assim:

“Em 1957 tomamos as primeiras providências para a construção da sede própria da TRIBUNA DO NORTE. Seria na rua Princesa Isabel, 599, onde chegamos a adquirir o terreno. O projeto foi elaborado pelos arquitetos Jorge P. Guimarães e Waldir Leal Costa, que haviam feito o projeto da sede do “Diário de Notícias” do Rio.

Mas, sobrevieram dificuldades financeiras e tivemos que adiar o sonho, que só agora se realizou. ”
O segundo box está escrito assim:

“A primeira máquina impressora da Tribuna do Norte era plana, imprimia 2 páginas de cada vez, 1000 exemplares por hora. Foi adquirida à editora Borsoi, do Rio, já com 20 anos de uso.

Em 1971 a máquina já não atendia ás mínimas necessidades, tendo em vista, sobretudo, que os nossos concorrentes passavam a dispor de off-set.

Fomos a Belém. Rômulo Maiorana, que acabava de adquirir uma rotativa, nos cedeu a velha impressora de “O Liberal”. Veio de caminhão, e chegou inutilizada.

Tivemos que ir a Manaus adquirir a impressora duplex que fazia a “Crítica”, com a notícia da inauguração de sua nova rotativa. Essa máquina é a que imprime a Tribuna do Norte, de 25-8-1971, até ontem, 13 de outubro de 1979. ”

Teatro  Dia 24 também é o aniversário da inauguração do Teatro Alberto Maranhão. Foi em 1904, com o nome de Carlos Gomes. Lá se vão 116 anos. O teatro está fechado há seis, legado (‘herança’?) do governo anterior, preservado pelo atual. Portanto, não haverá celebração. Nem música. Mas na festa de inauguração houve muita música.

Confiro no livro História do Teatro Alberto Maranhão, de Meira Pires, a programação:  “Hino Nacional; Simphonia do Guarany (Carlos Gomes); Ouverture de Oberon (C.M. Weber); Valsa de Orquestra “Um sorriso de Cupido (L.M.Smido); Célebre marcha da “Danação do Fausto” (H.Berlioz). ”

Isso só na primeira parte. Na segunda, houve a apresentação da peça “A Promessa”, de Henrique Castriciano, interpretada por um grupo de crianças, e o monólogo “Rogerio Brito”, de Arthur Azevedo, interpretado por Deolindo Lima. Na terceira parte, mais música.

Meira Pires registra ainda: “No camarote central, destinado ao Governador, estavam os doutores Alberto Maranhão e Augusto Tavares de Lyra, acompanhados de suas respectivas famílias. ”

Faz tempo que um governador do Rio Grande do Norte não é visto no camarote do Alberto Maranhão.

Do vírus ao boi 
Por conta do coronavirus, a ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu) adiou a realização da Exposição de Uberaba (Exposição Internacional de Gado Zebu), que seria realizada entre os dias 25 de abril e 3 de maio. A exposição já tem 86 anos. Ainda não tem data definida.

Inverno  
No Dia de São José choveu em todos sertões nordestinos. No Rio Grande do Norte, as melhores chuvas ocorreram   nas regiões Oeste (Apodi, 60 milímetros, Felipe Guerra, 51, Doutor Severiano, 38, Patu, 33) e Seridó (Serra Negra do Norte, 56, Parelhas, 39, Timbaúba dos Batistas,32).
Na Paraíba teve chuva passando dos 100 milímetros. Foi no município de Coxixola, 139. Em Boqueirão, 99, Serra Branca, 94, Soledade, 92. No Ceará, a maior chuva foi no município de Iracema, região do Jaguaribe, fazendo divisa com a nossa Chapada do Apodi: 102 milímetros. Em Crateús, 90, Morada Nova, 50.
Previsões de mais chuvas no andar de março, entrando abril.