Visitando as estrelas do Veneto

Publicação: 12/01/18
Gilvan Passos

A estrela enológica do Veneto, região vinícola no nordeste da Itália, é indiscutivelmente o Amarone della Valpolicella, ou simplesmente Amarone. Um vinho cuja origem data dos idos de 1968, mas que se internacionalizou somente no final do século XX. O nome Amarone vem de Amaro (amargo em italiano), e o vinho surgiu do Recioto Della Valpolicella como você verá abaixo.

As uvas do Amarone são, em parte, as mesmas do Valpolicella: com destaque para a Corvina (principal uva da região), Rondinella, e nalguns casos a Oseleta, uva rara local, mas o que o diferencia do Valpolicella é a sua técnica de elaboração conhecida como Apassimento, (desidratação das uvas).

A técnica do Apassimento estabelece que depois de colhidas no ponto ideal de maturação, os cachos das mesmas sejam postos a secar sobre bandejas de madeira vazadas, e distribuídas em "frutaio" - locais espaçosos, com excelente ventilação e baixa umidade, muitos deles localizados na parte superior das vinícolas, que facilitam o processo de secagem sem, no entanto, permitir a formação de mofo. Nestas condições as uvas desidratam por 3 a 4 meses sob o olhar atento do vinhateiro, chegando a perder quase metade do seu peso (em água), e ganhando em concentração de açúcar, perda de acidez, aumento de glicerina e do nível de resveratrol. O mosto resultante destas uvas apassiadas, é então fermentado lenta e longamente, com leveduras especais, passando depois por demorada maturação em barricas grandes e/ou pequenas de carvalho (geralmente esloveno ou francês), para serem depois loteados, e afinados em garrafa por alguns meses até se transformarem no grande Amarone. Enquanto o Valpolicella é feito como qualquer vinho de mesa, o Amarone é "turbinado" pelo “apassimento”, tornando-se um vinho mais concentrado em perfumes, elementos gustativos e untuosidade. As uvas adquirem um caráter resinoso não observado nas fermentações convencionais, e se convertem em um vinho de elevado teor alcoólico nunca inferior a 15% e algumas vezes chegando a 17% de álcool por volume. O vinho é amadurecido, por lei, em barris de carvalho esloveno ou francês durante um período mínimo de 25 meses. O barril tradicionalmente utilizado é de tamanho grande (cinco mil litros), e de madeira usada, mas alguns produtores já começam a usar recipientes menores de madeira nova, imprimindo aos seus produtos um estilo mais moderno. Esse estágio em madeira pode chegar a 48 meses, e antes de ser liberado para o mercado, o vinho descansa em garrafa (afinamento) por um tempo variado, o que lhe confere um típico toque de oxidação, gerando benefícios sensoriais e muita complexidade, características que fazem deste vinho um ícone do Veneto e um dos grandes vinhos da Itália.

Os Antecessores do Amarone

Hipoteticamente o Recioto della Valpolicella originou o Amarone. O Recioto é a versão do Valpolicella amabile (doce), raro de encontrar hoje fora da Itália, produzido especialmente com a uva Corvina Veronese passificada. O nome Recioto vem de uma corruptela da palavra italiana orecchio (orelha), pois é feito somente com as partes mais madura dos cachos, ou seja, sua extremidade, ou "lóbulo". Mas, segundo pesquisadores, o Recioto teria surgido do Acinatico, um vinho do século IV produzido com uvas desidratadas, que teve seu lugar ocupado por este. O Amarone, nessa linha do tempo, teria nascido de um Recioto que fermentou completamente, processo que desenvolveu um estilo mais alcoólico e seco. O Recioto é um vinho difícil de encontrar no Brasil, e mais especialmente no Nordeste.

Alguns dos Grandes Amarones

Na minha visita à Itália em outubro de 2017, estive em Valpolicella Clássico, Denominação próxima da cidade de Verona, na região do Veneto, e visitei algumas das melhores Cantinas sobre as quais escreverei nesta coluna nas próximas semanas. Mas até lá, algumas das marcas de Amarones que já apreciei e recomendo comprar são: Speri, Scarnocchio, Masi, Mazzano, Allegrine, Tommasi, Santi, Lamberti, Cesari...  

