A África sob um olhar privilegiado

Publicação: 23/11/16
“O homem vestido em uma farda militar surrada, metralhadora atravessada no peito, estava a dois passos de mim. Ele me olhou feio. Direto. Um olhar daqueles que apavoram.” Assim começa o livro Com os pés na África, de Sérgio Túlio Caldas, novo lançamento da Editora Moderna. A obra revela o continente africano a partir de um ponto de vista privilegiado. O autor mergulha em suas próprias experiências e aventuras pela região para dar voz ao personagem Tulio. Ao explorar lugares desconhecidos, conhecer pessoas com valores diferentes dos seus e encarar riscos de viagens, Tulio se torna uma importante testemunha dos tempos atuais da África.

Com os pés na África tem linguagem moderna, mesclando textos literários, observação jornalística e quadrinhos. E traz uma importante inovação que extrapola o objeto do livro. O leitor, por meio de links e do aplicativo QR Code, tem acesso a vídeos e áudios que enriquecem ainda mais a leitura.

Na história, o garoto Tulio – após vencer um programa de quiz na TV, cujo prêmio é uma volta ao mundo – joga a mochila nas costas e parte para seu primeiro destino: Angola. Ali, descobre a história do país africano que guarda surpreendentes proximidades com o Brasil. Ele faz amigos, encara perrengues, e vai até a casa do renomado escritor Pepetela, em Luanda, para conversar sobre a África. Pepetela conta da sua infância e revela passagens curiosas da guerra civil angolana, da qual ele participou até a independência de Angola, em 1975. O protagonista também se aventura pela exótica Marrakesh, no Marrocos, e pelo Saara, o maior deserto do planeta – onde numa viagem de camelo com nômades conhece os costumes locais e a fé religiosa.

Com narrativa ágil e bem-humorada, o livro é rico em fotos – a maioria tirada pelo autor – e explicações do vocabulário da região. Chama a atenção que as histórias vividas pelo personagem não são frutos da ficção, mas da realidade.

“Pessoas que tive a oportunidade – e a sorte – de encontrar na África voltaram, de alguma forma, a ganhar nova vida neste livro. Com elas compreendi um pouquinho mais da alma africana. Situações, personagens e lugares citados são reais. E o jovem protagonista da história é um tanto de mim”, diz Sérgio Túlio.

Sérgio Túlio Caldas é jornalista, escritor, diretor de TV e roteirista. Viajante contumaz, ora por meio do trabalho, ora por pura curtição, tem pegado estradas das Américas à Ásia para escrever, fazer reportagens e filmar. Trabalhou para importantes veículos de comunicação do País, como o jornal O Estado de S.Paulo, revista Os Caminhos da Terra e TV Record. Tem roteirizado e dirigido documentários e séries para o canal National Geographic, e para tvs públicas brasileiras. Na África, por onde viajou e morou durante um ano, dirigiu um programa de jornalismo e entretenimento exibido na TV Pública de Angola, TPA). Autor de vários livros, como Nas Fronteiras do Islã (Editora Record), Sérgio Túlio Caldas publicou pela Moderna Terra sob Pressão – A vida na era do aquecimento global, finalista do Prêmio Jabuti.

O QUE
Túlio Caldas explora lugares desconhecidos, conhece pessoas com valores diferentes dos seus e encara riscos de viagens, tornando-se uma importante testemunha dos tempos atuais da África.

Os prêmios e o feijão com arroz literário

Publicação: 09/11/16
Carlos de Souza
[ fcarlos@tribunadonorte.com.br  ]


Encontrei este artigo de Henrique Rodrigues Neto, na página do Publishnews, do dia 31 de outubro de 2016. Henrique Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, em 1975. É especialista em Jornalismo Cultural pela Uerj, mestre e doutor em Letras pela PUC-Rio. Trabalha na gestão de projetos literários no Sesc Nacional. Participou de várias antologias literárias e é autor de 11 livros, entre os quais o romance O Próximo da Fila (Record).< www.henriquerodrigues.net >.

