F a s c í c u l o   8
E tudo acabou em samba

Debret, tema e referência de uma época

Debret está para o carnaval assim como Tarzan e Frankenstein estão para o cinema. Se mais de um cineasta já deu a sua versão para esses personagens, o pintor inspirou vários enredos, como tema ou como referência visual de época - presente, por exemplo, no desfile da Imperatriz Leopoldinense em 1996, sobre Leopoldina. A alegoria representando a chegada dela ao Brasil lembrou o quadro "O desembarque da arquiduquesa Leopoldina".

Como tema, há desde o clássico do Salgueiro em 1959 - quando o casal Dirceu e Marie Louise Nery (ele pernambucano e ela suíça) assinaram "Viagem pitoresca e histórica ao Brasil" - até a tentativa de Joãosinho Trinta de fugir do comum na Viradouro, em 1995: "O rei e os três espantos de Debret".

Se, no caso do Salgueiro, o espanto foi das costureiras, que estranharam receber ordens de uma gringa, no desfile da Viradouro havia sustos reais e imaginários: o que o pintor sente ao desembarcar numa cidade exuberante; o de visitar novamente o Rio, reencarnado, e reconhecer nos camelôs os sucessores dos tipos que retratou; e a emoção de ver sua vida contada num desfile de escola de samba. O quarto espanto foi involuntário: apesar da ousadia, a Viradouro foi apenas correta.


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