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a s c í c u l o 5 Por três séculos, a escravidão e a grande lavoura foram a base do sistema colonial brasileiro. Com a Revolução Industrial e a nova ordem internacional, essa estrutura entrou em crise. O mercado exigia modernização, tornando obsoleta e cara a mão-de-obra escrava. Influenciado por idéias liberais e pela emancipação política das colônias americanas, o Brasil tornou-se independente. Mas sua estrutura econômica ficou inalterada: o país continuava fornecendo matéria-prima e importando manufaturas. O poder dos senhores de engenho superou as pressões inglesas pelo fim do tráfico de africanos, que resistiu a várias medidas restritivas. O último carregamento ocorreu em 1856. A idéia da libertação ganhou as ruas a partir de 1850, quando a escravidão já se tornava um mau negócio. Em 1865, 80% do território brasileiro estavam nas mãos de grandes senhores e o restante, com o governo. Consciente dessa estrutura, o abolicionista Joaquim Nabuco defendia reformas sociais (agrária, legislativa e de costumes), que não vieram nem com a República. Para o teórico de comunicação Muniz Sodré, a Abolição marcou a passagem do racismo de dominação para o de exclusão, escamoteado em teses como a da democracia racial. Os negros ficaram fora do novo pacto social. A questão chega sem solução ao terceiro milênio, meio século depois da Lei Afonso Arinos, que transformou atos de racismo em contravenções penais. Na nova lei, de 13 de maio de 1997, racismo virou crime e pode dar cadeia. |