F a s c í c u l o   3
E tudo acabou em samba

Uma só idéia e enredos às centenas

"Casa-grande & senzala" foi mais do que fonte de inspiração para os carnavalescos. A idéia de que no Brasil as raças convivem em harmonia rendeu centenas de enredos: índios, brancos e negros se juntam para formar o país e a mistura acaba em samba. Disseram isso desde a Unidos do Viradouro de Joãosinho Trinta em 1995, com "O rei e os três espantos de Debret" ("Índios, brancos e negros, em harmonia racial/ Exaltando a natureza desse país tropical") à simplória Unidos do Jacarezinho em 98, com "Etnias em festa na Sapucaí".

No entanto, foi com a Mangueira, em 1962, que o clássico das ciências sociais virou clássico na avenida. "Casa-grande & senzala", de Zagaia, Comprido e Leleo, é obrigatório em antologias e já nasceu unânime: o concurso de sambas na escola não foi até o fim porque os rivais retiraram sua candidatura.

Consta que o desfile, preparado com a ajuda do pesquisador Edison Carneiro, se deu sob gritos de "é campeã" e elogios dos jornais. Mas o júri pôs a Mangueira em quarto lugar. Polêmica à parte, o samba fez boa tradução do livro - para o bem e para o mal. "Pretos, escravos e senhores/ Pelo mesmo ideal irmanados", cantou a verde-e-rosa. Mas quem disse que o carnaval foi feito para desfazer ilusões?


p r i n c i p a l