F a s c í c u l o   4
Eles tentaram de Norte a Sul, mas o Brasil não falou francês

Os franceses já estavam de olho no Brasil desde o seu descobrimento. Por todo o século XVI, corsários percorriam o litoral e faziam negócios com os índios nas barbas dos portugueses, obtendo grandes quantidades de pau-brasil. Até aí, tiveram relativo sucesso. No entanto, o ambicioso sonho de fundar uma colônia no Atlântico Sul naufragaria duas vezes.

A França Antártica, criada pelo almirante Nicolau Durand de Villegagnon onde é hoje o Rio de Janeiro, teve duas motivações básicas: a busca de refúgio para os calvinistas perseguidos na França e o descaso de Portugal com o Sul do Brasil. As centenas de franceses que chegaram em 1555 construíram um forte na ilha que leva hoje o nome de Villegagnon e consolidaram sua amizade com os índios tamoios.

Mesmo com o apoio, por baixo dos panos, da Coroa francesa, o sonho durou apenas cinco anos. Em 1560, o governador-geral Mem de Sá enviou uma poderosa frota e forçou os franceses a se refugiarem no interior. Villegagnon tinha ido embora a essa altura, hostilizado pelos colonos por conta de suas atitudes despóticas.

A resistência francesa durou até 1567, sempre em emboscadas. Portugal iniciou o povoamento permanente em 1565, quando Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, fundou o Rio de Janeiro. Corsários franceses ainda voltariam ao Rio em 1710 e 1711, sendo expulsos nas duas oportunidades.

A invasão do Maranhão ocorreu em 1612, com a criação da França Equinocial. Mais uma vez, o bom relacionamento dos franceses com os índios facilitou a implantação de uma comunidade em torno do Forte de São Luís, núcleo da futura capital do Maranhão. Comandados por Daniel de la Touche, os franceses rechaçaram os ataques dos "patriotas" durante dois anos. Em 1615, no entanto, o mameluco Jerônimo de Albuquerque recebeu reforços e conseguiu expulsá-los. Os franceses teriam de esperar mais de dois séculos para invadir novamente o Brasil, dessa vez pela cultura - e com sucesso.


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