“Na última cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura, o escritor Marcelo Maluf, ao ser anunciado vencedor na categoria estreantes acima de 40 anos pelo livro A imensidão íntima dos carneiros, me surpreendeu. Dedicou sua vitória “aos professores, bibliotecários, mediadores de leitura e a todos que trabalham pela construção do pensamento crítico, pela compreensão da diversidade, da liberdade e da sensibilidade, aos seres humanos que tem fome e sede de fabulação e do saber”.

A surpresa veio pelo fato de que o belo romance tem pitadas da – muitas vezes erroneamente criticada – autoficção: o autor mergulhou nos seus antepassados árabes para construir uma bela narrativa lírica. Há quem critique esse recurso de escrita, muitas vezes associando a figura do escritor que usa algum elemento da própria vida como elemento de fabulação a um ególatra inveterado. Não que eles inexistam, pelo contrário. São muitos os casos, na cena cultural e midiática brasileira, de personas literárias cuja imagem fica muito aquém do que escrevem. Mas isso é um debate para outro momento. Ou talvez nem mereça.

O que Maluf trouxe de diferente foi, em plena celebração por um feito à primeira vista individual, ter oferecido a premiação ao coletivo, ao universo fora do umbigo, às figuras invisíveis que contribuem, com todas as dificuldades, para que se forme o leitor literário num país com índices tão vergonhosos.

Quando o vi recebendo a premiação, falando para uma plateia em que o governador Geraldo Alckmin figurava na primeira fila, e que logo em seguida iria anunciar o prêmio principal a Beatriz Bracher, não pude deixar de enxergar como um ato de ousadia e transgressão. Sob os flashes de um dos principais prêmios literários na maior capital do país, o jovem (ou seminovo, como digo sobre nós que beiramos os 40) autor não nos deixou esquecer do que é realmente importante: a leitura e os leitores.

Por um tempo, voltei para pouco mais de um mês, na Bienal do Livro de São Paulo. Participava de um debate sobre a importância dos prêmios literários e a sua participação na formação de leitores. Havia representantes do Jabuti, Oceanos, do próprio Prêmio São Paulo e eu sobre o Prêmio Sesc. Do lado de fora da sala onde falávamos, uma multidão gritava para ouvir e tirar selfies com um youtuber. Por vezes, nosso debate teve de ser interrompido até que o barulho diminuísse. Mas na hora lancei para os colegas de mesa umas perguntas que até agora me instiga: por que há uma distância tão grande entre os dois mundos? Como fazer para que esses jovens interessados pelo objeto livro, que vêm lotando esses eventos de grande porte, possam conhecer os autores que descobrimos e celebramos nos prêmios literários?

Algumas respostas simples poderiam surgir. Inclusive uma primeira mais simples: está bem assim porque se tratam de dois extremos incompatíveis, com a “alta literatura” premiada sendo complexa demais para ser lida pela choldra, que segue as leis do mercado em busca os livros da moda, e no caso a bola da vez são os youtubers. Esse pensamento, além de preconceituoso, seria frívolo demais para quem já lidou tanto com livros de premiados quanto com os jovens que estão lendo mais hoje. Ser um leitor fã de determinado tipo de livro não significa que o indivíduo seja fechado para novas ideias e formatos. Pelo contrário, tenho participado de muitos eventos literários com jovens e o que percebo é um desejo grande por novas leituras. Em muitas ocasiões, basta um papo com grupos de leitores para que nossas certezas sejam revistas e atualizadas.

Outra resposta seria pela aproximação dos autores premiados com o público em bate-papos. Bem, essa etapa é cumprida de certo modo pela maioria dos prêmios. O São Paulo, Oceanos e Sesc promovem encontros dos seus finalistas ou premiados, sendo que o último os leva para diversas atividades literárias em diversos lugares do país. Mas ainda assim isso não significa que os encontros se revertam em leitura efetiva. Em muitos casos o público quer apenas saber sobre a rotina do escritor e seus “processos criativos”, ou apenas tirar fotos. Mas quase não compra os livros.

E também não se deve esperar que os escritores sejam performers do palco. Vale lembrar o caso do escritor Rafael Gallo, que também venceu o Prêmio São Paulo na categoria estreante com menos de 40 anos com o romance Rebentar. Depois de conversar com leitores numa Bienal, recebeu um bilhete no qual era sugerido que fizesse mais stand up, provavelmente porque sua fala não era circense como se esperava.