Viagem enológica à Itália

Publicação: 06/10/17
Tão visceral é a cultura do vinho na Itália, que fica difícil dissociar o país do deus Baco, da bebida do deus Baco. A Itália tem números que impressionam por sua grandeza, constância e diversidade. São quase 1 milhão de hectares de vinhas plantadas, formando um verdadeiro canteiro de videiras de norte a sul do país. Um acervo ampelográfico de dar inveja ao mundo, com mais de 300 castas autóctones, números que o coloca no ranking como segundo maior produtor do planeta, posição que trocou com seu arqui-rival, a França, em 2013, a época com exportações da ordem de 5 bilhões de euros, um faturamento biliardário, superando o mercado do Champagne francês com o seus Spumantes: Proseccos, Lambruscos e Franciacorta. São mais de 18.000 vinhos produzidos, nos mais diversos estilos, com uvas advindas desde os Alpes, no norte do país, até as ilhas do sul próximas da África.

Viagem enológica à Itália

Não por acaso os gregos a denominaram quando a dominaram pelo sul (Sicilia) de Enotria (pátria do vinho). Em termos de consumo, a Itália disputa com a França seus 45 litros per capita por ano, e produz vinhos que são verdadeiros sonhos de consumo de apreciadores do mundo todo, a exemplo dos Brunellos di Montalcino, Barolos e Amarones Della Valpolicella. Como de praxe a minha viagem deste ano pela Europa contemplará alguns dias em Reims, capital da Champagne, onde visitarei as Maisons (Casas) Lanson, Deutz e Pommery, uma breve passagem pelos vinhedos suíços, uma incursão a região da Provence, com visita a alguns Châteaux, e em especial ao premiado Château de Pourcieux, tendo como base a cidade de Nice, na Côte d’Azur, mas o foco absoluto da viagem, com as três regiões mais importantes será mesmo a Itália, onde estarei do dia 15 de outubro ao dia 02 e novembro.

A Toscana, no centro do país, será a primeira região visitada. Na cidade de Firenze (Florença), capital da região, encontrarei com um grupo de 8 pessoas de Natal e Recife para as quais tracei um roteiro vitivinícola e enogastronômico prá lá de especial, com Cantinas em Chianti Clássico: Antinori e Brancaia; em Montalcino: Camigliano, Mastrojanni, Castelo Banfi,  e em Bolgheri: Enoteca-Osteria Sassicaia. Da Toscana, conduzirei o grupo à região da Ligúria, para conhecer e apreciar os vinhos de Cinque Terre.

De lá partiremos para a cidade de Nice na Provence, França, onde conheceremos os melhores rosés do mundo, e depois retornaremos à Itália para a região do Piemonte, cidade de Barolo, onde visitaremos as Cantinas do Angelo Gaja e Azienda Agrícola Pietro Rinaldi, finalizando com a região do Veneto, tendo como base a cidade de Verona, para visitar na DO Valpolicella, às Cantinas: Allegrine, Azienda Masi e Monte Del Frà. Serão muitos Barolos, Brunellos e Amarones num giro italiano com previsão de litragem para cerca de 250 vinhos provados, alguns dos quais raros, caros e simplesmente espetaculares.

Geografia do Vinho Italiano
Do Norte ao Sul da Itália, as regiões produtoras são: Valle d’Aosta, Lombardia e Piemonte a Noroeste. Trentino e Alto-Adge, Friuli-Venezia-Giulia e Veneto a Nordeste. Na região central, sucedem-se: Ligúria, Emilia-Romana, Toscana, Marche, Umbria, Lazio, Abruzzo e Molise. E na região sul italiana ficam a Campania, Puglia, Basilicata, Calábria e Sicília. Também faz parte do sul a ilha da Sardenha que fica a oeste no centro-sul do território italiano. No norte da Itália, as condições geo-climáticas são extremamente favoráveis à produção de vinhos brancos e espumantes, a exemplo do Prosecco e do Franciacorta.

