|
|
|
A vida em Lisboa A vida na corte era difícil: riqueza e pobreza dividiam o reino de Portugal. No porto de Lisboa escoavam as riquezas de toda a Europa Os batedores de carteiras circulavam pelas ruas próximas ao porto mais movimentado do mundo, em Lisboa no ano de 1500, época do descobrimento do Brasil. As mulheres, aos gritos, vendi-am cuscuz e tripas cozidas naquela cida-de de contrastes. A vida na corte era difí-cil: riqueza e pobreza dividiam o reino de Portugal, governado pelo rei Manuel I. A marginalidade emergente das ruas de Lisboa somava-se às tramas engen-dradas nos castelos, onde os segredos das expansão marítima eram trancafia-dos a sete chaves, protegidos dos espiões italianos e espanhóis, que ofereciam for-tunas pelos os mapas com as rotas ex-clusivas dos portugueses. Para se ter noção do quanto os mapas e os segredos da indústria naval eram importantes para a Coroa Portu-guesa, dom João II, antecessor de dom Manuel, punia os traidores com a forca, mas antes, exibia seus requintes de cruel-dade: mandava costurar a boca dos trai-dores com anzóis. Pelo porto de Lisboa entravam e saíam as riquezas do mundo ocidental no século XV e XVI. Lisboa tinha nesse período cerca de 60 mil habitantes, sen-do empório de produtos europeus, asiá-ticos e africanos. As ruas e becos eram estreitos e sinuosos - as dezoito mil ca-sas na época eram amontoadas e tinham poucas janelas, chegando a ter três anda-res. Nelas, também moravam os mou-ros e africanos, minorias discriminadas. Em 1500, Portugal tinha 1,2 milhão de habitantes. Um censo feito na época com propósito de cobrar impostos en-controu em Lisboa 270 ruas e 89 becos, pavimentados com lajes desiguais. No rio Tejo, porta aberta de Lisboa para o mundo, os lisboetas jogavam seus dejetos. O lixo era despejado nas ruas. Os portugueses não gostavam de tomar banho e não tinham bons hábitos higiê-nicos. Nas casas não havia banheiro e, por isso, a peste rondasse pela Lisboa manuelina. Por causa de toda a sujeira que era despejada nas ruas e a falta de higiene dos moradores da cidade mais importantes de Portugal, o país passou por sucessivas epidemias de peste. Nem os conselhos dos médicos para que a população tomasse banho conseguiram mudar os hábitos dos liboetas. A peste chegou a matar quase metade dos habitantes de Portugal, que só estabilizou depois do século XVII. O poeta português Fernando Pessoa, num de seus poemas, fala da importância desse rio: "... E o Tejo entra no mar em Portugal ... Pelo Tejo vai-se para o mundo..." Enquanto a esquadra desli-zava ao meio-dia com direção ao Atlân-tico, o lisboetas seguiam sua vida normal. O dia na cidade começava com o pregão dos vendedores. Verbete 1 - O crescimento de Lisboa como centro cosmopolita obrigou a Coroa a se transferir de Lagos para a capital do reino com o objetivo de controlar de perto o comércio ultramarino. Verbete 2 - As péssimas condições de higiente em Lisboa dos séculos XIV a XVI, levou a população enfrentar várias epidemias de peste. Isso obrigava a nobreza afastavar-se da capital do reino, mas isso não impediu que a rainha Filipa de Lencastre, mulher do primeiro rei Dom João I, em 1415, morresse de peste.
|