Daí a importância também dos modelos de divulgação, esse assunto que também é um nó. As editoras investem pouquíssimo para divulgar as obras nacionais que não tenham grande potencial de venda. Há muito vigora uma linha de pensamento segundo a qual o lucro advindo dos best-sellers é que torna viável a publicação dos livros que vendem menos. Essa regra coloca os autores brasileiros num status de resignação cotista, como se fosse um grande favor ter o seu livro publicado. Quando o título é premiado, pode no máximo voltar às livrarias com uma tarja de vencedor, mas por pouco tempo, já que a fila das gôndolas anda rápido e os best-sellers estão esperando.

Por outro lado, não podemos nos esquecer das campanhas de formação de leitores. Ainda que existam muitos projetos de pequeno e alguns de médio porte de norte a sul, não há hoje no país uma grande política de leitura em execução. Educação e leitura são palavras muito bonitas em campanhas políticas, mas remodelar o formato do ensino de literatura e instituir o livro como um bem cultural desejável no âmbito familiar é tarefa para muitos anos. E o resultado, depois de grande investimento e trabalho, começaria a ser percebido em mais tempo do que dura um mandato de governo. Seria fundamental a implantação de política de Estado, que se sustentasse em todos os governos, ou apesar deles.

Com esse quadro, vivemos um boom literário no Brasil, de qualidade e quantidade, cuja explosão tem alcance ainda muito restrito. Num mundo perfeito, os livros vencedores de prêmios literários, pela divulgação que recebem, entrariam rapidamente para as listas de mais vendidos. Pessoas os leriam nos transportes públicos e exemplares permaneceriam nas vitrines das livrarias durante longo período. E não é o “mercado” que vai mudar essa situação.

Por isso vale repetir a dedicatória de Marcelo Maluf. Paralelamente aos grandes prêmios e eventos literários, precisamos olhar seriamente para o trabalho cotidiano da formação de leitores, o feijão com arroz que possa dar sustância na formação de consumidores de cultura livresca. São ações regulares, sistemáticas e pouco visíveis que, aplicadas em escala, podem fazer a necessária ponte entre os grandes livros e os potenciais leitores deles”.

O livro de Tostão e outras novidades

Publicação: 02/11/16
Em tempo de moral baixa como este em que estamos vivendo, nada melhor que ler este livro Tempos Vividos, Sonhados e Perdidos, de Tostão, Companhia das Letras, 200 páginas, R$39,90. “Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Tostão foi sempre um ponto fora da curva no esporte brasileiro. Leitor voraz, médico e professor, Tostão é um dos poucos atletas que se dedicou a refletir sobre o futebol. Seja como comentarista ou cronista, suas observações sempre foram muito além do desempenho deste ou daquele jogador. Em Tempos Vividos, Sonhados e Perdidos, Tostão revê as últimas seis décadas do futebol brasileiro à luz de uma vida dedicada a pensar o esporte. Mais do que uma autobiografia, o livro é um passeio pelos temas e ideias que Tostão cultivou, e dá ao leitor um acesso único não apenas ao jogador, mas também ao espectador, ao torcedor e ao fã”. 

