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‘Milagre’ multiplica a audiência

A porcentagem de residências urbanas com aparelhos de TV chegou a 40% em 1970, contra 9,5% em 1960. Foi a época do "milagre" econômico (1970-1973), quando, alimentado pelo fácil crédito internacional, o país cresceu em torno de 10% ao ano, numa euforia embalada por slogans ufanistas como "Brasil: ame-o ou deixe-o". No entanto, se um número maior de donas de casa podia ver novelas, devido ao crescimento da indústria de bens duráveis e à expansão do crédito, os indicadores sociais iam de mal a pior, conforme atestou o próprio presidente Emílio Garrastazu Médici: "A economia vai bem, mas o povo vai mal".

Além da produção de eletrodomésticos e automóveis, a siderurgia e a mineração tiveram grande impulso, graças aos fartos capitais estrangeiros e ao incentivo dado às exportações. Tudo controlado pela mão pesada do Estado. No reverso da medalha havia a brutal repressão política, o arrocho salarial das camadas mais pobres, o alto endividamento externo e os programas sociais inconsistentes. Era a época de gigantescos projetos de engenharia - alguns retumbantes fracassos, como a Transamazônica, e outros de êxito, como a usina hidrelétrica de Itaipu.

A crise do petróleo - que fechou a torneira dos investimentos externos - e o aumento da inflação decretaram o fim do "milagre", em 1973. O bolo da riqueza, que o ministro Delfim Netto afirmava precisar crescer antes de ser dividido, cresceu de fato. Mas a desigualdade na distribuição de renda no país, uma das maiores do mundo, permaneceu intacta.


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