F a s c í c u l o   2
E tudo acabou em samba

Na Imperatriz, Adão e Eva viram nativos

Peruca loura, fantasia de navegante e cartola, a comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense em 1992 deixava claro que o enredo “Não existe pecado abaixo do Equador”, inspirado no livro “Visão do paraíso”, de Sérgio Buarque de Holanda, falava do Novo Mundo do ponto de vista dos descobridores, não dos brasileiros. Um lugar onde papagaio vira anjo, Adão e Eva são índios e o fruto proibido é o maracujá: no imaginário europeu dos séculos XV e XVI, as novas terras seriam o Jardim do Éden.

A Descoberta da América, que completava 500 anos em 92, foi o ponto de partida da carnavalesca Rosa Magalhães. O desfile começava com alas lembrando a Corte espanhola. A partir daí, muita imaginação: baianas fantasiadas de sereias, alas de sacis, lobisomens, caiporas, alegorias representando onças aladas e amazonas.

Tudo muito bem pensado. Talvez até demais. Do carnaval de 92, ficaram a (primeira) vitória da Estácio com “Paulicéia desvairada — 70 anos de modernismo”, o incêndio de um carro da Viradouro e a homenagem da Mangueira a Tom Jobim. Do excelente desfile da Imperatriz, a terceira colocada, pouca gente se lembra. Nenhuma surpresa: Rosa Magalhães sempre comoveu mais os jurados do que a platéia.


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