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a s c í c u l o 6 A música brasileira nos séculos XVII e XVIII era produzida em grande parte por membros de irmandades e confrarias - associações voluntárias com propósitos religiosos e sociais. Reproduzindo a divisão social no país, mantinham-se separados pobres e ricos; negros, brancos e pardos. Para cada segmento havia uma confraria. Todas competiam entre si nas festas e celebrações, em especial nos dias dos seus santos padroeiros. Se essa competição perpetuava o segregacionismo, culturalmente ela foi fundamental para cristalizar um estilo. Segundo o musicólogo Maurício Soares Dottori, enquanto, na Europa, a Igreja adaptou canções seculares como religiosas, incluindo óperas e músicas folclóricas, no Brasil a base foram canções populares ibéricas e melodias indígenas. Num país de escravos, muitos compositores eram negros livres. O mais famoso músico brasileiro do período foi o padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), chamado pelo crítico Luiz Paulo Horta de "Mozart da Rua das Marrecas". Mulato, filho de mãe negra e pai português, incorporou influências clássicas européias às suas composições. Em sua casa, na Rua das Marrecas, no Centro do Rio de Janeiro, formou uma geração que daria origem ao Imperial Conservatório de Música. Padre José Maurício foi considerado pelo compositor austríaco Sigismund Neukomm, que esteve no Rio entre 1816 e 1821, "o maior improvisador do mundo". Mestre de capela de d. João VI, escreveu 20 missas, centenas de peças sacras, uma sinfonia e até uma ópera. Sua produção teve também influência da modinha, ritmo popular surgido a partir de 1780, presente mesmo nas obras religiosas. Seu grande rival foi Marcos Portugal, considerado o grande músico do Reino, que chegou ao Rio em 1811. Este, além de vasta produção erudita, deixou inúmeras modinhas. Embora o centro de referência musical ficasse no eixo Minas-Rio, em todo o país surgiram importantes manifestações, como a dos charameleiros - conjuntos de escravos que tocavam nas festas religiosas de Pernambuco. E a música dos barbeiros, surgida a partir de 1750, feita por escravos que tinham aprendido, além de música, o ofício de barbeiro, costuma ser considerada uma ancestral do chorinho. |