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a s c í c u l o 7 O Rio tem hoje um dos mais importantes jardins botânicos do mundo, mas correu o risco de possuir, no máximo, uma grande fazenda de chá e cravo-da-índia. Era esta a intenção de d. João VI ao criar o Jardim da Aclimação, em 13 de junho de 1808, ao lado da fábrica de pólvora que mandara instalar: aclimatar as especiarias vindas das Índias Orientais, ainda muito valorizadas na Europa. Oliveira Lima, em seu livro "Dom João VI no Brasil", conta que d. Rodrigo de Souza Coutinho, ministro do monarca, tinha a esperança de propagar a cultura do chá, "quiçá a ponto de suprir todo o mercado europeu, que recebia de muito mais longe o seu fornecimento". Em 1817, eram seis mil os pés de chá plantados na Fazenda de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, área do antigo engenho de cana-de-açúcar de Rodrigo de Freitas. Tão empenhado estava o Governo nessa empreitada que chegou a trazer centenas de trabalhadores chineses para cuidar da erva. A tentativa, no entanto, não deu certo: a bebida quente que iria aquecer a economia brasileira seria mesmo o café. O Jardim da Aclimação manteve por pouco tempo o nome. Quatro meses depois de criá-lo, d. João, embevecido com a beleza do local, promoveu-o a Real Horto e, em seguida, a Real Jardim Botânico. As primeiras plantas foram trazidas das Ilhas Maurício por Luiz de Abreu Vieira e Silva, mérito que lhe rendeu uma medalha de ouro. Entre sementes de canforeira, abacate e moscadeira, estava a Palma Mater, a primeira das palmeiras imperiais. Menina dos olhos do monarca, ela sucumbiria a um raio em 1972. O Jardim Botânico funcionou como parque privativo da realeza até 1822, quando foi aberto à visitação pública. Hoje, tem 830 mil metros quadrados de floresta e 540 mil metros quadrados cultivados - chá, só como espécie catalogada, ao lado de outras 6 mil, num total de 40 mil plantas (fora as 5.500 árvores), uma biblioteca especializada em botânica, com 66 mil volumes, e um instituto de pesquisa e desenvolvimento de projetos. O chá não faz a menor falta. |