F a s c í c u l o   1
Brasil, terra à vista: uma carta contra a neblina do tempo

O Descobrimento do Brasil é um mar de versões cercando uma ilha de certeza: a de que o ato de fundação da América portuguesa pecou por falta de transparência. A culpa, porém, não é de Pero Vaz de Caminha, o escrivão que redigiu a primeira peça literária do Brasil, dando ao rei de Portugal, D. Manuel I, a notícia da descoberta. Numa expedição nebulosa, é um tesouro de clareza essa carta — onde, curiosamente, não aparece a famosa frase “Em se plantando, tudo dá”, da mesma forma que no filme “Casablanca” ninguém diz “Play it again, Sam”.

Quando avistou o Monte Pascoal, na Bahia, na tarde de 22 de abril de 1500 (o desembarque só ocorreu no dia seguinte), a frota de 13 embarcações e 1.500 homens (3% da população de Lisboa) com que Pedro Álvares Cabral saíra de Lisboa navegava há 44 dias e já tinha perdido um navio, mas estava no início de sua missão. De lá, seguiria para as Índias a fim de dar aos nativos, que não haviam recebido Vasco da Gama com a deferência necessária, uma mostra de força.

Integravam a frota todos os principais navegantes do reino, como Bartolomeu Dias. Surpreendentemente, o comandante Cabral era um fidalgo que tinha muito pouca experiência no mar.


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