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E tudo acabou em samba

Cazuza e a paz entreas galeras

Foi como uma declaração de guerra. No desfile da Estácio de Sá em 1991, o decadente roqueiro Serguei se equilibrava no alto de um carro alegórico, à frente de seringas descartáveis, insinuando uma relação indissociável entre rock e drogas. O enredo "Brasil, brega e kitsch" criticava a influência da cultura americana no Brasil: "O dólar é nosso dinheiro/ O meu samba dança rock/ Tudo falso verdadeiro", dizia o samba-enredo.

Mas o carnavalesco Mário Monteiro foi mais realista do que o rei. É verdade que o rock já foi visto como uma ameaça às "raízes" nacionais, mas nem todo sambista é xiita. Quando viu a alegoria, Paulinho da Viola, que comentava o desfile para a Rede Globo, protestou, dizendo que roqueiro não é necessariamente drogado.

A elegância de Paulinho prevaleceu. Em 1998, a Acadêmicos de Santa Cruz cantou Cazuza no enredo "O exagerado Cazuza nas terras de Santa Cruz", misturando linguagem de sambista - "Clareou, uma estrela vem surgindo" - com trechos de letras do homenageado: "O poeta está sorrindo e pede bis/ Pro dia nascer feliz". Eufóricos, os integrantes do Barão Vermelho vinham no alto de um carro. Depois da declaração de guerra da Estácio, estava selada a paz.


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