F a s c í c u l o   3  -  R e g i ã o   E s t r a t é g i c a
Domínio Holandês

A Insurreição Pernambucana

Alguns colonos estava descontentes com o domínio holandês, ainda na administração de Nassau. Devido ao regime, muito duro, imposto pela Companhia das Índias Ocidentais. Por outro lado, após a trégua com a Holanda, Portugal almejava a devolução de suas colônias, porém, a Holanda não concordava. Gerando, assim, um clima de hostilidade entre os dois impérios. Diante do impasse, o governo português começou, secretamente, a fomentar a revolta nas terras ocupadas.

Em 1642, André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira já confabulavam, animados com a restauração do Maranhão. Não estavam sozinhos. O governador geral Antônio Teles da Silva enviou em 1644, experientes militares, liderados por Antônio Dias Cardoso, para Pernambuco, para que atuassem como instrutores. Ainda nesse ano, André Negreiros e João Fernandes, juntos elaboravam um plano para iniciar a reação contra os holandeses, tudo feito secretamente porque a trégua entre Holanda e Portugal não permitia se agisse às claras. Dentro desse contexto, em 1644, Henrique Dias e seu batalhão negro seguiam da Bahia para Pernambuco, como se estivessem fugindo. E, logo depois, D. Antônio Felipe Camarão, com seus nativos, segue o mesmo rumo, oficialmente perseguindo os fugitivos ...

Em 15 de maio de 1645, João Fernandes Vieira e Antônio Cavalcanti, na várzea de Capibaribe. Assumiam um compromisso para lutar "em nome da liberdade divina". Pouco dias depois, ou seja, 23 de maio, os dois juntamente com outras personalidade (16), assinavam um documento onde demonstravam sua disposição de lutar pela "restauração de nossa pátria".

A insurreição começou no dia 3 de junho de 1645, na várzea do Capibaribe. Em agosto, os comandados de João Fernandes Vieira ultrapassavam mil homens!

Entre as batalhas que obtiveram maior significação podem ser apontadas: a de Tabocas, em 1645, quando os revoltosos venceram os batavos do coronel Hans e do capitão Blauer. E as duas batalhas de Guararapes. A primeira, em 19 de abril de 1648, com os revoltosos sendo chefiados pelo mestre-de-campo general Francisco Barreto e, ainda, as tropas de André Vidal, de Henrique Dias, de Antônio Felipe Camarão e de Vieira. Os holandeses tinham no tenente-general Sigismundo von Schoppe seu principal líder. A vitória sorriu para os coloniais. A segunda, que se realizou em 18 de fevereiro de 1649, foi mais uma derrota dos neerlandes. Era, praticamente, o fim do domínio holandês no Brasil.

A Holanda passava por uma crise, estando envolvida na "Guerra de Navegação" contra os ingleses, forçando desviar a atenção e recursos que seriam destinados ao Brasil. A Inglaterra, interessada na destruição de sua rival, passou a ajudar a colônia portuguesa em sua luta contra os batavos. Através do "Ato de Navegação", de Cromwell, ficaram os holandeses sem liberdade de ação no mar, onde até aí haviam gozado de inegável supremacia', como disse Hélio Vianna.

A expulsão dos holandeses foi, sobretudo, uma grande vitória dos portugueses, mestiços e, também, uma bela participação de negros e nativos. Fez nascer, ou pelo menos reforçou, o sentimento nativista, nacionalista. Demonstrou toda a força de um novo tipo que estava nascendo: o brasileiro, e lançava as bases de uma futura nação independente: o Brasil.

 

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