Resistência
Enquanto o país inteiro embarca de volta no sistema arcaico de oligarquias políticas, velhas práticas clientelistas, um bando de jovens nos ensina como resistir e não virar parte da manada. O livro Escolas de Luta, de Antonia Campos, Jonas Medeiros e Márcio Ribeiro, Editora Venera, 352 páginas, R$49,90, conta toda essa história que se desenrola na sua frente, enquanto os conservadores chama esses meninos e meninas valentes de “vagabundos” e “maconheiros”. “No final do ano de 2015, surgiu um movimento social sem precedentes na história brasileira, tanto por sua dimensão quanto por suas táticas, quando mais de 200 escolas públicas estaduais de São Paulo foram ocupadas pelos seus alunos. Eles lutavam contra o plano do governo de fechar 94 escolas inteiras e centenas de turmas, realocando estudantes e superlotando salas. O caso das primeiras escolas ocupadas causou pânico das autoridades, que reagiram com ameaças e violência, mas foi impossível conter o movimento e o número de ocupações cresceu em uma velocidade impressionante - Zona Leste, Norte e Sul da Capital, Jandira, Mauá, Osasco, Ribeirão Pires, Santo André... De repente havia escolas ocupadas por todo o Estado, do interior ao litoral, dos centros às periferias. A Polícia Militar foi chamada por diretores desesperados e diversos casos de violência e sabotagem contra os estudantes foram registrados. Mas junto com a repressão também veio a solidariedade dos pais, de professores, das comunidades, de artistas, da sociedade. Os estudantes foram vitoriosos - forçaram o governador a recuar, suspendendo o projeto de reorganização escolar , e derrubaram o secretário de educação - e, logo em seguida, a mesma tática começou a ser utilizada por estudantes de outros estados na luta pela educação pública de qualidade. Este livro é uma tentativa de reconstruir a luta contra a reorganização da perspectiva deles e delas”.

Pobreza
O mais radical dos anticomunistas, o escritor George Orwell, tinha um olha bem particular sobre a pobreza. Aliás, seu anticomunismo se deve muito à sua antipatia pelo ditador russo Joseph Stálin e sua gestão de um regime soviético brutal. É interessante ver este Na Pior em Paris e Londres, Companhia das Letras, 256 páginas, R$35,92. “No final do anos 1920, decidido a tornar-se escritor, o jovem Eric Arthur Blair resolveu viver uma experiência pioneira e radical - submeter-se à pobreza extrema - e depois narrá-la. Em 1928, instalou-se em Paris com algumas economias e começou a dar aulas de inglês - mas em pouco tempo perdeu os alunos e foi roubado. Sem dinheiro, passou fome, penhorou as próprias roupas, trabalhou em restaurantes sórdidos e por fim partiu para a Inglaterra. Enquanto esperava por um emprego incerto, radicalizou ainda mais sua experiência convivendo intensamente com os mendigos de Londres, perambulando de albergue em albergue, atrás de dormida, comida e tabaco. É essa vivência miserável que Orwell relata com humor e indignação, distanciamento e participação”.

Aventura
Para encerrar nossas dicas de hoje aí vai Lugar Nenhum, de Neil Gaiman, Editora Intrínseca, 336 páginas, R$39,90. “Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura e se tornou um marco da fantasia urbana.

Bob Dylan é o Nobel de Literatura de 2016

Publicação: 19/10/16
Carlos de Souza
[ fcarlos@tribunadonorte.com.br  ]


Quando anunciaram o nome do músico Bob Dylan para o Prêmio Nobel de 2016 na semana passada. Pareceu que o mundo veio abaixo. Logo se formaram dois blocos antagonistas: um defendendo Dylan até a morte e outro detratando. Mas como pode, diziam, um músico ganhar um prêmio que é destinado a escritores? E as piadas e memes pipocaram nas redes sociais. Entre as mais engraçadas estavam, “Keith Richard vai ganhar o Nobel de Química”, Philip Roth vai ganhar o Grammy”, por aí vai.  Mas no calor da discussão, muita gente esqueceu uma coisa: Bob Dylan é a ponta final de uma tradição que se inicia com os trovadores medievais. O bardos provençais já cantavam seus poemas nas ruas, nas feiras, nos teatros, nos palácios. E indo mais longe, o cego Homero, provavelmente cantou seus versos na Grécia antiga. E para dar a martelada final no prego da discórdia, Bob Dylan também escreveu. Pelo menos dois livros, ele escreveu. Vamos conferir.
Bob Dylan é o ganhador do Prêmio Nobel de literatura deste ano
Infantil
Descubra os bichinhos peludos, fungadores, deslizantes da clássica canção de Bob Dylan, O Homem Deu Nome a Todos os Bichos, Editora Nossa Cultura, 32 páginas, R$43,00. “Desde seu surgimento, no memorável álbum Slow Train Coming, esta canção de influência gospel, com uma batida marcante, vem cativando pessoas de todas as idades. Agora uma nova geração pode apreciá-la como história, nesta encantadora adaptação ao formato de livro, repleto das brilhantes ilustrações de Jim Arnosky, sintonizadas com a Natureza e com o humor irreverente das letras de Bob Dylan. Esta edição de colecionador vem acompanhada por um CD com a canção, para que todos possam cantar com ele e gritar os nomes dos bichos ao final de cada estrofe”.