Na Itália central a Toscana, Marche, Umbria, Lazio, Abruzzo e Molise, lideram com os vinhos tintos e apresentam um clima mais temperado. E no sul do país, as regiões da Puglia, Basilicata, Calabria e Sicília fazem os vinhos tintos de maior pegada, com teor de álcool mais elevado por seu clima ensolarado e seu solo vulcânico, na Sicília com a presença do vulcão Etna. Acompanhe nas próximas matérias a revelação destes lugares com seus vinhos incríveis.  



O mundo das borbulhas

Publicação: 29/09/17
Eles mudam de nome, tendo às vezes o mesmo nome da região de origem; apresentam diversos métodos de vinificação; podem ser elaborados com uvas distintas, podem trazer ou não o ano da colheita no rótulo, apresentam estilos os mais variados, e também podem acompanhar uma refeição do começo ao fim, apresentando-se como vinhos aperitivos, vinhos de mesa e vinhos digestivos.

O mundo das borbulhas

O seu nome genérico é vinho ESPUMANTE, internacionalmente conhecido como Sparkling Wine, mas nalgum lugares especiais do mundo eles podem ter nome próprio. Na França o Champagne é o vinho da região da Champagne, a mais famosa Denominação de Origem Controlada ou AOC para vinhos espumantes do mundo, com método próprio de elaboração: Champenoise, e uvas específicas (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier). Mas na própria França, por exemplo, os vinhos espumantes produzidos fora da região da Champagne, são chamados de Vin Cremant ou Vin Musseaux (vinho espumante).

Na Itália, região do Veneto, o vinho espumante é denominado de Prosecco, DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) desde 2009 para os vinhos produzidos nas áreas de Valdobbiadene, Coneglianoe e Assolo. Um vinho produzido pelo método Charmat (método de tanque), com a uva branca originalmente conhecida pelo nome de “Glera” que até 2009 era chamada de Prosecco, agora DO. Ainda na Itália, na região da Lombardia, faz-se o vinho espumante “Franciacorta”, um fantástico vinho espumante elaborado pelo método tradicional (o mesmo do Champagne), com as uvas Chardonnay, Pinot Noit e Pinot Bianco, e na região da Emilia-Romagna, ou mais especificamente na Emilia, produz-se o vinho frisante ou espumante “Lambrusco” que pode ser IGT para os frisantes, mais simples (gaseificados artificialmente e semi-doces), e o “Lambrusco” DOC, este um vinho espumante, de melhor qualidade e menos comum no Brasil.

Na Espanha, tradicionalmente em Penedés, região da Cataluña, Nordeste do país, mas também noutras localidades, produz-se o “Cava”, nome que devida de “cave” adega em português, um vinho espumante elaborado pelo método tradicional (o mesmo do Champagne), com uvas locais: Macabeo, Xarel-lo, Parellada (brancas) e com a tinta Trepat, sendo ainda permitido o uso da branca Chardonnay e da tinta Pinot Noir, francesas. Na Alemanha, os vinhos espumantes recebem o nome de Sekt, e podem ser elaborados pelo método Tradicional (o mesmo do Champagne), pelo método Charmat ou pelo método de Transferência. Já nos países produtores que rezam na cartilha estadunidense, como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Chile e Argentina, os vinhos espumantes são chamados genericamente em inglês, de Sparkling Wine (vinho espumante).

Seminário do TRT-RN vai discutir implantação do e-Social em órgãos públicos

Publicação: 27/09/17
O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) vai realizar um seminário sobre a implantação do e-Social em órgãos públicos no dia 17 de outubro. O evento vai reunir os criadores do sistema em Natal para tirar dúvidas para representantes de órgãos públicos , entidades da sociedade civil e instituições de ensino superior.

Os palestrantes convidados são Eduardo Tanaka (auditor da Receita Federal de Florianópolis-SC), Orion Sávio Santos de Oliveira (analista técnico de políticas sociais da Secretaria da Previdência Social do Ministério da Fazenda, Brasília). O auditor fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho, em Natal e Rômulo Araújo Borges (TRT 2ª Região, São Paulo-SP) também participarão do encontro.

O curso vai acontecer no auditório da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Norte (OAB-RN), localizado na Rua Barão de Serra Branca, s/n - Candelária, entre 8h30h e 17h30.
 
No total, serão oferecidas 300 vagas, com inscrições gratuitas, que podem ser feitas no site da Escola Judicial do TRT-RN.

