F a s c í c u l o   3  -  R e g i ã o   E s t r a t é g i c a
Capitania do Rio Grande

Uma Cidade sem Pressa de Crescer

No início não houve uma preocupação voltada para a construção de prédios públicos. A fortaleza era suficiente. Outro edifício, cuja construção foi iniciada na época da fundação da cidade, foi o da matriz.

Durante o processo de conquista e de pacificação, a capitania conheceu apenas duas atividades: a dos soldados, construindo a fortaleza e lutando contra os nativos; e a segunda, marcada pela atuação dos missionários, ajudando enfermos e buscando a conciliação com os potiguares.

Entre outros, se destacaram os seguintes religiosos: Francisco das Neves Pinto. Os primeiros atos missionários foram realizados dentro da própria fortaleza.

Pedro Moura registra a construção de uma igreja, por Martim Soares Moreno, sob a proteção de Nossa Senhora do Patrocínio. Colheu tal informação em Miliet, por sinal, o único cronista a falar sobre aquele edifício.

Em 1598, Natal já era freguesia e o seu primeiro vigário, padre Gaspar Gonçalves da Rocha. Olavo de Medeiros Filho transcreveu, em "Terra Natalense", o seguinte texto de frei Agostinho de Santa Maria: "foi levantada uma paróquia que se dedicou à Rainha dos Anjos, Maria Santíssima, com o título de Apresentação, quando seus santíssimos pais, Joaquim e Ana, a foram oferecer no Templo, sendo de idade de três anos. Na capela-mor se colocou, depois, um grande e formoso quadro de pintura, em que se vê o mesmo mistério da Senhora historiada".

O primeiro documento que registra a matriz, em Natal, data de 1614, quando diz que a igreja não tinha portas. A igreja matriz teria sido concluída em 1619. Foi, entretanto, destruída pelos holandeses.

As datas concedidas no Rio Grande, como disse Olavo de Medeiros Filho, "no período de 1600 a 1614, acham-se discriminadas no "Traslado do Auto da Repartição das Terras da Capitania".

A cidade não crescia, "andava", ou seja, se arrastava lentamente, rumo ao futuro. Conta Luís da Câmara Cascudo que "os trinta e quatro anos de cidade, 1599 - 1633, foram lentos, difíceis e paupérrimos. Interessava ao rei o forte, a situação territorial. Raríssimas mulheres brancas. Cidade apenas no nome".

Havia, entretanto, uma coisa positiva. A pescaria que, segundo as testemunhas da época, era da melhor qualidade. Abastecia a população local e exportava para os Estados vizinhos, Paraíba e Pernambuco.

A maneira de viver da população, naquela época, foi descrita por Câmara Cascudo: "os moradores viviam espalhados nos sítios ao redor, plantando roças, caçando, colhendo frutos nos tabuleiros, pouca criação de gado que se desenvolveria vertiginosamente a ponto de ter 20.000 cabeças em 1633, e as pescarias, de anzol, rede e curral. Havia o sal, colhido nas marinhas do outro lado do rio, Igapó, Aldeia Velha, antigas malocas dos potiguares. O peixe salgado e seco foi um dos produtos mais rapidamente divulgado, com mercados abundantes e fáceis".

Era, de fato, um lento caminhar. A cidade não tinha pressa em crescer. Para complicar, dentro em breve deveria de passar por sua fase mais difícil: o período de invasão holandesa, quando teve prédios e documentos destruídos, retardando, mais ainda, o seu desenvolvimento.

 

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