F a s c í c u l o   3  -  R e g i ã o   E s t r a t é g i c a
Domínio Holandês

Os Holandeses no Brasil: A Bahia

A primeira tentativa de implantar uma colônia no Brasil, pelos neerlandeses, foi na Bahia. Os armadores holandeses conheciam o Brasil, mantendo relações amistosas com os portugueses, durante os reinados de João III, D. Sebastião e o cardeal D. Henrique. Com a anexação de Portugal e suas colônias pela Espanha, a situação mudou. Felipe IV, inimigo dos Países Baixos, determinou "o confisco dos navios flamengos que estivessem nos portos de seus novos domínios, europeus, africanos, asiáticos e americanos".

Fugitivos da Bahia contaram na Holanda como seria fácil conquistar Salvador, devido à precariedade do sistema montado para defender a colônia. Um deles, Francisco Duchs, chegou a participar do ataque que resultou na capitulação da Bahia, em 1625. Guilherme Usselinex, porém, foi quem "propôs e defendeu a idéia da formação de uma nova companhia, semelhante à Oriental, que na Índia havia adquirido tantos lucros e vantagens", como disse Varnhagen.

O sonho de dominar o Brasil era antigo, porém, como desfrutavam de lucros com a participação no comércio, durante o governo português deixaram de lado tal idéia. Agora, a situação era diferente. Os espanhóis se apresentavam como inimigos. Deviam, portanto, aproveitar a oportunidade para se apossarem do Brasil foi a criação da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais, pela Carta Patente de 3 de junho de 1621.

A companhia decidiu atacar a Bahia, mas precisamente Salvador, capital da colônia, que, segundo eles, arrecadava 8.000 florins anuais....

E, como narra Varnhagen, "equipou-se uma grande armada de que foi nomeado almirante Jacob Willekens, vice-almirante o bravo e venturoso Pieter Pieterzoon Heyn, e comandante das tropas e governador das futuras conquistas Johan Van Dorth. Consatava a expedição de vinte e três iates, armados com quinhentos e nove bocas de fogo, tripulados de mil e seiscentos marinheiros e guarnecidos de mil e setecentos homens de desembarque".

A notícia de que a Holanda iria atacar a Bahia chegou ao Brasil. O governador geral, Diogo de Mendonça Furtado, procurou tomar todas as providências, porém, encontrou dificuldades, até mesmo má vontade, como era o caso do bispo D. Marcos Teixeira.

A 8 de maio de 1624 os holandeses chegaram a Salvador e, após dois dias de luta, dominavam a cidade. Preso Diogo de Mendonça Furtado, Johan Van Dorth passou a governar. Os batavos, contudo, não foram felizes. O povo que havia abandonado a cidade, passado o susto, procurou reagir, crescendo a figura de D. Marcos Teixeira, apesar de sua idade bastante avançada. Esgotado, não suportou as vicissitudes e veio a falecer.

Os holandeses, entretanto, tiveram também suas baixas. Cedo perderam o cel. Van Dorth. O seu substituto, Albert Schenteu, também morreu, sendo sucessor Wielen Schauten. Matias de Albuquerque, em Pernambuco, assumiu o governo da colônia e enviou para a Bahia um reforço, sob o comando de Francisco Nunes Marinho.

A metrópole mandou uma esquadra, chefiada por D. Francisco de Moura. A armada, depois de passar por Pernambuco, foi para a Bahia, onde realizou o cerco de Salvador. Era preciso, contudo, muito mais.

Filipe II, diante da repercussão negativa pela grande derrota, cuja conseqüência foi a perda da Bahia, resolveu tomar uma decisão mais firme e, então, enviou ao Brasil a maior expedição militar que atingiu o continente americano até aquele momento, com mais de 12.000 homens e 70 navios, ficando conhecida na História como "Jornada dos Vassalos". D. Fadrique de Toledo Osório assumiu o comando. Da expedição participaram não somente militares das duas nacionalidades, Espanha e Portugal, como figurar ilustres.

No dia 22 de março de 1625, a armada atingiu a Bahia e a 01 de maio Salvador estava libertada.

Os holandeses, contudo, não desistiram de se apossar definitivamente do Brasil...

 

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