F a s c í c u l o   4
O método e a falta de razão

O Santo Ofício se alimentava de ampla rede de delatores, movidos por razões muitas vezes obscuras. À delação se seguia a prisão do acusado e sua apresentação ao tribunal, no Estaus, sede da Inquisição em Lisboa (no Brasil, o réu era preso até ser levado a julgamento na metrópole).

O Estaus era um DOI-Codi do regime monárquico português: como no regime militar instaurado no Brasil em 1964, podia-se até sair vivo dos porões, mas não sem uma passagem pelo inferno. Submetidos a sessões de tortura nos potros e polés, os presos acabavam confessando crimes imaginários. De tempos em tempos, a Inquisição promovia autos-de-fé, procissões aparatosas para celebrar a reintegração dos hereges e pecadores à Igreja e a excomunhão dos irrecuperáveis. Estes eram então "relaxados", isto é, entregues à justiça comum, manobra pela qual a Igreja imaginava se livrar da autoria da morte. O fim era o garrote ou a fogueira.


p r i n c i p a l