F a s c í c u l o   4  -  M a s s a c r e s   n o   R i o   G r a n d e
Os Massacres

Uma Pequena Análise Sobre as Ações Cruéis

Os massacres que os flamengos promoveram no Rio Grande do Norte não constituem um caso isolado da colonização européia (ingleses, franceses, espanhóis, portugueses e holandeses), nas terras americanas. Herbert Aptheker, resumiu numa palavra de ação inglesa, com relação aos nativos: GENOCÍDIO!

Frei Bartolomeu de Las Casas, como lembra Eduardo Bueno, chamou os espanhóis de "sujos ladrões", "tiranos cruéis" e "sangrentos destruidores".

Georgi Friederici, em texto citado anteriormente no fascículo I desta coleção, descreve com realismo como foi feita a conquista de Ceuta pelos portugueses.

Os conquistadores não respeitavam nada, interessados apenas em conseguir ouro e, na falta desse metal, qualquer mercadoria que desse lucro... Tudo dentro da filosofia mercantilista.

Os europeus se julgavam detentores da "civilização" nas terras incultas da América, agiram como se fossem verdadeiros bárbaros...

No caso específico do Rio Grande, porém, ocorreram determinadas circunstâncias, que merecerem algumas observações.

Em primeiro lugar, os flamengos resolveram eliminar duas coisas ao mesmo tempo: os portugueses e a religião católica. O morticínio de Cunhaú, por exemplo, foi realizado dentro de uma capela, durante uma missa, justamente na hora em que o celebrante erguia a hóstia, numa demonstração clara de desmoralização da religião das vítimas.

Em Uruaçu não havia um templo católico. Existe, entretanto, a presença de um pastor que pretendia os católicos para a sua doutrina. A recusa firme dos colonos em mudar de crença, provocou nos holandeses um ódio insano, inclusive do pastor que, de maneira incompreensível, participou do processo de tortura. Fizeram coisas terríveis com o vigário Ambrósio Francisco Ferro, quando ele ainda estava vivo. Somente um ódio muito grande justificaria tal atitude. Provocado pelo fanatismo religioso.

Outro aspecto, que não é possível esquecer: os holandeses só iniciavam o massacre quando estavam certos de que as vítimas não tinham a menor chance de reagir. Apareciam com promessas de paz para, desarmadas as vítimas, praticarem a violência.

Não foi igualmente uma luta de um povo dominado contra seu opressor. Não a iniciativa partiu do dominador para eliminar o povo subjugado. Os janduís receberam ordem para matar. Agiram como soldados. Dentro de um contexto onde a violência fazia parte do existir. Os batavos, sem dúvida, contrariaram os seus princípios, ou seja, "não matar", que dizer, massacrar! E até a maneira de viver de pessoas CIVILIZADAS ...

A Igreja Católica do Rio Grande do Norte iniciou, recentemente, um processo para a canonizar os mártires de Cunhaú e Uruaçu.

A questão deve ser colocada da seguinte maneira: as vítimas foram sacrificadas porque não renunciaram à sua fé ou, na realidade, porque defenderam a causa lusitana? Eliminar o português teria sido um problema político. Acontece que matar mulheres e crianças inocentes, sem nenhum envolvimento político, não é justificável, a não ser pelo ódio do grupo dominador ao catolicismo.

Estava tudo preparado. Os tapuias só entrariam em cena caso os colonos não aceitassem passar para o lado flamengo e renegassem a fé dos dominadores. Foi, ao mesmo tempo, uma demonstração de patriotismo e, sobretudo, de fé. Quando tomaram consciência de que seriam mortos, pronunciaram frases como, por exemplo, "LOUVADO SEJA O SANTÍSSIMO SACRAMENTO".

Não se pode, também, colocar Jacob Rabbi como o único responsável. Após o morticínio de Cunhaú, ele deveria ter sido afastado de suas funções. Não foi, entretanto, demitido, por uma razão muito simples: os holandeses precisavam de Rabbi e da presença dos janduís para, pelo terror, assegurar o domínio do Rio Grande. Os holandeses optaram, portanto, pela violência. Antes dos massacres, vieram ordens de Recife. A conclusão é clara: o governo holandês, localizado no Recife, é o responsável pelos massacres na Capitania do Rio Grande!

 

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