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a s c í c u l o 5 - D o s B
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Um Prenúncio de Forte Tempestade Após a expulsão dos holandeses, a Capitania do Rio Grande apresentava o seguinte quadro, descrito por Câmara Cascudo: "a Capitania ficou devastada. A população quase desapareceu. Plantios, gado, destruídos. Os flamengos tinham incendiado as casas principais, queimando livros de registro". Antônio Vaz Gondim assimiu o governo, tomando medidas para reorganizar a capitania, partindo praticamente do nada. Reconstruindo edifícios )Fortaleza e Matriz), organizando a defesa da cidade, mas, sobretudo, iniciando uma política de povoamento. Lançou os fundamentos de uma infra-estrutura para que fosse possível efetivamente governar a capitania. Nuvens negras, contudo, começavam a se acumular no horizonte, num prenúncio de tempestade... Os colonos que viviam no interior, sem recursos para a aquisição de escravos africanos, capturavam nativos. Mais do que isso, os sesmeiros provocavam os naturais da terra para que eles lutassem contra os seus vizinhos, ou, então contra os brancos, que assim promoveriam a chamada "guerra justa", obtendo maior número de escravos. As vítimas tinham duas opções: submeter-se, sofrendo todo o tipo de humilhação, ou recebelar-se. A situação se agravou porque, como disse Tavares de Lyra, os holandeses voltaram ao Nordeste com um único objetivo: levantar os silvícolas do Rio Grande do Norte contra os portugueses. Os holandeses que se casaram com as viúvas lusitanas pleiteavam os bens de suas esposas ... Tavares de Lyra chama a atenção para o fato e acrescenta: "dada a situação esta consulta faz entrever, é provável que mais tarde, quando ainda se arrastavam na Europa as negociações para ajustes internacionais, os ex-dominadores mantivessem insidiosamente as ferramentas de agitação na colônia, para deles tirar partido, assim como que incitassem a virem para o Brasil fazer causa comum com os revoltados". Os portugueses cobiçavam as terras dos silvícolas, procurando se apossar delas, através do extermínio ou empurrando os nativos para o interior. Irritando, dessa maneira, os tapuias e os potiguares. Tarcísio Medeiros é mais taxativo: "Essa forma de expansão sem respeito aos bens dos índios, que ainda eram preados para o eito escravo, concorreu para os primeiros atritos, o correr de sangue de uma guerra que, por espaço de cinqüenta anos, chamada "Guerra dos Bárbaros", o Rio Grande, mal nascido, só conheceu violências, extorsões, vilipêndio e rapinagem".
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