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Feitos e Sonhos de Vieira de Melo Nasceu em Muriboca (hoje Jaboatão), no Estado de Pernambuco, sendo filho de Bernardo Vieira de Melo. Em primeira núpcias, casou-se com D. Maria de Barros, com a qual não teve filhos. Casou-se, pela segunda vez, com D. Catarina Leitão, tendo quatro filhos. Antonio Soares considera Bernardo Vieira de Melo um homem "enérgico, justiceiro, operoso, patriota". Como Bernardo Vieira de Melo se envolveu em acontecimentos trágicos, contrariando interesses e, ainda, defendeu idéias perigosas, como a proclamação de uma república para o Brasil, foi duramente criticado, sendo preso e morrendo na prisão. O que não se pode negar é que foi um grande soldado. Exerceu as seguintes funções, antes de governar a Capitania do Rio Grande: Capitão do Rio Grande: Capitão de Infantaria das Ordenanças, Capitão de Cavalos e Tenente-Coronel. Distinguiu-se na luta contra o Quilombo de Palmares. Foi também um bom administrador. Ocupou os cargos de capitão-mor do Rio Grande, quando pacificou a região que vivia num clima de permanente hostilidade entre os nativos e os colonos portugueses. Homem inteligente, compreendeu logo que os silvícolas se rebelavam porque eram provocados pelos brancos. E adotou como lema, conforme relata Tarcísio Medeiros, "não combater o nativo de forma desumana". Coerente com esse princípio, não promoveu nenhuma guerra contra o gentio. Evitou, com energia, que os nativos fossem provocados, porque a ameaça era realmente a ambição dos portugueses que desejavam as terras dos selvagens... Agiu, portanto, sem derramar sangue. A luta era, porém, árdua e difícil. Cansado, pediu substituto no dia 5 de junho de 1700. Bernardo Vieira de Melo foi um homem de princípios rígidos, que não permitia o menor deslize. Ao saber que seu filho, segundo informações maldosas, estava sendo traído pela esposa, agiu rápido e precipitadamente. Mandou matar o possível amante de D. Ana Tereza, capitão-mor e morgado de cabo, João Paes Barreto. Pouco depois, D. Ana Tereza foi assassinada... Vieira de Melo também ousou sonhar com uma república independente de Portugal, como esclarece Tarcísio Medeiros: "Líder da corrente emancipacionista que no Senado da Câmara de Olinda propões a instituição de uma república à moda de Veneza, livre da tutela portuguesa". Possuindo tais idéias, foi acusado, justamente com seu filho André, do crime de inconfidente e de lesa-majestade. Não suportando a perseguição, os dois, pai e filho, se apresentaram às autoridades. Foram levados para Lisboa, ficando na prisão de Limoeiro, onde vieram a falecer. O fim trágico desses dois homens foi narrado, por Tarcísio Medeiros, da seguinte maneira: "Bernardo, numa noite muito fria, acendera no quarto um fogareiro de carvão e pela manhã foi encontrado morto, sufocado pelas emanações de gás carbônico. Quanto ao filho André, morria logo depois de um ataque cardíaco, quando se entretinha a jogar com outros presos".
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