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a s c í c u l o 4 - M a s s a c r e s n
o R i o G r a n d e Torturas Lendárias de Uruaçu Nenhum massacre tinha ocorrido após o de Cunhaú e não havia, igualmente, sinais de algum levante próximo ao Rio Grande. Acontece que, no dia 2 de outubro de 1645, chegou de Recife o conselheiro Bullestraten. E se reuniu, secretamente, com Gatdtzman. Tudo indica que trazia ordens para executar os portugueses. Pelo menos, os acontecimentos futuros levaram a pensar em tal hipótese. No dia seguinte, 3 de outubro de 1645, os colonos que se encontravam no Castelo Ceulen foram levados para Uruaçu: Antônio Vilela, Cid, seu filho, Antônio Vilela Júnior, João Lostau Navarro, Francisco de Bastos, José do Porto, Diogo Pereira, Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira, Simão Correia e o padre Ambrósio Francisco Ferro, que exercia as funções de vigário de Natal. Ao chegar em Uruaçu, a tropa formou um quadrado e, no interior desse quadrado, ficaram o sacerdote mais os colonos. Foi dada a seguinte ordem: que eles se despissem e se ajoelhassem. Os portugueses compreenderam, então, o que iria acontecer. O padre Ambrósio Ferro, com tranqüilidade, deu a absolvição. O pastor Astetten fez uma exortação para que os prisioneiros abjurassem a fé católica. Obteve, entretanto, uma resposta negativa de todos, numa atitude firme e corajosa dos portugueses. Os colonos se despediram uns dos outros, praticando atos de devoção. Isso irritou profundamente o pastor e seus companheiros. Começaram a torturar as vítimas com tanto ódio, que somente o fanatismo religioso poderia explicar tal insanidade. Não ficam satisfeitos. Jacob Rabbi chamou os nativos para que eles completassem o massacre. Fizeram corpos em pedaços. Arrancaram olhos, línguas, etc. Esse foi apenas o primeiro ato. O segundo não demoraria muito tempo. Os holandeses se dirigiram até o arraial, afirmando que chegaram ordens do Supremo Conselho, determinado que eles deveria assinar alguns documentos. Os homens se despediram de seus familiares, chorando, porque sabiam que iriam caminhar para a morte. Durante o caminho, rezavam. Os pressentimentos se realizaram. Os cronistas fizeram relatos minuciosos. Narram, entre outros detalhes, o seguinte: "Antônio Baracho foi amarrado a uma árvore e arrancam-lhe, quando ainda estava vivo, a língua. Abriram o corpo de Matias Moreira e tiraram o seu coração. Antes de morrer, ele disse: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Espatifaram, com o pau, a cabeça de uma criança, filha de Antônio Vilela. A filha de Francisco Dias teve o seu corpo partido em duas partes. A mulher de Manuel Rodrigues Moura, depois que o marido morreu, teve cortado os pés e as mãos. A vítima sobreviveu, ainda, três dias ao lado do marido morto. Os nativos procuraram salvar oito rapazes. Os holandeses ofereceram uma oportunidade para que os jovens conseguissem a liberdade: eles teriam que passar para o lado dos holandeses. João Martins deu a seguinte resposta: "não me desamparará Deus dessa maneira, a minha Pátria e o meu rei. Matai-me logo, pois tenho inveja da morte e da glória dos meus companheiros". Uma moça, muito bonita, foi vendida aos nativos, ou melhor, trocada por um cão de raça. Dois jovens, Manuel Álvares e Antônio Bernardes, com várias feridas, puxaram suas armas brancas, investindo contra os tapuias, matando alguns inimigos antes de morrer. Uma menina, de nome Adriana, ao saber que seus pais seriam mortos, se recolheu a uma casa, chorando, em seguida. Foi quando a Virgem Santíssima apareceu, procurando consolar aquela criança. E prometeu que seus pais seriam vingados". Pouco tempo depois, Camarão foi até o Rio Grande, punindo, com energia, os batavos. "D. Beatriz, esposa de Joris Gardtzman, comandante do Castelo Ceulen, por piedade crista, levou as viúvas dos portugueses que tinham falecido em Uruaçu, para Natal. Durante a noite, Gardtzman e sua mulher, juntamente com outros holandeses, ouviram uma música, belíssima vindo do local onde ocorreu o morticínio". Não se discute, até hoje, a veracidade dessas informações. Diferem apenas em alguns detalhes. No essencial, ou seja, que os holandeses promoveram dois grandes massacres, liderados por Jacob Rabbi, com a participação dos janduís, constituem um fato indiscutível. Com relação aos dois últimos itens é que, de uma maneira geral, existem dúvidas, colocando, ambos no plano das lendas, fruto do espírito religioso e da ingenuidade do povo daquela época. Na atualidade, contudo, é preciso ir além dos simples relatos para fazer uma análise de toda a problemática.
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