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Regime de Exceção

João Café Filho: Do Sindicato ao Catete

João Café Filho foi o grande líder da Revolução de 30 no Rio Grande do Norte.

Nasceu no dia 3 de fevereiro de 1899, na rua do Triunfo, Ribeira, em Natal. Filho de João Fernandes Campos Café e de Florência Amélia Campos Café.

Os seus estudos iniciais foram realizados nas escolas de Amália Benevides, Edilbertina Ataíde e Áurea Magalhães, para um pouco mais tarde ingressar sucessivamente nos seguintes estabelecimentos de ensino: Colégio Americano, Grupo Escolar Augusto Severo, Escola Normal e Atheneu Norte-Rio-Grandense.

Mesmo sem concluir curso superior, exerceu a advocacia como provisionado, tendo feito exames no Tribunal de Justiça em Natal.

Na juventude, foi atleta de poucos recursos, conseguindo, entretanto, jogar na posição de goleiro no Alecrim Futebol Clube, uma das agremiações esportivas mais tradicionais do Estado. Mas teve uma importante atuação como integrante da diretoria do próprio Alecrim, e igualmente do Centro Esportivo Natalense.

Muito cedo, com apenas quinze anos, começou a sua vida de jornalista, quando publicou "O Bonde" e "A Gazeta", ambos manuscritos. Depois fundou e dirigiu o "Jornal de Natal". Nesse jornal, começou a abordar a questão social do Estado.

Adulto, Café se casou com D. Jandira Carvalho de Oliveira Café.

Em 1923, liderou as primeiras graves que ocorreram no Rio Grande do Norte. Por essa razão, a polícia cercou o quarteirão onde sua casa se localizava e o jornal que dirigia. Conseguiu fugir. Depois, partiu para Recife e, logo em seguida para Bezerros, onde foi nomeado secretário da prefeitura. Fundou o jornal "Correio de Bezerros" e o Clube Social e Esportivo Palameira. Voltando para Recife, em 1925, dirigiu mais um jornal, "A Noite", quando entrevistou Antonio Silvino na Penitenciária de Recife. Ainda na capital pernambucana, redigiu um documento "concitando os subalternos do Exército a desobedecerem as ordens recebidas" e participar da Coluna Prestes. Como conseqüência, foi processado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Fugiu para Itabuna, na Bahia. Após um certo tempo, regressou a Natal, onde foi preso.

Em 1928, foi eleito vereador. Uma façanha, porque, naquela época, era difícil alguém da oposição vencer. O "sistema eleitoral" vigente pode ser ilustrado com um exemplo, contado pelo próprio Café Filho: "A oposição elegeu a maioria da Câmara Municipal. O Governo do Estado, em represália pela derrota sofrida, mandou queimar as atas eleitorais. O atentado foi executado pelo chefe político local, seguindo as instruções dos chefes das oligarquias. Destruídas as atas, o situacionismo procedeu a "eleição" dos seus próprios vereadores, a bico de pena"...

A oligarquia não deixava Café Filho em paz. Sendo mais uma vez perseguido, fugiu novamente para Recife e viajou para o Rio de Janeiro, onde se integrou à campanha política a favor da Aliança Liberal. Depois foi enviado para a Paraíba com o objetivo de divulgar o movimento. Recebido por João Pessoa, voltou a atuar como jornalista, reeditando o "Jornal da Noite". Atuante, percorreu toda a Paraíba fazendo campanha pela Aliança Liberal.

No dia 2 de outubro de 1930, entrou no Rio Grande do Norte em plena efervescência revolucionária. As tropas paraibanas invadiram o Rio Grande do Norte sem encontrar resistência. Nas negociações para compor o governo, se pretendia eleger o desembargador Silvino Bezerra Neto, irmão de José Augusto, líder das oligarquias e, portanto, adversário das idéias revolucionárias... João Café Filho, sempre vigilante, impediu que tal designação fosse feita. E o governo provisório foi entregue a uma Junta Militar.

O povo, insatisfeito, pedia medidas radicais. Para acalmar a população, sobretudo a natalense, Café Filho foi designado chefe de Polícia. Mais tarde, afastado do cargo, voltou a assumir a Chefia da Polícia durante a administração do interventor federal comandante Bertino Dutra. Foi nessa segunda gestão que Café Filho criou a Guarda Civil e a Guarda Nortuna.

Em 1933 e anos seguintes exerceu as funções de Inspetor do Trabalho, no Rio de Janeiro.

Foi eleito deputado federal em 1935, porém, não concluiu seu mandato por causa da decretação do Estado Novo em 1937. Perseguido por fazer oposição ao governo Vargas, conseguiu asilo na Argentina.

Em 1945, de volta ao Brasil, fundou o Partido Social Progressista no Rio Grande do Norte. A conselho de Adhemar de Barros, registrou o partido com o nome de Partido Republicano Progressista. Justificativa de Adhemar: "poderia atrair, pela identidade fonética, os antigos partidários e eleitores do Partido Republicano Paulista, os 'perrepistas' de antes de 1930". Como não conseguiu os objetivos desejados, posteriormente o partido voltou a ser chamado pela denominação original.

João Café Filho foi eleito novamente deputado federal em 1945. Essa foi a sua fase mais dinâmica, segundo ele próprio: "Exerci, em minha atividade parlamentar, no Palácio Tiradentes, o período de maior vitalidade e energia de minha vida".

Um feito de Café Filho: com um discurso apenas provocou a exoneração de Correia e Castro, ministro da Fazenda do governo Dutra.

Em 1950 Café Filho se elegeu vice-presidente da República, juntamente com Getúlio Vargas, que assimiu a presidência da República, juntamente com Getúlio Vargas, que assumiu a presidência do País.

Após o suicídio de Getúlio Vargas, a 24 de agosto de 1954, passou a exercer a função de presidente do Brasil. De acordo com suas palavras, foi "o único momento que me tocou verdadeiramente, que me confortou, que foi pleno e sem contrastes em esplendor e confiança".

Porém, não chegou a concluir o seu mandato, inicialmente por causa de uma crise cardiovascular, e depois foi 'impedido', afastado da presidência. Falava-se em "golpe" e em "contra-golpe".

Nereu Ramos, então, assumiu o governo. A complicação não se resumia ao afastamento de Café Filho. Havia outro impasse. Juscelino Kubitschek de Oliveira, eleito presidente através do voto popular, estava ameaçado de não tomar posse...

Fora do poder, João Café Filho foi nomeado ministro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Posteriormente, escreveu suas memórias sob o título "Do Sindicato ao Catete", em dois volumes.

Faleceu no dia 11 de fevereiro de 1970 no Rio de Janeiro.

O Rio Grande do Norte prestou uma homenagem ao único norte-rio-grandense que chegou a ser presidente da República, inaugurando a Casa Café Augusto, e onde se encontra atualmente um grande acervo sobre o ilustre jornalista e político potiguar.

 

 

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