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A vida nos porões Nos porões das caravelas e naus que proporcionaram aos portugueses a hegemonia nas descobertas do novo mundo, havia mortes e doenças Nos porões das caravelas e naus que proporcionaram aos portugueses a hegemonia nas descobertas do novo mundo, havia mortes, doenças, abuso sexual de meninos e adolescentes - mulheres eram vetadas nessas viagens - fome, discriminação social, lutas in-ternas e com outros povos, e naufrágios. De cada dez homens embarcados qua-tro não voltavam a Portugal, nos séculos XV e XVI. A tripulação dos navios era composta por voluntários contratados e gente recrutada à força nas ruas de Lisboa. O desconforto a bordo era grande, e a rigidez na disciplina, comparada à dos quartéis. A dieta era controlada e a distri-buição dos alimentos, em partes iguais, estabelecida por regimento interno. Os navios levavam marinheiros, tripulantes, grumetes, artesãos, carpinteiros, calafates e tanoeiros, indispensáveis à viagem, e soldados, além de religiosos - na viagem de Cabral ao Brasil eram quinze entre freis, vigários e capelães. Nas caravelas e naus eram levadas, ainda, ca-nhões e peças de artilharia. A base da dieta eram duros biscoitos de água e sal (bis= dois e coctus= cozido) cozidos duas vezes para durar mais tempo. A direta era completada com mel, pescado, gordura, grãos, açúcar, sal e vinagre. Cada tripulante, independente de sua classe, recebia por dia, um litro e meio de água e um litro e meio de vinho, além de quinze quilos de carne salgada, por mês. A água era de péssima qualidade, ti-nha mau cheiro e causava diarréias. Por isso, muitos faziam suas necessidades, ali mesmo, no porão. Não havia banheiro nos navios e os viajantes recorriam a pequenos assentos pendurados sobre a amurada dos navi-os. Alguns usavam galerias da popa como banheiro. Ninguém se lavava pois o banho era considerado nocivo à saúde. No "corcovear" das ondas em alto mar, os marujos vomitavam sujando-se uns aos outros. Somente o capitão e um despenseiro possuíam as chaves dos paióis de ali-mentos eram submetidos a uma rigoro-sa vigilância porque havia roubos de alimentos. As naus eram um amontoado de capoeiras, jarras, despensas, caixas, tonéis e canastras e, por isso, a maioria dos marinheiros e tripulantes pobres era obrigada a dormir no convés, sujeitos ao frio, à chuva e ao calor. Essa desorganização por falta de es-paço contribuía para a proliferação de ratos e baratas, que disputavam com os homens, os alimento, comprometendo as condições de higiene a bordo. A falta de alimentos frescos e o mal armazenamento favoreciam doenças como o escorburto, conhecido como mal das gengivas ou mal de Luando, provocado pela carência de vitamina "C" no organismo. As gengivas enegre-cidadas e apodrecidas eram cortadas nas piores condições. Eram comuns doen-ças pleuropulmonares nas regiões mais frias e o mal das calmarias, que levavam os tripulantes a alucinações e depressão, eram passageiros sinistros das expedi-ções. Não havia médicos a bordo. O lazer era proibido pelos padres, que condenavam os jogos de cartas, dados. A recomendação era de agir com calma e permitir a jogatina a bordo, apesar das advertências dos religiosos. Depois de uma tempestada no cabo das Tormentas, na ida da esquadra de Cabral para a Índia, os padres disseram que aquilo seria um castigo por causa da so-domia à bordo. Na expedição de Cabral às terras desconhecidas, 10% (150 pessoas) eram crianças e adolescentes entre nove e quinze anos de idade, recrutados com-pulsoriamente, ou alistados pelos própri-os pais, que embolsavam o soldo dos meninos. Esses meninos eram colocados como grumetes (função mais inferior a borda). Faziam as piores tarefas como lavar o convés, limpar os excrementos, costurar velas. Também eram recruta-dos como pajens dos oficiais. A vida dos "miúdos" era um inferno. Muitos sofri-am abusos sexuais porque não havia mulheres à borda das expedições de descobrimento. Conviviam, também, com degredados e criminodos, cuja pena era comutada com o exílio. Uma viagem à Índia durava cerca de cinco meses. Verbete 1 - Nas viagens dos descobrimentos, os capitães e oficiais eram privilegiados. Só eles podiam levar animais como galinhas, porcos, cabritos e até vacas. Verbete 2 - A presença de mulhres nas viagens nas viagens à Índia e ao Brasil só foram permitidas depois que se tornaram rotinas nos séculos XV e XVI. As escolhidas eram mulheres órfãs ou ex-prostitutas, enviadas para casar com colonos portugueses. Verbete 3 - O escorbuto, falta de vitamina C no organismo, era uma doença comum a bordo nas viagens, porque faltavam alimentos frescos. Um dos sinais da doença era o inchaço e escurecimento das gengivas que eram cortadas. Isso causava infecção e outros males nos doentes, que chegavam a morrer por falta de tratamento.
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