Ensaio
Aproveite e leia também este Poesia e Política nas Canções de Bob Dylan e Chico Buarque, de Ligia Vieira Cesar, Editora Novera, 207 páginas, R$50,00. Este estudo comparativo pretende examinar a ideologia e dos textos poéticos de Bob Dylan e Chico Buarque, na literatura de protesto surgida entre as décadas de 1960 e 1980.

Poesia
Existe uma edição de Tarantula, da Editora Brasiliense, de 1986. Se você não escondido lá no canto empoeirado da sua estante, corra porque os sebistas vão subir o preço. Na Estante Virtual já está custando R$116,00.  Mas se você gostar de ler em inglês, é possível adquirir um exemplar por R$41,20 no site da Livraria Cultura. É uma edição da Harpercollins, de 144 páginas. Escrito em 1966, Tarantula visa captar as preocupações de Bob Dylan em um momento crucial para o seu desenvolvimento artístico, apresentando a imaginação esquisita de um poeta laureado e popular que foi capaz de combinar a humanidade e a compaixão das raizes de seu país com o surrealismo lúdico da arte moderna. Os poemas e prosa nesta coleção refletem as preocupações que as pessoas encontram na música mais seminal de Dylan - um sentimento de protesto, a ludicidade verbal e espontaneidade, e uma crença na legitimidade artística do narrador da vida cotidiana e a excentricidade das ruas.

Raridade
Eu encontrei na Estante Virtual, um exemplar de Poemas 1, Coleção Rock On, volume 9, por R$65,00 mais frete. Aqui os leitores e fãs mais apaixonados vão encontrar as letras de Bob Dylan en estado bruto, traduzidas e prontas para a degustação dos leitores mais ávidos pela poesia do bardo americano. As letras de Dylan são imensa e funcionam como crônicas do cotidiano, revelando nas entrelinhas toda sua capacidade de desvendar os mistérios do mundo contemporâneo, a farsa, a mentira, a hipocrisia e a tragédia humana.

Curiosidade
O livro A Balada de Bob Dylan, de  Daniel Epstein, Editora Zahar, 524 páginas, R$R$51,90 conta, a partir de quatro concertos de Dylan (em 1963, 1974, 1997 e 2009), como o artista se reinventou diversas vezes ao longo da carreira - o jovem cantor folk, o roqueiro, o recluso hippie rural, o profeta, o pastor evangélico, o decadente e, por fim, o septuagenário reconciliado consigo mesmo. Em 'A balada de Bob Dylan', Epstein discute cada um dos álbuns, analisa as letras de suas músicas, e traz à tona o contexto sociopolítico e musical através das entrevistas com pessoas próximas ao cantor ao longo da carreira. O autor analisa ainda as circunstâncias em que os shows aconteceram, as mudanças no comportamento do público, as evoluções no repertório, as diferenças nos arranjos das músicas mais conhecidas e, por fim, os rumos de uma carreira artística considerada corajosa.


O universo ficcional de Marcia Denser

Publicação: 12/10/16
Carlos de souza
[ fcarlos@tribunadonorte.com.br  ]


Vamos percorrer hoje a obra literária de Marcia Denser, essa escritora paulistana, que é jornalista, pesquisadora de literatura e curadora da Biblioteca Sergio Milliet do Centro Cultural São Paulo. Ela ainda tem o charme de ter sido a escritora favorita do saudoso jornalista Paulo Francis (mas olha, no twitter ela é uma esquerdista feroz). Ela também é considerada a musa dark da literatura contemporânea nacional. Ambos os rótulos ela considera apenas “bobagens”. Ela possui “um estilo extremamente original, que já influenciou duas gerações de escritores”. Ela tem obras traduzidas e publicadas na Alemanha, Suíça, Holanda, Estados Unidos, Espanha e Bulgária. Vamos conhecer alguns livros dela.

