Diário de bordo

Pela manhã, as âncoras foram lançadas à boca de um rio. Entre sete e oito homens apareceram na terra. "Parados, nus, sem coisa alguma"

O registro mais preciso da descoberta do Brasil é a Carta de Pero Vaz de Caminha. Nela há a discrição da viagem entre Lisboa e o litoral baiano. Depois de dias navegando , a 21 de abril de 1500 os marujos estavam eufóricos, corriam para a murada das naus, com intuito de descansar a vista sob al-gum ponto de terra no horizonte. Os lusitanos encontraram no mar algas chamadas de botelho ou rabo de asno, numa quantidade muito grande. Foram 44 dias de uma jornada mar adentro, em busca de um novo mundo. A Quarta-feira, 22 de abril de 1500, foi abençoada pelo aparecimento de gaivotas que os homens chamam de fura-buchos e são sinais certos de continente próximo.

Pero Vaz de Caminha narra: "Neste mesmo dia, a horas de véspera (período de entre 15h e o pôr do sol), houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, mui alto e redondo, e de outras serras mais baixas ao sul dele (...)." A terra plana com seu denso arvoredo chamada de Terra de Vera Cruz. O monte avistado pelo capitão Pedro Álvares Cabral foi chamado de Monte Pascoal, pois a Páscoa havia sido celebrada no domingo anterior.

Acompanhe como foram os primeiros dias na nova terra descoberta.

Quinta-feira, 23 de abril

Pela manhã, as âncoras foram lançadas próximo à boca de um rio. Entre sete e oitohomens apareceram na terra. "Parados, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos (...)", narra Pero Vaz.

Nicolau Coelho, considerado um dos maiores navegadores de todos os tempos, faz sinal para os índios baixarem seus arcos, e eles atendem. Além da barreira da língua, o mar agitado também interrompeu a tentativa de comunicação.

Mas o contato amistoso foi mantido. Os lusitanos presentearam o gentio com barretes (gorros) vermelhos, carapuça de linho e chapéu. Receberam em troca cocar indígena e colar de contas.

Sexta-feira, 24 de abril

A esquadra se dirige na direção norte, na tentativa de encontrar "alguma brigada e bom pouso", descreveu Caminha. Lenha e água eram as necessidades essenciais dos homens. Uma baía, capaz de abrigar a esquadra, foi encontrada. Hoje, este local é conhecido com baía Cabrália.

O piloto da na capitânia, Afonso Lopez, leva dois homens a bordo. A inocência destas criaturas e seus beiços furados por ossos chamaram a atenção dos portugueses, conforme narra a carta de Pero Vaz de Caminha.

O colar de Cabral e o castiçal de prata são apontados pelos nativos que também indicam a terra como se quisessem dizer que o "novo mundo" tinha mistérios. Mas, a eles, as riquezas eram desprezadas, enquanto as contas do rosário lhe eram muito mais atrativas.

Sábado, 25 de abril

Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias vão em terra e levam os índios de volta. Dois degredados, Afonso Ribeiro e outro com nome desconhecido, são enviados a terra para saber como vivem os indígenas, os dois convidados portugueses desembarcam e vão esconder seus presentes.

Cerca de 20 nativos permancem na praia, ajudando a encher tonéis com água. Dias e Coelho distribuíam miçangas aos índios. Chamam a atenção de Caminha os trajes usados pelos indígenas. Um de mais idade, cheio de penas no corpo, lembrava São Sebastião. Naquela tarde, eles desceram num ilhéu grande (banco de corais).


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