F a s c í c u l o   11  -  A v i a ç ã o   e   2 ª   G u e r r a
Natal na Segunda Guerra Mundial

Influência Americana e Mudança dos Costumes

A presença norte-americana em Natal mudou os hábitos de uma pequena cidade nordestina.

Lenine Pinto relata que "dos bares vazava a música das Wurlitzers, das lojas o burburinho de consumidores ávidos e, quando as ruas esvaziavam-se, acendiam-se os salões de bailes, fluíam fantasias (...) Naquele tempo as festas sucediam-se freneticamente, dançava-se freneticamente, amava-se freneticamente".

A Cidade do Natal modificou-se de maneira muito significativa com a presença do grande número de militares estrangeiros aqui sediados. Do entrosamento entre americanos e jovens natalenses resultaram alguns casamentos. O drama das jovens, não só natalenses, mas nordestinas que não tiveram os seus romances com jovens americanos referendados pelo casamento, é descrito pelo poeta Mauro Mota no seu "Boletim Sentimental da Guerra no Recife", através dos versos:

"Meninas, tristes meninas,
de mão em mão hoje andais.
Sois autênticas heroínas
da guerra, sem ter rivais.
Lutastes na frente interna
com bravura e destemor.
À vitória aliada destes
o sangue do vosso amor.

Ingênuas meninas grávidas,
o que é que fôstes fazer?
Apertai bem os vestidos
pra família não saber.
Que os indiscretos vizinhos
vos percam também de vista.
Saístes do pediatra
para o ginecologista".

Surgiram associações recreativas como, por exemplo, os "Clubes 50". Tanto o Aéro Clube como igualmente o "Clube Hípico", foram alugados com o objetivo de realizar bailes. A finalidade principal, certamente, era promover uma maior integração dos militares norte-americanos com a população natalense. Houve, por causa disso, uma invasão de ritmos estrangeiros: "rumba", "conga", "bolero".

As moças passaram a agir com mais autonomia e, conforme relata Lenine Pinto, "tendo incorporado modos e modismos americanos, algumas aproveitaram para alongar o passo: começaram a fumar (por ser o Chesterfield um cigarro "fraquinho", era a desculpa); a bebericar "Cube Libre" (com a Coca-Cola inocentando a mistura de rum) e a pegar os primeiros "foguinhos".

Natal perdia aos poucos suas características de cidade pequena, com seus habitantes levando uma vida modesta e tranqüila. Tomando inclusive um aspecto cosmopolita, com a passagem, pela cidade, de pessoas de outras nacionalidades, com direito a figuras importantes: D. Francis J. Spellman (arcebispo de Nova York), Bernard (príncipe da Holanda), Higinio Morringo (presidente do Paraguai), Sra. Franklin D. Roosevelt (esposa do presidente dos Estados Unidos), Sr. Noel Cherles (embaixador do Reino Unido no Brasil) etc.

Os preços aumentaram por causa da injeção de dólares na economia local.

A influência norte-americana se fez sentir também na linguagem, com a introdução de algumas palavras e expressões inglesas, exemplificadas por Clyde Smith Junior: "change money" (troque dinheiro), "drink beer" (beba cerveja), "give me a cigarrette" (dê-me um cigarro), "blackout" (blecaute) etc.

Outro fato lembrado pelo mesmos autor: "de uma cidade pequena e desconhecida, passou a ser conhecida por milhões de americanos e outros aliados".

Durante a guerra. Natal cresceu muito, aumentando consideravelmente a sua população.

 

p r i n c i p a l