30 anos perdidos

Para Dom Manuel, as Índias, apesar de todas as suas precariedades, eram muito mais interessantes. Foram 30 anos de descado e esquecimento de Portugal

As três décadas perdidas - os 30 anos depois do descobrimento - são chamadas assim em função do descaso de Portugal com o Brasil. A missão de reconhecimento, capitaneada por Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio, não trouxe boas notícias para o rei de Portugal, Dom Manuel. As Índias, com suas especiarias, eram muito mais interessantes para os lusitanos.

"(...) e nessa costa não vimos coisa de proveito, exceto uma infinidade de árvores de pau-brasil e de cássia (...) e já tendo estado na viagem bem dez meses, e visto que nessa terra não encontrávamos coisa de minério algum, acordamos nos despedirmos dela", conta Américo Vespúcio na sua carta Lettera, narrativa da sua primeira viagem de reconhecimento ao Brasil entre maio de 1501 e setembro de 1502. Vespúcio percorreu o litoral do Rio Grande do Norte à Argentina.

Nessa expedição, foi batizado o Cabo de Santo Agostinho. Já em 1503, descobriram um porto a quem denominaram de Baía de Todos os Santos.

Conhecendo a Terra de Vera Cruz , Vespúcio defende que ela faz parte de um novo continente e não o limite ocidental entre o Japão e as Índias, como Cristovão Colombo dizia. Graças ao sucesso da carta onde Vespúcio narra a sua viagem, o continente passa a se chamar América.

Sobre essas cartas pairam suspeitas de que elas não são verídicas, e que pode Vespúcio não ter feito o que diz ter feito. Mesmo assim, a Mundus Novus, que trata da sua vinda ao Brasil, fez sucesso na época, comparando-se aos best sellers de hoje. Nesta primeira viagem, Véspúcio também narra a antropofagia dos índios encontrados aqui.

Por volta de 1504, D. Manoel resolve arrendar a Terra de Vera Cruz a um consórcio de cristãos novos. Seriam pelo menos dez anos do Brasil transformado em uma fazenda de onde se retirava pau-brasil. Era quase uma propriedade de Fernão de Noronha, o líder do consórcio.

O pau-brasil crescia entre o Rio Grande do Norte e o Rio de Janeiro, em meio à Mata Atlântica. As primeiras feitorias foram fundadas justamente onde estavam as maiores concentrações de árvores. Os locais ficavam entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio; sul da Bahia e em Pernambuco nas proximidades da ilha de Itamaracá. As feitorias eram galpões de madeira, onde ficava armazenado o pau-brasil que seria levado para Portugal.

Os homens, deixados nas feitorias, não tinham nada para fazer. O único divertimento era ensinar papagaios a falar. A grande quantidade dessas aves fez com que o continente fosse chamado de Terra de Papagaios. Somente em 1504 começou a ser divulgado o nome de Terra do Brasil.

O tronco vermelho da árvore era utilizado para tingir tecidos. Os portugueses e franceses levaram, em todo o século XVI, oito mil toneladas de madeira por ano para a Europa. Em troca de facas, machados e chapéus, os índios transportavam as toras de pau-brasil por 13 a 20 quilômetros em seus ombros nus.

Verbete 1 - O Brasil descoberto passou a ser local onde desertores e homens que cometeram crimes em Portugal passaram a viver. Aqueles que discordaram dos capitães dos navios e foram desterrados.

Verbete 2 - Jean Ango era um banqueiro que financiava as expedições francesas era o maior incentivador da ocupação do Brasil. Os navios que recolhiam pau-brasil no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba pertenciam a ele.


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