F a s c í c u l o   5
E tudo acabou em samba

Sai de cena a princesa, entra Zumbi

"Valeu Zumbi." Com esse verso, resumo do enredo "Kizomba, a festa da raça", a Unidos de Vila Isabel conquistou duas vitórias: ser a campeã de 1988 e marcar o centenário da Abolição com a idéia de que o herói da festa é Zumbi. Até então, a protagonista era a princesa Isabel.

Em 1960, Fernando Pamplona fez "Quilombo dos Palmares" para o Salgueiro e venceu, dividindo o título com outras quatro escolas. Era forte, então, a idéia de que a liberdade fora uma concessão. Em 1968, a Unidos de Lucas cantou em "Sublime pergaminho": "A princesa chorou ao receber a rosa de ouro papal (...)/ E o negro jornalista (José do Patrocínio)/ De joelhos beijou sua mão".

Com "Kizomba", uma idéia de Martinho da Vila, tudo mudou. Sem quadra, patrono ou carnavalesco famoso, a Vila Isabel deu seu recado sem panfletarismo: "Valeu Zumbi, o grito forte dos Palmares/ Que correu terra, céus e mares/ Influenciando a Abolição", dizia o samba-enredo de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila.

Um ano depois, "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", da Imperatriz Leopoldinense, cantou: "Pra Isabel, a heroína, que assinou a lei divina/ Negro dançou, comemorou/ O fim da sina." Dessa vez, a gratidão soou como retrocesso. Valeu Zumbi.


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