Romance
Caim, Record, 144 páginas, R$47,90 e pode ser encontrado na Estante Virtual por R$7,80, “traz um texto muito mais descritivo, impressionista, antes um painel de vozes, sombra, crepitações, não preocupado com a fabulação. Uma história cuja estrutura se constrói com a linguagem, e vice-versa. O personagem principal desse livro é a linguagem. A fragmentação literária de sua construção, inspirada na sofisticada técnica narrativa de Mario Vargas Llosa, dá ao romance a forma de um mosaico. E é a aproximação e o cruzamento desses trechos que orientam o leitor na travessia de uma “ficção forçada a navegar por caminhos ainda mais reais que a realidade”.

Sucessos
Ela começou com dois livros de sucesso. Diana Caçadora e Tango Fantasma. Existe uma edição com esses dois livros: Exemplar da Editora Ateliê, 312 páginas, R$45,00. Você pode encontrar outro exemplar somente com Diana Caçadora, da Editora Ateliê, na Estante Virtual por R$33,75 mais frete. “Em um texto agridoce, no qual a ironia serve a um olhar sensível e perspicaz, a autora constrói uma ponte muito particular que permite ao leitor ir e voltar entre os anos 70, 80 e 90 - seus costumes característicos, as dores de cada tempo e, marco de todos eles, a fluidez dos seres. Márcia entrega-se, sem medo e com sarcasmo, à tarefa de escarafunchar, de aplicar todo o potencial de seu bisturi, à mão solta, para dissecar nossas fragilidades, nossa incapacidade de manter minimamente o fio da meada, até mesmo quando nos imaginamos seguros”, diz Bernardo Ajzenberg.

Contos

Marcia Denser também se destaca no gênero contos. Em Toda Prosa, Editora Nova Alexandria, 160 páginas, R$35,00 ela apresenta sete contos e duas novelas que compõem esta antologia de 'inéditos e dispersos', com apresentação de Italo Moriconi - crítico literário e organizador de Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século', do qual Márcia participa com dois trabalhos. O livro traz a singularidade da prosa poética de Márcia Denser, conhecida pelo seu forte tom intimista e sensual. Nas histórias, retratos de vidas plenas de fantasias ousadas, como a atrevida garota de 'O último tango em Jacobina', que leva às últimas conseqüências o desejo obsessivo de seduzir o mecânico de seu Porsche vermelho.

Mais contos
Política subversiva, dramas existenciais e virtualidade nos relacionamentos são alguns dos temas das novelas e contos reunidos na antologia Toda Prosa II, Record, 256 páginas, R$49,90 e pode ser encontrado na Estante Virtual por R$5,60. “Elementos do cotidiano - logradouros ou celebridades, álcool, música, publicidade, a noite, o cinema, grifes, literatura - dão mostra de uma escritora ímpar, entre o maldito e o pop mais fustigante, sem deixar de lado o refinamento da tonalidade poética”.

Curiosidade
Fuçando um pouco mais, encontrei na Estante Virtual este Exercícios Para o Pecado, Editora Philobiblion, por R$15,00 e é dedicado ao público infanto-juvenil. Não se com essa capa vai ser aceito por pais adeptos do projeto Escola Sem Partido, já que estamos vivendo esses tempos sombrios.

Coletânea
Marcia Denser também participa desta interessante coletânia intitulada Rock Book, Editora Prumo, R$25,00 mais frete na Estante Virtual; R$26,51 mais frete no site da Saraiva. São contos da era da guitarra, ao lado de outros contistas brasileiros. O livro reúne contos com uma mesma temática - o rock. Organizada por Ivan Hegen, a obra contém histórias de Márcia Denser, Glauco Mattoso, André Sant’Anna, Nelson de Oliveira, Luiz Roberto Guedes, Carol Zoccoli & Cláudio Bizotto, Alex Antunes, Danislau, Toni Monti, Xico Sá, Andréa Catrópa, Abilio Godoy, Carol Bensimon, Cadão Volpato, Antonio Vicente Pietroforte, Mario Bortolotto, Sergio Fantini, Andréa Del Fuego e Fernando Bonassi.