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a s c í c u l o 3 - R e g i ã o
E s t r a t é g i c a Os Holandeses no Brasil: O Nordeste A Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais resolveu fazer nova investida contra a colônia luso-espanhola. O alvo, agora, seria Pernambuco, com mais de 130 engenhos, cuja safra ultrapassava as mil toneladas, fazendo de Pernambuco "a principal e mais rica região produtora de açúcar do mundo". No aspecto militar, o Nordeste brasileiro estava desguarnecido e, assim, não tinha condições de resistir a um ataque de uma grande esquadra. A notícia sobre uma nova invasão holandesa ao Brasil se espalhava, rápida, pela Europa. Matias de Albuquerque, que se encontrava em Madri, foi nomeado "Governador e Comandante Supremo do Nordeste". O governador geral Diogo Luís de Oliveira recebeu instruções da metrópole para reforçar e melhorar o sistema de defesa da Bahia e Pernambuco. Matias de Albuquerque partiu para o Nordeste brasileiro com poucos soldados, um reforço verdadeiramente ridículo diante da grande ameaça. Ao chegar em Pernambuco constatou que, para fazer frente aos holandeses, contava apenas com tropas que, na sua maioria, eram integradas por homens inexperientes... Não precisava, portanto, ser vidente ou estrategista militar para prever que, em caso de uma invasão em grande escala, haveria de se repetir exatamente o que aconteceu em Salvador. No dia 15 de fevereiro de 1630, uma poderosa esquadra holandesa, com mais de 50 navios e 7.000 homens, sob a chefia de Hendrick Cornelizon Loncg, atacou Recife com toda sua força. Resistência heróica, porém, ineficaz e, assim, a 3 de março, caíram Olinda e Recife. Mas Matias de Albuquerque não desistiu e, adotando a tática de guerrilha, concentrou suas forças no Arraial do Bom Jesus. Os colonos levaram uma grande vantagem: conheciam a terra e atiravam desse fator o máximo que podiam, impedindo, ou melhor, retardando a vitória dos flamengos. A 20 de abril de 1632 ocorre um fato que vai mudar o destino da guerra: a deserção, para o lado dos invasores, de Domingo Fernandes Calabar. Profundo conhecedor da região, passou a fornecer as informações que os neerlandeses precisavam e, dentro em breve, ampliaram o seu domínio, destruindo inclusive o Arraial do Bom Jesus. A guerra trazia enormes prejuízos. A Companhia das Índias Ocidentais resolveu enviar o conde Jos'r Maurício de Nassau Siegen, com amplos poderes para pacificar a população e promover o desenvolvimento da colônia, para enfim adquirir os tão sonhados lucros. Começava outra fase da dominação holandesa. O conde de Nassau veio com o título de "Governador Capitão General e Almirante de Terra e Mar". Vinha, portanto, para administrar e consolidar a conquista. Chegou no dia 23 de janeiro de 1637 no Recife. E se apaixonou pelo País dos mais belos do mundo. O conde de Nassau era, no dizer de Jânio Quadros, uma "figura do renascimento, amigo e protetor de letrados e artistas e comprazendo-se na sua companhia, seria ainda um administrador capaz, culto, enérgico e generoso". Nassau, apesar de ter feito uma grande administração, contudo, não se encontra isento de críticas. Hélio Viana apresentou, de maneira objetiva, o outro lado da personalidade do governante holandês: "interesseiramente protegeu os judeus, que para isso pagavam-lhe uma contribuição, a ponto de suscitar reclamações. E teve motivos inconfessáveis para amparar os calvinistas, pois uma de suas amantes no Brasil foi exatamente a filha do respectivo pastor. Quanto aos católicos, se por interesse político durante algum tempo permitiu seu culto, não tardou a persegui-los, expulsando do território ocupado". Trouxe consigo artistas, (Frans Jasz Post) e cientistas (Jorge Marograv e Wielen Piso), ganhando fama de mecenas. Entre seus feitos podem ser citados os seguintes: apoio os senhores de engenho, tomando medidas que asseguravam uma melhor produção de açúcar; reformulou a administração pública; procurou acalmar os ânimos dos portugueses; proibiu que se cobrasse juros de 18% ao ano, além de promover diversão para o povo. Na área militar, realizou algumas conquistas (Alagoas, Ceará, Sergipe), porém sofreu um grande revés na Bahia. O governo espanhol, satisfeito com essa grande vitória, resolveu premiar os que nela se destacaram; Bagnuolo foi feito príncipe de Nápoles, a D. Antônio Felipe Camarão foi entregue uma comenda, a dos Moinhos de Soure etc. A derrota de Nassau despertou Madri que organizou uma grande esquadra, sob o comando do Conde da Torre, D. Fernando Mascarenhas, para socorrer a colônia. No dia 12 de janeiro de 1640, ocorreu o primeiro combate entre a esquadra do Conde da Torre e a holandesa, comandada pelo almirante Corweliszoon Loos e, após alguns combates - sem que houvesse uma batalha decisiva -, o Conde da Torre desembarcou em Touros, Rio Grande do Norte, mais de mil homens "sob comando do Mestre de Campo Luís Barbalho Bezerra, destemido cabo de guerra que iria agora - numa travessia de centenas de léguas, em busca da Bahia, por trilhas desconhecidas, em território ocupado por conquistadores desalmados e bárbaras gentes, sem recurso de qualquer natureza, forçado pela necessidade e estimulado pelo patriotismo a escrever uma das páginas mais gloriosas da história da luta com os invasores", segundo conta Tavares de Lyra. Na altura do Potengi, Gartsmanm combate os comandados de Luís Barbalho Bezerra. É derrotado e preso sendo levado como prisioneiro para a Bahia. Informa Tavares de Lyra: "A 15 de fevereiro de 1641, chega a notícia da restauração de Portugal". Com D. João IV assumindo o trono de Portugal, estava desfeita a "União Peninsular"... Em 1642, Portugal assinou uma trégua com a Holanda. A 18 de abril desse ano, Nassau foi notificado que deveria voltar à Europa em 1643. Recebeu muitas homenagens, partindo somente em 1644.
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