O eSocial é um projeto do Governo Federal que tem por objetivo desenvolver um sistema de coleta de informações, armazenando-as no Ambiente Nacional do e-Social. Ele  possibilita aos órgãos participantes do projeto, sua efetiva utilização para fins trabalhistas, previdenciários, fiscais e de apuração de tributos e do FGTS.


Divagações sobre a videira, a vida e o vinho

Publicação: 22/09/17
Sobre a videria ou vinha: Quanto mais uma videira luta para sobreviver, mais forte ela se torna, mais doces são seus frutos, e melhor será o seu vinho. Não por acaso o seu nome é videira, e tal como na vida, os valores são forjados pelos nossos dissabores. A videira ou vinha, é uma planta arbustiva trepadeira, natural da região Boreal (hemisfério norte), e existente no planeta há cerca de 2 milhões de anos (período terciário da era cenozóica), e, portanto anterior a presença do homem no planeta.

Os vinhos mais frutados suportam maiores teores de álcool e estágios prolongados no carvalho

Sobre o preço do vinho: Não é a excepcional qualidade da safra, marcada por fenômenos climáticos pontualmente favoráveis, que eleva os preços dos grandes vinhos como pensa a maioria dos consumidores, Mas as leis do mercado, reguladas por demandas de oferta x procura, e a persuasiva influência da crítica especializada internacional, que transforma qualidade (algo imensurável) em pontos (algo quantificável), induzindo o consumo a acreditar que algo intangível como valor sensorial (gosto), poderá ser numericamente traduzido. O tão falado custo-benefício de um vinho é quando a qualidade hedônica, que diz respeito ao mérito da bebida na ótica do apreciador, é inversamente proporcional ao preço.

Sobre a complexidade do vinho: Os vinhos mais frutados suportam, sem perder o equilíbrio, maiores teores de álcool, e estágios mais prolongados em barricas de carvalho. E se estes vinhos forem ricos em extrato (componentes não voláteis), terão uma grande chance de se tornarem desafiadoramente complexos com um aporte bem dosado da madeira. Sobre o tempo de vida dos vinhos: A grande maioria dos vinhos disponíveis no mercado, não passa de uma mercadoria efêmera. O tempo de vida de um vinho varia consoante sua matéria prima (variedade(s) da(s) uva(s), terroir e safra), manejo do vinhedo (que depende entre outras coisas do seu rendimento), técnicas de vinificação (com mais ou menos extração e maturação), e por fim da sua estocagem (acondicionamento e até tamanho da garrafa). É a conjunção destes vários fatores que tornarão um determinado vinho longevo ou ligeiro.


Viagem ao Universo do Vinho nas Principais Lojas da Cidade
O DVD Viagem ao Universo do Vinho, poderá ser encontrado nas principais lojas de vinhos da cidade: Perlage, Vinhedos, Grand Cru, Adega São Cristóvão, Videira, Adega Natal e Wine Store, ao preço de R$ 25,00. Viagem ao Universo do Vinho esclarece em seus 04 blocos, através de uma abordagem clara, prática e descomplicada, as principais dúvidas do dia a dia dos apreciadores, revelando uma nova perspectiva na apreciação do vinho.

Grande Evento do Vinho com o enólogo Alejandro Galaz
Anote na sua agenda. No dia 28/09, última quinta-feira deste mês, às 19:30 horas, o Restaurante Tábua de Carne da Roberto Freire estará sediando um grande encontro do vinho, com apresentação compartilhada entre este consultor e o enólogo chileno dos vinhos Ramirana, marca pertencente a Viña Ventisquero. Alejandro Galaz é um grande alquimista do vinho chileno, e estará conduzindo a degustação dos seus próprios vinhos. O evento contará com a degustação de três vinhos da linha Premium Ramirana, apresentados e abrilhantados pelo pai da criança, e será coroado por um delicioso jantar do Tábua de Carne com os vinhos Ramirana Sauvignon Blanc e Ramirana Reserva Cabernet Sauvignon. Os interessados deverão fazer suas inscrições no Restaurante Tábua de Carne da Roberto Freire. Fone (84) 3642-1236. Vagas limitadas.