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a z Deposição de João Goulart No final de 1963 já se delineava uma crise no Brasil. O governo João Goulart reforçava sua linha de governo de caráter nacionalista e reformista, fazendo com que as forças conservadoras se aglutinassem para derrubá-lo. San Tiago Dantas procurou unificar os grupos esquerdistas numa frente única, sem sucesso. A cada dia que passava, o radicalismo aumentava. Um decreto que obteve grande repercussão foi o que autorizava a SUPRA (Superintendência da Reforma Agrária) "para concluir convênio destinado a delimitar as áreas marginais às estradas e açudes, com fins de expropriação, para distribuições de terras". O tempo passava e esquerdistas e direitistas se acusavam, mutuamente, dizendo abertamente que estavam se preparando para um conflito armado. Em janeiro de 1964, o deputado federal Leonel Brizola denunciava: "não existe ninguém no poder do País, neste momento". Era uma verdade. O presidente João Goulart tinha perdido o comando, não podendo evitar o rumo dos acontecimentos. Resolveu, então, partir para a extrema esquerda, precipitando os acontecimentos. A situação se agravou quando da realização de um comício, promovido pelo governo, que se realizou no dia 13 de março de 1964, na praça Cristiano Otôni, na Guanabara. Como a praça se localizava na fronteira da Estação D. Pedro II, da Central do Brasil, ficou conhecido como sendo o "Comício da Central". O governo pretendia demonstrar força, fazendo com que seus ministros comparecessem. Alguns governadores se fizeram presentes: Miguel Arraes, de Pernambuco; Seixas Dória, de Sergipe; Badger Silveira, do Rio de Janeiro. O presidente da República, na ocasião, assinou dois decretos. Um encampava as refinarias de petróleo particulares e o outro tratava da desapropriação de terras. O conflito caminhava para o desenlace. Os distúrbios, nas ruas, começavam a surgir. A disciplina na Marinha foi quebrada. A crise também atingia as forças armadas. Em São Paulo foi realizada a "Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade", que contava com um grande número de senhoras da sociedade, autoridades civis e o apoio do clero. Marinheiros e fuzileiros se rebelaram e o destacamento destinado a prendê-los aderiu ao movimento. A essa altura dos acontecimentos, ninguém mais podia evitar. A crise haveria de terminar num conflito armado. Não poderia vir da esquerda, que estava com o governo. A reação deveria partir da extrema direita, que pretendia acabar com o "comunismo no Brasil". E comunista, para as classes conservadoras, era qualquer pessoa que se apresentasse como sendo de esquerda; defendesse o nacionalismo, combatendo o "entreguismo" contra, portanto o capitalismo internacional... Por causa desses equívocos, muita injustiça foi cometida! No dia 31 de março de 1964 eclodiu o movimento militar para derrubar o governo João Goulart. Sem condições de resistir ao golpe planejado pelos altos chefes militares, com o apoio de parcelas da sociedade, em 1º de abril de 1964, o presidente João Goulart partiu de Brasília para o Rio Grande do Sul e, logo em seguida, viajou para o Uruguai como exilado político. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara Federal, foi provisoriamente empossado presidente da República. O movimento militar de 64 se consolidou com a promulgação do Ato Institucional e a posse do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco como presidente.
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