F a s c í c u l o   9
E tudo acabou em samba

O samba é um primor; já o desfile...

Uns culpam o temporal; outros dizem que a quebra de alegorias foi fatal; há quem fale em divisão interna na escola. Não existe explicação unânime para um dos maiores paradoxos da história do carnaval: em 1976, quando a Em Cima da Hora cantou "Os sertões", baseado no livro de Euclides da Cunha, ficou em 13 lugar e desceu para o segundo grupo. O samba sobre Canudos é considerado o melhor da história por muita gente que entende do assunto.

A saga de Antônio Conselheiro foi contada com melodia cadenciada e letra cheia de imagens do sertão árido, um lugar onde "morrem as plantas e foge o ar", nas palavras do compositor, o mecânico Edeor de Paula. Não poderia ser muito diferente: Euclides conta uma tragédia em que se estima terem morrido 25 mil pessoas.

Se o conteúdo era pertinente, foi um problema para a Em Cima da Hora. Há quem atribua a derrota ao samba, por tocar na ferida numa festa em que o objetivo é "mandar a tristeza embora". Mas seria injusto culpá-lo sozinho. Na tarde de domingo, quando a escola (a primeira a desfilar) já estava concentrada, caiu forte temporal. Dois carros alegóricos quebraram. Parte dos jurados foi impugnada. Uma tremenda confusão. Talvez seja essa a sina de Canudos.


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