Quase amigos

Apesar de estarem cada vez mais 'a vontade com os portugueses, os índios não permitiam que eles ficassem na aldeia nem que pernoitassem

Domingo, 26 de abril

O Capitão-mor, Pedro Álvares Cabral, determinou que os capitães fossem "ouvir missa e sermão, naquele ilhéu". O frei Henrique de Coimbra, em voz entoada, celebrou a missa. "Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente (índios), com seus arcos e setas, e andava folgando", ressalta Caminha.

Os índios olharam e sentaram. Após a missa, eles dançaram. Diogo Dias, irmão de Bartolomeu, brincou com os índios. Eles dançavam soltos, e Diogo fez com que dançassem de mãos dadas. As piruetas que ele deu também chamaram a atenção dos índios.

Segunda-feira, 27 de abril

Apesar de ficarem cada vez mais à vontade com os portugueses, os índios não permitiam que eles ficassem na aldeia. O degredado Afonso Ribeiro, e Diogo Dias, que havia feito amizade com os indígenas, foram até a aldeia.

Lá, observaram as casas compridas, feitas de madeira e cobertas por palha. No local estavam várias redes, com fogueiras embaixo. Cada casa abrigava entre trinta e quarenta pessoas. Os índios comiam inhame "e outras sementes que na terra há", menciona Caminha.

Mesmo tendo recebido os brancos, os índios nã aceitaram que eles pernoitassem na aldeia.

Terça-feira, 28 de abril

Os portugueses vão a terra para fazer lenha e lavar roupa. Mesmo viajando há dois meses, não há registros de banho por parte dos homens da esquadra de Cabral. Os índios aparecem sem seus arcos e flechas. Eles não se esquivaram e ajudam a carregar lenhas para os batéis (pequenas embarcações). Dois carpinteiros começam a construir uma cruz.

Quarta-feira, 29 de abril

Os portugueses não vão a terra. Mas os índios aparecem em grande quantidade na praia. Perto de uns 300.

Quinta-feira, 30 de abril

Os índios aparecem para trocar arcos e flechas por carapuças. O capitão orienta que os outros vão até paraia, onde está a cruz. Eles ficaram de joelhos e beijaram a cruz. Os índios fizeram o mesmo. "Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos (...)", narra Pero Vaz de Caminha.

Outro fato chamou a atenção do escriba português. "Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem", explica.

Sexta-deira, 1.º de maio

Com a bandeira, os homens desembarcaram rio acima. Os religiosos e sacerdotes iam à frente da procissão. Frei Henrique de Coimbra e seus freis rezaram a missa. Ao final da celebração, o Frei pregou o evangelho e falou sobre "tão santa e virtuosa" missão dos portugueses.

Foram distribuídas cruzes de estanho entre os presentes. A intenção dos portugueses, ao erguerem a cruz, foi representar não só como símbolo de sua fé, mas para tomar posse do novo território. Além disto, serviria para sinalizar o local para futuras expedições.

Sábado, 2 de maio

Data da saída de Cabral para a Índia.


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