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a s c í c u l o 1 0 - I d e o l o g i a
s e m C o n f l i t o Elogios e Críticas à Era Vargas Certos depoimentos daqueles que participaram, direta ou indiretamente, dos episódios que marcaram a Revolução de 1930 no Brasil são marcados pela emoção, pelo grau de simpatia ou de rejeição. Sobretudo à figura do seu principal líder, Getúlio Vargas. Algumas críticas, por outro lado, estão marcadas por um forte conteúdo ideológico. Os elogios e as críticas confirmaram que a Revolução de 1930 se constituiu num marco da historiografia brasileira. Quando o vendaval de paixões passar - o que parece que já está ocorrendo -, será possível ter uma idéia mais clara do conjunto de suas realizações, sua contribuição maior ou menor para o engradecimento do País. Enquanto isso, algumas conclusões, a priori, são definitivas. Como a de Boris Fausto de que "a Revolução de 1930 põe fim à hegemonia da burguesia do café, desenlace inscrito na própria forma de inserção do Brasil no sistema capitalista (...). No ataque ao predomínio da burguesia cafeeira, revelando traços específicos, que não podem ser reduzidos simplesmente ao protesto das classes médias (...) Vitoriosa a revolução, abre-se uma espécie de vazio do poder, por foça do colapso político da burguesia do café e da incapacidade das demais frações de classe para assumi-lo, em caráter exclusivo. O Estado de compromisso é a resposta para esta situação. Na descontinuidade de outubro de 1930, o Brasil começa a trilhar enfim o caminho da maioridade política. Paradoxalmente, na mesma época em que tanto se insistia nos caminhos originais autenticamente brasileiros para a solução dos problemas nacionais, iniciava-se o processo de efetiva constituição sobre a nacionalização do trabalho; salário mínimo; sindicalização", disse Cruz Costa. Houve, naturalmente, algumas distorções na polícia trabalhista. Mas não se pode negar, por causa disso, o grande valor da legislação trabalhista, considerada, como todos sabem, "uma das mais avançadas do mundo". Afirmou ainda Cruz Costa que "a legislação trabalhista de Vargas antecipou-se no tempo aos conflitos que iriam dar aos operários a consciência política de seu papel numa sociedade em processo de industrialização". Vargas pode não ter sido o criador do Estado brasileiro, porém, usou um regime de exceção para consolidar o Estado Nacional brasileiro. Antes de 37, cada Estado praticamente se constituía numa unidade autônoma, com um governo federal muito frágil. São Paulo, por exemplo, tinha sua Força Pública (polícia) um verdadeiro exército que contou, inclusive, "com uma missão instrutora composta de oficiais franceses", informa Cruz Costa. O lado negra "Era Vargas" foi, sem dúvida, o caráter fascista de sua administração durante o período em que agiu como ditador.
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