F a s c í c u l o   5  -  D o s   B á r b a r o s   a   1 8 1 7
A Guerra dos Bárbaros

Ambição dos Colonos Revolta os Índios

Não foi uma guerra comum.

Os nativos, diante das constantes provocações dos colonos, revoltaram-se. As tribos às vezes se aliavam e, em outras oportunidades, lutavam sozinhas. Não houve, entretanto, nenhuma confederação. Muito menos um comando único, ao qual todos obedecessem. Tratava-se muito mais der uma reação contra as perseguições dos brancos que, inclusive, tinham interesse em manter acesso o fogo da revolta: com a manutenção do conflito, aos poucos, os naturais da terra seriam exterminados.

Em 1685, os janduís já demonstravam descontentamento. Em 1687, a situação se agravou, sendo descrita por Câmara Cascudo da seguinte maneira: "Os indígenas corriam incendiando, matando o gado e os vaqueiros e plantadores do sertão (...). Mais de cem homens mortos".

O capitão-mor Pascoal Gonçalves de Carvalho, desesperado, pediu ajuda aos seus colegas de Pernambuco e Paraíba, além do Senado da Câmara de Olinda.

A situação era crítica de fato. Os silvícolas avançavam rumo à capital. Atingiram Ceará-Mirim, próximo de Natal. Para se defenderem, os colonos construíram casas-fortes e paliçadas.

Alguns reforços foram enviados para a capitania, como o terço dos paulistas e, posteriormente, Domingos Jorge Velho. Não conseguiram terminar a guerra, apesar de seus esforços. É que a solução para o conflito dependia muito mais de visão administrativa, habilidades e espírito de justiça do que força e armas. O que mantinha a guerra era, sem dúvida, a ambição e a crueldade de determinados colonos que almejavam a todo preço as terras que pertenciam aos nativos... Mesmo que, para isso, fosse preciso exterminar os verdadeiros donos das terras! Mas os portugueses e seus descendentes necessitavam da proteção dos soldados para atingir tais objetivos... Acontece que, por falta de recursos, os soldados não estavam sendo pagos. Passando fome, desertavam. E mais, como disse Cascudo, as tropas "estavam obstruídas pela displicência, indiferença, descaso, ignorância, os pecados dos desinteresse que a distância multiplica".

A guerra, portanto, continuava variando de intensidade. E continuaria sempre, caso não fosse enviado para o Rio Grande do Norte um líder que desejasse acabar com o conflito, lutando contra os interesses dos oportunistas e dos aventureiros, devendo se impor pela energia e, sobretudo, por seu espírito de justiça!

 

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