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a s c í c u l o 1 Portugal e Espanha viviam às turras por causa de territórios a que cada um julgava ter direito. Volta e meia, recorriam à intermediação da Igreja Católica. Por vezes o próprio Papa era acionado, como no caso das bulas “Romanus pontifex”, de Nicolau V, em 1454, referendando as conquistas portuguesas, e a “Inter cetera”, de Alexandre VI (de origem espanhola), em 1493, atribuindo à Espanha as terras encontradas por Colombo, apesar dos protestos de Portugal, que citava um tratado de 1480. Depois de muitas negociações, que envolveram a revogação das bulas anteriores pela “Dudum siquidem”, ainda de Alexandre VI, os dois reinos assinaram em 1494 o Tratado de Tordesilhas (vila situada no norte da Espanha), dividindo entre eles os mundos conquistados e a conquistar — sob a justificada indignação das outras nações européias, sobretudo a França, que jamais reconheceu a validade dessa partilha e logo faria questão de tornar explícito seu desagrado, apoiando discretamente a invasão de Villegagnon, em 1555. O tratado foi celebrado para contornar a situação criada com o feito de Colombo, mas os dois países ibéricos nunca estabeleceram exatamente qual o ponto do Arquipélago de Cabo Verde onde se começavam a contar as 370 léguas que demarcavam o meridiano decisivo — a oeste dele, tudo era espanhol; a leste, tudo português. Se o Tratado de Tordesilhas tivesse sido aplicado, Minas Gerais não teria nariz e amazo-nenses e goianos, por exemplo, falariam castelhano. |