Fifa vem ao Brasil selar paz

Publicação: 2012-03-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Genebra (AE) - Sem seu maior rival em cena, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, chega amanhã ao Brasil na esperança de inaugurar uma nova era nas relações entre o governo brasileiro e a entidade e tentar passar a imagem de um fim de fato à era Ricardo Teixeira. Na sexta, Blatter se reúne com a presidente Dilma Rousseff. Mas não tem qualquer plano de se reunir com José Maria Marin, o novo presidente da CBF, em uma demonstração de que o cartola suíço e a presidente querem inaugurar um canal direto entre a Fifa e o governo, algo que estava fechado por conta da presença de Ricardo Teixeira.
Michael ProbstJoseph Blatter pretende insistir no pedido de desculpas ao BrasilJoseph Blatter pretende insistir no pedido de desculpas ao Brasil

Jerome Valcke, secretário-geral, não viajará ao Brasil para não alimentar polêmicas. Tanto Brasília quanto Zurique esperam dar um ponto final à crise gerada pelos comentários do cartola francês de que o Brasil mereceria um “chute no traseiro” por causa do atraso nas obras da Copa do Mundo de 2014. A viagem foi estipulada depois que tanto a Fifa quanto o Palácio do Planalto receberam indicações de que, sem Ricardo Teixeira no caminho, a Lei Geral da Copa deve ser aprovada nesta quarta no Congresso. Blatter e Dilma, portanto, usariam a ocasião para mostrar que a entidade e o governo estão finalmente em sintonia. No breve comunicado de imprensa publicado nesta terça e negociado cuidadosamente entre o Palácio do Planalto e a Fifa, a questão do poder na CBF e da saída de Ricardo Teixeira sequer são mencionados, justamente para deixar claro que ambos querem “virar a página” e trabalhar para garantir da Copa de 2014.

Depois de cinco anos de debates, a assinatura da Lei Geral é considerada pela Fifa como um entendimento de que as normas estão garantidas e não mudarão até 2014. Para o governo, é um sinal de que a Fifa entende que o Brasil não cederá a qualquer exigência.

Blatter não falará apenas da Lei Geral. A ordem é a de estabelecer uma agenda e um calendário para os próximos dois anos, na esperança de garantir que atrasos nas obras não voltem a ocorrer. A Fifa não esconde que, com a Copa das Confederações a apenas um ano e três meses e com o Mundial em dois anos, o Brasil terá de acelerar o ritmo dos trabalhos. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, estará presente ao encontro.

A viagem ainda dará uma mensagem política importante. Mesmo com um novo presidente assumindo a CBF, Blatter não colocou o encontro com Marin como sua prioridade. Até esta terça, não havia qualquer encontro entre os dois estabelecido, sob o argumento de que seria “cedo demais”.

A Fifa, nos bastidores, insiste que o COL precisa acelerar a definição das funções e poderes de cada cartola para garantir que o diálogo ocorra com aqueles que de fato tem o mandato para negociar. Sem saber o real poder de Marin, Blatter preferiu concentrar a viagem no encontro com Dilma.

Blatter também insistirá no pedido de desculpas pelos comentários de Valcke.

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