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a s c í c u l o 1 5 Em 1990, o presidente Fernando Collor e sua mulher Rosane revelaram sua preferência musical numa entrevista: Leandro e Leonardo eram seus artistas favoritos na música brasileira. Era o aval de um presidente então considerado jovem e moderno a um velho gênero musical que ganhava nova roupagem, tanto literal - figurinos elaborados e cortes de cabelo atuais - quanto musical: o novo estilo sertanejo era feito com guitarra, teclados e alta tecnologia de estúdio. Fernando Collor também aproveitava para se irmanar com a preferência musical de uma fatia importante de seu eleitorado, a população rural. Esse novo sertanejo, representado por Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó e Zezé di Camargo e Luciano - e outras duplas vindas na esteira do sucesso desses, sempre espelhadas nos colegas consagrados - foi o primeiro dos gêneros musicais que substituíram o rock na preferência do público jovem nos anos 90. Gravadoras e empresários aproveitaram o aprendizado mercadológico da fase de maior sucesso do rock para transformar shows e CDs das duplas sertanejas em gigantescos sucessos comerciais. Outro gênero dos 90, o novo pagode - descendente mais comercial do gênero original, surgido nas rodas de samba de fundo de quintal que, nos anos 80, formou bambas como Zeca Pagodinho e Almir Guineto - também ganhou um tratamento mercadológico que antes era associado aos superastros de rock. O resultado foi um samba pop com metais e teclados, em melodias com pouco mais de três acordes. Mas o efeito sobre o público foi fulminante. Em 1998, o CD "Só Pra Contrariar 97" recebeu o disco triplo-diamante por três milhões de cópias vendidas. Como aconteceu com os grupos de pagode, os astros da axé music se beneficiaram do aumento do poder aquisitivo dos pobres, promovido pelo Plano Real, que favoreceu grandes vendagens. O ritmo nasceu nos trios elétricos da Bahia e ganhou praças, palcos e rádios nordestinas antes de se espalhar pelo resto do Brasil. Centrado na dança, quase sempre com apelo erótico, o estilo inclui uma gama eclética de artistas, que vai das dançarinas do É o Tchan até os mais tradicionais herdeiros do ritmo samba-reggae, como o Olodum e Daniela Mercury. O sucesso dos três gêneros fez com que a música estrangeira, sempre presente no mercado brasileiro, fosse praticamente banida dos primeiros lugares das listas de CDs mais vendidos e canções mais tocadas. Fato comemorado pelo pesquisador e jornalista Sérgio Cabral, para quem "a pior música brasileira é melhor do que a melhor estrangeira". |